A canção do lobo e da leoa
1 Prologo-Os ventos do inverno
Notas iniciais
A pálida luz do luar banhava o fosso Cailin e um mau agouro cobria o lugar junto com a maldita neve. Sor Damon Frey não gostava nada disso. Verdadeiramente, Damon não gostava de muitas coisas ali e a neve era a menor de todas elas.
–Quanto tempo mais teremos que esperar?-Perguntava seu impaciente primo Steffon Frey-Esses Glovers de merda não vão chegar nunca?
–Ainda tem comida, primo! Não precisa esperar por eles se quer comer vá comer, porra!
–Sabe que não falo de comida, primo. Eu só quero que acabe esse maldito turno de vigília e só vai acabar quando os Glovers e os Manderly chegarem com as provisões.
Era perda de tempo discutir com o primo, ele sabia que Steffon estava certo. E o pior era que a ordem foi recebida pelo maldito dourado chamado Robert Greystark. O infeliz clamava ser um descendente á muito esquecido da antiga família Greystark da "toca dos lobos" que foi extinguida após se rebelarem contra os Stark e Damon duvidava que fosse verdade já que os Greystark foram eliminados antes mesmo de seu avô Walder Frey nascer e ele tinha 100 anos agora ou mais. A companhia do mercenário não era agradável e nenhum Frey ali presente suportava a ideia de receber ordens dele, porém, o próprio rei Aegon o mandou ao Norte para suprimir a rebelião de Edric Storm.
–Acha que esse mercenário é mesmo um Greystark?-Perguntou o primo-
–Um Greystark?-Cuspiu-Não mesmo! Esses filhos da puta da Companhia Dourada se chamam como querem.
E era verdade que esses mercenários tinham hábito de se nomearem como queriam até com casas que haviam sido á muito esquecidas. Passou-se cinco anos desde que começou a batalha de winterfell contra Stannis e o homem demorou á morrer só para que anos depois seu sobrinho volta-se para vingá-lo.
–Veja, primo! Chegaram!
As carroças eram vistas com aquilo que deveriam ser as guarnições e suprimentos para a batalha que estava por vir e o punho dos Glover agitava-se ao vento e ao seu lado o Tritão dos Manderly se fazia presente. "Que os outros carreguem os dois"-pensava Damon Frey-Mas estava disposto a aturar ambos se isso ajuda-se a acabar com essa batalha de uma vez e poder voltar para o seu conforto nas gêmeas, afinal, ele iria se acasar quando chega-se lá.
Notavelmente haviam muito mais carroças do que haviam sido combinado e ambos os exércitos eram consideravelmente mais extensos do que o esperado. Damon gostava cada vez menos daquilo. Encontraram Robert Greystark com alguns de seus homens e diversos Freys estavam lá para recebe-los também e o portão principal foi aberto deixando passar os exércitos de Glover e Manderly junto com todas as carroças e suas provisões. Robett Glover estava comandando as duas tropas e foi o primeiro a entrar com seu cavalo.
–Desculpe o atraso, Lordes-Desceu da montaria para cumprimentar o mercenário-Tivemos um encontro com selvagens no meio do caminho e voltamos. Achamos por melhor trazer mais provisões.
–Selvagens? O que fazem desse lado da muralha?-Respondeu Robert Greystark-Quantas vezes teram de ser expulsos para aprenderem onde é o seu lugar?
"Espero que você aprenda onde é seu lugar, mercenário"
–Um monte de vezes, ao que parece. De qualquer forma trouxemos o que foi pedido e muito além disso.
–Ótimo! Agora vamos conferir as provisões e tomar algum vinho juntos.
Robett Glover nada respondeu e continuou assim até que todas as carroças estivessem lá e homens tanto da companhia dourada quanto os Freys levantavam os panos que cobriam as carroças e um deles sequer teve tempo de anunciar o que virá dentro de uma delas até que sua garganta foi rasgada e então o mundo se tornou um caos. Os selvagens brotavam de dentro das carroças que deveriam conter suas provisões enquanto os homens atordoados pegavam suas armas e avançavam para conter os selvagens quando os Glover e os Manderly se juntaram a batalha do lado dos selvagens matando diversos homens pelas costas tantos dos Freys quanto da companhia dourada.
