A caminhada da Morte
10 Little Girl. Parte.1
Notas iniciais
Um corpo caiu no chão ao lado da fogueira da caverna escondida da mulher louca que aprisionara Gabriela. Era vivo e estava com a boca totalmente tampada com um pano dentro dela e uma fita bastante resistente por cima, impedindo a pessoa de falar ou tentar gritar. As mãos dela estavam amarradas e os pés também.
– Conhece ele? –Perguntou a mulher para Gabriela aprisionada com as duas mãos e os pés no canto da caverna.
– Sim...
***
Carol, Lucas, Douglas, Tatiana e Bruna pegaram casacos bem quentinhos oferecidos pelo o pai de João. O frio insuportável que eles sentiam antes, não fazia tanta importância com aqueles casacos quentes e confortáveis.
O acampamento era realmente muito grande e aparentemente muito seguro. Além das grades altas na parte de frente que haviam cobrindo o quartel, haviam madeiras presas, forte o suficiente para não serem arrancadas por zumbis. Estavam um tanto ensanguentadas, provavelmente pelos zumbis que tentavam passar por ali.
Na parte de trás, caras e algumas mulheres que estavam também abrigados naquele acampamento de sobreviventes, andavam de um lado para o outro com madeiras grandes para cobrir também aquelas grades, com vários zumbis do outro lado caídos, realmente mortos. Provavelmente a grade não iria aguentar tantos mais zumbis e eles resolveram também tamparem aquele local.
Daisy estava afiando sua faca com um canivete,sentada na calçada perto dos estábulos. Alessandra passou ali, com Jorge e os adolescentes que acabaram de chegar. A menina apontou para ela com o queixo.
– Mais tarde vamos em busca do garotinho perdido. Prepare-se se você não quer morrer, porque não vou ficar te salvando não, ok? –Alessandra segurou em sua faca presa em seu cinto e continuou a andar com o grupo em direção a casa grande no final do quartel.
Carol parou.
– Espera...
Douglas, Lucas, Tatiana e Bruna pararam também, olhando para trás, ao perceber que Daisy estava ali. Tatiana, Bruna e Douglas Arregalaram os olhos, como se tivessem visto um fantasma.
– Daisy? –Carol perguntou, aproximando-se o como se não acreditasse no que via.
Daisy levantou a cabeça lentamente, os encarando, tirando uma mecha de seu cabelo da frente do rosto que voava por causa do vento forte que começara.
– ...Ainda se lembram de mim?
– Como...? –Douglas a olhou, impressionado.
– Ela não estava morta? –Perguntou Tatiana.
Daisy desviou o olhar.
Carol a puxou a abraçando bem forte. Daisy retribuiu dando um sorriso pequeno.
– Oi...cadê todo mundo...? Ah! O João,não tá aqui?
– Nós se separamos no caminho quando zumbis atacaram... Isabella, Renan, Rafael, Anna, Mariana , João e Gabriela sumiram. –Carol diminuiu um pouco a voz.
– Ah...então se é assim, me animo mais em ir tentar encontrar João. Me alivia só de saber que estão todos vivos até agora.
– É...não todos...-Carol falou, olhando para o lado.
– Ah...quem...?
– Mylena... e os outros...bem, espero que estejam bem.
Daisy arregalou os olhos por um tempo.
– E-Eu...sinto muito...-Ela abaixou o olhar, com os olhos cheio de lágrimas.
Elas ficaram em silêncio por um tempo, logo Tatiana cortou o silêncio.
– João ficou preocupado contigo, teve até briga no carro por conta disso. Não são todos que morreram...e se quisermos que todos permaneçam bem e que mais ninguém morra, precisamos agir. Não mais ficar parados e chorando feito idiotas. –Disse a loira, de braços cruzados e a mesma expressão séria no rosto.
– É isso que vocês ouviram. –Falou Alessandra. -finalmente alguém me entende. Desculpe interromper esse momento afetivo, mas...precisamos nos mover se quisermos salvar esses seus amiguinhos aí. E sério...eu já to cansada de ficar indo pro lado e pro outro feito uma pateta com a Daisy e não acharmos nada. Se eles estão por perto, precisamos ir logo, vamos por um fim nessa busca. –Alessandra fez uma pausa, pensativa, logo estalando os dedos. -Algum de vocês tem celular? Não faz muito tempo que isso começou, os rádios ainda funcionam e a energia também. Mas isso não vai durar por muito tempo. Então...algum de vocês tem um celular?
