A caçadora do amor
10 Sair sozinho do Edolas é sempre um mau sinal
Notas iniciais
9. Sair sozinho do Edolas é sempre um mau sinal.
Inseguro, Gajeel entrou no pub chamado Blue Pégasus com certo temor, sabendo que estava sendo seguido não só por Levy, mas muito provavelmente por Rogue também.
Passou pela entrada, absorvendo bem a aparência do lugar, cheio de assentos vermelhos acolchoados e pessoas vestidas elegantemente.
Sentou num canto bem afastado, escutando a música ambiente suave que tocava enquanto estudava as pessoas dali. O bar era charmoso, com uma bancada meticulosamente limpa e, por incrível que parecesse pra um freqüentador de bares, vazia.
Os clientes do local optavam por sentar mais em mesas individuais sendo servidas pelos garçons que, como o moreno logo captou, também possuíam acompanhantes.
Encarou uma morena de cabelos escorridos sentada numa mesa disposta no outro extremo do salão, sozinha.
— Precisa de alguma coisa, querido? – uma loira bem avantajada surgiu do nada com um vestido lilás bastante revelador. — Eu me chamo Jenny. – só se você puder dar as informações necessárias, ele pensou.
— Quem é aquela? – acenou discretamente com a cabeça enquanto ela lhe servia um copo de uísque.
— Aquela peituda? – questionou como se pudesse falar alguma coisa sobre os peitos dos outros — Kagura. Por que? Ficou interessado? – seu sorriso foi de puro deboche.
— Algum problema com isso?
— Eu não, mas você logo vai ter. – comentou sentando-se em sua mesa, apontando para um dos garçons de cabelos castanhos com porte bem apessoado.
Ao chegar lá lhe serviu vinho e uma porção de quitutes num prato refinado, que ao serem pescados por um garfo, quase arrancaram um dos dedos do acompanhante, que fez questão de sair dali o mais rápido possível.
— Ela parece uma lésbica que acabou de se descobrir. – o moreno volta a atenção à loura. — Tenho a impressão que ela fica me encarando.
— E porque você não vai atendê-la? – perguntou apoiando os braços na mesa e tentando evitar olhar para as coxas à mostra pela fenda do vestido de luxo.
— E correr o risco de ter um membro decepado? Não, obrigada. – ajeitou o cabelo num gesto fútil. — Por mais que eu jogue nos dois times e ela seja bonita, não acho que valha um membro do meu corpo.
Gajeel achava que valia sim, pelo menos aquela língua comprida, mas preferiu não fazer mais comentários.
— Não vai querer mais nada? – a maldita cruzou as pernas. Ele fingiu que nem viu.
— Por enquanto não.
— Pelo visto você vai ser mais um daqueles clientes sem-graça, tsk. Mas tudo bem, desde que eu receba minha comissão, eu fiz minha parte. Então, sinta-se a vontade. – levantou e, ajeitando a saia, saiu para atender algum outro cliente que talvez caísse em seus encantos.
Desiludido, o metaleiro bebeu em silêncio, procurando a figura de Levy e Rogue que pareciam ser incrivelmente próximos – se isso o incomodava? Talvez um pouco, porém não era uma pessoa que tinha esse direito.
Respirou fundo porque, embora a noite já tivesse começado mal no quesito encontrar mulheres – arriscar ser decepado quando o Junior já havia sido posto em risco tantas vezes estava fora de cogitação –, o lugar ainda era agradável de se frequentar.
Enquanto se questionava o motivo de ele ser a última da missão da azulada e todo seu interesse em que ele encontrasse alguém, o moreno mal percebeu quando uma mulher sentou à sua frente.
— Olá. – lhe sorriu. Seus cabelos eram verdes e sua roupa casual – um shortinho e uma regata.
— Oi. – deixou o copo de lado, estendendo a mão. — Gajeel, e você?
— Sou Brandish. – seu aperto era suave. — Você não vem muito por aqui, né?
— Então, na verdade essa é a minha primeira vez aqui. Vim pela recomendação de uns amigos. – comentou prestando bastante atenção em que tipo de mulher ela poderia ser.
— E eles não quiseram vir junto com você?
— Não, são muito compromissados. – começou a girar o líquido âmbar dentro do copo. — Faço mais o tipo solitário de vez em quando.
— Ah sim. Será que conseguimos mudar isso por hoje? – com o sorriso que a mulher deu, ele percebeu que ela estava no papo.
Continuaram a conversar – ter certeza de que ela realmente estava interessada para o moreno não fazer nenhuma burrada – entre uma bebida e outra.
Ele pediu a conta e pagou Jenny, dando uma gorjeta modesta – que mesmo assim fez os olhos dela brilharem – e qual foi sua surpresa ao perceber que estava sendo seguido por Brandish? Nenhuma, de verdade – considerando o tanto de mulheres loucas que ele vinha encontrando nos últimos tempos…
Entrou no carro pensando no que fazer. De jeito nenhum a levaria para sua casa depois do que aconteceu com Flare. Ponderou por alguns instantes até seu celular vibrar com a chegada de uma mensagem.