Damon amaldiçoava todos eles em sua mente enquanto pegava sua espada para se defender do traiçoeiro ataque. Um soldado Glover matava um dos Freys a frente dele e avançava com sua espada para frente dele enquanto Damon detia o ataque com sua própria espada e seu primo Steffon o salvava empalando o cavaleiro pelas costas com sua lança. Infelizmente, Steffon também sofreu um ataque pelas costas e foi decapitado por um estranho cavaleiro de vestes e armadura matrapilha. Damon recuava e escutava o som de uma trombeta enquanto do portão conseguia ver mais cavaleiros chegando.
–Não pode ser verdade-Gritava seu outro primo Walder Frey antes de Robett Glover decapita-lo
E a visão de fato era surreal pois os cavaleiros selvagens exibiam um estandarte que nunca mais deveria ser visto em Westeros e sua família havia se assegurado disso e era o lobo gigante dos Stark que retornava como uma peste a assombrá-lo. Ao lado do cavaleiro que comandava as tropas um lobo gigante caminhava enquanto a carnificina continuava. Mas quando os cavaleiros chegaram ele então percebeu que não montavam cavalos e sim unicórnios.
"Que os sete nos guardem eles voltaram dos mortos"
Não soube responder como, mas, ele escapará da carnificina e corria para alcançar a torre dos filhos e assim convocar os outros Freys para a batalha. Quando finalmente á alcançou, encontrou Walton Frey comandando as tropas Freys
–Me explique essa insanidade, homem!
–Estamos sob ataque, Walton! Os Glover e os Manderly nos traíram.
Do outro lado tropas de homens que pareciam ser selvagens lideradas por um anão com dois escudos pequenos feito de ferro presos aos braços e um machado extremamente curto em uma das mãos com uma adaga em forma de chifre de unicórnio em outra. Ambos estavam manchados de sangue. Walton e suas tropas avançavam contra as do anão e a desvantagem era vísivel para o lado dos Frey.
–É isso que o gordo Manderly nos manda para nos matar? Um anão? Precisa um homem inteiro para esmagar os Frey.
Foi o que Walton disse antes que o anão usa-se o machado para desviar sua espada e perfura-se o joelho dele com à adaga decapitando-o com o machado depois. Walton sempre se orgulhou de ser um Frey e deve estar se remoendo de vergonha agora ao ser morto por um anão.
"Quem são esses selvagens?"
Damon fugia de mais essa batalha e não pretendia ficar para descobrir e ser morto por um anão também. Por todo o lado os Freys que haviam ocupado o Fosso Cailin se movimentavam pegando em armas para enfrentar os invasores, mas, a diferença númerica era brutal e o ataque surpresa terminou por selar a perdição daqueles que estavam no Fosso Cailin.
"Não podemos vencer essa batalha"
Ele se juntou à batalha uma última vez mas quando um rapaz com vestes de selvagens montado em um negro unicórnio de olhos vermelhos e seu Lobo gigante igualmente negro e feroz avançava ao seu lado rasgando gargantas e e arrancando membros de inimigos usando seus dentes agora tingidos pelo vermelho do sangue dos Freys.
"Esses lobos deveriam estar mortos. Matamos Robb Stark e seu lobo"
Subitamente a compreensão veio e junto com ela o mais profundo medo também; Aquele era o próprio fantasma de Robb Stark vindo do túmulo para se vingar por violarem o seu direito de hóspede. O famoso Walder Negro avançava para enfrentar o fantasma de Robb Stark e seu lobo negro. O fantasmagórico guerreiro desceu do unicórnio como um animal e com sua lança defendeu os golpes da espada de Walder Negro revidando com um potente ataque direto ao rosto dele que atravessou seu escudo como se ele fosse feito de papel e ainda perfurou o olho esquerdo do Walder bastardo que desatou a gritar de dor. Somente quando o fantasma de Robb Stark desembainhou sua lamina e separou a cabeça do corpo do bastardo do bastardo o grito dele terminou, mas, os outros gritos continuaram por toda a parte.