– O meu descarregou. –Disse Douglas.
– Não levo celular pra escola...-Sussurrou Bruna. –Se eu soubesse que isso aconteceria...-A garota abaixou o olhar, entristecida.
– Eu tenho. –Falou Carol e Lucas ao mesmo tempo.
– Ok. Liguem para eles. –Disse Jorge. –Não para o meu filho...o celular dele está comigo.
– Ok. –Carol discou Anna Paula.
..
..
Chamando...
– “Sua chamada está sendo encaminhada para caixa de mensagens...blá-blá-blá...” –Carol imitou a voz da mulher da gravação da caixa de mensagens da operadora.
Douglas ligou para Mariana, colocando no viva-voz.
“...Diga seu nome e a cidade de onde está falando:”
– ATENDEU! –Douglas quase gritou, animado.
– Você está ligando a cobrar? -Perguntou Carol.
– Não importa! Alô...? –Falou Douglas com a boca bem perto do celular.
– Shh...os zumbis estão por toda a parte...-Deu para ouvir a voz de João, meio trêmula, com choros vindo no fundo, e deu para notar-se que era de Mariana. –Onde vocês estão?
– Quartel! –Antes que Douglas pudesse falar outra coisa, o celular já estava em silêncio. A chamada havia terminado.
– Teremos vinte minutos para comer, beber água...depois disso iremos, ok? –Falou o pai de João.
– Ok. –Falou Carol e Douglas ao mesmo tempo.
Mariana ainda chorava um pouco distante de sua amiga Anna. Já transformada. A zumbi vinha se arrastando até a ela, erguendo os braços, tentando alcança-la.
Mariana se afastou, com a mão na boca, querendo gritar.
– Shh. –João sussurrou, abraçando a garota, a afastando da zumbi.
– Eu me recuso a aceitar isso! –Gritou Mariana
– Mariana, fica quieta, vai atrair os outros!
A garota gritou ao ver a zumbi se aproximando cada vez mais e soltou João, correndo pela floresta sem rumo.
– MARIANA! –João virou-se para ver a garota mas ela estava cada vez mais longe. E quando pensou em correr, a zumbi pulou em cima de João.
O garoto se remexeu tentando tirar as mãos da zumbi de seus ombros, ouvindo cada vez mais perto os gemidos monstruosos dela se aproximarem de seu ouvido. A boca da zumbi ia diretamente ao pescoço do garoto e com um impulso, virou-se o corpo rapidamente para frente do zumbi, retirando rapidamente sua faca que estava presa no cinto.
Caminhou para trás, tentando se afastar dos braços erguidos da zumbi, tentando mirar a faca diretamente em sua cabeça para acerta-la rapidamente e sem erro. Suas mãos tremiam enquanto segurava a faca, seu olhos estavam cheio de ódio e mágoa. Se perguntava porque e como havia acontecido tudo aquilo. Porque o mundo se tornou num inferno tão rápido, apenas queria saber o motivo e queria que tudo fosse um sonho.
– Não...-Ele sussurrava para si mesmo. Suas forças para matar a zumbi foram embora. Lembrou-se da primeira vez que a conheceu, lembrou dos livros que liam juntos.
Enquanto encarava a zumbi nos olhos, com a faca erguida, andando para trás, acabara tropeçando e caindo no chão.
A zumbi pulou em cima dele, com a boca aberta pronta para fazer seu lanche humano. Antes que a zumbi chegasse perto demais em seu rosto, João agarrou firme na faca e encravou com rapidez na cabeça da zumbi, fechando os olhos um pouco forte logo após disso. Sangue espirrara em seu rosto e em suas roupas. A zumbi parou de se mexer aos poucos. O garoto segurou no corpo da zumbi e a empurrou para o lado com rapidez, olhando o corpo zumbi com uma expressão de terror no rosto.
Quando se deu conta....
Mais gemidos.
Dois zumbis se aproximaram rapidamente e saltaram em sua direção. João desviou a tempo, respirando ofegante. Quando foi levantar, o zumbi agarrou sua perna, puxando-o para si.
Chutou a cara do zumbi três vezes. Conseguiu se soltar, mas quando se levantou, uma mulher de aparência velha e acabada, surgira com um machado na mão, acertando a cabeça de alguns zumbis e logo após, virou-se para João com uma expressão sádica e virou o cabo o machado para ele, acertando com força sua cabeça.
