A caminhada da sobrevivência
9 O pesadelo acabou.
Notas iniciais
Mesmo depois do acontecido, Rick insistiu que deveríamos seguir viajem.
Andamos no máximo 20 quilômetros quando a van parou e começou a sair fumaça. Resultado? Tivemos que continuar a pé.
Ninguém no grupo parecia disposto, mas não tivemos escolha.
Fiquei o caminho todo segurando a mão de Carl, não queria solta-lo, eu tinha medo se eu o soltasse eu iria perdê-lo também.
Ouvi uns gritou logo adiante, quando nos aproximamos mais vimos duas pessoas, um homem e uma mulher que usavam jalecos brancos. Eles estavam em cima de uma estrutura de metal, ela estava pendurada enquanto o homem tentava segura-la. Logo abaixo da mulher cerca de uns dez zumbis estavam esperando ela cair para mata-la.
Dez zumbis, tínhamos armas e pessoas suficientes no grupo para acabar com aqueles cadáveres. Mas ninguém do meu grupo levantou uma arma para ajudar o casal.
–Gente.- eu os chamei. Ninguém olhou para mim.- Não vamos fazer nada? Temos armas podemos acabar com aqueles zumbis.-Eu disse, mas ninguém me deu atenção.- Vocês vão deixa-los morrer? É isso?- perguntei incrédula.
–Você viu o que aconteceu com a ultima pessoa que ajudamos- disse Rick, com voz sem nenhuma emoção quase robótica.
–Sim, mas não precisamos trazê-los conosco, podemos salva-los! Por favor.
Rick suspirou quase como o que eu tivesse dizendo o irritasse. Ele levantou sua arma e como um reflexo todo o grupo fez o mesmo.
Em menos de dois minutos tinham apenas zumbis mortos no chão.
O grupo começou a andar quando ouvi uma voz masculina nos chamar.
–Ei! Esperem!
Mas ninguém parou.
Isso não impediu o homem, ele e a mulher correram até ficar na frente de todos nós.
–Queremos agradecer.- a mulher disse.
Não pude deixar de notar o quanto eles pareciam saudáveis, limpos, e para sobreviventes eles não possuíam nenhuma mochila ou uma garrafa de agua, e o homem tinha apenas uma arma no bolso do jaleco.
–Não precisa.- Rick disse.
–Não, se vocês não tivessem nos ajudado, bem... Não conseguiríamos por um fim a todo esse caos- o homem disse.- A proposito eu sou Pablo e essa é Helena.
–Como assim “por um fim a todo esse caos”- perguntei curiosa.
Carl apertou minha mão como se dissesse: “Não converse com eles”.
–Estão vendo aquela estrutura.- Pablo disse apontando para onde eles estavam.- Espalhamos vários desses pela cidade, e com isso iremos acabar com essas coisas.
–Como?- eu não estava conseguindo segurar a curiosidade, se tem realmente um jeito de acabar com essas coisas eu quero saber como.
–O nosso centro de pesquisa fica a uns três quilômetros daqui, nosso carro quebrou por isso precisamos seguir a pé, querem ir conosco?- Helena perguntou.
Eu queria ir, eu queria realmente ir. Olhei para Rick e ele só me encarou serio.
–Nos dê um minuto.- Rick disse e o grupo se afastou para conversar.- O que acham?- Rick perguntou para o grupo.
–Rick vamos- pedi- eu sei que isso parece bom demais para ser verdade, mas olhe para eles- eu disse me referindo a Pablo e Helena- eles não parecem que estão sobrevivendo aqui fora, eles realmente deve ter um centro de pesquisa seguro. E se existe um jeito? Se existe realmente um jeito de acabar com essas coisas?
–Alguém está de acordo de irmos com eles?- Rick perguntou.
–Estou- fui a primeira a falar.
–...
–Eu também.- Carl disse.
E assim todos do grupo concordaram.
–Vamos com vocês.- Rick disse para o casal.
Fomos boa parte do caminho em silencio, até que eu falei.
–Então...Como aquela estrutura de metal vai conseguir fazer o mundo voltar a ser como era antes?
Helena deu uma pequena risadinha e respondeu.
–Bem, não é a estrutura de metal que vai fazer isso, mas sim o que deixamos lá.
–Espalhamos varias “bombas” por Atlanta- Pablo continuou- Perdemos muitos dos nossos com isso.- ele disse meio triste.- Desde que essa epidemia começou, o nosso centro de pesquisa começou a procurar uma cura para isso, até que a encontramos. Essas bombas vão espalhar pelo ar uma nova espécie de vírus que vai matar esse “vírus zumbi”. As pessoas como nós, que já estão infectados, vão ser curadas, então quando alguém morrer não vai se transformar em um zumbi.
Um balão de expectativa se encheu dentro de mim.
–Então todos os zumbis, que não foram mortos, voltaram a serem pessoas?- perguntei.
Se a resposta fosse sim eu poderia ver minha mãe e meu irmão de novo, afinal eu não os matei quando eles foram mordidos.
–Bem...Não.- Pablo disse, e a grande expectativa dentro de mim desapareceu mais rápido do que chegou- Eles não podem mais voltar a ser pessoas, antes de virarem zumbis eles morreram, e para morte ainda não inventamos uma cura, e mesmo se tivéssemos inventado eles não poderiam ser pessoas normais, afinal eles já estão podres, suas peles, órgãos, sangue e tudo mais não servem para nada. Então quando a bomba for ativada todos os zumbis vão morrer.