"Isso é um pesadelo! Isso não pode ser real"
Quando ele encarou aquela figura fantasmagórica, Damon soltou sua bexiga e mijou de medo. Os olhos azuis inconfundíveis dos Tully o encaravam por debaixo daquele elmo que mais parecia um capuz enquanto sua boca era coberta deixando transparecer de seu rosto apenas um pouco do vermelho cabelo que o rapaz teve em vida e os olhos cheios de ódio que o encaravam.
"Não posso com ele, tenho que fugir, tenho que voltar as gêmeas pelo lado sul"
E então ele correu, mais rápido que pode, mais rápido do que julgou ser capaz para escapar daquela loucura. Agora entendia como Robb e seus nortenhos devem ter se sentido durante o Casamento Vermelho. Tambores agora se juntavam a cacofonia de sons do lugar e havia passado do ponto que se importava com isso. Encontrava mais quatro Freys fugindo e sem que dissessem uma palavra todos fugiram para o mesmo lugar. Quando chegaram ao portão sul o grupo era composto por onze homens. O portão ainda não havia sido aberto o que significava que os nortenhos ainda não o haviam alcançado e eles poderiam finalmente fugir. Sor Ryman Frey estava entre eles sua espada havia sido perdida na confusão e ele não parava de balbuciar coisas sem sentido sobre traição e lobos. Damon só pensava em sua casa e como ficaria feliz em vê-la depois daquilo. O portão sul foi aberto...
E mais de trinta selvagens os receberam...
O líder deles, um jovem de longos cabelos loiros sequer deu-lhes tempo para se recuperar do choque quando avançou com seu unicórnio branco e perfurou a cabeça de Sor Ryman usando um sabre feito com chifre daquele animal(Esse muito mais longo do que qualquer um que ele tenha visto). Ryman caía ao chão com o que restou de sua cabeça destroçada caía ao chão. Os outros selvagens avançavam montados passando todos na espada. Damon ficou atrás de seu primo e conseguiu sobreviver tentando fugir para a floresta e para as gêmeas.
"Não posso morrer aqui desse jeito"
Ele teria conseguido se uma flecha não tivesse acertado sua coxa. A tormenta se recusava à terminar. Gritava de dor e toda a força que tinha o abandonara o medo havia o vencido por completo. Ele ouviu então o uivo do lobo, o agouro de que seu destino o havia finalmente encontrado. Com mãos tremulas ele arrancou a flecha da coxa e virou-se para encarar o homem que caminhava em sua direção. As imagens pareciam-lhe turvas por causa da dor e lentamente tomaram a form de um pesadelo vivo.
–Eu não quis participar do Casamento Vermelho, pelo amor dos deuses eu mal consegui lutar eu só matei um de seus homens lá, Robb Stark! Misericórdia eu imploro, misericórdia.
Ele não falou nada, limitou-se a brandir sua lança e perfurar seu ombro enquanto Damon gritava de dor e agonia, em seguida, perfurou a coxa dele. Sentia o gosto do sangue invadir sua língua e a dor o tomava como uma amante cruel.
–Dor e morte-Respondeu o homem que parecia ser o fantasma de Robb Stark-é toda misericórdia que teram de mim.
–Robb...tem...
–Apenas uma misericórdia lhe darei além destas, a de saber quem o matou-então desembainhou sua espada-Não sou Robb Stark! Eu sou Rickon Stark, o lobo negro mas você me conhece como á sua perdição.
"Você também deveria estar morto" Foi o ultimo pensamento não-verbalizado dele antes que a fria lamina do norte corta-se sua garganta e por fim separa-se sua cabeça de seu corpo terminando por fim sua vida.
A luz do luar banhava a noite e no Fosso Cailin agora o silêncio dos mortos imperava.
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