João abriu os olhos alguns minutos depois. Via o mato, e as árvores cada vez mais diferentes da floresta em que estivera. Percebeu que estava nas costas de alguém. Sentia cheiro de zumbi. Virou o rosto para ver a pessoa e era a mesma mulher louca de antes.
Sangue cobria sua roupa e rosto, mas já estava seco.” Então dá onde vinha esse cheiro cada vez mais horrível?” Pensava João. Quando olhou para seu próprio corpo, estava coberto de sangue. E não estava seco, era como se tivesse ligado um chuveiro e só caísse sangue em seu corpo inteiro. Sentia o liquido melado e nojento em seu rosto e quando foi tentar limpá-lo, percebeu que suas mãos estavam amarradas a uma corda.
– Me...ME SOLTA! –Gritou e com todas as suas forças, inclinou o corpo para o lado e com um impulso, saltou das costas da mulher, caindo na grama. Seus pés estava amarrados também, portanto, só conseguia se arrastar e tentar se soltar das cordas, que estavam super bens amarradas.
– Óh...acordou pequeno príncipe? –Sorriu a mulher com um olhar psicopata, se aproximando de João aos pouquinhos. –Venha comigo, lhe darei comida e água...esse rosto tão pálido...não come faz quantos dias?
– Um dia... e não preciso de você. Agora me solta! –João puxou as mãos, fracassando ao tentar soltar a mão das cordas firmes.
– Não use esse tom de voz comigo. Quer ter uma nova irmã? –Disse a mulher, passando a mão em seu rosto lentamente. –Ela vai adorar ter um irmão mais velho...
O celular de Mariana que estava no bolso do casaco de João começou a tocar.
– Ora, ora... quem é? –Ela pegou o celular do bolso de seu casaco, fitando a tela e logo jogou o celular longe até bater em uma pedra. –Eletrônicos idiotas.
– São meus amigos! –João gritou, se afastando da mulher, se arrastando para trás.
– Não precisa de amigos quando se tem sua mãe e sua irmã em casa.
– Você é louca!
– Chega de conversinha! –Ela gritou e puxou-o pelo braço, o levantando e começando a carrega-lo em direção a sua caverna que estava a alguns metros dali.
– ARGHHHHH! –João gritou. Zumbis que estavam há alguns metros de distância dali notaram o grito e começaram a caminhar na direção deles.
– Idiota! –A mulher tirou uma faca do bolso do vestido esfarrapado e enfiou no braço de João que gritou mais ainda.
– CALE A BOCA! –Ela irritou-se e bateu com o cabo da faca na cabeça do garoto que logo desmaiou.
O arrastou até dentro da caverna, deixando-o perto da fogueira para aquecê-lo. Pegou alguns panos e tampou a boca dele, limpando um pouco do sangue de seu braço que a mesma causara nele.
– O quê...? –Gabriella estava no canto da caverna com as mãos e pés amarrados com corda. Arregalou os olhos no mesmo momento que vira o corpo de João caindo no chão, pensando que era um corpo qualquer, mas quando reconheceu o amigo de sua irmã, assustou-se mais ainda.
– Conhece ele? –Perguntou a mulher, fitando Gabriella atrás da jaulinha, toda amarrada no chão.
– Sim...
– Claro que sim. É seu irmão. –Ela sorriu torto.
João abriu os olhos lentamente, mas estava tudo girando e estava sem forças. Gabriella encostou o rosto nas grades da jaula, chorando, com seu cachorro ao seu lado, dormindo, com seu corpo todo sujo, começando a ficar meio magro.
– A família está completa. –Ela sorriu, fitando o garoto no chão e Gabriella.
– Eu quero meus pais...-Gabriella sussurrou, com lágrimas escorrendo em seu rosto.
***
Mariana corria pelas florestas. Quando percebeu, encontrou grades altas logo a frente. A mais a frente encontrava-se uma estrada, onde vários carros estavam derrubados e alguns pegavam fogo. Mas as árvores cobriam quase tudo, até mesmo o céu cinzento da manhã parecia escuro agora.
As grades tinham tábuas grandes e largas por dentro. Percebeu movimentos de lá de dentro, e ergueu-se para ver o que tinha.
O quartel.
Mariana olhou para trás. João não estava nem um pouco a sua vista. Percebeu dois zumbis no meio da floresta, perdidos e procurando por barulho. Mariana se afastou lentamente e subiu nas grades com um pouco de dificuldade. Logo, errando a grade de dentro e caiu no chão do quartel.
