A caçadora do amor

2 Nunca confie em você e seus amigos bêbados perto de um velho safado


Notas iniciais
heeeeeey, voltei agora com o primeiro capítulo! Queria agradecer a Melody por ter comentado no passado (sinceramente menina, tu não sabe o quanto me deixou feliz) e aos fantasmas que leram e não se manifestaram (saibam que aparecer é bem legal) Boa leitura!

1. Nunca confie em você e seus amigos bêbados perto de um velho safado.

Sentado no sofá, Gajeel se perguntava como havia chegado nessa situação. Suspirando alto, ele encarou a mulher que arrastava seu rack e colocava aquela mala rosa, enorme e chamativa no lugar.

A garota – e ele tinha quase certeza, e um pouco de desespero, que era apenas uma menina, considerando o tamanho dela – encarou-o com os olhos bem abertos.

— Sou Levy McGarden. – apresentou-se sentando no outro sofá.

— Você já disse isso. – bufou, lembrando de quando havia tentado se livrar dela a qualquer custo. Porém não pôde deixá-la na porta por muito tempo, pois com certeza os vizinhos logo perceberiam a presença dela lá. Se é que eles não tinham escutado a gritaria que ambos tinham feito quando ele quase fechou a porta na sua cara. — Eu já te dispensei garota, não era pra você estar aqui.

— Oras, claro que era! – Levy piscou de forma dissimulada. — Não se esqueça que foram você e seus amigos que nos ligaram!

— Mas é isso que eu tô tentando te explicar desde que você chegou aqui! – balança os braços em sinal de irritação. — Nós estávamos bêbados, e agora eu te dispenso desse seu trabalho ridículo!

— Meu trabalho não é ridículo. – lhe lançou um olhar grave, cruzando as pernas. — E além de tudo eu não vou sair daqui, o trabalho já está pago e eu tenho que cumpri-lo.

— Como assim pago?!

— Vocês depositaram o dinheiro na nossa conta, às exatas... – analisou bem o papel da prancheta. — 4:17 da manhã.

— E vocês ainda aceitaram, mesmo sabendo que ninguém, em sã consciência, deposita dinheiro a essa hora?

— Na verdade, as pessoas depositam sim. – começou a balançar a caneta. — É geralmente nessas horas que fazemos os melhores negócios, elas parecem levar um choque de realidade e ficar meio desesperadas.

— Então ligam e contratam vocês. – conclui, vendo-a assentir. — Olha, sinceramente, não precisa nem devolver o dinheiro, só sair da minha casa e esquecer desse contrato ridículo. Posso te garantir que não estou interessado em conseguir o amor da minha vida, e que não vou ficar nem um pouco mal se você for embora.

— A questão, Redfox... – começou Levy, levantando-se e verificando as gavetas dele. — É que simplesmente não posso ir embora antes de completar minha missão.

— Nem quando o cliente te dispensa?

— Exatamente. Geralmente as pessoas tentam desistir quando aparecemos na porta delas, mas depois concordam, levando em conta que nos contrataram.

— Tsk, tô vendo que não vou conseguir me livrar de você.

— Não mesmo. – ele ergue uma das sobrancelhas ao vê-la se inclinar sobre uma das gavetas do rack, empinando o quadril em sua direção.

Gajeel analisa a situação, se não ia conseguir se livrar dela, podia apenas fingir que colaborava. Aquilo seria bastante interessante.

— E o que acontece se você falhar?

— A questão aqui é: tenho dois meses pra cumprir essa missão. E eu nunca falhei. – conclui virando-se para ele.

— Nunca?

— Nunca. – começa a dar voltas pela sala, revirando cada um dos cantos dela. — E nada que você faça vai conseguir me impedir.

— Não é como se eu fosse precisar fazer muito esforço pra frustrar seus planos. – dá de ombros. — Mas porque dois meses? E por que você não para quieta? Isso tá começando a me irritar.

— Vocês pagaram por esse serviço, te ajudar a achar seu amor verdadeiro em sessenta dias. Pra isso eu preciso saber o máximo possível sobre você e fazer uma ficha. – anda pela sala fazendo uma série de anotações.

