A canção do lobo e da leoa

4 Capítulo 3-Neve sangrenta


Notas iniciais
-Sei que esperavam que Rickon voltasse para Westeros agora. Na verdade eu também, mas, achei que Skagos e seus habitantes ainda tinham mais uma história para contar. -A história se passa antes dos eventos narrados no prólogo. Tenham paciência a gente logo chega lá.

A neve caía mais uma vez e formava ao redor dele um deserto glacial tingido no mais alvo tom. Era uma visão bela. Mas até a neve de Skagos parecia menos bela que a de Winterfell. Naquelas duras terras havia pouca beleza apenas frio e dureza. Rickon olhava para a neve e tentava se recordar de todas as histórias de batalhas onde um herói derrota um vilão em combate singular. Não conseguia se lembrar de nenhuma.

Ouvia passos e seu cheiro era inconfundível para o lobo negro. Tirou seu olhar da janela para virar-se para o companheiro. Um jovem rapaz de cabelos loiros e vestes claras como o branco e o azul celeste. Um sorriso sempre estampava o rosto dele.

–Domerick! Pensei que Órion já tivesse o expulsado do Salão dos Troncos

–Ele me expulsou mais uma vez e ameaçou cortar minha perna como sempre faz-Disse seu bom amigo estendendo a mão para cumprimentá-lo e os dois riram juntos-E o jovem príncipe vai mesmo nos deixar?

–Tenho deveres e uma lista enorme de pessoas para matar em Westeros. é bem vindo para se juntar a mim.

Domerick simplesmente deu de ombros e continuou a falar

–E o que eu poderia fazer lá? Toda vida que conheço esta aqui. Porém, admito que as dornesas que nosso amigo Oliver tanto se gaba me parecem agradáveis. Adoraria dormir com algumas centenas delas.

Domerick dormiu com mais mulheres na vida que Rickon se importava em contar mas segundo dizem só amou uma e quando esta morreu ele sempre tentou preencher o vazio com outras mulheres ao longo da vida e nunca conseguiu nada, contudo, o sorriso nunca desaparecia de seu rosto.

–Vá comigo e poderá transar com qualquer mulher dos Sete Reinos.

–Feito então!-Dessa vez desembainhou seu longo sabre esculpido com chifre de unicórnio-Vossa graça tem os serviços de Domerick, o meio-guerreiro meio-bardo.

–Um serviço pela metade é o que eu digo-Caminhando pelo corredor logo atrás estava o rapaz de cabelos cacheados e castanhos escuros-Não é um bom guerreiro tal qual não é um bom bardo suas lutas são horríveis e suas músicas piores ainda.

–Poderia esmigalhar você, Quinlas! Mostre-me o aço e verá

Os dois então riram e deram um abraço amigável. Quinlas era um dos protegidos e pupilos de Órion assim como Rickon, e de certa forma, Domerick, Raymond, Aramyr e outros. Eram conhecidos como "Os filhotes de Órion". O rapaz era um sodomita e deitava-se com homens e por isso tentaram matá-lo diversas até Órion salvar-lhe a vida e acolhe-lo. Um piadista nato, mais até do que Domerick e Oliver Sand.

–O que os dois patetas estão fazendo?-Disse Quinlas-Imaginando como deve ser o gosto de quebrar o dejejum com neve? Não aconselho, animais mijam nela. Agora comparado ao que você come, Domi, neve mijada seria um avanço.

–Estava me perguntando quando meu grande amigo Quinlas apareceria aqui para zombar de mim, como ele tanto adora.

–Eu estava chamando ele para ir conosco para Westeros-Respondeu Rickon-

–Sabe que tem um grande impedimento de meio metro nisso. Você sabe, baixinho, carrancudo, barbudo, dois machados e ameaça cortar a perna do nosso querido Domi sempre que o vê-Quinlas disse-

–Órion não vai se importar se eu levar Domi conosco-Embora não sabia se tais palavras eram verdadeiras ele torcia para que sim. Gostava bastante de Domerick e ele era um grande lutador-

–Nenhum homem ficará entre mim e o meu harém dos sete reinos-Domerick afirmou com sua típica arrogância-

A conversa entre os três prosseguiu até que resolveram caminhar até o pátio e observar seus companheiros da casa Stane treinando. Aramyr treinava com laminas de aço sem gume com Raymond Reyne. Oliver Sand treinava a lança no estilo dornês contra as gêmeas Kya e Mya. Era nítido para todos que Kya era uma lanceira muito superior a sua irmã e uma das melhores lanceiras de Skagos, mas, sua gêmea compensava com um arco e flecha sendo uma das arqueiras mais mortais que Rickon conhecerá. O alto e mudo Onak "Arouque" treinava tentando se desviar de golpes de bastões de madeira e já havia conquistado um notável progresso e ainda era um formidável combatente e um amigo extremamente leal.

Malchior estava sentado em sua cadeira lendo e provavelmente desenvolvendo uma de suas estratégias de batalha e fazia isso com frequência para fortalecer sua mente e poder ajudar em uma batalha uma vez que era um aleijado e pouca utilidade poderia oferecer em uma luta. Ele o fazia lembrar de seu irmão Bran.