Se levantou aos poucos do chão, enquanto uma mulher de cabelos lisos, preso em um coque, oriental, a avistou e ergueu a arma para ela, tremendo.
– ZUMBI!
– N-não! Eu não sou nenhum um zumb-Antes que Mariana pudesse falar mais algo, a mulher puxou o gatilho e atirou em direção do braço de Mariana. Que desviou rapidamente e a bala passou de raspão em seu braço.
– O QUE EU FALEI SOBRE ATIRAR?! –Jorge veio correndo em direção ao local, segurando um facão. – Qual é o problema agora?!
– Zumbi! –A mulher gritou, apontando a arma para Mariana.
– Ela não é um zumbi, Clary! –Reclamou Jorge, pegando a pistola que estava na mão da mulher.
Mariana respirava ofegante sentada no chão, fitando os dois, assustada.
– Mariana? –Jorge a fitou, assustado. –Onde está meu filho? Você estava com ele, certo? Cadê ele?!
– E-eu não sei, eu me perdi dele e acabei encontrando esse lugar...-Mariana se levantou lentamente. –Os outros estão aqui?
– Parte deles. Estávamos esperando por vocês. –O pai de João, foi andando pelo quartel enquanto Mariana o seguia. –Clary é meio perturbada, uma vez pensou que sua filha não estava mordida e ela estava. E acabou matando seu marido, agora ela pensa que todo mundo sem ser daqui são zumbis. Ela não pode chegar perto de uma arma.
Alessandra e o grupo de estudantes que chegaram ali um pouco antes vinham caminhando em direção de Jorge e Mariana.
Mariana correu até os amigos e abraçou cada um, dando graças a Deus por acha-los.
– Mais uma amiguinha de vocês? –Perguntou Alessandra, a examinando com o olhar. – Já estamos saindo, alguma arma?
Mariana fez que não com a cabeça.
Alessandra a entregou uma chave de fenda.
– Sério? –Douglas a olhou, erguendo as sobrancelhas.
– É rápida. Não fica presa na cabeça deles. Basta você saber usá-la, ser rápida e não vai precisar se preocupar. SEMPRE na cabeça. –Alessandra sorriu para ela.
– Eu posso fazer isso. –Mariana fitou a chave de fenda, um tanto duvidosa. –Eu acho.
– Pff. –Bufou Alessandra. –Quantos anos você tem?
– Dezesseis...e você?
– Também. –Alessandra a encarou seriamente.
– Ahn....sério?
– Tenho cara de que to brincando? –Alessandra deu uma risada abafada.
– Como você...
– Eu fazia Box, ok? No começo do apocalipse eu tinha...uma pessoa pra me treinar mais, sabe? – Quem-Alessandra interrompeu Douglas que iria falar.
– De qualquer maneira. Já estão todos armados?
Todos concordaram com a cabeça.
– Então vamos. –Jorge afirmou.
***
João estava consciente agora. Observava a caverna de barriga para cima. A mulher aparentemente não estava ali dentro. João se levantou aos poucos vendo Gabriella atrás das grades no fundo da caverna, adormecida com seu cachorro nos braços.
–Psi! –João a chamou o mais baixo que pode.
Gabriella se mexeu um pouco, mas não estava acordada.
O garoto foi andando agachado até as grades. Examinou a fechadura e tentou abrir a jaula, mas estava trancada e a chave não estava ali.
– Mylena...? Mãe? Pai..? –Gabriella sussurrava enquanto dormia e se remexia pra lá e pra cá.
– Gabriella. Sh! –João colocou o dedo indicador nos próprios lábios,pedindo por silêncio.
– João...? Onde está aquela mulher? –Sussurrou ela, esfregando os olhos.
– Ela parece ter saído...vamos aproveitar e sair daqui. –João olhou para trás, verificando se a mulher estava por ali.
– Ela deixa a chave no pescoço...-Disse Gabriella.
Seu cachorro latiu.
– Tommy! Silêncio! –Mandou Gabriella.
Grunhidos se aproximavam da caverna. Um zumbi entrou entre as folhas, mancando e erguendo os braços, mexendo a boca ,louco para fazer uma refeição humana.
– JOÃO! –Gritou Gabriella.
João se virou para ver o zumbi que estava a apenas uns centímetros longe dele. João desviou e correu na caverna, logo tropeçando em uma pedra, caindo no chão. O zumbi se aproximava cada vez mais, se jogando em cima dele.