— Você é biruta. – conclui ao levantar-se e secar as mãos na calça. — Se a querida não se importar, eu vou dormir. Pode continuar fazendo... O que quer que seja. – franze o cenho ao vê-la dar de ombros, já muito confortável em seu apartamento. Ele simplesmente não conseguia entender essa situação.

Deitou na cama e se cobriu, com a pretensão de esquecer toda aquela história e também afastar a ressaca que a McGarden só fizera questão de intensificar.

Gajeel tentou dormir durante meia hora, nas quais o sono não havia feito nenhuma questão de se aproximar, afastado tanto pela bebedeira da noite anterior quanto pela barulheira que a tal "caçadora do amor" — ele não conseguia deixar de achar a ideia ridícula – fazia na sua cozinha.

— Mas que porra é essa?! – irrompe na cozinha, assistindo-a revirar sua gaveta de talheres.

— Pesquisa de campo. – diz passando a escrever alguma coisa naquela maldita prancheta, que já estava começando a irrita-lo. Passou por ele e foi em direção à sua lavanderia.

— Hmm, lavanderia completa. – virou-se para ele. — Do que você trabalha? Quanto ganha por mês?

— Que interesse todo é esse? Espero que se for pra achar alguém pra mim, não seja alguém que queira só meu dinheiro. – afirma mesmo sabendo que várias pessoas optavam por lavanderias comerciais. — Sou um dos donos de uma mecânica.

— E fez faculdade de alguma coisa? – o moreno a segue em direção à sala e se senta. Parecia ter voltado no tempo, há pouco mais de trinta minutos.

— Engenharia Mecânica, vou começar minha pós no ano que vem. – comentou ignorando a sobrancelha arqueada dela. Ele sabia muito bem que sua aparência não denunciava ser a de alguém aplicado nos estudos. — Sério mesmo que você vai fazer um interrogatório comigo?

— Óbvio, e é muito melhor que você ceda por pura vontade pra que eu possa pôr as mãos na massa e te arranjar alguém. – observa quando ela entra no seu quarto.

— Epa, epa! Que quê você quer aqui?! – fica assombrado ao vê-la mexendo na sua gaveta de cuecas. Quem aquela louca achava que era?!

— Hmm, sete pacotes de camisinha. "Grande". – analisa bem as embalagens antes de voltar a fazer anotações, logo indo em direção ao guarda-roupas. — Sete uniformes? Parece que alguém aqui gosta do trabalho. E do número sete.

— Se você não sabe, o meu serviço é do tipo em que se suja bastante. – responde puxando-a pelo cotovelo. — E ninguém te deu permissão pra ir entrando aqui desse jeito.

— É claro que eu sei. – desvia das mãos dele, voltando o olhar para as roupas. — Foi só um comentário. Se vamos trabalhar com isso precisamos pelo menos de um acordo mútuo de nos suportarmos.

— Bom, como você viu agora pouco, eu não tô com vontade de achar uma namorada, amor verdadeiro, seja lá como você chame. – tenta puxá-la outra vez, mas Levy firma bem os pés no chão. — Largue de ser insuportável e saia daqui garota!

— Eu não sou uma garota! – vira-se bruscamente para ele, fazendo-o tropeçar e cair para trás a levando, obviamente, junto.

— Não mesmo, na verdade você é maluca! – tira o cabelo dela da sua cara. — Falando nisso, quantos anos você tem? Assim, só pra saber se não vou ser acusado de pedofilia, ou de trabalho infantil...

— Eu tenho vinte e quatro anos, tá?! – afasta-se dele e começa a bater um dos pés no chão. — E eu gostaria muito que você cooperasse!

— Larga de ser idiota! – joga um travesseiro nela, deixando-a mais irritada ainda. — Se você não percebeu, eu não pretendo ajudar com merda nenhuma, se você conseguir me arranjar alguém vai ser lucro.

— Como assim não vai me ajudar?! Eu tô com uma vontade enorme de tirar esses piercings da sua cara com um alicate Redfox! – estressada, ela avança sobre ele, acertando-o inúmeras vezes com o travesseiro.

— Ai! Bater no cliente não é contra o regulamento?! – tenta fazê-la soltar seu cabelo.