No salão uma pequena figura carrancuda caminhava de um lado para o outro para supervisionar o treino e esbravejar correções aos erros dos soldados e de seus filhotes. E quando alguém acertava ele repetia sempre sua frase "faça melhor" e continuava a caminhar sem nem mesmo dar um sorriso sequer.

–O velho Órion-Zombou Domerick-Nunca muda esse anão.

–Velho demais para mudar-Sussurou Quinlas-

Mesmo Quinlas raramente tinha coragem de fazer escárnio de Órion diante dele. Somente Domerick tinha essa coragem. Por um instante, Rickon se indagou se viveria mais dias para ouvir essas piadas depois do que estava planejando.

"Eu treinei para isso durante minha vida toda. Eu fui criado para isso."

Os návios que os levariam de volta para sua casa já estavam prontos e as tempestades já haviam cessado. O momento de regressar para casa era esse. Mas, Rickon ainda não estava satisfeito. Sabia que no momento em que abandona-se a ilha levando seus exércitos as terras dos vassalos de Winterfell seriam atacadas pelo Magnar-de-toda-Skagos. A única maneira de impedir isso era derrota-lo e tornar-se o novo Magnar.

O Magnar-de-toda-skagos surgiu na época da rebelião de Skagos contra Winterfell. Um misterioso comerciante vindo do outro lado do mundo havia sido capturado por Ronarrk, o primeiro Magnar-de-toda-Skagos, ele prometeu criar para o selvagem a arma mais poderosa do mundo se o poupasse. Ele então forjou uma lança com cabo feito do indestrutível aço valíriano e com a ponta feita com o invencível chifre de unicórnio. Algumas histórias contam que Ronarrk era um guerreiro formidável e possuía a maior tribo de selvagens que Skagos já conhecerá, outras dizem que sua tribo era pequena mas só aumentou quando ele derrotou os outros chefes de tribo e tomou seus exércitos pelo desafio. Seja como for ele subjugou todas as três casas vassalas de Winterfell e tomou a maior parte de seus exércitos. Ronarrk então criou a tradição de que somente o guerreiro mais forte de Skagos poderia ter essa lança e para toma-la seria necessário vence-lo no desafio. Mesmo depois que ele se rebelou contra Winterfell e falhou a tradição continuou. Mas, nunca nenhum Magnar-de-toda-skagos havia tido sucesso em criar uma rebelião depois disso e somente um deles tentou depois disso.

Mas isso foi antes de Malagorn, o furioso, torna-se o Magnar-de-toda-Skagos. Muitas tribos selvagens vivem em Skagos e muitas delas não gostavam da presença das casas vassalas de Winterfell. Malagorn ascendeu ao posto logo após desafiar e matar Kazar, o pacificador, começou a incitar as tribos selvagens para o ataque contra as casas vassalas de Winterfell. Rickon não sabia se Malagorn queria ou não uma rebelião aberta contra o Norte ou apenas a volta dos antigos costumes mas ele não poderia permitir nenhum dos dois.

Muito do povo livre de Skagos poderia ajudá-lo também se ele derrota-se Malagorn também. Sor Davos não gostou nem um pouco da ideia e disse que era loucura arriscar a vida em uma batalha dessas e pela primeira vez Órion concordou com o cavaleiro. Seu mentor disse que ele deveria indicar um campeão e que ele poderia ser este homem e conquistaria a lança do Magnar para ele.

"Eu sou o meu próprio campeão e sempre serei"

A trombeta soou interrompendo seus devaneios. Rickon correu junto com os outros para portão e então avistou os cavalos, unicórnios e os estandartes das outras casas que serviam Winterfell. Um sorriso cruzou seus lábios. A casa Crowl estava lá junto com seu senhor Bor, um homem corpulento embora não muito alto de uma grande barba castanha que ele dizia ser seu orgulho e seu chapéu com chifres. Quando viu, Rickon ele desceu de seu unicórnio e se ajoelhou mas logo se levantou com um sorriso.

–Vejo que ainda não cresceu nem uma barbinha sequer, príncipe!

–Ela há de crescer um dia.

Em seguida, o senhor da casa Magnar se aproximou com seu unicórnio caolho sempre silencioso. Um homem alto, quieto, seus sorrisos eram mais raros que os de Órion. Assim era Thorion Magnar. Ele se ajoelhou também e não disse uma palavra.

Órion cumprimentou os dois e logo abriu os portões do salão dos troncos para que os visitantes entrassem. Raymond comentou com Rickon que ambos vieram com um número alto de guerreiros para essa reunião. Certamente ambos temiam ser vítimas de ataques das tribos reunidas por Malagorn.

–Providenciarei acomodações para os seus soldados-Disse Órion-Mas nós temos de ter uma palavra com o príncipe sobre o seu plano.

–E o que mais devemos discutir, pequeno homem?-Rebateu Bor-

–Muito deve ser discutido-Daquela vez seu mentor olhou diretamente para Rickon com severa desaprovação-

–Boa sorte hoje, lobinho-Raymond falou-hoje nosso mestre há de arrancar seu coro.

