A cova dos Hipogrifos

15 Chegamos ao nosso destino - Dean


Notas iniciais
eu levei uns dois dias pra fazer esse capitulo, e teria postado bem antes mas fiquei sem net.

Ok, chutar terra em um policial foi besteira, mas eu estava em pânico! Havia vivido meu pior pesadelo e voei (quase) em um grifo, isso é pra deixar qualquer um louco!
Enfim, eu, Stevie, Billy e Emily corremos até despistar o policial que acabou desistindo de nos seguir ou foi chamar reforços, mas tirando essa parte deu tudo certo.

–E agora? Stevie se encostou numa arvore e começou a arfar com as mãos nos joelhos.

–Estamos na direção certa, pelo menos Billy caiu sentado na neve e Emily foi inspeciona-lo.

–Esta quase escurecendo falei olhando para o céu eu fico com a primeira vigia.
–Por mim tudo bem Billy caiu para trás e começou a roncar. O cara era rápido.

Stevie veio do meu lado e se sentou numa rocha. Sentei do lado dela.

–Tudo bem com você? perguntei.

–Ah-Hã Stevie ainda respirava pesado, mas parecia bem mesmo.

Ficamos olhando a neve, e Emily roncando junto a Billy. Era engraçado como os dois se davam bem quando deviam ser inimigos. Ainda se podia ouvir a sirene de emergência e na clareira onde estávamos um pedaço da asa do avião havia caído.

–Acho melhor fazer uma fogueira disse Stevie. Eu ainda nem tinha percebido como fazia frio ai ate ela dizer.

–Usamos fosforo? sorri tirando uma caixinha cheia da mochila.

–Porque não? Stevie riu Quíron não esta vendo.

Nos dois quase acordamos Billy e Emily de tanto dar risada. Uma vez no treinamento de sobrevivência da floresta, Quíron foi inspecionar outros grupos e deixou a mim e Stevie sozinhos, quando ele não estava vendo Stevie acendeu a fogueira com fosforo e o professor voltou bem na hora, e acho que você já pode imaginar a carranca do centauro. Lembrar do acampamento me deixou sem-graça e parei de rir na hora.

–O que foi? perguntou Stevie.

–Nada falei acho melhor você dormir um pouco.

–Não estou com sono ela se levantou e começou a juntar alguns galhos no chão e você não sobreviveria uma noite sem minha ajuda.

–Ah, claro ironizei. O pior é que ela estava certa. Stevie era muito melhor em luta do que eu e havia recebido mais treinamento. A única coisa que eu poderia fazer era bolar um plano e esperar uma chance de atacar, resumindo, eu era inútil.

–Sabe, eu estava pensando Stevie riscou um fosforo e acendeu os galhos o que vai ser da gente quando voltarmos?

Engoli em seco. Percebi que a gente se referia a nós dois.

–Não sei disse acho que a pergunta é se voltarmos.

–Como assim? ela se sentou do meu lado.

–Conversei com Billy falei ele disse que a Senhora é barra pesada.

–Hum ela soou meio triste, como se houvesse perdido as esperanças.

–Mas com certeza vamos voltar soltei com medo de ter dito algo errado.

–Você acabou de falar que temos uma chance de morrer...

–Eu não disse isso cortei.

–... E agora diz que vamos voltar, sem mais nem menos.

–Eu sei, mas é que...

–Você não tem realmente certeza.

Fiz que sim. Às vezes era assustador quando ela sabia o que eu estava pensando.

–Mas, respondendo sua pergunta falei acho que vai ser bem diferente.

Ela sorriu de verdade e pela primeira vez em dias parecia que Stevie estava esquecendo o proposito da missão. Foi quando ouvi galhos se partindo atrás de nós e nos viramos, armas em prontidão. Dois olhos vermelhos nos observavam e então a única coisa que consegui pensar antes que grandes patas pulassem em meu peito, foi: Oh, Oh.

***

Queria dizer que fiz um ato heroico, matei o monstro e fiquei com a mocinha, mas na verdade o peso no meu peito foi tanto que eu desmaiei e bati a cabeça. Quando acordei estava em uma espécie de caverna feita com pedras empilhadas, caberiam três ou quatro pessoas lá.

A primeira coisa que pensei foi onde estavam os outros quando uma pedra acima de mim escorregou deixando entrar um feixe de luz. A cara de Emily apareceu e ela grasnou, logo Stevie estava do lado dela.

–Oi ela disse machucado feio esse seu.

Toquei a testa e senti um galo.

–Cadê o Billy? perguntei saindo pelo buraco.

