Notas iniciais
Postando aqui e vendo o vídeo ''A vida que não tive'', gente, eu tô morto com essa voz de Aracy, só a parte do ''forças estranhas querendo me derrotar'' sou eu todo na academia hsaushuahs

Devido as reformas, a coisa mais comum é a constante mudança de móveis de lugar, incluso até a mudança da gente de quartos. Este tópico eu desejava ser o último, porém há um bom tempo que os cômodos particulares têm me dado certo incômodo.

E acho que isso foi reforçado durante um encontro entre um primo e meu pai sobre a mediunidade na família, as incorporações e espíritos de parentes que ficam em cima dos que estão vivos. Não sei o que deu gancho para falar da casa, mas meu pai começou a falar dos quartos, em especial o que me atualmente me pertence. Mas antes de chegar nele, vou começar pelos outros.

Cheguei a mudar de quarto duas vezes pelo que me lembro. E pelo que me parece são os dois cômodos que mais tiveram histórias, mas vou começar pelo que dormi antes do atual. Eu achava que esse era o maior quarto da casa, fiquei nele por muitos anos e só mudava a decoração, a coisa que eu mais gostava nele era que podia ver o pôr do sol. Nesse horário, a luz do por do sol invadia o quarto dando uma cor laranja nas paredes claras, era muito lindo, e aí a visão do céu também era maravilhosa. Em noites de lua cheia então nem se fala, as vezes eu deixava as cortinas abertas só para deixar a luz entrar no quarto. Depois inventaram de construir um andar na frente do quarto, então todos os dias a única coisa que eu avistava eram paredes cinzentas, o sol batia nelas e um céu cheio de nuvens era refletido no vidro de uma janela que só vivia fechada. Foi deprimente.

A minha primeira história estranha nesse quarto aconteceu quando eu era criança. Em uma madrugada tive a infelicidade de ficar com insônia, tive a ideia então de ir para a sala ver televisão até sentir sono e aí sim poderia voltar a dormir tranquilamente. Como não fazíamos uso de TV a cabo na época eu tinha que me contentar com canais abertos, passava no SBT um episódio de Supernatural. Confesso que tinha medo de assistir a série, ainda mais quando passava as propagandas, mas naquela madrugada coloquei em mente que assistiria e não teria medo, era tudo ficção. Ainda lembro qual era o episódio, quando vi que era um com vampiros sosseguei, para mim os piores eram com fantasmas.

Assisti numa boa, achei até o episódio chato, ele acabou e nada do meu sono vir, não tinha mais nada nos outros canais e eu desisti, o jeito era voltar para a cama. Deixei a luz da sala acesa e entrei no quarto fechando a porta, debaixo do cobertor iria encarar mais algum tempo de profundo tédio. Fiquei olhando para a luz debaixo da porta que era a única coisa que se destacava ali. Nisso uma sombra começou a passar por ali, que nem quando você vê os pés da alguém por uma fresta? Desse mesmo jeito, essa forma escura se movia para os lados e algo me dizia que ela queria entrar no quarto. Acho que não é preciso dizer que encarando aquela cena me assustou o suficiente para congelar na cama. Era tanto pavor que a única coisa que consegui fazer foi gritar e chorar, e olha que naquele tempo eu já tinha começado a parar de ter medo de qualquer coisa, descia as escada ou ia para a cozinha com tudo escuro.

Ouvi o som do estalo na cama dos meus pais, a chave na porta girando e os passos da minha mãe irritada. Quando ela abriu a porta só consegui dizer no meio de garganta irritada com gritos e nariz escorrendo com o choradeira que alguma coisa estava tentando entrar no quarto. Ela disse que não tinha nada ali e me mandou dormir no quarto da minha irmã, catei meu cobertor, travesseiro e urso de pelúcia e xispei pra lá. Ao deitar na cama auxiliar me certifiquei de olhar para a fresta de luz debaixo da porta no quarto da minha irmã para ter certeza de que estava a salvo, só vi uma pontinha de sombra aparecer e depois sumiu. Nessa época meu pai ainda usava no quarto dela os sacos pretos, então enfiei na cabeça de que estando ali nada de ruim aconteceria no resto da madrugada, aí sim dormi. Tempos depois minha mãe relatou que nesse episódio eu estava com febre e sonhei com aquilo, porém até onde me conheço, quando isso acontece e eu estou doente pode ter certeza que não vou lembrar de nada no dia seguinte. E lembro de tudo que aconteceu naquela madrugada com todos os detalhes até hoje.

