A cor do amor 2
29 Momentos de desespero
Notas iniciais

Momentos de desespero
Aiden
De manhã pego minhas coisas e sai-o sem me importar com Clar. Sabia que se fizesse isso ela traria o garoto com ela. E isso significaria desastre para mim.
O voo parecia interminável e mal aterro ligou para G.
–Aiden! Á tanto tempo, mano.
–Ya, eu sei, G. Preciso de um favor teu, cara.
–Tudo o que quiseres.
–Podes vir-me buscar ao aeroporto? Preciso de ir para o hospital o mais rápido possível.
–Hospital? Que aconteceu?
–Cara eu explico-te tudo quando chegares, mas agora despachante.
–Na boa. Tou a ir.
Desligo e tento ligar para Mylla mas ia parar ás mensagens de novo.
Por favor que ela não tenha piorado. Por favor.
–Mano!- G me abraça assim que sai do carro e o abraço de volta fechando meus olhos.
Não era a ele que eu queria abraçar e dizer que tudo ficaria bem, mas por agora era o único que tinha.
–Agora vais-me explicar tudo direitinho.
Assinto e entramos no carro. No caminho para o hospital contei-lhe tudo o que sabia. Cada vez que mais contava ele acelerava no pedal. Lhe agradeci por isso.
Pois se não fosse ele não estaria na sala de espera do hospital depois de 5 minutos.
–Aiden.- Meu pai se levanta e bem até mim me abraçando.
O abraço mas olho em volta da sala. Mylla chorava nos braços de minha mãe que continha suas próprias lágrimas. Já Xavier não aguentava o que fosse. Suas lágrimas pareciam não ter fim.
–Como ela está?
–Ainda não sabemos.- Meu pai em responde e o olho incrédulo.
–Como não?! Ela está lá dentro desde ontem!
–Nós sabemos, filho. Acredita, ninguém sabe isso melhor que nós.
Esfrego meu rosto e me sento ao lado de minha mãe e Mylla. Olho o rosto de minha irmã que abre os olhos para me olhar. Seus olhos azuis estavam vermelhos de tanto chorar.
–Conta-me o que aconteceu, My.
Minha irmã limpa um pouco o rosto mas continua deitada nos braços de minha mãe. Nunca tinha visto Mylla tão frágil. Nem quando lhe morreu seu hámster. E ela amava aquela coisa peluda.
–Ela tinha ido á casa de banho, mas nenhum de nós pensou que ia acontecer algo. Ela estava pálida, mas ela estava assim á dias nunca pensei que fosse ser logo ontem.- Chora olhando par o chão.- Começamos a notar que estava a demorar demais então eu e Aly fomos ver o que estava a acontecer enquanto os rapazes esperavam no lado de fora. Assim que entro ela estava lá… No chão… E… ela sangrava do nariz… e á volta dela…- Ela soluça e me olha.
Podia ver o arrependimento e a culpa em seus olhos.
–Desculpa Aiden. Eu disse-te que a protegeria mas não consegui. A culpa é toda minha. Desculpa.
–Ei, Ei.- Seguro seu rosto limpando suas lágrimas frias.- Não tiveste culpa nenhuma, My. Tu tentas-te. És amiga dela, melhor amiga. E fizeste tudo o que podias. Eu não te culpo e tenho certeza que Della também não. Eu é que devia ter estado aqui com ela. É minha noiva. Minha miúda. A mãe de meu filho. Quem tinha essa responsabilidade era eu. Ninguém mais.
Ninguém tem culpa de eu ser um palerma egoísta.
–Não digais besteiras os dois.- Minha mãe interrompe nos olhando.- Nenhum dos dois teve culpa. Ninguém estava á espera, muito menos Della. Era suposto ela já estar melhor. E com os enjoos da gravidez ninguém se apercebeu. Mas vocês os dois não podiam ter feito nada. E Della sabe disso. Mas podeis fazer uma coisa agora.
–O quê?- Pergunto.
Faço qualquer coisa por ela. Qualquer coisa, apenas para a ter de novo comigo.
–Ter fé.
Esfrego minha cara suspirando e Mylla assente.
Droga, Della. Não me faças isto por favor.
Depois de algumas duas horas Spencer apareceu com Aly e Alex. Alex logo abraçou minha irmã que se escondeu nele e Spencer se sentou ao meu lado com Aly.
–E ai, cara? Alguma notícia?
Nego com a cabeça, cansado, frustrado, irritado, com medo.
Que merda! Quando vai aparece alguém?
Me levanto e caminho de um lado para o outro olhando para as pessoas naquela sala. Havia uma idosa olhando para tudo aborrecida. Uma mulher e uma garota de uns 15 anos conversando irritadas. Um homem encostado á parede no celular. Uma menino sentado na cadeira lambendo um chupa-chupa enquanto a mãe o tentava limpar dizendo alguma coisa, que ele de certeza não ouvia. Mas meu olhar caiu sobre um casal com uma menina no colo do homem enquanto os 3 acariciavam a barriga da mulher.
