Notas iniciais
Gente desculpa a demora mas hoje teve festa em comemoração do capítulo 100 da Série, e eu estava acompanhando e terminando de escrever, quero agradecer os comentários, vocês nem imaginam o quanto fiquei feliz quando abri e vi que tinha 3 comentários, obrigada de coração, espero não decepcionar vocês, e quem quiser ver um pouco do que rolou na festa essa página tem todas as fotos, tem muita Emma e Regina por lá...espero que gostem do capitulo de hoje e comentem porque to meia insegura ainda, me deem palpites. Twitter @Queensismylife

POV Emma

Nada como um banho no mar para recarregar as energias e principalmente em um lugar deserto como esse, me sentir livre era o que sempre desejei na vida, onde tudo que sempre tive foi uma cama, uma gaveta e uma mochila por ano, onde guardava todas as minhas coisas, e o restante como roupas, sapatos, etc... Eram tudo dividido entre as outras meninas do orfanato, sempre cheia de regras no estilo de uma prisão, e estar aqui sentada de frente esse mar lindo não tem coisa melhor para começar uma nova fase, ainda bem que cheguei a tempo de ver a desova das tartarugas ontem e ter tirado fotos lindas delas retornando ao mar, como isso me fazia bem nunca me arrependi dessa profissão que escolhi, mesmo porque nunca gostei de criar raízes, depois que sai do orfanato realmente não tinha mais ligação profunda com ninguém, tinha uma amiga apenas que era minha confidente e mantinha contato com outras duas que sempre foram mais chegadas, o resto seguiram suas vidas da melhor forma que conseguiam assim como eu, pelo menos lá eu aprendi a estudar e gostar, sempre fui fascinada pelo mundo marinho e as tartarugas são minhas preferidas desde sempre, amava ir à biblioteca do orfanato e olhar livros de ciências e quando comecei o segundo grau e conheci a biologia me apaixonei definitivamente, através do orfanato consegui uma bolsa de estudos e cursei Biologia Marinha na Universidade da Califórnia, na cidade de Santa Barbara na Califórnia, Estados Unidos. Pelo menos os estudos sempre levei muito a sério, apesar das minhas loucuras sempre estive entre os melhores alunos, mas também meu nome sempre estava envolvido nas confusões, das bagunças, quando criança as irmãs do orfanato quase enlouqueceram comigo, pelo menos duas vezes ao mês recebiam bilhetes e eram chamadas a comparecerem na escola para falar de meu comportamento.

—Olha irmã, ela é uma ótima aluna, só tira notas boas, mas é uma líder nata, fala e os outros alunos obedecem, e depois tem aquela carinha dela que faz a gente se arrepender de ter brigado com ela. —Me lembro perfeitamente da diretora falando com a irmã Maria, eu escutava tudo pelo vão da porta da diretoria. E a irmã Maria coitada, dizia.

—A senhora me desculpe de novo Srª Marcel, vou conversar com ela novamente, que Deus ajude a colocar juízo naquela cabecinha.

E quando chegamos em casa esse dia a irmã me chamou na sala dela e simplesmente orou comigo segurando minhas mãos pedindo a Deus que me ajudasse a entender que precisava ter disciplina, eu me emocionava, abraçava a irmã, pedia perdão, mas depois de alguns dias, outro bilhete, eu não sabia o que acontecia, não queria, mas as coisas simplesmente acontecia, e eu sempre me envolvia em confusão, e novamente lá ia a pobre irmã Maria na escola e quando voltava somente orava comigo de novo, quanta saudades da irmã, era o mais perto que eu tive de uma mãe, e ela tinha morrido com um câncer, não entendia porque pessoas tão boas tinham que morrer tão cedo, ainda mais as que estudaram tanto sobre Deus e a Bíblia, era meio contraditório. Por isso talvez Deus se tornasse distante para mim.

Levantei-me para fechar minha barraca e passar um repelente porque esse horário os mosquitos começam a atacar, quando me virei percebi que na cabana havia uma luz acessa e uma janela aberta.

“Que estranho, desde ontem não vi nenhum movimento na cabana, bom também não prestei atenção, mas não tinha luzes nenhuma ontem, quem será? Tomara que não me traga problemas e nem cachorro.” Pensei.

Eu gosto de cachorro, mas eles não combinam com ovos de tartaruga, e estou aqui justamente para proteger os ovos até os bebês voltarem ao mar.

Falando nisso preciso verificar se está tudo bem com os ninhos, sai caminhando pela praia procurando as marcações que tinha feito durante a madrugada, uma vez ou outra olhava para cabana, estava mesmo curiosa para saber quem estaria lá dentro, não só por curiosidade mais por proteção, e se fosse um serial killer, um arrepio correu minha espinha.

—Que horror!—Disse em voz audível.

Acho melhor voltar e ver se tenho bateria suficiente no celular para uma emergência poder entrar em contato com os fiscais ambientais e com a guarda florestal que faz a segurança nesse lugar.

Quando caminhava bem próximo a cabana ouvi um barulho de coisas caindo e um grito de pavor, era um grito de mulher e parecia desesperada, eu fui me aproximando devagar não sabia o que ia encontrar, e se ela fosse vitima do serial killer, fui me aproximando para ouvir o som de dentro da casa e parecia que alguém atirava coisas contra a parede, a mulher continuava apavorada, mas não ouvia outra voz, então fui subindo as escadas e me assustei quando a porta abriu e uma mulher fugia desesperadamente e me atropelou na escada e nós duas caímos na areia em uma posição muito constrangedora, nossos corpos colados uma a outra e ela por estar desesperada estava com a respiração e o coração acelerados, seus cabelos escuros estavam grudados em seu rosto e seus olhos vermelhos e agora mais assustados ainda e envergonhados.