Após esse evento um ou dois anos depois tive que lidar com toques invisíveis. A primeira eu acordei de madrugada com um sopro forte no ouvido. A segunda vez senti uma mão mexer no meu cabelo, me virei na hora chamando baixo pelo meu pai porque ele costumava fazer algo do tipo, mas além de ser madrugada não tinha ninguém. A terceira, que deve fazer bem uns quatro anos que aconteceu, eu estava no quarto esperando o sono vir. Dava para escutar meu tio assistindo TV na sala e eu mexia no celular, de vez em quando espiava as horas, não estava muito tarde. Resolvi aguardar então o sono, fechei os olhos e fiquei esperando. A porta do quarto estava encostada, senti que ela abriu, possivelmente meu pai porque era hábito ele entrar no meu quarto e da minha irmã ver se estávamos mesmo dormindo e fazer as rezas estranhas dele. Não me importei, continuei de olho fechado, senti então indo na direção cama, passar em volta dela e depois retornar chegando perto de onde eu estava. Aguardou um tempo ali e então saiu. No dia seguinte perguntei ao meu tio se ele ou meu pai teriam entrado no quarto, contei toda a situação, bom, basicamente o rosto dele ficou branco. Disse que não se levantou vez nenhuma do sofá, que até acabou dormindo ali e que se por acaso meu pai aparecesse com certeza acordaria na hora. Mas até então, pelo horário da minha história ele ainda estava acordado. É, depois disso ele não quis ficar sozinho mais na sala.

Passado esses toques, tive duas últimas desventuras naquele cômodo. No quarto dos meus pais havia um despertador que quando tocava além de alto fazia eco em todo o andar, consequentemente eu acabava acordando antes dele começar com o seu toque irritante. Seis horas da manhã, mesmo nos finais de semana essa porcaria tocava. É incrível como a maioria dos ocorridos nesse quarto sempre aconteciam de madrugada. Não sei dizer que horas eram, acordei no meio da noite com um som horrível de alto já imaginei que viesse do quarto dos meus pais, mas reparei que soava muito diferente do despertador. Quase como uma trombeta. Era um alarme que pausava alguns segundos e retornava, alto como se tivesse sido posto na entrada do meu quarto e apontado para mim. Não sei quanto tempo durou, mas me pareceu o bastante para que irritasse e então cessou. No dia seguinte perguntei se alguém tinha escutado a tal trombeta dos infernos, todo mundo negou. Como falei antes, a casa faz eco e seria impossível ignorar esse alarma absurdamente alto.

Enquanto procurava uma solução em mente no caso de acontecer de novo, resolvi criar uma plaquinha na porta usando um alfabeto místico que aprendi no ensino médio. Se de repente fosse alguma manifestação sobrenatural, nessa placa tinha duas alternativas, de que seria bem vinda se viesse com boas intenções, que se fosse má desse meia volta e retornar de onde veio. Não que acreditasse nesse tipo de coisa, fiz por fazer. Mas acho que ter feito foi uma péssima ideia, depois disso aconteceram meus últimos episódios bizarros naquele quarto.

Comecei a ter problemas para dormir por três meses ou pouco mais. Isso já faz um ano e dez meses. Deitava às 23 horas em ponto, quando chegava entre duas e três da madrugada acordava. E quando acordava meus olhos sempre iam direto para a porta, era costume meu deixá-la entreaberta. Era um medo que eu sentia olhando para ela e sempre pensando que não tinha motivo, nunca passei por nenhum trauma envolvendo portas para dar aquele pavor. Digo isso porque meu vô quando dormia no meu quarto pedia muito para deixar fechadas todas as janelas e portas da casa, insistia perguntando se realmente estava tudo trancado. Ele tinha passado por um trauma de invasão na casa, ameaçaram ele enquanto faziam o assalto, aí era compreensível esse receio. Esse e ele ficar chamando irmão morto pela casa no meio da noite, era o Alzheimer, diziam os tios.

