A cidade das fantasias
2 O vidente louco
Notas iniciais
Assim que abri os olhos eu vi aquele quarto branco de novo. NÃO É POSSÉVEL. Já estava começando a ficar irritada até que eu vi o garoto de novo.
– Finalmente você acordou! Já estava começando a ficar preocupado, até acharia que você tivesse morrido, se isso fosse possível aqui – falou num tom menos sério do que costume, parecia estar tentando ser engraçado.
– Como assim impossível? – falei confusa. Esse lugar ficava cada vez mais e misterioso e a situação cada vez mais estranha, sentia o clima pesar cada vez mais.
Sem me responder nada o tal menino apenas pegou minha mão e me arrastou pra fora do quarto, enquanto pensava em um jeito de fugir daquele lugar de loucos. Então me toquei que se eu realmente estava naquele lugar, se nada daquilo era um sonho, eu ainda devia estar metade gato. Apesar de amar gatos, eu achava aquilo demais até pra mim. Será que não tinha como eu voltar ao normal?
– Pra onde você vai me levar? Onde eu estou? Porque eu virei um gato? Eu não estou entendendo o que esta acontecendo aqui. Eu nem mesmo sei quem é você – falei já no meu limite. Se ele não me respondesse naquele segundo eu iria atrás delas sozinha.
– Eu sou Luke , também sou um anjo – falou impaciente – e se você quer ter suas respostas, apenas me siga. Esse prédio que nós estamos é onde você irá morar a partir de hoje, e aquele quarto é só seu, você pode mudar o que quiser nele. Vamos para o centro da cidade, onde tudo daqui é comandado, lá você poderá perguntar oque você quiser.
– Mas se você é um anjo, porque não é igual a Jess? Já que claramente você não tem nenhum olho claro nem cabelos louros brilhantes.
– Porque eu sou um anjo da morte – falou com um pouco de vergonha, já que achava que eu iria ficar com medo dele por isso. Na verdade eu só fiquei com mais vontade ainda de conhecê-lo melhor. Eu até podia, no fundo, ter um pouco de medo do que ele poderia fazer comigo, mas como não é todo dia que se vê um anjo da morte, eu realmente queria saber mais sobre ele, além dele não parecer nada perigoso. Apesar de ter olhos hipnotizantes, ainda pareciam ser confiáveis. Ele tinha compaixão, mesmo sendo um anjo da morte.
– Não precisa ficar assim, eu não sinto medo de você por isso... – senti que devia tentar amenizar esse clima tenso que tinha entre nós.
– Obrigado... – falou meio triste por talvez estar se lembrando de algum momento ruim. Preferi não perguntar o que era.
Assim que saímos do prédio eu vi muitas criaturas que veria em lendas ou contos de fadas. Tinham bruxas, vampiros, anjos, e outros seres meio humano meio bicho. Eu ficava virando o rosto e encarando as “pessoas” por ai só imaginando onde eu devia estar. Fiquei tão distraída que quase me perdi no meio do caminho algumas vezes, mas logo chegamos ao tal lugar que ele havia comentado.
Paramos na frente de um prédio gigante todo de vidro onde estava escrito “PREFEITURA DE ILLUSIA” em dourado. Quando entramos, fomos para o balcão e o Luke começou a falar com a atendente, que quando olhei melhor, vi asas bem delicadas e brilhante saindo das costas dela, ela era uma fada:
– Mais uma pra ser atendida aqui, Crystal –disse para a balconista que já devia saber exatamente o que fazer com novatos como eu. Devia trabalhar lá há anos.
Ela apenas me mandou segui-la e foi para um longo corredor. Paramos numa porta onde tinha escrito “conselheiro”, então ela bateu na porta. Ouvi uma voz masculina falar “entre” então ela apenas a abriu e foi em direção à recepção.
Entrei um pouco ansiosa pela ideia de poder ter minhas respostas finalmente. Assim que passei pela porta, vi uma sala pintada de verde bebê, um ambiente bem tranquilo e aconchegante. Uma das paredes com estantes totalmente cobertas por livros que aparentemente eram de magia e videntes. Quando eu virei para ver o homem que tinha pedido pra eu entrar, dei de cara com um senhor que devia ter uns 60 anos com umas roupas estranhas sentado numa cadeira que imitava um trono da realeza. Ele estava encarando uma bola de cristal que estava sobre uma mesa redonda com uma longa toalha vermelha, que clichê...
– Sente-se, minha jovem – disse apontando para a cadeira do outro lado da mesa – você tem que aprender muitas coisas ainda. Comece a fazer as perguntas, por favor.
FINALMENTE A HORA CHEGOU. ALGUÉM QUE REALMENTE IRIA ME AJUDAR. FELICIDADE ME DEFINE NESTE MOMENTO. APENAS.
– Onde eu estou? Como vim parar aqui e por quê?
– Você está num mundo onde tem criaturas mágicas. Ele parece bem divertido e descontraído, mas por trás de toda essa alegria, há um lado sombrio... — ele pensou mais um pouco antes falar mais alguma coisa e logo depois, com uma cara bem séria, continuou — não sei se deveria te contar como e porque está aqui, mas que fique bem claro que querer saber demais pode acabar sendo informação demais ao mesmo tempo... Tome cuidado com o que realmente quer perguntar, pois isso pode te enlouquecer.
– Não irei virar maluca!!! Quem é louco aqui é você!!! — disse com o rosto vermelho de tão furiosa que estava – Eu exijo alguma resposta, é apenas o meu direito!!
– Já que faz tanta questão, vamos fazer um acordo. Toda vez que eu sentir que já falei demais pra um dia, vamos encerrar a nossa sessão e você volta quando se sentir pronta para saber mais. Pode vir a qualquer hora entre as quatro e às seis da tarde, de segunda a sexta. Ok?
Já que não tinha jeito mesmo tive apenas que concordar... Eu que não ia discutir com um maluco metido a vidente. ~~~mau humor me fazendo ficar grossa~~~
– Você está aqui porque você morreu...
Depois disso tudo ficou um silêncio. Eu morri? De repente veio na minha cabeça pequenos flashes do dia fatídico. Estava andando na rua de madrugada, não reconheci o lugar e nem consegui lembrar o que fazia naquela hora pra estar tão tarde fora de casa, ainda mais com apenas 16 anos. Quando estava atravessando a rua meio viajando, tentando esquecer de algo, só deu tempo de virar o rosto e ver as duas luzes vindo pra cima de mim. Um carro.
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