A casa das sombras
1 Capítulo 1 - Pai e filha.
Notas iniciais
Willy acordou a noite com o som do choro de seu bebê, ela inclina-se na cama para dar uma cotovelada no ombro de seu marido Roger.
— Amor... – disse ela com sua voz sonolenta – o Jimmy acordou... hoje é a sua vez.
— Tudo bem querida... – disse Roger acordando – Eu vou lá... – disse ele se espreguiçando e ainda bocejando.
O quarto de Jimmy ficava em frente ao dos seus pais e do lado do quarto de sua irmã mais velha a Jeniffer, Roger fazia questão de sua filha fechar a porta de seu quarto para ter mais privacidade, porém ao sair de seu quarto e entrar no corredor indo em direção ao quarto do bebê, Roger escuta gemidos vindo do quarto de Jeniffer. Ele ignorou o som dos gemidos e foi acalmar o menino, mas mesmo enquanto ele balançava o menino no seu colo, os gemidos não paravam. Assim que o bebê dormiu, ele foi checar do que exatamente se tratavam os gemidos estranhos que pareciam gemidos de duas mulheres.
Ao abrir a porta do quarto e ascender a luz, ele se deparou com sua filha deitada na cama com outra garota fazendo sexo, no mesmo instante as duas pararam a relação, assustadas e olhando com medo para o pai de Jeniffer.
— Pai... – disse Jeniffer levantando-se e cobrindo os seus seios com o lençol da cama enquanto que a outra ia lentamente em direção as suas roupas que estavam jogadas no chão do lado da cama – Eu posso explicar... Eu e ela...
— Deixe isso para depois – disse Roger fazendo sinal de basta com a sua mão.
— Você... – disse Roger apontando para a garota que estava recolhendo suas roupas assustada – Quero que se vista e chame um taxi para lhe levar para casa.
— Mas... – disse ela vestindo suas roupas com pressa – Eu não tenho dinheiro...
— Deixe que eu pago, agora se vista e desça imediatamente – disse Roger – E você, Jennifer – disse ele para a sua filha — acompanhe ela até a porta e espere o taxi chegar, eu e você temos muito o que conversar, mocinha.
— Sim pai...
A garota foi embora da casa assim que o taxi chegou para apanhá-la, ela explicou para o pai de Jennifer onde ela morava e ele pagou o taxi para ir deixar ela na casa dela. Em seguida, ele e sua filha entraram de volta em casa e sentaram-se à mesa de jantar.
— Filha, quem era ela? – disse Roger seriamente.
— Minha amiga da escola – disse Jennifer.
— Hum... – murmurrou ele colocando as mãos sobre sua testa e cruzando os seus dedos.
Jennifer temendo uma posição inesperada do pai começou a falar:
— Pai eu quero que o senhor saiba que eu não sinto interesse em meninos e que eu já tenho 16 anos, já tenho idade suficiente para decidir o que fazer como meu ....
O Roger fez um sinal de basta com a mão e fixou seu olhar nos olhos de Jennifer.
— Você a ama?
— O que? – disse Jennifer sem entender a posição de seu pai.
— Perguntei se você a ama? – disse ele com simplicidade.
— Acho que sim... – disse Jennifer parando para pensar naquilo – Ela sempre me ajudou quando eu precisava de alguém com quem me abrir e... Eu me preocupo muito com ela... Acho que sim – disse Jennifer sem entender mais nada.
— Então eu vou autorizar que vocês tenham mais uma relação, mas não aqui em casa – disse Roger cruzando os seus braços e inclinando-se na cadeira.
— Mas pai... os pais delas são bastante intolerantes com coisas assim e já bateram nela uma vez por suspeitar de que ela gostava de meninas.
— Então você vai fazer isso aqui, se não tem outra maneira – disse ele com bastante simplicidade – mas lembre-se, do seu lado dorme o seu irmãozinho e vai ser assim até o dia da mudança. Até semana que vem se Deus quiser.
Jennifer realmente não estava entendo a postura liberal do pai dela então começou a perguntar em cima disso.
— Pai... por quê o senhor está sendo assim?
—Assim como? Minha filha – disse ele olhando preocupado para ela.
— É que a maioria dos pais, quando descobrem que seus filhos são homossexuais, decidem puni-los por isso .
— Bem, minha filha. Como bom viajante que sou, uma vez viajei, antes de conhecer a sua mãe, para o Brasil, eu fui para lá como estudante e só o que eu ouvia no Rio de Janeiro era samba e outros sons estranhos que os brasileiros curtiam, mas então eu escutei uma musica e gostei do seu som. Pedi para o meu amigo, que era brasileiro, para traduzir a letra para mim e o que eu ouvi foi a maior verdade que eu já escutei.
— E o que era, pai? – perguntou Jennifer curiosa.
— “Ainda que eu falasse a língua dos homens e falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria”. Quando eu escutei isso, Jennifer, senti um batimento tão forte no meu peito, era como se o meu coração tivesse levado um choque de um raio. Então quando voltei para casa, descobri que o meu verdadeiro amor estava na minha frente o tempo todo, daí então me casei com ela e tive você e agora tenho o seu irmão.
Jennifer esboçou um sorriso tímido em seu rosto.
— O amor, minha filha – disse Roger se levantado e alisando o cabelo de sua filha – manifesta-se de qualquer forma. Eu penso dessa forma.
Jennifer não falou mais nada, apenas estava escutando atentamente o seu pai.
— Agora, minha filha, vá dormir, amanhã teremos que ir começando a arrumar as coisas para a casa nova.
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