Notas iniciais
Esta fic é uma continuação de outra fic minha, ATT WHORE, que eu ainda não tive a decência de postar neste site, apesar de ter sido participação de um dos DeLiPas anteriores, mas imagino que quem vier a ler esta one-shot, esteja familiarizado com César e Sebastian.

César estava esperando por Sebastian na praça de alimentação, como haviam combinado por telefone no dia anterior. Vestira sua roupa preferia para aquele momento tão importante para os dois: camisa lilás, calças jeans claras, uma jaqueta violeta e seus cabelos recém retocados de vermelho-vivo.

Sebastian chegaria a qualquer momento e não fazia ideia do que estava se passando pela cabeça do namorado. Ele só havia dito que precisava conversar sobre algo muito importante e que, por isso, precisava ser ao vivo.

Combinaram às 17h e César checava o relógio de pulso prateado de dois em dois minutos, aflito com o tempo que custava a passar, quase devorando o dedo que mordiscava. Sabia que Sebastian normalmente era bem pontual, mas por algum motivo, sentia que justamente naquele dia teria que esperar por bastante tempo. Mas talvez fosse apenas sua ansiedade falando mais alto do que seu bom senso.

Olhou mais uma vez no relógio, bem no momento que deu 17h em ponto e levantou do banco onde o esperava, buscando com os olhos sua presença por perto. Diferente de si, Sebastian não usava roupas muito coloridas nem chamava muita atenção, mas por algum motivo, depois de dois anos de namoro, César era capaz de encontrá-lo com notável rapidez em grandes multidões.

Passou longos cinco minutos olhando para todas as direções, aflito, e já começava a ficar consciente das pessoas que passavam e o encaravam por conta de suas roupas quando sentiu duas mãos cobrirem seus olhos e a voz de veludo de Sebastian ecoar em seu ouvido, alegre como sempre:

― Adivinha quem é.

Sorriu de alívio e felicidade e segurou suas mãos para tirá-las dos olhos antes de virar e trocar um selinho com o outro.

― Já estava ficando nervoso ― admitiu, em voz baixa, com vergonha.

― Ué, mas eu só demorei cinco minutos. ― Franziu os cenhos, honestamente confuso. ― É algo tão sério assim que eu precisava estar aqui pontualmente às 17h?

Sebastian afagava suas bochechas suavemente com os polegares quando um pensamento cruzou sua mente e seu semblante se metamorfoseou em um de pânico.

― N-não é isso que você está pensando! ― César se apressou em cortar seu raciocínio, até gaguejando. ― Não vou terminar com você. Não estaria vestido nas minhas melhores roupas se fosse terminar. Não… É outra coisa. É uma notícia boa. Mas primeiro… ― olhou em sua volta, baixando um pouco a voz. ― Vamos para um lugar menos lotado de gente, ok?

Puxou Sebastian pela mão, olhando para os lados, e caminhou apressado com o amado pelo shopping, já tendo planejado previamente o que queria fazer.

Sebastian seguia César, muito confuso, mas já mais aliviado ao saber que não havia sido chamado para notícias tristes. Eles andaram pela praça de alimentação, passando por algumas lojas até sair na área para fumantes do shopping, que tinha algumas poltronas para as pessoas socializarem e tomarem um ar livre.

Quando chegaram neste espaço, César parou em um canto, perto de algumas poltronas e, com um sorriso o rosto digno de uma criança ganhando doce, pegou as duas mãos de Sebastian e deixou algo dentro delas antes de fechá-las.

― Pode abrir as mãos.

Sebastian, ainda confuso, obedeceu, sem saber bem o que esperar. Podia ser qualquer um dos presentes discretos que César lhe comprava (apesar de seu estilo extravagante), mas qual não foi sua surpresa ao encontrar em suas palmas uma pequena chave dourada em um chaveiro de corvo, sua ave favorita, bem como o protagonista de seu poema favorito.

Levantou os olhos para César, surpreso, e presenciou seus olhos encherem d’água, seu rosto apreensivo e suas bochechas coradas.

― Eu estava pensando… Já que eu estou mudando de apartamento, por que não escolher um que seja um pouquinho maior… E chamar você para vir morar comigo?

A resposta de Sebastian foi um sorriso que iluminou seu rosto como o sol e um beijo emocionado em César, seu belo pavão humano.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!