A caçadora do amor
13 Pessoa especial
12. Pessoa especial.
Desesperançoso, Gajeel cumprimentou o porteiro ao chegar em seu prédio e optou por subir pelas escadas, tentando pensar em algo diferente da despedida conturbada que teve com Yukino.
Até o mais burro dos seres – vulgo Natsu – teria percebido o clima entre a branca e o tal Sting, ali havia muito mais história do que ele algum dia seria capaz de descobrir. Sem muitas opções, ele resolveu que era melhor ir embora e deixá-los a sós.
Massacrado após essa derrota incrível, ele conservava um pouco das forças somente porque sabia que Levy estaria em seu apartamento para recebê-lo. A essa altura o moreno não se preocupava mais se a mulher o aceitasse à base de risadas e chacota.
Pegou as chaves do bolso, mas antes mesmo que a colocasse no trinco, a porta foi aberta repentinamente por uma azulada grandemente afobada.
— Ouvi uns passos, achei mesmo que era você que tinha voltado.
— Uhum – concordou a olhando de esguelha com aquele cabelo azul todo bagunçado. Daquele jeito o mecânico só conseguia pensar em cenas obscuras, com ele em cima dela fazendo coisas mirabolantes. — As coisas não terminaram muito bem lá e…
— Depois você fala. – cortou, o puxando para dentro com força.
O que ele encontrou na sua sala foi uma cena bem diferente da que queria fazer parte – talvez dele e a McGarden compartilhando saliva –, porém em vez disso encontrou Natsu Dragneel e Lucy Heartfilia sentados em seu sofá com expressões altivas, conversando como se mandassem no lugar.
— Eles chegaram faz um tempinho. – Levy se colocou atrás dele. — Eu falei que avisaria quando você chegasse, mas eles insistiram em te esperar voltar.
— Olá Gajeel. – a loira sorriu e pegou a xícara de chá da mesa de centro com a maior naturalidade do mundo.
— Certo. – sentou perto deles no outro sofá, suspirando. Grunhiu para fazer Levy parar de servir aqueles dois folgados com os biscoitos dele e se sentasse ao seu lado. — O que vocês querem?
— Como foi seu encontro? – o rosado soltou enquanto brincava com as uma mecha do cabelo da namorada. Gajeel olhou de forma acusatória para a azulada.
— Faz um bom tempo que eles chegaram aqui, – a mulher encolheu os ombros. — A gente não tinha muito sobre o que falar.
— Normalmente pessoas estranhas conversam sobre si mesmas pra tentarem se conhecer, e não falam da vida dos outros. – mordeu a língua, se controlando para não cutucá-la ainda mais. — Tanto faz, o que vocês querem comigo?
Em silêncio, o casal se olhou por alguns instantes e depois começaram a sorrir como se tivessem encontrado uma mala de dinheiro no meio da rua destinado especificamente para eles.
— Você conta? – a loira questionou, cutucando a costela do homem.
— Nós… Nós estamos noivos. – o rosado compartilhou, sorrindo como uma criança que tinha acabado de ganhar doce.
— O que?! – impressionou-se. Ele sabia que Natsu tinha que dar um passo a mais referente a esse relacionamento, entretanto nunca imaginaria que seria um tão grande como aquele. — Você tem certeza? – indagou à loira.
— Com todas as minhas forças. – ela ergueu a mão direita, mostrando o anel delicado no dedo anelar.
— Isso… Isso… — não haviam nem palavras para descrever aquilo. Ele só conseguia catalogar o cara de cabelo rosa como uma pessoa de mentalidade infantil, porém agora o rapaz ia se casar! Não que considerasse totalmente impossível, mas pra quem tinha receado tanto tempo em apenas assumir uma relação a sério, casamento era… Surreal. — Você sabia disso? – olhou para Levy.
— Bom, você demorou pra chegar. Eles me contaram enquanto eu colocava água pra esquentar.
— É por isso que nós queremos que você a convença a ir ao nosso noivado. – Lucy declarou.
— Que papo é esse de noivado? Vocês já não estão noivos? – ficou claramente confuso.
— Pra mim sim. – Natsu fez uma careta. — Mas família de gente rica gosta de gastar dinheiro a toa e fazer festa pra tudo.
Lucy revirou os olhos.
— Papai quer tornar o compromisso oficial para os sócios da empresa. Eu falei pra ele que não vou convidar gente estranha pro meu casamento, então o que sobrou foi o noivado.
— Por que não chama eles pro chá de panelas? – o rosado grunhiu. — Eu já disse que não vou escapar sendo que fui em mesmo quem propôs o casamento, então pra que essa história de oficializar?
— Eu sei que você está sério sobre isso. – a mulher segurou mão dele. — Mas já conversamos sobre isso: se é importante pro velho Jude, vamos fazer a vontade dele só dessa vez. E mais: ele disse que vai nos presentear na lua de mel.
— Tudo bem. – o Dragneel assentiu com um biquinho. Antes que aquela se tornasse uma cena mais melosa e estranha, Gajeel resolveu intervir.
— É só pra isso que vocês se deslocaram até aqui?
— Bom, a gente não ia precisar gastar gasolina se você carregasse o celular. – Lucy sibilou.
— Você sabia que os meios de comunicação são pra usar? Na era mais globalizada o cara não checa o e-mail, Facebook, Twitter… – chegava a ser incrível Natsu saber sobre essas coisas.