–Sim! E fará um manto para aquece-lo no inverno-Completou Quinlas-mas com esse cabelo de donzela ele pode fazer uns três, talvez quatro mantos.

Seguiu uma onda de risos e escárnios entre Quinlas, Ray, Domerick, Oliver e alguns soldados também. O rapaz sentiu sua ira avolumar. Nunca gostou de escárnios, mas, aprendeu com o tempo a tolerar as piadas de seus companheiros. Em determinado ponto eles se separaram e os três senhores acompanharam Rickon para a sala do conselho de guerra. Uma sala pequena com uma mesa redonda e um mapa de Skagos feito de coro nela. Ao redor dela estava os brasões das três casas e do lobo gigante dos Stark em flâmulas. Todos sentaram-se então Órion falou.

–Acredito que saibam o motivo de estarem aqui. O momento de iniciar nossa jornada á Westeros finalmente chegou. Mas nosso jovem príncipe acha que antes de ir deve tomar a lança Galagar de Malagorn e tornar-se o novo Magnar-de-toda-Skagos.

–Dê-me a chance, príncipe e eu esmagarei aquele verme do Malgorn e lhe darei Galagon de presente-Rugiu Bor-

–Você é forte, Bor! Mas para vencer Malagorn, o furioso, será necessário mais do que força, ó jovem príncipe. De a tarefa para mim e lhe entregarei Galagon com a cabeça do antigo dono espetada em sua ponta.

–Agradeço a todos pelo apoio, companheiros de batalha. Mas quem travará esta batalha serei eu-Brandiu o jovem Stark-

Todos olharam em choque para ele, exceto Órion que já sabia da decisão do rapaz, Rickon nunca achou que algo poderia surpreender Thorion. Estava errado.

–Deu-lhe muita pancada na cabeça, Órion-Retrucou Bor-agora o garoto ficou louco.

–Não sou um garoto, Bor! Tenho catorze anos sou um homem-feito.

–Talvez não seja, mas esta agindo como um agora-Esbravejou seu pequeno mentor-

–Não é prudente fazer isso, príncipe, tenha em mente que você é o ultimo dos Stark. Se perder será morto e sua linhagem morrerá com você.

–Estou fazendo isso por vocês também. Assim que eu sair, Malagorn irá tomar suas terras e passar seu povo pela espada ou pior escravizá-los-A simples menção daquilo era suficiente para irar Rickon, não suportava a ideia de alguém ser privado de sua liberdade-se ele não fizer isso, certamente vai reunir suas tribos para planejar outra rebelião como Ronarrk, o primeiro, fez tantos anos atrás.

–Isso é bem verdade!-Bor respondeu enquanto alisava sua barba-

–Ainda assim, príncipe-Respondeu Thorion com um suspiro antes-o risco será alto demais. Deixe que um de nós lute esta batalha por você.

–Eu lhes disse, é teimoso feito uma mula este aí-Órion resmungou enquanto apoiava o cotovelo na mesa resmungando mais baixo ainda-

"Me tomam por uma criança. Um filhote indefeso que precisa de proteção"

–Vocês me treinaram para isso. Cresci em Skagos enfrentando á morte todos os dias. Me submeti á treinos infernais para me tornar um herdeiro digno de meu irmão. Digam-me em Westeros não correirei riscos? Não enfrentarei oponentes ainda mais poderosos que Malagorn? Como poderei trinfar se deixar outros lutarem por mim? Meu irmão sempre lutou aonde a batalha era mais intensa e venceu todas as suas batalhas. Como meus vassalos iram me respeitar se eu não lutar minhas próprias batalhas?

Todos ficaram em silêncio após ouvir as palavras do jovem Stark. Ao menos Rickon encontrou um consolo no fato de que começará a discursar como um príncipe. A pausa pareceu durar uma eternidade para ele até Órion finalmente quebrar o silêncio.

–Se quer tanto enfrentar Malagorn que enfrente. Como tão bem ressaltou você já é um homem feito. Que os Outros carreguem você e sua impulsividade. Mas se morrer não venha me atormentar como um fantasma, foi sua decisão desde o começo.

A reunião acabou pouco depois daquilo e Rickon foi para o seu quarto. Cão Felpudo não estava lá, certamente caçando, e o rapaz considerou pular para a pele do lobo para caçar também. Logo reconsiderou. O melhor a se fazer era planejar uma boa estratégia para vencer Malagorn.

"Precisarei me manter distante daquela monstruosa lança. Mas sei que posso vence-lo"

Ouviu então batidas na porta de seu quarto e em seguida Osha entrou. No mundo Osha era a pessoa mais próxima de uma mãe que Rickon agora que sua própria mãe havia sido morta. Mas naquele momento ela era ultima pessoa que ele queria ver. Sua expressão dizia tudo que ela queria dizer mesmo sem ela dizer uma palavra.

–Pretende continuar com essa loucura, príncipe?-Ela quebrou então o silêncio-

Rickon soltou um suspiro e disse

–Você também, Osha?

