A caixa de Kuss
1 As estranhezas de Mill.
O alarme soa no quarto de Kuss, relutante ele se levanta e por um instante quase se esquece do encontro que teria em 20 minutos com seus amigos de sempre, era raro eles irem pra algum local que não seja a escola, então eles se certificaram que todos deviam estar lá no horário marcado. Kuss logo se aprontou e se arrumou, só o básico de sempre, cabelo arrepiado, um sorriso no rosto e uma camisa preta, ele desce as escadas e dá um aviso á sua Tia com quem morava até onde ele iria, já com a permissão, Kuss não demorou muito até chegar ao local marcado, a cidade de Mill era realmente pequena, uma pacatez extrema e uma certa estranheza, parecia que a cidade estranhamente escondia algo totalmente nas sombras de tão quieta, e que ninguém conseguia ver. Kuss então chegou ao local marcado e logo já cumprimentou seus amigos: Marla, uma garota alta e com um semblante quase sempre sério, Mike, seu melhor amigo, sempre brincalhão e irritando aos outros, do outro lado da mesa estavam Lilly, a garota de cabelos lisos e escuros, que sempre estava com aquele sorrisinho tímido de canto de boca, Kuss desde criança olhava pra ela de um jeito diferente. Ao lado de Lilly estavam sentados Thomas, um garoto alto e moreno, e Carla, uma garota baixa que sempre estava brincando e que todos sabiam exatamente se ela não estivesse bem. Kuss logo se sentou ao lado de Mike e os amigos ficaram batendo papo, o local se denominava uma cafeteria, mas era muito mais uma lanchonete de esquina, todos ali tinham o costume de ir ao estabelecimento, mas por algum motivo essa foi a primeira vez em que eles decidiram fazer isso juntos. Durante a conversa Kuss olhou através de uma janela do local e viu uma caixinha de criança de certo modo estranha, com três peculiares bonecos em cima, isso de alguma forma atraiu o garoto, ele com os olhos fixados na caixa tentou se levantar para ir até a caixa que havia observado mas logo Lilly perguntou a ele se havia algum problema, e perguntou o porque dele estar tão focado naquela janela, todos riram e fizeram piada, mas Kuss ao olhar pela janela novamente não viu nenhuma caixa, ele logo pensou que estava endoidando, mas não era possível, era real demais, pensava. Após mais fofocas e conversas fiadas, Thomas e Carla se despediram e foram embora da cafeteria, todos sabiam que eles se olhavam diferente, mas os dois juravam de pés juntos que era só uma amizade, Kuss por sua vez acreditava neles, ele realmente não conseguia imaginar os dois juntos por algum motivo. Kuss e seus amigos continuaram conversando e de repente, Jason citou o assunto de que eles não falavam por nada: O desaparecimento de Carlton. Eles logo ficaram com um semblante sério ao assunto ser citado, afinal, ninguém sabia o que havia ocorrido com Carlton, investigações foram feitas e a única coisa que fora encontrada na cena do crime era um boneco, daqueles que ficam em cima de caixinhas de criança, o mistério ficou sem solução e isso assolou a cidade, todos tentam evitar ao máximo tocar no assunto. Logo após o acontecido a família de Carlton se mudou de Mill, eles diziam muito sobre o que aconteceu com seu familiar, eles diziam que não foi ALGUÉM que sumiu com o filho deles, e sim ALGO causou o desaparecimento. Após o assunto sobre isso acabar, Marla se despediu e logo após Mike também foi embora deixando Kuss e Lilly sozinhos. Eles logo começaram a conversar relembrando momentos antigos e felizes, se conheciam desde muito pequenos então memória não faltava. Em certo ponto eles decidiram sair até um banco fora do estabelecimento, eles se sentaram e ficaram ali, apenas conversando atoa, a cada assunto eles davam um sorrisinho de canto e olhavam nos olhos um do outro, Lilly então surpreendentemente disse a Kuss: "Você é a melhor pessoa que eu poderia ter conhecido aqui nessa cidade aleatória" logo depois ela deu uma gargalhada e Kuss ficou sem graça, eles continuaram conversando durante um bom tempo, quando Lilly checou o horário e disse que era hora dela ir porque já estava ficando tarde, já eram 9 horas da noite e Kuss nem havia percebido a velocidade com que o tempo passou, então ele se despediu de Lilly e perguntou pra ela se estava livre ás 6 da tarde, Lilly logo questionou o motivo da pergunta e Kuss respondeu: "Ah, se você estiver livre podíamos vir aqui atoa né, mas só se você tiver livre é claro" no fim da frase deu um sorrisinho claramente nervoso, Lilly então deu uma risada e respondeu: "Ora, ora, Kuss me convidando para um encontro... essa é novidade hahaha. Tá bom, amanhã ás 6 da tarde eu vou estar aqui". Depois eles deram mais algumas risadinhas e se despediram com um abraço. Após a despedida, Kuss partiu em direção á sua casa, e já estava chegando, mas ao olhar para o beco de um beco do lado de sua casa ele viu a mesma caixinha de criança peculiar com três bonecos em cima, ele logo se sentiu atraído novamente, Kuss então foi se aproximando da caixinha aos poucos e ao finalmente chegar tentou pegar um dos bonecos, ao fazer isso apareceu uma mensagem escrita em vermelho na caixinha "VOCÊ NÃO PODE, AINDA" após ler, uma forte gargalhada surgiu da caixinha, tão alta que obrigou Kuss a tampar os ouvidos, de repente, ao fim da gargalhada, ele ouviu um alto grito de um garoto pedindo desesperadamente socorro e falando pra não chegar perto da caixa, Kuss então obedeceu e se distanciou da caixa, visivelmente abalado, ao sair do beco ele olhou pra trás e viu que a caixinha não estava mais lá, havia apenas uma mensagem escrita em um forte vermelho no local onde estava a caixa antes, que dizia: "VOCÊ NÃO FOI ATÉ A CAIXA, AGORA ELA IRÁ ATÉ VOCÊ". Kuss finalmente correu pra casa e viu que sua tia já havia dormido, apenas se deitou na cama daquele mesmo jeito e tentou se convencer de que aquilo não era real, era tudo imaginação e baboseiras da sua mente, ele negava que aquilo era real a todo custo dentro de sua própria mente, quando finalmente Kuss caiu no sono, com um semblante visivelmente abalado, por mais que ele realmente tenha conseguido provar a si mesmo de que tudo aquilo era só coisas da sua cabeça.
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