A caminhada da sobrevivência
4 A escolha que gerou uma briga
Comecei a correr. Eu só conseguia ouvir os tiros disparados por Carl e Noah.
Meus olhos passavam por todo mercado procurando uma saída, até que eu a achei.
–Ali.- Gritei apontando para saída de emergência.
Corri o mais rápido que pude entramos e fechamos a porta atrás de nós. Os zumbis começaram a se agrupar na porta. Carl e Noah estavam encostados tentando controlar a multidão de zumbi.
–Alana, salve a Judith.- Carl disse fazendo força contra a porta.- Rápido! Não vamos aguentar muito tempo.
Eu não posso deixa-los aqui.
–Não.- respondi.- Não posso deixar vocês.
–O que? Essa não é a questão, você tem que salvar Judith, vai logo!
–Não, Carl, eu não vou deixa-los.
–Você não pode estar falando sério!
Peguei um revolver em cada mão.
–Estou.
Os garotos não aguentaram mais e vários zumbis começaram a entrar na saída de emergência.
Comecei a atirar na cabeça das criaturas enquanto dava pequenos passos para trás, os zumbis não paravam de aparecer.
Minhas armas fizeram um clik, eu estava sem balas.
Agora eu só tinha três facas, peguei duas, uma em cada mão e cravei nas cabeças de todos os zumbis que se aproximavam. Minhas mãos estavam ensopadas do sangue podre das criaturas, Judith não parava de chorar, vários zumbis vinha em minha direção e eu tentava afasta-los com chutes.
Cravei minhas facas nas cabeças dos últimos zumbis.
Fechei os olhos e dei um longo suspiro aliviada. Quando abri os olhos novamente, Carl estava vindo na minha direção, seus rosto demostrava a raiva que ele estava sentido. Ele desprendeu o bebe canguru de mim e deu Judith para Noah segurar.
–O que você pensa que estava fazendo!- ele começou a gritar.- Era pra você ter salvado a minha irmã, não ter ficado aqui arriscando a vida dela.
–Eu não podia ter deixado vocês dois sozinhos!- respondi no mesmo tom.
–Não me interessa! Noah e eu conseguimos nos defender, Judith não, é a ela que você tem que pensar em proteger não a nós!
–Não seja idiota, Carl! Se eu tivesse saído talvez vocês não tivessem conseguido matar todos os zumbis, eu queria ajudar!
–Eu não preciso da sua ajuda.- ele disse frio.
Ele pegou a menina dos braços de Noah e saiu.
Noah suspirou, ele olhou pra mim e disse.
–Vamos.
...
Chegamos até onde eu tinha escrito a mensagem no asfalto. Não havia nenhum carro nos esperando.
Tínhamos voltado o caminho todo sem dizer uma palavra.
Judith ainda estava chorando.
–Me dá ela para eu acalma-la- eu disse calmamente para Carl.
–Eu sei acalmar a minha irmã.
–Então por que ainda não acalmou?
Ele apenas me lançou um olhar furioso, mas eu não desviei os olhos.
–Ela vai ficar com dor de cabeça de tanto chorar, me da ela logo.- eu disse perdendo a paciência.
–Não.
–Não seja idiota!
–Idiota é você!
–Parem os dois!- Noah interrompeu.- Judith não é um brinquedo pra você ficarem disputando!- ele se virou para Carl.- Dê a neném para ela, essa não é hora para ser orgulhoso.
Carl me deu Judith sem me olhar nos olhos.
Em pouco tempo eu já tinha conseguido fazer Judith dormir.
Olhei para o céu e ele já estava ficando laranja com o por do sol.
–Temos que arrumar um lugar para dormir.- Noah disse.
Carl olhou para a estrada e suspirou triste.
Peguei mais um pouco de sangue do zumbi e passei um risco nas palavras “Já voltamos”. Fiz uma seta apontando para direção que iriamos seguir.
...
Depois de procurar bastante achamos uma casa segura, entramos, trancamos todas as portas e janelas e formos para o andar de cima.
A noite estava muito fria. Ficamos todos no mesmo quarto que tinha três camas de solteiros.
–Eu fico de vigia.- eu e Carl falamos ao mesmo tempo. Depois trocamos olhares de desdém um para o outro.