–Loucura! Nada menos do que loucura é o que você propõe.

–É loucura querer proteger seu povo?-Ele se levantou de sua cama visivelmente irritado-

–Pode dizer que luta para proteger seu povo, mas conheço a verdade por trás disso, príncipe. O que deseja é a luta e o sangue. Mas se perder a luta o único sangue derramado será o seu.

"Será que todos pensam que sou um filhote indefeso?"

–Mas não perderei, Osha-Levantou-se e golpeou a parede-que os outros carreguem todos vocês. Esta decidido, vou amanhã desafiar Malagorn e não quero ouvir mais discussões sobre isso. Sou seu príncipe, jurou fidelidade a mim, lembra?

O rosto de Osha endureceu com as ríspidas palavras e Rickon sentia um amargo gosto de suas próprias palavras em sua boca. Ela apenas se curvou e se retirou com a frieza de uma geada.

"Não devia ter falado assim com ela"

Precisava relaxar e então saltou para a pele do Cão Felpudo. Caçar como um lobo sempre o fazia relaxar. O cheiro da floresta, a força que sentia na pele do Cão Felpudo, perseguir sua presa e alimentar-se. Sentia-se livre. Certas vezes, Rickon achava que aquela era a verdadeira natureza dele. Dessa vez caçou um cervo e fartou-se da carne dele. Não. O lobo se fartou, ele ainda precisava alimentar sua carne humana.

Voltou logo depois para a sua pele. Resolveu ir ao pátio treinar um pouco. Aramyr havia voltado aos treinos também. Em toda Skagos somente Aramyr rivalizava com ele quando se tratava a dedicação e empenho nos treinos. Ele sonhava em ser um cavaleiro a moda Westerosi e ainda usava a armadura velha e esfarrapada do cavaleiro que o salvou de um ataque de urso quando era criança. Aramyr era conhecido pelo apelido de "Sor selvagem" como o chamavam. Sua habilidade com a espada, contudo, era capaz de deixar a maioria dos cavaleiros de Westeros com inveja. Treinaram quase até a hora da Coruja.

No dia seguinte Rickon estava com o corpo bastante dolorido do treino com Aramyr. Na arte da espada o Sor selvagem o superava de longe, mas, com uma lança ele ultrapassava o amigo. O jovem Stark estava estranhamente calmo. Era apenas mais uma luta para ele, nem parece que estava para desafiar o homem mais temível da ilha.

Sua caravana partiu com trinta homens. Dez de cada casa. Kya, Mya e Onak ficavam com o antigo companheiro de batalhas de Órion, Lymond, um homem que já possuía barba e cabelos brancos mas mantinha todo o vigor de um jovem com suas espadas. Demorou a metade de um dia para chegarem lá. O unicórnio negro de Rickon estava agitado como sempre. Floquinhos era o nome dele. Rickon se arrependia amargamente desse nome, embora nunca confesse a ninguém. Ele ganhou o unicórnio logo quando começou a treinar com Órion e só uma criança daria um nome ridículo daqueles. A natureza do animal era selvagem tal qual ele e Cão Felpudo.

"Animais sempre puxam a natureza de seus donos"

O acampamento da tribo de Malagorn era o maior que ele já virá e também o mais chamativo. O tolo espalhava estacas contendo cránios de animais mortos por ele para enfeita-las junto com armas já enferrujadas de seus inimigos derrotadas. Só um imbecil descuidado anunciaria tanto assim sua presença quando deveria se esconder. Logo apareciam arqueiros e sentinelas apontando suas armas para eles. Cão Felpudo rosnava e mostrava seus dentes para eles. Os homens recuavam extremamente tensos. Órion avançou com seu pequeno unicórnio e levantou a mão para os outros homens em sinal de paz.

–Viemos apenas tratar com Malagorn. Tratem de chama-lo.

–Um anão fala por vocês?-Zombou um dos homens com uma lança-

–Que infeliz escolha de palavras-Órion desmontou o unicórnio-não falo por eles. Deixo essa tarefa para a sabedoria e o bom-senso.-Sacou um de seus machados-este aqui se chama sabedoria-Sacou o outro-E este é o bom-senso.

Um rubor tomou conta do rosto do homem enquanto os outros faziam escárnio dele.

–Basta disso-Brandiu Rickon-Chame Malagorn aqui. Vim desafia-lo pela Galagar.

Os risos aumentaram
–Vai ter coragem de sequer cortar a mão, garoto?

–Pois depois de matar Malagorn eu vou cortar sua garganta.

–Insultar um adversário não é honroso.-Aramyr observou-

Ainda estava com raiva e quase descendo do cavalo para matar todos eles. Sentiu a mão enluvada de Raymond segurar seu ombro e quando virou para trás seus olhos diziam tudo: "Não é o momento de soltar sua raiva"

Pouco depois Malagorn chegou montando em seu garrano. Dava para ver o motivo de ser tão temido pois o homem era feio de doer. Seu rosto tinha um nariz faltando, um pedaço da orelha direita havia sido arrancado, uma hisurta barba escura, um dente quebrado e sua cabeça era tapada por pele de urso. Suas vestes consistiam em trapos adornados por uma placa de peito com uma caveira esculpida no peito dela.