— Agora você é um cliente?! – a azulada acerta a cara dele outra vez com o travesseiro e bagunça seu cabelo. — De qualquer forma ninguém nunca achou que uma coisa dessas pudesse acontecer. Não pensaram que podia haver um idiota o suficiente pra isso.

— Tá, tá, chega! – a tira de cima de si segurando-a pelos pulsos e a jogando sobre a cama. Franze o cenho. — Existe perfume de baunilha?

Envergonhada com a mudança de assunto, ela o chuta no estômago e depois de conseguir livrar-se, levanta e arruma a roupa já amarrotada.

— Claro que sim. – analisa a cômoda situada no canto do quarto e pega um dos frascos. — O perfume que tô usando é dessa marca aqui.

— Foda-se. – balança a mão como se não houvesse mais importância. — Vaza quarto, que eu vou me trocar e sair. Você pode continuar aqui fazendo essa tal de pesquisa de campo. Depois decidimos o que vamos fazer.

— Isso já está praticamente decidido, eu vou continuar tentando conseguir alguém pra você. – ela cruza os braços.

Gajeel passa uma mão pelo rosto. Aquela nanica era insuportavelmente insistente, de uma maneira que o deixava com vontade de atacá-la dali, da janela do sétimo andar.

— Olha, eu realmente estou com uma puta ressaca do caralho, e sem paciência com você. A gente resolve isso depois que eu voltar. – começa a dizer. — Agora saia do quarto antes que eu tire você desse apartamento sem te deixar nenhuma escolha.

A azulada o encarou por um longo tempo de jeito inquisidor, e pareceu tomar uma decisão pouco antes de se agachar e pegar aquela porcaria de prancheta para sair do quarto. Gajeel preferiu encarar as pernas muito bem acopladas naquela saia justa para resistir o impulso de chacoalhá-la várias e várias vezes.

↓

— Isso é totalmente ridículo. – observou Natsu enquanto sorvia um gole de cappuccino.

— E você acha que eu não sei? – Gajeel também toma um pouco do seu.

Depois daquele momento em que havia ficado muito bravo com Levy, ele ligou para o rosado e combinou de se encontrarem em uma cafeteria ali perto. Mas nunca tinha se passado por sua cabeça que a mulher ia segui-lo.

— Eu realmente me pergunto como sempre nos metemos nesse tipo de situação. – o outro comenta.

— Bom, pelo menos dessa vez a culpa não é realmente nossa. – trinca os dentes. — Quando eu encontrar o Gildarts, vou matar aquele velho safado.

— De qualquer forma, a gente já tá muitos ienes mais pobres e com o contrato feito.

— Você só fala isso porque não tá com uma louca no seu pé, literalmente.

— Eu assumo que a situação é estranha. – Natsu concordou. — Será que ela realmente acha que ninguém a notou?

Dando de ombros, o metaleiro se vira discretamente para trás, analisando Levy que estava do outro lado da cafeteria, tentando se disfarçar.

— Ela tem que ser muito iludida pra pensar que eu não ia reparar em uma pessoa de cabelo azul me perseguindo. – o rosado riu.

— Realmente, sua cara quando chegou aqui era impagável. Seria muito maneiro ver ela cumprindo o trabalho impossível de te arranjar alguém.

— Nem me venha com uma coisa dessas! Ficou maluco, é? – passa uma mão pelo rosto. — Eu não posso nem ir mijar que ela vai atrás de mim.

— Mas isso não é bom? – repensou as palavras quando o metaleiro arqueou as sobrancelhas. — Não o fato de ser perseguido, só que você pode se aproveitar da situação.

— E como você sugere que eu faça isso? – questiona pedindo outro copo para o garçom.

— Aparentemente ela só quer terminar o trabalho. – Natsu dá de ombros enquanto assopra o líquido fumegante. — Você tem que admitir que transar é bom pra caralho e que não anda fazendo isso ultimamente. Una o útil ao agradável e torne as coisas mais fáceis para os dois, já que ela provavelmente não vai embora mesmo. Fale que vai ajudar e teste as pessoas que ela te arranjar, quando terminarem esses dois meses ela vai embora e você fica de boas. Isso se o menino Gajeel não se encantar por ninguém. – acrescenta.