Ficamos novamente em silencio.
–Chegamos!- Helena avisou.
Estávamos em frente a um grande muro todo sujo de sangue, tinha uns cinco zumbis passando por ali e pareciam não notar o muro.
Sangue de zumbi, pensei, funciona como uma camuflagem.
No muro tinha apenas um portão. Não demorou muito até o mesmo ser aberto.
Quando entramos meu queixo quase caiu, tinha construção enorme, com janelas espelhadas, na frente à grama era bem aparada e tinha uma grande fonte com agua limpa.
Começamos a andar, varias pessoas com jalecos brancos, roupas de faxineiros, com uniformes de guardas cumprimentavam Helena e Pablo. Todas essas pessoas pareciam muito saudáveis e felizes, acho que nunca estiveram lá fora.
Quando chegamos à porta do prédio ela se abriu sozinha, e entramos prédio adentro.
A luz branca me cegou por alguns instantes.
–Vocês tem energia?- perguntei quando minha visão voltou ao normal.
–Sim, mesmo antes de isso tudo começar nós já usávamos energia solar.- respondeu Helena.
Os corredores eram largos e muito brancos, eu podia ver meu reflexo no chão de tão encerado que era. Tudo era tão limpo e branco que me senti desconfortável olhando para minhas roupas sujas e velhas.
Paramos na frente de duas portas de aço e elas se abriram para um elevador grande o suficiente para todos nós. O elevador começou a subir e eu tive que morder o lábio para esconder o sorriso de diversão.
Descemos em um andar cheio de portas. Pablo abriu uma delas e tinha cerca de doze camas com lençóis brancos e apenas um guarda-roupa e um banheiro.
–Vocês ficaram aqui, os banhos tem que ser de no máximo 5 minutos, pois racionamos agua. E...- ele olhou para cada um do grupo.- Vou pedir para alguém trazer roupas novas para vocês.
E dito isso Pablo e Helena saíram do quarto.
Todos ficamos no quarto com cara de: “Isso só pode ser brincadeira”. Será que isso é uma armadilha? Mas eles não nos deixariam com armas se fosse.
Dois minutos depois uma mulher entrou com um carrinho de roupas, as deixou lá e foi embora. Eram roupas simples, nada estampado ou extravagante.
Peguei uma calça de moletom preta e uma regara azul escura.
–Vou tomar banho primeiro!- Avisei indo para o banheiro.
O banheiro era pequeno, e como tudo naquele lugar, muito limpo. Liguei o chuveiro e agua quente saiu dele.
Lavei os cabelos e terminei meu banho pouco antes do chuveiro desligar sozinho.
Na pia do banheiro tinha um armarinho com escova de dente e cabelo, cremes, sabonetes e shampoos.
Sai do banheiro e deitei na cama limpa e fiquei perdida nos pensamentos.
Já tinham se passado uns 20 minutos, até que Carl apareceu, sua pele estava mais branca que nunca, ele vestia uma camiseta cinza e calça preta, seus cabelos estavam (bagunçados) lindos!
–Você está lindo. — eu disse sorrindo.
–E você está perfeita... Mais. — ele disse sorrindo também.
Ele se deitou ao meu lado e seu sorriso desapareceu.
–Você acha que é verdade? Acha que eles realmente têm a cura?
–Não sei, mas espero que sim.- respondi.
Minha cabeça estava cheia de coisas, eu não sabia em que pensar.
Puxei Carl pela gola da camisa e o beijei calmamente. Quase como num passe de magica todos os pensamentos desapareceram da minha cabeça. No meio de um apocalipse zumbi Carl foi a única coisa boa que me aconteceu.
Quando o ar nos faltou ficamos lá, quietos, apenas apreciando a companhia um do outro.
A porta se abriu a revelou uma mulher de uns trinta anos cabelos pretos e lisos e um grande sorriso no rosto, Helena.
–Está na hora, Venham!- ela disse e saiu.
Todos nos entreolhamos, mas mesmo assim a seguimos. Mas eu tive que esperar um pouquinho até Carl colocar seu chapéu de xerife.
Helena nos levou até uma sala onde tinha muitas pessoas, todas pareciam inquietas e entusiasmadas. Helena abriu caminho entre a multidão e nos levou para frente de todos.
Em um pequeno palco Pablo estava sorrindo alegremente, ele fez um sinal para que todos se calassem e assim eles fizeram.
–Nesses últimos anos- Pablo começou seu discurso. — Fomos atormentados por uma praga, um vírus que transformou pessoas inocentes em monstros. Mas nós sobrevivemos.
“Depois de vários estudos e experimentos descobrimos uma cura para por fim a tudo isso, e hoje meus amigos e amigas será o dia que irá ser contado de geração a geração e que estará presente nos livros de historia, hoje é o dia que colocaremos um fim aos zumbis!”
Todos começaram a bater palmas e assobiar.
Pablo andou até um enorme botão vermelho e levantou uma tampa de vidro.
–Agora ele vai lançar o vírus que acabará com os zumbis.- Helena disse para mim animada.
Pablo apertou o botão e a sala explodiu em comemorações.
Puxei Carl até mim e disse em seu ouvido.
–O pesadelo acabou.
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