[Levy: leve-a no Edolas.]
Olhou para os lados tentando encontrar um rosto conhecido, mas não achou ninguém.
Edolas era um motel de luxo no centro da cidade, muito conhecido por toda a população local. O moreno não era fã desses tipos de lugares, mas assumia que ao ver a fachada toda ornamentada, sentia curiosidade de saber como era lá dentro.
Muito animada, Brandish entrou no saguão sem olhar pra trás – Gajeel ficava até desconfiado desse interesse todo dela, já que não haviam feito nenhum tipo contato físico – e ele chegava a se perguntar o que estava fazendo lá.
Entraram no quarto e o moreno parou, absorto no luxo do cômodo – isso o fazia entender o preço absurdo – e além de tudo, o lugar possuía velas aromáticas e uma hidromassagem.
A esverdeada subiu na cama e começou a pular, pegando o controle remoto da televisão e ligando o aparelho que – olha só a surpresa — passava pornografia.
— Agora nós podemos começar. – afirmou se jogando no colo dele, o puxando pela gola da blusa e colando as bocas.
Gajeel poderia ter se sentido impelido a continuar, caso fizesse o estilo voyeur, mas não conseguia se sentir excitado com dois atores pornôs gemendo feito cachorros. Ele já tinha sido um adolescentes no auge dos feromônios, porém agora a ideia o causava repulsa.
— Que tal tomarmos alguma coisa antes? – a colocou no chão, foi até o frigobar e tirou uma garrafa de vodka de lá.
Quanto mais aquele vídeo avançava e Brandish se animava – literalmente – mais o moreno sentia vontade de sair dali. Não foi surpresa nenhuma quando começou a empurrar doses e mais doses para a mulher a ponto de embebedá-la.
A questão era: o que estava acontecendo com ele? Gajeel tinha quase certeza que a resposta tinha nome, sobrenome e o endereço temporário era sua sala.
Grunhindo, deitou uma Brandish desmaiada de tanto beber na cama e saiu de lá. Ignorou a recepcionista que lhe encarava como se ele fosse uma espécie de cafetão e pagou pelo quarto.
Eram duas e quinze da manhã quando ele chegou no seu apartamento, Levy o saudou com um sorriso.
— E aí, como foi? – a expressão animada se desfez quando Gajeel fechou a porta com uma carranca. — O que aconteceu?
— Cansei disso. – resmungou desanimado, se jogando no sofá. — Seja lá o que você me diga, não vai conseguir me convencer a ir atrás de outra mulher.
— M-Mas… – ela começou sentando-se ao seu lado. — Mas ela te fez alguma coisa?
— Não é isso, Nanica… – grunhiu. Como poderia explicar que era ele que não estava conseguindo fazer mais nada, com mulher nenhuma? Sentia que precisava de espaço pra pensar e arejar as ideias. Ou melhor: precisava do espaço que a McGarden tinha tomado quando entrou em sua vida.
A proximidade dela estava se tornando muito perigosa nos últimos tempos, de uma forma que ele não conseguia mensurar.
— Venha. – levantou e abriu a porta, chamando ela.
Caminharam lentamente lado a lado, indo pra uma loja de conveniência vinte e quatro horas a pedido dele, que afirmou precisar de um pouco de sorvete.
— Por que eu sou sua última missão? – questionou, recordando das palavras de Loke.
— Eu pedi demissão. – Levy chutava uma pedrinha ao andar. — Como eu te contei: desde que entrei na Hunters of love foi pra ajudar em casa, agora nossa situação melhorou e eu quero entrar na faculdade…
— E não vai dar pra entrar tendo que se deslocar a cada dois meses pelo país. – ele concluiu o pensamento. — Então porque você pegou essa última… Missão? – apontou para si mesmo.
— Conversei com Makarov sobre o motivo de querer sair e ele veio com uma proposta de que, caso tivesse sucesso nessa última missão, eu receberia um bônus – ela deu de ombros. — Dinheiro é sempre bem-vindo, então concordei.
— Você não suspeitou de nada, que seria difícil desse jeito? – questionou pegando um pote de sorvete do freezer.
— Pensei, mas quando cheguei na sua casa achei que seria muito mais fácil do que parecia. – a azulada franziu o cenho. — Aparentemente eu subestimei a capacidade de Gildarts de dificultar as coisas.
Ao ouvir esse nome, o moreno grunhiu.
— E que papel esse estrupício tem na história?
— Ele é responsável por obter e concluir as missões mais difíceis da empresa. – a azulada respondeu enquanto saiam da loja de conveniência. — Por incrível que pudesse parecer ele concordou em ceder uma de suas novas conquistas para mim, então você ligou e fez o contrato.
— Entendi. – pararam em frente ao prédio dele. — E agora?
— Ainda não sei. – a McGarden mordeu o lábio.
— Vamos entrar?
— Vou ficar aqui mais um pouco. – o moreno concordou, entrando. A última coisa que olhou foi ela observando as estrelas, parecendo tão pequena quanto em qualquer outra situação.
A grande pergunta era como um ser pequeno desses vinha assumindo um espaço tão grande em sua vida?
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