– AJUDA! –Gritou João, segurando nos pulsos do zumbi, empurrando-o de cima dele o mais forte que podia, levando os pés na barriga dele, pegando impulso e empurrando o zumbi.
– ALI! –Gabriella apontou para o teto.
João olhou para cima, vendo algumas facas penduradas em barbantes. O zumbi se aproximava novamente, cada vez mais rápido e com mais sede de carne humana.
João esticou o braço e puxou um barbante longo que ligava até as facas.
Sem resultado. Ainda estavam presas. Puxou mais forte. Nada. E quando o zumbi pulou em cima dele novamente, puxou pela ultima vez e uma faca caiu diretamente no braço de João, raspando ali. Começando a sangrar lentamente.
João ignorou a dor e pegou a outra faca que caiu a seu lado. Segurou em uma das mãos no ombro do zumbi e com a outra mão, enfiou a ponta da faca fortemente na cabeça do zumbi. Cada vez mais fundo, mais fundo. Até que o zumbi parou de se mexer e João o jogou para o lado.
– Ufa... –O garoto sentou-se, respirando ofegante e limpando o sangue que fora espirrado em sua testa e rosto.
Resmungou com a dor do braço, tocando ali, vendo a ferida grande, porém fina. Ainda sangrava, mas ignorou isso.
– V-você...tá bem...? –Perguntou Gabriella, assustada de olhos arregalados, um pouco afastada da grade.
– Sim...eu to. Vamos sair daqui...-João se aproximou da grade, tentando abrir a fechadura com a ponta da faca. Tentou e tentou, mas não deu certo e a faca acabou quebrando. –Droga...Eu vou ir atrás dela, ok? Eu volto.
– Não! Vai me deixar aqui sozinha? –Ela começou a chorar.
– É só por alguns minutos. Shh. Fica quietinha, ok? Eu já venho. –João jogou uma faca para a grade dela e levou duas na mão para fora da caverna.
Nenhum sinal da mulher maluca. João começou a andar pela floresta, virando o rosto toda hora para ver a caverna. Cada vez mais distante dela. Mais...mais...
Avistou uma casinha em cima da colina, escondida entre as árvores. Logo vendo a mulher passar por lá, voltando da casa, com um machado na mão. João correu cada vez mais rápido, sem olhar para trás. Escondeu-se atrás de uma árvore, espiando por ela, vendo a mulher entrar na caverna.
– O que eu vou fazer...? –Perguntou-se a si mesmo.
Ouviu um tiro.
Ao sul.
Caminhou até lá, escondendo-se entre as árvores, agarrando suas facas firmemente caso alguma coisa. Enquanto caminhava pela floresta, virou-se para ver a caverna. Nenhum movimento por enquanto. Seu rosto suava, nervoso.
Enquanto mais ele se distanciava da caverna, encontrou em uma árvore palavras escritas em sangue: Venha até o quartel, João. –Pai.
– Pai! –Começou a correr pela floresta, ignorando os zumbis que tentavam pegá-lo.
– JOÃO! –Seu grupo de amigos estavam a poucos metros a distancia.
– PESSOAL! –Acelerou a corrida, correndo o mais rápido que podia, ansioso para encontrá-los.
– Filho. –Jorge sorriu para o garoto, o abraçando e todo mundo deram um abraço coletivo.
– Espera...cadê a Gabriella? –Perguntou Carol assustada. – E Isabela e Renan??
– Isa e Renan não estão com vocês? –Preocupou-se, João. –Ah...Uma mulher louca me pegou e me levou até uma caverna...e a Gabriella estava lá! Eu consegui fugir, mas ela não pois estava trancada em uma grade e a chave estava com a mulher...nós precisamos ir lá agora.
– S-Sério? Que horrível...-Mariana arregalou os olhos. –Desculpe por...hã...ter deixado você. Isso não aconteceria se eu não tivesse dado a louca...
– É. Não aconteceria. Mas eu não iria descobrir onde Gabriella estava. Então, nada de desculpas e vamos lá logo, antes que aconteça algo de ruim pra Gabriella.
– E a busca continua...-Reclamou Tatiana.
– Tatiana! –Bruna deu uma cotovelada no braço de Tatiana.
– Crianças, eu acho melhor vocês ficarem longe da caverna e eu ir sozinho. Pessoas são mais perigosas que zumbis. –Falou Jorge, posicionando sua pistola na mão.
– Eu vou com você. –Falou João.