— Se o querido não fizesse questão de sumir, nós não precisaríamos gastar tempo aqui. Mas já que estamos: leve Levy com você pelo menos no noivado, que é depois de amanhã.
Impressionado com a festa repentina – que eles logo explicariam ser o único dia próximo em que todos os sócios estariam na cidade – o moreno olhou para a caçadora que se manteve em silêncio durante todo o diálogo.
— Você não quer ir? – só ele sabia que depois daquele encontro fracassado tudo que queria era pelo menos comer alguns quitutes requintados junto dela. Depois desses dois meses, ambos precisavam disso.
A azulada hesitou.
— Depois de amanhã… Eu vou estar indo embora, não tem como eu ficar. – mordeu o lábio inferior, o que lhe deixou com vontade de lambê-la. — Já tenho a passagem comprada com data marcada.
— Mas não dá pra mudar o dia?
— Isso custa dinheiro. Eles descontariam da minha comissão que não vai ser tão grande dessa vez. – ergueu uma das sobrancelhas. Vendo que a questão era dinheiro, virou-se para os outros dois.
— Não se preocupe com isso que eu resolvo. – garantiu à loira que parecia ter se afeiçoado grandemente com a pequena. — É só isso? – ele não gostava de aparentar estar espantando as visitas, mas realmente não estava com cabeça pra conversas.
— Acho que sim. – o casal se levantou. O moreno os acompanhou até a porta. — Prepare um presente bem bonito e caro pra gente.
— Que papo ridículo é esse?
— É óbvio que você deduziu que será um dos padrinhos, certo? – Lucy revirou os olhos. — Te esperamos lá na mansão, às duas.
Despediu-se dos dois, e suspirou de alívio ao fechar a porta.
— Como foi o encontro? – Levy questionou, recolhendo as louças da mesa de centro.
— Horrível. – ele não sentia a menor vontade de comentar sobre aquilo naquele momento. — Você realmente não quer ir? Parece que a Bunny Girl gostou de você.
— Eu já te falei q…
— Se a questão é dinheiro, eu pago. – ditou, sinalizando para que se sentasse ao seu lado.
— Você realmente tem tanto dinheiro quanto faz parecer?
— Bom, um negócio próprio só é bom se a gente pode esbanjar pelo menos de vez em quando. O que você acha?
— Bem… – a azulada realmente parecia tentada. Aparentemente havia gostado tanto de Lucy quanto a loira dela. — Acho que podemos tentar.
→
— Eu vou comprar as coisas pro café, vai se arrumando pra irmos no shopping. – já era o outro dia, estavam com o cronograma apertado pois tinham que comprar algum presente, mesmo que simples, para o casal de noivos e ainda um vestido igualmente simples para a azulada.
Tudo isso em um dia e ele ainda precisava passar Iron Dragon checar algumas coisas.
Caminhou rápido até a mercearia mais próxima disposto a comprar algumas coisas simples, pois comeriam um lanche no shopping – Levy o advertiu que ele vinha gastando muito dinheiro com ela sem necessidade, mas o homem não via o porquê e nem queria parar de fazer isso, desde que fosse com a azulada.
Estava na sessão de frios com uma caixinha na mão quando, ao virar para o lado, avistou Yukino no mesmo corredor, vindo em sua direção. Até quando o universo lhe meteria em encruzilhadas?!
— Olá. – ela parou na sua frente com as mãos para trás e um sorriso gentil.
— Oi. – respondeu desanimado.
— Você tem um minuto? – ele queria poder responder que não sem parecer grosseiro, mas não vendo outra alternativa, concordou.
Após pagarem suas compras, eles ficaram alguns instantes em silêncio próximos a mercearia chupando picolés.
— Então… – começaram.
— Tudo bem, eu primeiro. – ditou, já que não gostava muito de enrolação. — Eu não vou mentir: estou realmente interessado em você.
— E-Eu… – a mulher se encontrava realmente vermelha. — A recíproca é verdadeira.
— Não tanto. – jogou o palito na lixeira antes de se virar para ela com as mãos nos bolsos. — Você gosta daquele cara, não gosta?
— É só que… nós temos tanta história juntos. – desabafou finalmente. — Pensei que já tinha esquecido, mas quando o vi de novo eu percebi…
— … Que não tinha esquecido. – completou por ela. — Meu interesse por você acaba aqui. Não faça essa cara, as coisas não são tão fáceis assim, mas eu não sou o tipo de pessoa que fica interferindo na vida dos outros quando a pessoa obviamente ama de outro.
— Eu não disse qu…
— Abra os olhos: você ama. Eu tenho história com um monte de gente que ainda não esqueceu, mas ninguém me olha do jeito que você olhou para aquele cara ontem a noite. – o moreno inclinou a cabeça e inspirou fundo. — Eu humildemente aceito minha derrota aqui.
— Você é um cara legal.
— Só pra levantar um pouco minha moral: eu concordo com você. – ambos riram. — E por isso, embora talvez me arrependa, não vamos perder contato, eu gostaria de ser seu amigo e provavelmente daquele loiro de farmácia.
Ela assentiu.
— Gajeel! – chamou quando ele já se distanciava. — Você… Você também tem uma pessoa especial, não tem? – o homem piscou algumas vezes em como ela conseguiu pressentir isso.
Naquele momento tudo que ele conseguia ver diante dos seus olhos e imaginar era um par de olhos castanhos e um sorriso radiante cercados por mechas azuis.
— Na verdade não. – a branca assistiu o moreno ir embora com um sorriso triste.
Não… Pelo menos ainda.
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