— Aaah, cale a boca. – para pra pensar. — Mas até que essa é uma boa ideia, só não sei como vou aguentar essa mulher no meu pé todo esse tempo. – suspira terminando de tomar o cappuccino. — Até que você tem umas ideias consideráveis de vez em quando.

Natsu bufa. Ele fazia parte da área criativa de uma empresa de publicidade.

— Vá se foder, e decida logo o que fazer. Eu nem tinha que estar aqui depois dessa noite, só queria ficar dormindo. – reclama.

— Você tinha é que estar junto com a sua namorada, que provavelmente está sendo cercada por alguém.

— Ainda com esse papo. – o outro revira os olhos.

— Só tô te alertando pra parar de ser tão idiota, mesmo sendo difícil.

— Eu confio no meu taco. – cruza os braços confiante.

— Infelizmente pra você, tem outros cem que também confiam, lá na faculdade. – comenta enquanto levanta e deixa algumas notas sobre a mesa. Dá pequenas batidinhas no ombro do amigo, com quem dificilmente tinha uma conversa séria como a que tiveram naquela manhã. — Mas você decide isso, falô mano.

Caminhando até o outro lado do estabelecimento, Gajeel perguntou a si mesmo se Levy teria a capacidade de achar que era discreta com toda aquela massa azulada em cima da cabeça.

— Vamos. – diz ao se aproximar o suficiente, deixando uma nota em cima da mesa e a puxando pelo braço. Ele estava gastando dinheiro demais aquele dia pro seu próprio gosto.

— Q-Que?! Espera! – ela vai atrás dele, tropeçando nas próprias pernas. — Como você me descobriu?!

— Você achou mesmo que eu não ia reparar numa mulher de cabelo azul me seguindo?! Qual o seu problema?! – questiona exasperado agora que já estavam na rua.

— Na verdade, o cabelo azul funciona como um elementos distrativo. Muitas pessoas acham que quem usa o cabelo dessa cor só quer chamar a atenção e por isso mesmo a evitam e...

— Sério mesmo que você vai vir com psicologia reversa pra cima de mim?! – ergue os braços, sem acreditar. — Quantas pessoas de cabelo azul você acha que ficam atrás de mim?! Até minha prima que é maluca tem mais o que fazer!

— Infelizmente pra você eu sou paga pra te seguir! – ela bate um pé no chão repetidamente.

— Tanto faz. Vamos conversar sobre isso lá em casa. – decide quando percebe que haviam várias pessoas encarando-os.

Lado a lado, caminharam em silêncio. Para Gajeel era estranho ver uma pessoa dar três passos enquanto ele dava só um sem ser uma criança, porém considerou que era a primeira vez em que andava com uma mulher que não fosse alta e esbelta – ou talvez só não alta, a McGarden era com certeza esbelta em todos os sentidos. E era exatamente isso que o deixava ainda mais apreensivo, considerando que era uma pessoa com apetites saudáveis, ele se perguntou como suportaria tudo isso por dois meses.

Praguejando, ele chegou a conclusão de que realmente teria que acatar o conselho de Natsu e levar a sério tudo aquilo.

— Certo. – começou enquanto sentava de frente pra ela na sala. — Vamos falar sobre essa sua missão estúpida.

— Ela não é est...

— Você sabe que é sim! – cortou-a revirando os olhos. — Mas talvez, só talvez, eu esteja disposto a colaborar.

— Finalmente! – com as mãos pra cima, até parecia que seus olhos brilhavam.

— Mas..! – começou, fazendo-a murchar. — Você vai ter que parar de me fazer passar ridículo me perseguindo daquele jeito. É vergonhoso!

— Eu não precisaria te perseguir se você tivesse respondido minhas perguntas em vez de ficar bravinho e sair. – quando percebeu ela já estava de pé e outra vez com aquela prancheta nas mãos.

— E lá vamos nós... – resmungou.

— Vamos lá, agora meu serviço começou de verdade!

Gajeel afundou no sofá, se perguntando pela milésima quarta vez no dia como acabava naquele tipo de situação.

Notas finais
Não sei quando vou postar de volta não, então vou deixar a próxima data em aberto pois pretendo viajar Meu PC tá dando uns bug ultimamente, então se tiver uma coisa confusa demais no capítulo, me avisem Beijos ♥