A casa dos monstros

12 Capítulo 12 - Jack o sem olhos


Notas iniciais
Espero que tenham gostado, eu queria caprichar nesse. Afinal a história do Jack é bem triste.

A policia foi a floresta, procurar qualquer suspeito da morte dos jovens. Acabaram por nem achar a casa.

Eu estava praticamente morando lá. Na noite anterior eu tive a chance de conhecer muitos monstros, mas não peguei informações. Só sabia alguns nomes, então esperei que algum deles viesse a falar comigo, demorou uma meia hora até alguém vir falar comigo. Eu podia muito bem começar uma conversa, mas eles normalmente estavam em seus quartos, ou nem estavam na casa, acho que seria melhor não incomodar ninguém.

– Você é aquela tal filha de Lúcifer? — Ele perguntou com um certo ar de superioridade.

– Sou.

– Sou Jack...

Eu o olhei bem, ele usava uma mascara azul, com dois buracos nos olhos, que no caso ele não possuía, era preto, e manchado com algum tipo de liquido, preto também.

– E dai?

– Pensei que você quisesse saber da minha história...

– Tudo bem, me conte-a.

– Ah...! Tudo bem... Eu era um adolescente que trabalhava em um jornal. Um dia meu chefe fez o anúncio, de que os EUA entrariam na Segunda Guerra Mundial, então entrei no exército. Eu fiz amizade com um inglês chamado Luis, que também tinha se alistado, já que seu povo foi atacado ele teve a necessidade de defendê-la. Eu e Luis meio que viramos melhores amigos, todos nós, soldados, nos dávamos bem começamos a nos chamar de irmãos.

"Eu e Luis estávamos prestes a lançar-se em linhas inimigas, mas descobrimos que os inimigos haviam se movido antes deles chegarem lá. Um gás venenoso foi jogado ao redor da base, me cegando. Luis foi baleado. E fomos enviados para um hospital ali perto. Ao entrar no hospital, eu chorei, pela dor insuportável que eu sentia... Os médicos removeram meus olhos.

"Mesmo cego, eu não queria deixar Luis. Luis estava sendo tratado por uma enfermeira chamada Betsy, nascida nos EUA, mas que havia se mudado para a Noruega. Ela retornou a seu país de origem para ajudar os soldados feridos na guerra. Mas, infelizmente, não pôde salvar-lhe a vida. Ele agarrou a minha mão e poucos minutos depois soltou... Teve seu último suspiro na cama como se estivesse apenas dormindo. Eu queria chorar. Mas como? Não tinha mais meus olhos, aquilo me frustrou, mordi os lábios com força e começou a sangrar. Os médicos me tiraram de perto do meu amigo. Segurei ele até não conseguir mais... Depois disso dormi uns três dias.

"No dia seguinte, o médico recebeu um telegrama de Betsy, dizendo onde havia sido enterrado os corpos dos soldados mortos. Eu queria ir até lá, precisava ir! Eu procurei com muita vontade e encontre o lugar onde ele foi enterrado, me "despedi" dele. E voltei para casa, nos EUA.

"Quando cheguei somente mais tristeza senti. Minha mãe me recebeu com lágrimas, provavelmente ao ver que eu não tinha mais olhos, então eu perguntei se tinha acontecido alguma coisa. Estava tudo tão quieto, ela geralmente era muito alegre e cheia de energia. Foi ai que ela disse que Marcos, meu irmão, tinha morrido por causa de umas '"partículas"' que estavam contaminando o ar da fábrica onde ele trabalhava. Eu queria chorar, mas não podia... Uma semana depois minha mãe morreu provavelmente devido a grande tristeza que estava sentindo.

"Eu estava sozinho — meu pai morreu de tuberculose quando eu tinha apenas cinco anos. E agora Luis, Marcos e minha mãe também morreram. Ninguém estava lá para me confortar, oferecer comida, água ou abrigo... Só era um cego, sofrido e sozinho.

"Numa noite, eu caminhei em volta de meu antigo quarto, até que cheguei a uma mesa velha de madeira onde guardava uma arma, estava carregada e pronta para disparar, era para a proteção da minha família. Mas eu não tinha mais família, havia apenas uma utilidade para essa arma agora. Eu abri a boca, coloquei a arma nela e puxei o gatilho.

"Meu corpo sem vida caiu no chão, mas, para minha surpresa, eu estava de pé. O súbito lampejo de tiros, tinha provocado algo em minha mente que me fez esquecer tudo o que aconteceu antes da minha morte. Eu estava confuso, não sabia por que fiz aquilo. Fiquei em casa, à espera de uma resposta, até que viu as fotografias da Segunda Guerra Mundial e lembrei mais uma vez."

– Você é só uma alma atormentada. Eu estou notando que muitos de vocês são almas perdidas. Que não acharam seu caminho para o paraíso... ou até mesmo o inferno.

– Já que eu não posso ter uma família... ninguém pode!

– Seu jeito de pensar é ridículo e egoísta. Mesmo que muitas coisas ruins tenham acontecido a você, você nunca deve matar injustamente! Você acha que Luis ia gostar de saber que você é só mais um assassino? Ou então sua mãe saber que o filho faz essas coisas.

– Eu não ligo mais, eles todos me abandonaram!

– Ninguém te abandonou, você foi o único que se abandonou. Desistir da vida, mesmo que ela esteja uma droga, nunca é a coisa certa a se fazer. — Eu estava falando extremamente alto, estava com uma expressão seria, minhas sobrancelhas estavam curvadas para baixo indicando que eu estava irritada.

Slender, Jeff, Sally e Ben estavam por perto. Slender pareceu muito envolvido com minha ultima fala. Lembrei que ele ia se matar, se aquele homem não o impedisse. Sally e Jeff se encaravam e Ben não tinha expressão alguma.

– Ah! Humanos são tão fracos. Vocês sempre tem os mesmos pensamentos, e por culpa deles... Sempre se ferram. Minha casa principal era no limbo, eu vivia lá, só para de vez em quando salvar uma alma, e ver ela traçando o caminho para o paraíso. Nem meu pai, nem eu somos contra isso. Sabe... Se eu ou o papai não existíssemos nunca saberíamos se as pessoas são boas ou ruins de verdade, uma pessoa boa mesmo ficando diante de situações tentadoras sempre vai escolher o caminho bom, não existe esse negocio de influencia do demônio. Deviam pensar mais sobre isso, vocês são apenas crianças no final das contas.