A cor que rodeia a morte

1 Sinto morte em você, desculpe-me.


Notas iniciais
Único capítulo, feito sem minha previsão, não sei ainda o que vai acontecer, não vou mudar as notas quando terminar ele.

Percebi quando tinha apenas 4 anos. Estava no jardim da casa da amiga da minha mãe, ela foi convidada por essa amiga para conversar um pouco, enquanto ela conversava eu estava no jardim da casa da mulher observando as flores.

Sempre gostei de flores, não de onde veio, mas tenho o hábito de pegar pelo menos uma pétala da flor e despedaça-la até meu dedo se molhar com a umidade da pequena flor.

Eu peguei uma flor amarela em que estava várias formiguinhas, tirei uma pétala dela, quando fui esmagá-la entre meus dedos, senti algo estranho, como se algo ruim estivesse por perto de mim. Olhei para os lados, procurando por alguém, não havia ninguém, só eu e a estranha sensação.

Essa minha sensação se intensificou, eu pressentia que algo ruim estava muito próximo de mim, algo que já matou, algo que vai matar, uma sensação de morte. Estava a ponto de sair correndo para minha mãe, mas não corri, permaneci parada olhando para aquela flor intensamente amarela, aproximei a flor mais perto dos meus olhos, eu sentia a morte naquela flor, naquela cor.

Eu estava sentindo a cor? Sentindo a morte naquela cor?

Peguei outra flor, uma rosa vermelha, a sensação não era a mesma, eu senti um calor intenso, todo meu corpo se esquentou, fiquei com vontade de correr e não parar mais, mas não o fiz, pois vi que no fundo desse sentimento enérgico, eu sentia a morte, havia uma pitada de morte nesse tom de vermelho da rosa.

Minha mãe me chamou para ir embora, larguei a flor na grama e fui com ela de volta para casa.

Do caminho até chegar em casa, eu tocava e me aproximava de vários objetos que achei no carro da minha mãe. Eu peguei desde um emaranhado de cabelos no tapete do carro até a carteira de motorista da minha mãe.

Vi todas as cores de tudo, cheirei todas as cores de tudo, senti todas as cores, senti de verdade, cada objeto continha um sentimento, que sempre no fundo havia a morte, seja intensa ou não, as cores estão sempre rodeadas de morte.

Meu nome é Anne Cohen, hoje tenho 16 anos e sou chamada de louca por sentir as cores.

Não posso nem mais dizer para uma pessoa que há muita morte em seu casaco que ela me insulta, estou dizendo a verdade oras.

Estou sentindo algo, aonde está essa cor? O que eu sinto?

Ah, percebi, não é nada de mais. É só você. Mais uma pessoa, mais cores e o que sinto.

Sinto morte em você, sabia?

Notas finais
Terminei ouvindo o álbum Hospice de The Antlers, outro álbum aleatório, adoro fazer isso
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!