Corri o mais depressa que conseguia. Tinha que me afastar o mais possível daquele que poderia, de alguma forma, ser o meu fim.

Ouvia os seus passos atrás de mim como se estivesse apenas á espera que eu falhasse e ele pudesse agarrar-me e matar-me sem qualquer esforço. Para ele estava a ser uma brincadeira; Para mim estava a ser a maior luta pela minha vida que eu já tinha enfrentado.

Ao chegar a um beco sem saída deparei-me com a minha possível morte. Olhei para trás e encarei aquele monstro. Ele sorria-me sarcasticamente como se estivesse a gostar daquele pequeno jogo que era a minha vida nas suas mãos... Ou nos seus dentes. Respirei fundo e peguei no meu punhal de prata que nunca tinha sido usado para matar um deles — apenas para treinar quando alguma vez tivesse de o fazer — o que não esperava que acontecesse.

Correu na minha direção e foi como se paralisasse o meu corpo com a mesma velocidade que avançava para mim; como se o medo que eu estivesse a sentir se tornasse maior e tomasse conta de mim à medida que se aproximava. Agarrou-me e encostou os seus dentes no meu pescoço. Senti medo, raiva e angústia — a minha vida não poderia terminar assim daquela maneira tão cómica — Eu uma caçadora de vampiros iria morrer nas mãos de um.

Foi quando ele apareceu. O seu rosto pálido, os seus olhos vermelhos e a sua beleza incomparável faziam transparecer a sua verdadeira Natureza — Ele era um vampiro.

— Deixa-a em paz! – Gritou. A sua voz era rouca porém bela o que me fez duvidar de que realmente se pudesse tratar de um vampiro, de um monstro.

O vampiro que me agarrava e me tentava matar rodou a cabeça e encarou quem quer que fosse que lhe estivesse a fazer frente e a incomodar a sua diversão. Murmurou entre dentes algo como “Ela é minha. Afasta-te…” Esquecendo por momentos o meu estatuto de caçadora e dando lugar á minha feminidade soltei um enorme e estridente grito.

Fui confrontada com aqueles olhos vermelhos e agarrada com tanta força que senti como se partes do meu corpo estivesse3m a ser esmagadas. Estava mesmo assustada e inconsciente ou não, desejei que aquele vampiro que parecia-me querer-me também para si, me salvasse.

Foi então que ele correu para me salvar.

Agarrou no monstro e olhou-o nos olhos. A raiva nos olhos dele; O medo no rosto monstruoso do outro. E, em fração de segundos, matou-o. Aquele monstro anteriormente tão cruel, tão assustador e tão nojento estava diante dos meus pés de olhos fixos em mim. Estava morto, e eu viva.

Deixei-me cair no chão envolvida em lágrimas, medo, tristeza e alívio. Senti-o aproximar-se de mim e a estender-me a sua mão. Olhei-o mantendo-me imóvel. Sorria-me. O seu maxilar reto, o sorriso escondido nos seus lábios e os seus olhos azuis cheios de brilho fixavam-me.

— Isto é teu. – Falou estendo a outra a mão vendo que eu não me iria levantar enquanto não voltasse a sentir as pernas. Era o meu punhal de prata que eu deixara cair no meio daquela confusão toda.

— Nem todos somos monstros. Nunca te esqueças disso. Eu salvei-te a vida… poderás fazê-lo também.

Dizendo isto desapareceu tão misteriosamente como tinha aparecido para me salvar a vida; Algo que jamais eu pensaria que um monstro poderia ser capaz de fazer, mas, ele talvez não fosse um monstro. Nem todos o poderiam ser.