–Então o lobinho finalmente resolveu sair da toca?-Falou ele enquanto encarava Rickon e o olhava de cima para baixo-Imaginei que você fosse ao menos mais alto. Uma decepção é o que eu acho

–E eu esperava um guerreiro, não um pavão.

Naquele instante ele sorriu e pareceu uma visão ainda mais perturbadora e grotesca.

–O filhote de lobo tem lingua afiada, ah isso ele tem-Repentinamente ele pegou sua lança e apontou o chifre do unicórnio para Rickon-Mas será que suas garras são tão afiadas?

Os homens de sua tribo começaram a ovaciona-lo enquanto ele brandia a lança Galagar para o alto como um animal faz para agitar seu bando. Quando Rickon estendeu sua mão e cortou a palma dela os gritos cessaram. Atirou a adaga banhada em sangue para o adversário. A forma de desafio de Skagos. Ele sequer piscou enquanto cortava.

–Então o filhote de lobo quer ser o novo Magnar-de-toda-Skagos?Precisa largar sua ama de leite para isso.

Uma onda de risos tomou conta. Cão Felpudo rosnava para ele.

–Ria o quanto quiser, Malagorn, no final você vai me levar a sério.

–Sente um cheiro estranho aqui, Ray?-Falou Quinlas-Acho que é cheiro de alguém se borrando de medo nas calças. Você sente Malagorn? Esta se cagando tanto de medo que até alguém com meio nariz como você deve estar sentindo.

Dessa vez as risadas e escárnios estiveram do lado do grupo de Rickon. Malagorn os encarou sério com uma veia pulsando em sua testa e um rubor de fúria em seu rosto.

–Nos veremos amanhã, filhote. Você sabe aonde-Virou seu garrano e chamou seu grupo de volta para dentro de seus acampamentos mas antes virou para um ultimo olhar em Rickon e cuspiu-Amanhã terei seu cránio e a pele de seu lobo.
Entrou de vez para o seu acampamento enquanto os invasores se retiravam também. Quinlas se gabava de "Ter mandado o sem-nariz para casa com o crabo entre as pernas só com uma piada". Órion deu um tapa na nuca dele. Todos riram bastante. Entre os risos, Sor Davos se aproximou dele em sua montaria.

–Foi muito arriscado.

–Quinlas sempre faz troça mesmo nas piores horas

–Não falava de Quinlas, senhor-Davos imediatamente rebateu-

–Eu esperava que você compreende-se, cavaleiro acebolado. Tenho de fazer isto eu mesmo.

–Entendo sim, meu senhor. Me desculpe a franqueza, mas esta fazendo isso pelo bem de seu povo ou por glória?-Davos então lhe deu aquele olhar de repreensão. Como um pai repreende um filho desobediente.-

No fundo, Rickon não tinha resposta para isso. Sempre gostou de lutar desde que aprendeu a empunhar uma espada. Em Skagos seu maior divertimento eram os combates sejam com armas de verdade ou de madeira. Em uma ilha como Skagos restava-lhe pouco além disso. Mas estaria ele desafiando Malagorn apenas para saciar sua sede de combate? Do fundo de seu coração ele esperava que não fosse só isso.

–Senão puder vencer Malagorn, como poderei vencer os homens que mataram meu irmão e Stannis? Esqueceu-se deles, acebolado? Preciso vinga-los para que suas almas encontrem paz.

–Não conheci seu irmão, mas, sei que ele o amava demais e pelo tanto que conheci o rei Stannis eu posso dizer-lhe que nenhum dos dois teria paz em ver um garoto valente como você se juntar á eles.

Sor Davos avançou com seu garrano deixando Rickon sózinho com suas meditações. Deu suspiro e constatou que o cavaleiro acebolado provavelmente estava certo nesse ponto. Quando voltaram novamente para o salão dos troncos, Aramyr insistiu que deviam orar pela vitória no bosque sagrado. E assim eles foram. Rickon nunca viu muita utilidade em orar para quaisquer deuses. Orou muito para o retorno de seu pai e pela vitória do irmão quando ambos falharam ele decidiu que nenhum deus era digno de sua consideração. Mas quando olhava para a Árvore-Coração ele quase podia ver o rosto dele ali.

"Você esta aí, irmão?" ele pensava enquanto os outros oravam "Virá falar comigo esta noite, Bran?"

Seu irmão Bran não apareceu em seus sonhos dessa vez. Na hora do lobo, quando o dia estava para amanhecer ele foi acordado. Osha, Aramyr, Órion, Bor, Thorion, Oliver Sand, Raymond, Domerick, Quinlas, Onak, Kya, Mya e Sor Davos seguiram com ele rumo ao monte mais alto de Skagos. Curiosamente não havia um nome específico para esse monte. Alguns chamavam de monte Galagon em homenagem à lança. Já havia subido ao topo daquele monte antes em um dos treinamentos de Órion. A exceção de Davos, todos já haviam subido o monte antes. Foi ele quem primeiro teve mais dificuldades.