– Eu também vou. –Carol disse ao mesmo tempo que João. –Gabriella é minha responsabilidade agora...eu prometi a Mylena.
– Ok, então...-Antes que Jorge pudesse dizer algo, Daisy interrompeu.
– João...? -Disse Daisy, afastando todo mundo da frente. –Não me reparou aqui?
– O quê...-O garoto arregalou os olhos. – Eu pensei que você estivesse morta...ela...
– Eu fugi. Alessandra me encontrou. –Daisy desfez a cara triste e abraçou João bem forte. –Finalmente! Eu senti tanta sua falta! –Daisy o encheu de beijos na bochecha.
– ...Meu deus. –Alessandra revirou os olhos, começando a andar. –Então, os molengas vão ficar pra trás? Eu também vou nisso.
– E-Eu voltou voltar com a Bruna...-Disse Tatiana.
– Eu vou ir com vocês. Recompensar pelo o que eu fiz...-Mariana abaixou o olhar.
– Se quiser você pode ir. –Disse João seriamente.
– Não. Eu vou com vocês. –Afirmou Mariana, agarrando sua chave de fenda.
– EU TAMBÉM! EU TAMBÉM! –Disse Daisy, agarrada no braço de João.
– Eu nunca vi essa garota tão alegre...af. –Bufou Alessandra.
– Ok. Vocês duas, voltem ao quartel. Nós voltamos em breve. –Falou Jorge e o restante do grupo voltaram a andar em direção a caverna onde João explicara onde era o local.
Um pouco distante dali...
Isabela e Renan estavam dentro de uma cabana abandonada, fechando o zíper dela.
– Temos que ficar quietos...-Disse ele o mais baixo possível.
Sombras de mortos-vivos passavam por fora da cabana. Cada vez mais, mais. A quantidade aumentando a cada passo dos zumbis.
– Onde estão os outros...? –Sussurrou Isabela, fechando os olhos fortemente, tampando a própria boca para não gritar.
Um zumbi tropeçou na barraca, caindo em cima deles.
– AH!! –Gritou Isabela. O zumbi gemeu, esticando a mão para dentro da cabana, arranhando o pano e agarrando a perna de Renan mesmo do lado de fora.
Renan cortou a cabana com sua faca e puxou Isabela para fora dela.
– Puta merda...-Xingou Renan.
Vários zumbis. Uma cerca de 30 zumbis começavam a cercar eles.
– Vamos. Sair. Daqui. AGORA! –Gritou Isabela.
Renan correu para frente e Isabela o seguiu. Renan esfaqueava alguns zumbis pelo caminho, correndo o mais rápido que podia.
Os dois desviavam dos zumbis que esticavam os braços para pegá-los, escondendo-se atrás de árvores de vez em quando, mas nunca dava certo.
Quando Isabela foi correr da árvore, um zumbi agarrou seu pé.
– RENAN! –Gritou Isabela, chutando a cabeça do zumbi algumas vezes, mas ele não soltava.
Renan parou no meio do caminho. Parecia um pouco pensativo.
–Eh...-Os zumbis avançavam para cima dele e ele foi obrigado a desviar e correr para frente.
A estrada já podia ser vista a alguns metros dali.
– RENAN!
Isabela pisou na cabeça do zumbi fortemente e conseguiu correr. Dois zumbis a cercaram, cada um puxando um de seus braços.
Dois tiros.
Nas duas cabeças dos zumbis que tentavam pegá-la.
– CORRA! –Uma mulher ruiva, que tinha o cabelo amarrado num coque, de olhos azuis, gritara para Isabela. Segurava um revolver na mão e uma toca na verde na cabeça. Acompanhada com um casaco azul e quente , uma calça jeans cinza e botas nos pés.
Isabela obedeceu e saiu correndo até a estrada. Os zumbis a seguiam, mas ela felizmente foi mais rápida.
A ruiva entrou numa vã, onde na porta estava escrito “Campo de Refugiados: Allcivilon” Com um símbolo de infectação. Ela puxou Renan para dentro, logo depois segurando na mão de Isabela, a trazendo para a vã também.
– O que crianças estão fazendo perdidas no meio da floresta com mortos-vivos por aí? –O cara que dirigia, um sujeito de cabelo preto em um topete, com aparência de ter 35 anos, dissera. Usava um óculos de lente e um terno preto. Sua pele era clara e não tinha nenhuma gota de sangue em sua roupa ou em seu rosto. –Sejam bem vindos ao nosso grupo. –Sorriu ele.
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