Enfim, quando ele ia dormir no quarto a porta ficava fechada, mas eu dava um jeito de deixar entreaberta para facilitar caso ele ou eu precisamos passar para ir ao banheiro (a cama auxiliar as vezes ocupava muito espaço). E então quando eu ficava só era sempre assim, os mesmo horários eu acordava com medo olhando para a porta e por vezes uma sensação gritante de que algo ia estava prestes a entrar, que esperava poder finalmente ir para cima de mim. Sim, eu sei que de certo modo era irracional, tinha plena consciência disso porque já não era mais criança e sim uma pessoa adulta. No momento pensava em tudo para reforçar o tanto que não tinha sentido aquelas sensações, mas só deixavam minha cabeça mais estressada e sem sono.

Aí pensei que se o problema era a porta semiaberta então passei a fechá-la girando a chave. Crente que isso convenceria alguma coisa em mim dominada pelo medo irracional de que se algo queria entrar, com a porta trancada não teria como e finalmente eu estaria a salvo no cômodo. Isso durou uma ou duas semanas porque no final se mostrou uma ideia ridícula porque continuei sentindo pavor. E o pânico se alastrou a ponto de eu passar a noite em claro com tanto medo que suava frio e chorava tendo cem por cento de certeza que havia algo preso comigo naquele quarto. E essa coisa se esbaldava de prazer por me ver daquele jeito. E eu não podia fazer igual quando era criança, gritar pelos pais e acabar dormindo no quarto da irmã, seria o ápice de vergonha além de passagem para o manicômio. O que me restava era só chorar no silêncio e esperar o amanhecer, só quando a luz chegava é que sentia uma ‘’autorização’’ para um breve cochilo de meia hora.

O colchão chegou a ficar com as marcas do suor, lavava as roupas de dormir todos os dias por conta desse pânico. A hora que eu mais torcia então para demorar a chegar era a de dormir. Não cheguei a contar para ninguém sobre o que andava acontecendo comigo nas madrugadas, só resumia a ter insônia. Por fim, meu pai resolveu mudar todo mundo de quarto. O quarto da minha irmã virou o de visitas, ela foi para o meu e eu fui para o dos meus pais e estes foram para o cômodo novo.

Como havia dito no começo, meu pai havia dito que o cômodo que ele mais presenciou coisas é o que se tornou meu quarto. Uma vez, tarde da noite, estava deitado na cama de bruços esperando pela minha mãe. Acabou caindo no sono e foi acordado com o cobertor sendo puxado e sentiu a cama afundando ao seu lado, presumiu que minha mãe finalmente já estava se deitando até que a porta abriu e ela apareceu. Em outra ocasião, sozinho em casa, estava na sala assistindo televisão quando percebeu uma movimentação pela visão periférica. Ao dar atenção avistou uma mulher de vestido branco e cabelo preto saindo do quarto, ela parou no meio do caminho e olhou para ele por um tempo, aí retomou seu caminho indo em direção ao banheiro que fica de frente para esse cômodo. Ele disse que ficou todo arrepiado na hora e que estava de novo só de lembrar, e para o meu sossego a conversa sobre a casa foi interrompida por outro assunto nada a ver. Afinal, horas depois das análises com meu primo falando do sobrenatural quem estaria na merda seria eu dormindo no dito quarto.

No máximo comigo só aconteceram duas coisas estranhas no qual posso me recordar. Pelo menos por enquanto, nunca se sabe. Foram esse ano, até. Havia uma parede do quarto cheia de espelhos de formato circular, chutaria que eram doze ou mais. Naquele mês eu estava lendo ‘’Ed & Lorraine Warren – Demonologistas’’, por indicação, nada demais, descansando dos textos acadêmicos com aquilo, e reforço, não levo a sério esse tipo de coisa. Mas me chamava a atenção é que certos relatos ou características sobre manifestações eram muito parecidas e até iguais com o que acontecia aqui na casa. E o que isso tem a ver com o quarto? Vou chegar lá.

Por contar de uma chuva intensa, fiquei de ‘’castigo’’ no meu quarto, o que eu poderia fazer até então era passar um tempo limpando o cômodo e depois revisando meus trabalhos da faculdade. Já fazia um tempo que eu sentia um cheiro forte e estranho por ali, era um odor que julgava idêntico ao do meu avô falecido há uns dez meses (era aquele que dormia no outro quarto). E me incomodava bastante porque tenho problemas no olfato, para conseguir sentir um cheiro tem que ser muito forte e eu tinha receio de perguntar para o meu pai se ele também estava sentindo porque iria começar a rezar e dizer que meu vô estava na casa. É o que ele fazia nas vezes que eu dizia estar sentindo cheiro de pinga ou cigarro sendo que aqui ninguém bebe ou fuma, não só eu como outras pessoas também comentavam sentir certos cheiros.