— Oi, você precisa de ajuda? — Perguntei e ela pareceu sair de um transe e se levantou o mais rápido que pode e olhou para porta. — Você ta fugindo de alguém?

Ela gaguejou e disse:

— De alguém não! De um bicho horrível que está voando lá dentro. —A morena disse.

Eu sorri por dentro, ela estava desesperada e tremendo por causa de um animal, provavelmente um morcego, por ela ter achado horrível.

—É um morcego? —Perguntei a olhando.

—Se for... Provavelmente é o maior da fase da terra. —Ela disse se sentando na escada.

Eu pude analisar aquela mulher que parecia tão indefesa, ela era morena, cabelos bem escuro quase preto, olhos castanhos e muito expressivos, provavelmente era uma pessoa muito transparente que transmite com o olhar o que senti, estava com um short jeans e uma regata azul, descalça, suas pernas a mostra e eu estava meio que sem ação, eu não conhecia aquela mulher, mas sentia vontade de sentar ao seu lado e abraçá-la, era preciso agir e tirar certos pensamentos que rondou minha mente nesse momento, então disse:

—Eu vou colocá-lo para fora!

—Você o que? —Ela me olhou assustada, como se eu não fosse capaz de fazer aquilo.

—Vou entrar e fazê-lo sair, espero que ele colabore sem que eu tenha que usar uma rede, mais se precisar eu tenho ali na barraca. —Eu disse, e ela continuou me olhando surpresa. —Eu sou bióloga e tive que perder o medo de certos bichos que causam medo na maioria das pessoas, depois que você estuda sobre eles, deixam de ser tão monstruosos.

—Ta então eu vou esperar ali atrás. —Ela disse se levantando e caminhando para frente da cabana. —Não quero que ele passe perto de mim de novo.

Na verdade eu nunca tive medo de nenhum tipo de inseto ou bicho que a maioria das meninas tem, no orfanato quando escutava um grito das meninas eu já pegava o chinelo e seguia em direção do grito, porque certamente era uma barata ou outro bicho que elas tinham pavor, por lá eu era conhecida como “Salvadora”, mais depois de adulta essa foi à primeira vez que precisei salvar alguém de um inseto, neste caso um mamífero, um morcego e era grande mesmo, logo que entrei o vi em um canto da parede da cozinha, peguei uma vassoura que encontrei no chão e apaguei as luzes da casa, deixando somente a da varanda acessa, deu certo, quando aproximei a vassoura dele, procurou a claridade e em menos de 5 minutos estava voando fora da cabana, acendi a luz e pude ver o quanto estava bagunçado, ela ia ter um trabalhão pra colocar tudo aquilo em ordem, fui até a porta e disse:

—Você já pode entrar sua visita já se foi.

Ela então entrou correndo e fechou a porta me deixando do lado de dentro, então olhou por todo lado certificando que ele tinha mesmo saído, então caminhou até mim e me abraçou bem forte.

—Meu Deus! Obrigada por me ajudar, não sei o que eu faria se você não estivesse por perto, provavelmente eu dormiria ali fora e ele ficaria trancado aqui dentro.

Ela disse me apertando no abraço, e eu abracei de volta e minhas mãos acabaram tocando sua cintura o que me causou um calafrio, pude sentir o perfume que exalava de sua pele e cabelos, isso realmente tava ficando estranho.

—Não foi nada, o trabalho maior será seu pra arrumar tudo isso. —Disse apontando para as coisas jogadas no chão.

—Verdade. —Ela me olhou e então me lembrei que estava somente de camiseta e calcinha, percebi que ela ficou envergonhada por ter me olhado de cima a baixo, então desfiz o clima e perguntei:

—Como é seu nome? O que faz aqui nesse lugar? Desculpa a curiosidade.

—Meu nome é Regina Mills e vim para esse lugar a fim de tranqüilidade para escrever, sou escritora. E você o que faz aqui?

—Eu sou bióloga marinha e faço uma pesquisa sobre tartarugas e ontem elas desovaram aqui, então ficarei de babá de ovos de tartarugas até os bebês voltarem para o mar (risos) Sou Emma Swan, prazer em conhecê-la Regina.

—Uau! E quanto tempo leva para nascerem?

—Aqui dizem ser mais quente então nascem entre 40 e 50 dias.

—E você fica esse tempo todo em uma barraca? —Ela perguntou incrédula.

—Sim, a verba para as pesquisas são curtas, se eu for pagar moradia fica muito caro e eu tenho que estar bem perto também para proteger os ovos de predadores, então a barraca é minha única saída e não é tão ruim, você acaba se acostumando.

— Pra você que é corajosa, como diz meu filho, (risos) pra mim não rola.

Então ela tinha um filho e provavelmente é casada, não sei por que, mas procurei a aliança em sua mão, mas a posição que ela estava não me deixava ver.

—Bom Regina, acho que já vou indo se precisar de ajuda é só gritar. —Disse caminhando para a porta.

—Ah! Pode deixar porque gritar eu sei bem, me desculpe pelo escândalo e obrigada de novo.

Ela sorriu pra mim antes de dizer tchau e fechar a porta.

Que sorriso é esse, que mulher linda. Pensei.

Notas finais
Espero vocês nos comentários...beijos