A chuva parou por fim...
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Espero que gostem ^o^
A chuva batia na janela, quase que exteriorizando a sua personalidade. Fria, calculista, imprevisível e no entanto previsível se prestássemos atenção aos sinais. Fazia coisas inconsequentes e totalmente imaturas para a sua idade. Tinha quase 18 mas tinha atitudes de uma criança de 5 anos pois acreditava que tinha de aproveitar a vida e todos os seus abençoados momentos!
A simplicidade com que a vida aparece do aparente nada e ao mesmo tempo a sorte com que tudo á nossa volta existe. Tudo isso na sua opinião devia ser celebrado todos os dias, pois tinha vivido o pior que a vida lhe podia oferecer e não desejava esse mal a ninguém.
Tinha amigos sim, no entanto estes eram tão falsos quanto a intensidade do brilho do sol naquele momento. Sabia muito bem que estes só estavam com ela pelo dinheiro repentino que lhe surgira. O dinheiro pertencia a um homem que dizia ser seu tio e que apesar das fotos e provas que a convenciam racionalmente, o seu coração recusava-se a acreditar que aquele desconhecido que viera do nada era a única família que lhe restava, pelo que tratava o homem como o desconhecido que ele era. Esta atitude magoava-o profundamente mas ele nada dizia para contraria-la pois sabia e compreendia a sua dor, já que estava numa situação parecida mas não tão trágica quanto a sua sobrinha. Perdera os pais quando tinha 8 anos num acidente de carro que a própria vivenciou, sendo a única sobrevivente. E durante os 10 anos seguintes ninguém a reclamou como família, pelo que viveu os 2 anos seguintes num orfanato. Aos 10 anos ficou tão feliz com a sua nova família apenas para descobrir o mundo da violência doméstica pela primeira vez. Passados 2 anos foi para um curso profissional por ordem da escola devido ás constantes reprovações, e foi aí que, diante do psicólogo da escola, confessou todos os seus males e foi imediatamente retirada da sua família adotiva passando, no fim, a viver com o psicólogo que se comoveu com a sua história. Durante 3 anos tudo lhe corria relativamente bem, apesar do modo como afastava as pessoas com a sua maneira infantil e irritante de lidar com as coisas quando estava nervosa com algo ou alguém, pelo que não tinha amigos nem alguém a quem pudesse chamar de colega sequer.
Andou durante mais um ano a vaguear pelos corredores da escola, tempo do curso acabar e ela ter de decidir o que fazer da vida. Com uma decisão desse tamanho sobre a sua cabeça durante tanto tempo a sua mente imatura decidiu que tinha de fugir!
E assim o fez com sucesso por uns meses, altura em que, tanto o dinheiro quanto a polícia que a encontrou, a forçaram a voltar para a segurança do seu tutor. Uns dias depois de ter voltado á sua vida normal, ainda que triste e depressiva, o seu tio endinheirado chega de um país longínquo, do qual ela não sabia a existência, clamando aos 7 ventos que a partir daquele dia tomaria conta da sobrinha.
E assim foi por uns meses…
No entanto o dinheiro não compra a felicidade, que infelizmente foi o que ela sempre precisou e nunca ninguém lhe soube dar. Rodeada de dinheiro, amigos, ainda que falsos, e no geral de uma boa vida, ela nunca se sentiu tão sozinha e desamparada. E foi no auge daquela tempestade que ela tomou a sua maior decisão, caminhando em passos firmes até ao único local que lhe deu conforto durante tanto tempo, o túmulo dos seus pais. Com um suspiro soltou uma última frase ao mesmo tempo em que a chuva parava.
-Esperem por mim! Mãe! Pai!
Notas finais
Beijinhos doces :3
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