Fecho meus olhos e levanto minha cabeça para o teto.
Era suposto aquele ser nosso destino, Delly.
–Foda-se!- Grito frustrado indo até ao balcão.
A mulher me olha incrédula como se nunca tiveste ouvido tal palavra.
–Vamos esperar mais quanto tempo? quero saber como está Della agora!
–Aiden, calma filho.- Meu pai põe uma mão no meu ombro o apertando.
–Teu velho tem razão, Aiden. – G tenta me puxar mas puxo de volta em soltando.
–Não podem continuar brincando com nossa cara. Della está lá desde ontem! Quero falar com alguém. Que seja um médico, ema enfermeira, até pode ser com o papá, eu apenas quero informações, caralho!
–Lamento senhor, mas não posso fazer nada.
–Então serve para quê?!
–Aiden!- Meu pai me repreende enquanto a mulher me olha zangada.
Zangada. Furiosa. Ela até me podia olhar com ódio. Estou-me das tintas!
–O senhor tem de perceber que meu dever aqui é apenas informar os médicos em serviço de vossa presença, nada mais.
–Então avise-o! Está á espera de quê? Vá até esse médico da treta e avise-o que quero falar com ele!- Bato no balcão com o ponho sem deixar de olhar os olhos daquela mulher.
–Aiden, pára!- Meu pai pega meu braço e me puxa para trás.- Isso não adianta de nada.
–Eles não dão notícias, pai!- Digo desesperado sentindo meus olhos arderem e ele passa a me olhar com compaixão.
–Eu sei, filho. Eu juro-te que se pudesse eu mesmo entrava ali dentro pedindo informações. Mas apenas estragaríamos as coisas para Della. A única coisa que podemos fazer é esperar.
Me abraça pelos ombros e me leva de volta para os bancos. Acabo caindo neles escondendo meu rosto entre minhas mãos.
–Toma, cara. Tu precisas.- Olho G que me estendia um copo com café e o seguro sentindo o calor nas minhas mãos.
–Nós iamos casar-nos daqui a 3 meses.- Sussurro olhando o liquido e G despeita-me meu cabelo.
–Cara, quem te ouvir falando ade pensar que já não o ides fazer. Lembras-te? Eu sou o padrinho e quem manda é o padrinho.
Sorri-o um pouco e o olho.
–Sério? Pensei que era o noivo.
–Na, isso era antigamente. Agora está tudo nas mãos do padrinho, principalmente tua festa de solteiro. Já estou a ver.
Reviro os olhos e suspiro olhando minhas mãos.
–Estou com medo, G. Se Della souber…
Estou morto, perdido, desfeito.
–Se ela souber do quê?
O olho e ia a falar na hora em que um homem de bata entra e pára nos olhando.
–Xavier Telles?
–Eu.- Xavier se levanta e faço o mesmo esperando noticias.
–Temo dizer-lhe que o estado de Della não é o melhor.
–Porquê?- Pergunto sentindo meu coração na boca.
Ela não me vai fazer isto. Ela não pode! Nós estamos noivos.
–Não estávamos á espera que a anemia dela voltasse e ainda por cima ela está grávida.
–O que a anemia tem a ver com a gravidez?- Meu pai pergunta abraçando minha mãe aparecendo ao meu lado.
–Della perdeu muito sangue e isso quase que prejudicou o bebé, mas isso não é o pior. Della precisa de tratamento urgentemente ou não resistirá por muito tempo. 2 anos no máximo.
–Então? Está á espera do quê?!- Digo um pouco alterado.
–Acontece que se Della fizer o tratamento, o bebé morrerá. Ele não aguentará.
–Hã?- Sussurro desejando estar ouvindo mal.
Só pode, né? Qual é?
–Então, se Della fizer o tratamento o bebé morre, mas se ela não o fizer, morrerá ela?- Mylla tenta perceber e o médico assente me fazendo fechar meus olhos.
Merda. Que mal eu fiz?
–Infelizmente é isso. A escola está nas vossas mãos. Ainda pudemos tirar o bebé a tempo, antes que seja pior para Della.
–Aiden.- Olho Xavier que me olha com o rosto vermelho das lágrimas.
Seu rosto estava tal e qual quando Rita morreu. Cansado, desesperado, perdido. Que quase que podia ver meu rosto nele.
–A escolha é tua. Eu sei que ainda não estais casados, mas é teu filho e já te considero meu genro. Tu escolhes o que queres que se faça.
–A escolha é tua, filho. Della ou teu filho?- Meu pai me pergunta e podia sentir os olhos de todos em mim, mas minha dúvida era nenhuma.
Desculpa Della.
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