–Ha! Esses sulistas não foram feitos para os montes de Skagos-Bor disse enquanto carregava Davos-

O ar já estava ficando rarefeito na subida enquanto Rickon tentava ao máximo conservar suas forças para a luta que viria ainda. A própria montanha e sua trilha traiçoeira já parecia ser uma grande luta.

"Apenas um aperitivo perto do que esta por vir. "

Quando chegaram ao topo e viram dez dos homens de Malagorn e o próprio sentados, Rickon já estava ofegante enquanto Malagorn apenas sorria. Davos era carregado por Bor e Thorion. Dois dos homens de seu oponente olharam para Davos e cochicharam alguma coisa que os fiz rir. Rickon olhou e avistou o soldado que fez troça com ele no meio do grupo. Malagorn levantou-se empunhando Galagar e caminhando em direção a Rickon.

–Estou surpreso que ao menos o filhote tenha conseguido chegar aqui. Bom. Pegue suas armas, filhote. Quero matar você logo e usar sua pele de lobo para me aquecer.

–Terá muito calor para onde vou te mandar, Malagorn. Dizem que infernos são quentes.

Rickon ergue-se e virou para seus companheiros encarando-os. Órion deu a ele seus escudos de mão para que deixa-se em seu braço.

–Use-os para defender-se dos golpes possam vir do cabo da lança e não da ponta. contra ela escudos são inúteis. -Ele apertou sua mão e disse-procure tirar vantagem de sua velocidade e não deixe aquela lança acerta-lo. E sobreviva.

–Sobreviverei.

Em seguida ele foi até Osha e deu um forte abraço nela murmurando "Desculpe" ao ouvido dela. Seus oponentes obviamente riram e fizeram troça dele, mas, naquele momento ele não se importava. Somente a mulher que o criou e protegeu desde que sua família partiu importava naquele momento.
O pico da montanha era circular formando uma espécie de arena. Algumas histórias sugeriam que o próprio Brandon, o Construtor, havia modelado a montanha assim. Embora, para Rickon isso não tinha sentido algum. Oliver Sand entregou para Rickon sua lança. Ela possuía os ultimos sessenta centímetros feitos de aço. O formato e tamanho da lança foram sugestão de Oliver. Segundo ele, um velho amigo lutava usando lanças desse porte. Ele também era um príncipe e se chamava Oberyn Martell, embora os homens o chamassem de "víbora vermelha" , perguntava-se qual teria sido o ultimo combate que o príncipe de Dorne teria travado com uma lança assim. Segurou com as mãos a arma de dois metros e meio de comprimento e fixou seu olhos em seu oponente. Era pesada de se carregar.

"Deveria ter treinado mais com essa lança.É pesada e difícil de se manejar."

Homens de ambos os lados faziam barulho e batiam em seus escudos gritando insultos e gritos de incentivo. Os frios ventos do inverno de Skagos sopravam balançando a capa feita de peles de ambos os homens e o longa cabelo vermelho de Rickon se agitava ao vento.

–Façamos isso de uma maneira rápida, filhote-Brandiu sua formidável lança-terminarei o derramamento de sangue o quanto antes. Não há honra em lutar contra filhotes.

Só então Rickon percebeu que Malagorn usava em sua cabeça uma pele de lobo ao invés da tradicional pele de urso. Usava a cabeça do animal como um elmo certamente para provocá-lo. Em sua mente guardava os ensinamentos de Órion.

"Na mente deve ser uma floresta"

Subitamente o chefe selvagem brandiu sua lança contra o Stark em uma estocada reta tentando atingir o ombro dele. Rápido demais para que o garoto tenha a chance de usar sua lança para desviar a arma do oponente restando-lhe apenas a esquiva. A ponta da lança ainda o tocou no ombro conseguindo fazer um minúsculo sangramento como a picada de um mosquito.

"Na velocidade devo ser um coelho"

O homem mais velho entre os dois rugiu e avançou novamente, porém, desta vez o rapaz deslizou seu corpo para esquerda e acertou o cabo do freixo de sua lança contra o cabo de aço da Galagon jogando-a para o lado direito. Rickon pôs toda a força de seu corpo e jogou sua lança contra a garganta do homem, mas, o Magnar recuou bem a tempo de se salvar.

"Na força devo ser um tigre"

Malagorn fintou uma estocada contra a cabeça do jovem Stark, mas, seu verdadeiro ataque foi direcionado contra a coxa do rapaz. Felizmente para o garoto de winterfell, sua longa estava estrategicamente apoiada aproximadamente na direção de sua cintura permitindo-o direcionar Galagon para baixo antes de acertá-lo usando o cabo de sua lança. Aproveitando a deixa, ele desferiu a sua lança dornesa contra o ombro de seu oponente. Dessa vez ele não pode esquivar e o sangue escorria de seu ombro direito.