–Já que vocês insistem.- Noah disse dando de ombros.
Antes que eu pudesse voltar atrás ele já estava deitado de olhos fechados.
Carl colocou Judith em outra cama e foi para o lado do quarto mais longe de mim.
Eu estava triste, não gosto que as pessoas fiquem com raiva de mim, mesmo sem eu ter feito nada de errado.
Já tinham se passado três horas o único barulho na noite era o ronco de Noah.
Senti algo se aproximando e me virei rapidamente, mas era apenas Carl.
Ele sentou do meu lado na cama.
–Desculpa.- ele disse baixinho.
–Tudo bem.
Ele virou para mim e ergueu uma sobrancelha.
–Só isso? Eu grito com você e depois eu falo uma simples palavra e fica tudo bem?
–Se você quiser ajoelhar e pedir perdão eu não ficaria nada brava.
–Não obrigado.- ele disse rapidamente. Ele deu um longo suspiro.- Sabe, eu não queria ter gritado com você, é que...Judith é única família que eu me restou, minha mãe morreu, perdi meu pai e eu não suportaria perder minha irmãzinha, ela é tudo que importa para mim nesse mundo que mais parece um pesadelo.
–Tudo bem Carl, acho que eu faria a mesma coisa no seu lugar.
Ele sorriu e voltou para o lugar onde estava.
Não sei se ele falou tudo isso apenas para tirar o peso na consciência, só sei que o sorriso dele me fez ganhar o dia, ou a noite, tanto faz.
–Shó pensamento.- eu disse baixinho dando leves tapas na cabeça. Eu não posso me apaixonar por esse menino.
Quando Noah acordou, eu finalmente fui dormir.
...
Acordei com o sol que entrava pela janela. Judith estava dormindo e o quarto estava vazio.
Desci até a sala e os meninos estavam sentados no sofá.
–Que horas são?- perguntei rouca.
–Onze horas mais ou menos.- Noah respondeu.- Tem algumas coisas na cozinha, se quiser comer...
Concordei com a cabeça.
Fui até o banheiro me arrumei e fui comer algo na cozinha.
Eu estava lavando uma colher quando um braço passou por minha cintura e uma mão cobriu minha boca. Deixei a colher cair na pia fazendo barulho.
–Alana?- Carl me chamou.
–Quietinha querida.- uma voz rouca e grossa falou no meu ouvido.
Ele soltou minha boca e colocou o cano de uma arma na minha cabeça.
Pov´s Carl
Eu estava em pé me espreguiçando, quando ouvi um barulho na cozinha.
–Alana?- chamei, nada em resposta.
Senti uma presença atrás de mim e por reflexo eu dei uma cotovelada e apontei a arma para pessoa. Um homem com barba mal feita estava com as mãos para cima em sinal de rendição, mas sua cara mostrava o contrario. Olhei para o lado e Noah apontava a arma para outro homem.
–Se eu fosse vocês eu não faria isso.- uma voz rouca e grossa disse.
Me virei ainda mantendo a mira no homem.
Um cara grande e forte, com cicatrizes no rosto estava segurando Alana e apontando uma arma para sua cabeça.
–Larguem as armas.- O homem que estava segurando Alana ordenou.
Coloquei lentamente minha arma no chão e Noah fez o mesmo. Os outros homens pegaram as armas que estavam no chão.
–É o seguinte.- o homem que segurava Alana disse.- Nós só queremos suas armas e o que você tiverem, e então os deixaremos em paz.
–E se não dermos?- perguntei com a voz dura e controlada.
–Bem, a sua amiguinha aqui, vai virar presunto.- e disse e riu secamente.
Olhei para Noah e tivemos uma breve conversa visual. Pegamos nossas mochilas e algumas facas e outras armas que estavam no sofá e jogamos entre nós e os homens.
–Agora já tem o que querem, vão embora.- eu disse.
–Acho que não, que tal...- ele olhou maliciosamente Alana da cabeça aos pés- Nos divertimos um pouquinho?- o homem disse para os outros que concordaram rindo.
Uma onda de raiva me atingiu.
–É melhor você solta-la...
–Se não o que?- ele me interrompeu- Você vai me matar?
–Ele não- Ouvi um barulho de arma sendo destravada- Mas eu vou.
Fale com o autor