–Ela o levou de repente, Stevie parecia extremamente triste.

–Ela... foi aí que percebi a quem ela se referia Já chegamos?

–Já.

Pulei do alto ao lado de Stevie e ela disse para me sentar. Enquanto ela me contava o que havia acontecido, tratava da minha testa.

–Então, falei quando ela terminou aquele hipogrifo me acertou, eu caí, você tentou lutar contra ele mas não conseguiu.

–Isso mesmo.

–E não deu tempo de você chamar Billy nem Emily.

–É.

–Então o hipogrifo te acertou, acertou Billy, e acertou Emily, daí ele arrastou...

–Voou com nós corrigiu Stevie.

–... E nos trouxe aqui, onde levou Billy para a Senhora não sei por que, mas mencionar a Senhora me deu calafrios.

–Exatamente.

–Daí, anões assassinos nos prenderam nessas pedras.

–Pelo jeito você entendeu tudo direitinho.

–Direito até demais. Para onde eles foram?

–Hã... Stevie pensou um pouco e apontou para leste — ... Para lá.

–Então eu estou indo.

–Não! Stevie parecia realmente apavorada.

–Por quê?

–Você acha que eu já não tentei? Eu não sei o que está acontecendo, e estou preocupada, Dean. Além disso, olha o que aconteceu comigo.

Foi só então que notei sua perna. Estava dobrada em um ângulo doloroso, parecia inchada e quebrada.

–Como você...?

–Me atacaram e Emily não conseguiu me ajudar.

Emily colocou o bico sobre as patas dianteiras como se estivesse envergonhada.

–Espere cortei por que não levaram Emily?

–Levaram Stevie coçou a nuca da grifo mas ela conseguiu fugir.

Então pensei no porque de estarmos naquela missão estupida. Meu lado egoísta quis dizer a Stevie que esquecesse Sonic e levasse logo Emily para casa e a adotasse de verdade, mas estávamos ali tambem porque procurávamos a mãe de Emily e Stevie não conseguiria viver sem Sonic, ou sem querer vingança pelo que a Senhora fez.

–Você fica eu disse e me levantei eu salvo aqueles dois.

–Você não vai sozinho.

–Quem vai me impedir?

–Eu, caramba! Stevie tentou ficar de pé mas tropeçou não vou deixar você se arriscar por minha culpa, eu não vou aguentar isso!

–Você tem que tentar comecei a andar mas Stevie segurou minha mão.

–E se você morrer? ela disse o lábio inferior tremendo já perdi Thomas, não vou perder você.

Senti meu rosto ficar quente. Sentei com as pernas cruzadas na sua frente, ainda segurando sua mão.

–Vai ficar tudo bem, viu?

Pronto. Quase desisti de ir. Quando terminei a frase, Stevie me beijou, de verdade e disse:

–Vai logo antes que eu comece a chorar!

Com as pernas bambas me levantei e segui uma trilha que levava em meio a algumas árvores. Quando sai de vista tropecei em uma pedra e cai de cara. Descobri como era a sensação de ter miolo mole. Corri alguns metros e ouvi resmungos. Pulei na hora atrás de um arbusto e procurei de onde vinha a voz.

–Ele teve o que mereceu quando ouvi isso encontrei quem falava. Um anão nas mesmas proporções de Billy com macacão de presidiário sujo estava postado com uma lança ao lado da entrada de uma caverna ampla e escura, de onde se vinham vários assovios, grasnados e estalos. A caverna, pensei. Estava fácil demais.

–Ainda assim acho que a Ama foi horrível disse um anão do outro lado, mas esse tinha o cabelo loiro imundo coberto de folhas e terra.

–Argh disse o anão numero 1 você tem pena de qualquer coisa.

–Isso não é verdade disse o numero 2 lembra daquele hipogrifo que preparamos para o jantar?

–Você chorou quando tivemos que dar o veneno a ele.

–Mas depois eu fiquei bem.

–Humm então o feioso numero 1 olhou direto para mim e arregalou os olhos INTRUSO!

Os anões apontaram as lanças para mim e eu me levantei devagar.

–Espero que não seja como a garota irritante.

Cerrei os punhos e me segurei para não voar no pescoço daquele cara.

–Que você está fazendo aqui? perguntou numero 2.

–Procurando um jeito de acabar com a raça de vocês.

Numero 1 rosnou e encostou a lança em meu peito. Ele era ainda mais feio e fedido de perto.

–Muito engraçadinho ele disse, e mostrou os dentes amarelos em um sorriso é bom saber que Midnight terá um brinquedo novo.

Os dois anões riram e me empurraram para dentro da caverna.