"Na astúcia devo ser uma raposa"

O Magnar recuava ,mais uma vez, com o ombro sangrando e praguejando. Outros homens já caíram quando Rickon aplicou este golpe neles, mas, este continuava a empunhar a lança com as duas mãos. O jovem Stark deslocou-se três ágeis passos para a esquerda em volta de seu oponente e desferiu quatro golpes nele aproveitando o seu alcance superior. Contudo, Malagorn usou sua lança para desviar todos os os golpes e um deles apenas raspou sua placa de peito.

"Na ferocidade devo ser um lobo"

Malagorn rugiu e tentou mais uma estocada reta contra a barriga de Rickon mesmo sem o alcance necessário. O rapaz apenas desviou o golpe para a esquerda usando o cabo longa da sua arma. O estratagema do Magnar havia dado certo e ele empunhou Galagon com uma mão direcionando-a contra o cabo de madeira de seu jovem inimigo. Um agonizante som foi ouvido quando o chifre de unicórnio encontrou a madeira e a partiu. Sua lança agora estava inutilizada. Rickon jogou o pedaço da lança partida na direção do rival e acertou a testa dele de raspão salpicando a neve do chão com o sangue do Magnar. Ele caiu de joelhos ao chão e com uma de suas mãos ainda segurava a Galagon. Rickon desenbainhou sua espada o mais veloz que pôde e desferiu um potente corte vetical contra o seu inimigo, porém, Malagorn usou seu escudo de metal para defender o ataque. O Magnar de Skagos rolou seu corpo para trás e levantou brandindo a Galagon com suas duas mãos afastando o jovem Stark de seu encalço.

O rapaz sentiu a ponta da arma perfurando sua carne e quase seus ossos quando a lança atingiu de leve a região abaixo de sua costela. Foi apenas uma pontada, mas suficiente para faze-lo sangrar e sentir dor. Sentiu uma tontura quando se deslocou para trás fugindo do alcance de seu inimigo. Caiu sobre um joelho na neve e seus pulmões quase não conseguiam buscar o ar. A jornada pela montanha cobrava o seu preço. Quando Galagon veio em sua direção, seu mundo pareceu tornar-se branco como a neve que caía. Não sabia se foi por puro instinto ou pela imensa vontade de vencer, mas, seja como for, Rickon conseguiu usar sua espada para golpear a ponta da lança e a desviá-la antes que ela perfura-se sua cabeça. O jovem Stark voltou a se erguer. Respirava ofegantemente e Malagorn também.

–Você é persistente, filhote! Ao menos isso eu respeito.

Mal havia terminado suas bravatas e o Magnar já lançava outro ataque. Dessa vez, usava a extremidade do cabo da lança para golpear o rosto de Rickon. O príncipe de Winterfell, contudo, antecipou-se a esse movimento e usou o escudo dado pelo seu mentor para bloquear o ataque. O som do metal se encontrando com o aço valiriano parecia ensurdercedor a primeira vez. Malagorn virou sua lança dessa vez girando-a contra a calena de Rickon enquanto o rapaz saltava para escapar do golpe e lutava contra a dor de seus ferimentos. Mas o braço direito do Magnar vacilava por um instante devido ao golpe sofrido anteriormente.

"Tem que ser agora"

O instante foi longo o suficiente para que o garoto avança-se com um salto contra o homem sem nariz e com um golpe de sua espada sangrou a garganta do Magnar. Ele recuou três passos e as vozes de seus companheiros cessaram enquanto gritos de comemoração do outro lado eram ouvidos. O sangue escorria pela garganta e banhava a neve tornando-a rosada como uma flor. O manto de pele de lobo caía da cabeça do, até então, Magnar-de-toda-Skagos e ele demorou alguns segundos até cair de joelhos perante seu oponente. O olhou uma ultima vez cheio de ódio e então deitou para sua cama de neve ensanguentada. O príncipe de Winterfell caminhou então em direção ao inimigo vencido. Deixou a espada ao seu lado e se ajoelhou juntando as mãos para prestar uma homenagem e respeito ao inimigo vencido. Em seguida levantou e decepou a cabeça dele segurando-a pelos cabelos mostrando aos companheiros dele. Quando a soltou pegou Galagon com a mão esquerda.

"É tão leve. Nem parece ser tão poderosa."

Rickon era agora o mais jovem Magnar-de-toda-Skagos. Seu olhar recaía para os companheiros do antigo Magnar. Em geral a posição de Magnar era apenas um título vazio pois nem todo o povo-livre respeitava um deles como seu líder. Esperar lealdade dos companheiros de um homem que ele acabará de matar e degolar seria tolice. Caminhou com certa dificuldade em direção aos seus próprios companheiros que o receberam com festividade.

–Disse que ele venceria não disse?-Quinlas falou com os olhos inundados por lágrimas de alegria-

–E olha só, ainda saiu inteiro.-Enquanto apoiava Rickon, Raymond falou-

–Eu teria feito melhor. Mas assim esta bom-Domerick o ajudou também apoiando-o em seu outro ombro-

–Não estou impressionado-Disse Órion sem sendo o único a não sorrir-Teve demasiada difículdade para vence-lo. Faça melhor.