Ao dar meia noite e eu sem um pingo de sono digitando um trabalho, estava usando fones de ouvido com volume alto, meu foco era forte, porém nada que atrapalhasse minha percepção do ambiente em volta. E claro, o cheiro presente. O cheiro continuava do mesmo jeito e eu sem identificar sua origem, enquanto digitava ficava pensando no livro do casal Warren, algumas passagens me vieram em mente quanto a odores desconhecidos e tentei desviar daquilo. Não era conveniente pensar nesse tipo de coisa alimentando a imaginação com o que não existe. Até pensei de brincadeira testar se as resoluções dos casos de aplicaria na casa. Pois que mal havia terminado de concluir o pensamento, um dos espelhos despencou de repente no chão se estilhaçando e acordando a casa. Nem preciso dizer muito sobre o meu pulo da cadeira e grito sufocado. Partido em três, catei esses pedaços e joguei no lixo. Só desliguei o computador e me enfiei debaixo das cobertas, tinha enfiado na cabeça que tinha sido um aviso.

E por último, isso voltou a acontecer de novo semanas atrás. Acordei com um estrondo horrível e ensurdecedor de algo quebrando, a primeira coisa que pensei é que tive um espasmo dormindo e devia ter acertado o porta-retratos que fica no criado-mudo com o braço. De imediato pensei que não fazia sentido já que meu corpo não faria um movimento com tanta força assim e nem o som veio daquela parte. Levantei e com cuidado procurei o interruptor, ao acender a luz me deparei com o maior espelho do conjunto caído todo quebrado perto da minha cama, a pancada foi tão intensa que criou uma rachadura no piso impossível de disfarçar. Olhei em volta buscando um relógio, era três horas da manhã. Com o coração na boca, juntei os cacos que pude achar e coloquei no canto do quarto. Preferia limpar na manhã seguinte, não teria olho e nem claridade suficiente para catar as outras partes do tanto que estilhaçou.

Espero que nada mais vá acontecer dentro desse quarto e se ocorrer que seja comigo bem longe daqui. E ainda me recordo de ouvir que quando meus pais dormiam aqui, meu pai disse ter visto o crucifixo do quarto se mexendo, já viu vultos e ouviu vozes. Sinceramente, prefiro nem perguntar a fundo mais histórias, contanto que nada mais quebre do nada, nenhum objeto movendo e nem mulher aparecendo, é melhor não saber.

Notas finais
Esse lance da plaquinha eu fiz de verdade, mas deve tá no meu perfil pessoal do insta (é trancado). Nem lembro o que aconteceu que fiz isso, mas sei que não foi o rolê da trombeta, foi outra coisa que aconteceu. Zoadérrima a mensagem, usei uns 3 alfabetos de runas misturados, era alguma coisa com ‘’Se veio me trazer coisas boas pode ficar, será bem vindo, mas se veio fazer merda pode ir pra puta que pariu. Assinado Vossa Majestade Príncipe ******* ****** ******** ***** ********’’. Aí tinha um elmo do terror, pentagrama e outro símbolo. Minha mãe infernizou pra saber o que significava e disse que ia mostrar pro padre porque ele sabia ‘’dessas coisas do demônio’’. Gente sem ter o que fazer com papelão e canetinha é assim mesmo. Tava contando pra minha tia o episódio do espelho e ela me zoando. O primeiro espelho quando caiu minha mãe suspeitou que fosse por causa da cola adesiva nele que não deve ter aderido a parede de gesso. O cheiro eu descobri que vinha de uma blusa meio molhada atrás da porta porque no mesmo dia eu peguei uma chuva (toró) quando sai na rua, aí deixei pendurada até secar. O segundo achei até milagre porque ele conseguiu ficar grudado bastante tempo, na hora eu não sabia se ficava puto por ter acordado de madrugada ou feliz porque tinha ainda mais duas horas pra dormir.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.