–Com todo o respeito, devo discordar. Malagorn poderia ser um homem brutal e desleal, mas, era um grande guerreiro armado com uma poderosa arma. Além de Rickon estar em desvantagem.-Aramyr tentou argumentar-

–Pois quando se recuperar o novo Magnar-de-toda-Skagos vai dobrar seus treinamentos para que isso nunca mais aconteça-Órion disparou para total frustração do jovem-mas por enquanto deve descansar.

Thorion e Bor se ajeolharam enquanto cada um queria comemorar de uma forma diferente. Bor desejava fazer um grande banquete e apresentar algumas mulheres do povo livre de uma tribo amiga para Rickon. Thorion preferia apenas voltar para o represeiro e orar para os Deuses para agradecer a vitória e Aramyr concordava com essa ideia. Órion disse que era melhor apenas que eles voltassem para casa para evitar que Rickon pegasse algum tipo de resfriado ou algo pior com o frio do inverno além de tratar das feridas da luta. Para o rapaz essa foi a melhor ideia.

Após isso passaram algumas semanas enquanto Rickon descansava de sua batalha. Algumas tribos selvagens iam até ele jurar sua fidelidade e darem oferendas em formas de presentes típicos do povo-livre. Rickon reconheceu alguns como membros da grande tribo unificada de Malagorn e soube que só estavam lá pelo seu antigo líder ter sido derrotado.

"Será que os antigos vassalos do meu irmão agora seguem os homens que o mataram?"

O pensamento lhe causava repulsa e ele dizia para si mesmo que seria impossível já que os costumes do povo livre e dos Westerosi eram diferentes. Muitos do povo-livre só respeitavam a força e não se importavam com a linhagem de Rickon.

Durante as semanas de descanso, Osha e Sor Davos foram seus maiores companheiros. A presença dos dois lembrava de Rickon seus próprios pais. A lembrança dos pais quase inundou os olhos dele de lágrimas mas ele não permitiu que nenhuma delas caísse.

Embora não tenha se ferido gravemente na batalha e em pouco tempo já estar apto para treinar novamente, Órion insistiu para que o rapaz descansar pois daqui alguns dias os navios os levariam para Westeros. Rickon então mandou chamar os antigos companheiros de Malagorn que o haviam acompanhado para sua derradeira batalha. Todos os dez estavam ali diante dele na entrada do Salão dos troncos. Os companheiros que acompanhavam Rickon também, além de mais de guardas. E o mais importante o seu lobo gigante, Cão Felpudo, estava lá também.

–Preciso de vocês para enviarem uma mensagem.-Falou rapidamente o príncipe de Winterfell-

–Uma mensagem?-Disse bufando um dos outros selvagens-Nos toma por corvos? Acha que somos seus servos só por você ser o novo Magnar-de-toda-Skagos, filhote?

Ele então cuspiu ao chão enquanto Órion levantou um cenho para a atitude dele e comentou.

–Que infeliz escolha de palavras.

Quinlas e Domerick confabulavam uma brincadeira entre si, mas, Rickon não gostava nada desse gesto.

–Mais uma palavra dessas e o filhote vai caçá-los tal como caçou Malagorn. Não tomo vocês por corvos, esses ao menos tem alguma utilidade, tomo vocês por idiotas suicidas por falarem assim comigo em minha casa. Contudo deixarei os nove viverem se derem uma mensagem a outras tribos do povo livre. Diga eles que não cobro nenhuma lealdade deles ou servidão. Amanhã voltarei ao continente com grande parte do exercito de meus vassalos em Skagos. Se atacarem qualquer uma das três casas eu voltarei com todo o poderio do Norte e esmagarei todos vocês sem poupar nenhum.

Os homens ao seu lado agitavam suas armas e Bor começava a gritar "Stark! O Rei do Norte" e os outros o seguiam. Os homens pareciam quase assustados ou talvez impressionados pela demonstração de poder do rapaz. O que havia levantado sua voz anteriormente amargava um longo silêncio. Um deles falou.

–Você disse nove? Mas nós somos em dez.

Rickon se aproximou deles e pode farejar seu medo. As vezes era como se ele e o lobo fossem um só mesmo quando estava acordado. Um homem estava com ainda mais temor que os outros e tinha uma boa razão para estar. Lembrou-se do insulto que ele fez para o jovem Stark. E então rapidamente sangrou a garganta dele.

–Eu disse que iria cortar sua garganta.

O pobre tolo caiu ao chão enquanto a vida o deixava. Rickon olhava para o homem se debater ao chão. Afinal o que ele esperava? Que ele esqueceria o insulto que ele fez para ele e Órion? O Norte tem memória. O Norte se lembra. Essa era uma lição que ele levaria para o túmulo. E uma lição que os inimigos de sua família estavam para aprender da forma mais dura possível.

Notas finais
-Magnar significa "Chefe" segundo o antigo idioma. Lembram? Portanto o termo "Magnar-de-toda-Skagos" não tem ligação com a casa "Magnar" de Skagos. -No próximo capítulo veremos mais da princesa Myrcella e algumas revelações de como Westeros vai estar.