Na manhã seguinte, o Grande Salão estava ainda mais barulhento do que de costume. A explosão da madrugada dominava praticamente todas as conversas, e os alunos pareciam ter desenvolvido, em poucas horas, pelo menos vinte versões diferentes do que havia acontecido na Ala Norte.

Um exemplar do Profeta Diário acabou de cair no colo de Sarah. Ela abriu o jornal e encontrou a manchete ocupando boa parte da primeira página:

INCIDENTE EM HOGWARTS DURANTE A MADRUGADA

Ministério acompanha possível falha de segurança no castelo

Sarah mal teve tempo de ler as primeiras linhas.

Passos conhecidos cruzaram o espaço ao lado da mesa da Grifinória e, quase ao mesmo tempo, um pequeno pedaço de pergaminho dobrado caiu diante de sua xícara.

Ela ergueu os olhos.

Draco Malfoy continuou andando como se não tivesse feito absolutamente nada.

Sarah acompanhou-o com o olhar até a mesa da Sonserina. Alguns segundos depois, Draco se acomodou entre os outros alunos e olhou discretamente na direção dela.

Estava esperando.

Sarah apoiou a testa na mão.

— Eu mal acordei...

Hermione desviou a atenção do próprio café da manhã.

— Está tudo bem?

Sarah ainda encarava o bilhete.

— Estou reconsiderando todas as decisões que tomei nas últimas vinte e quatro horas.

Rony apontou o garfo para ela.

— Parece um exercício saudável. Talvez eu tente um dia.

Sarah pegou o pequeno pergaminho entre dois dedos.

Poderia simplesmente abrir.

Era provavelmente o que qualquer pessoa sensata faria depois de receber uma mensagem clandestina de alguém que estivera misteriosamente perto de uma explosão poucas horas antes.

Por isso mesmo, decidiu que não queria saber.

Já havia passado a madrugada entre patrulhas, uma explosão e uma investigação ilegal na Ala Norte. Seu plano para aquele domingo era bastante simples: comer, não ser interrogada por ninguém e, principalmente, não adquirir absolutamente nenhum problema novo.

Qualquer mensagem entregue às escondidas por Draco Malfoy parecia incompatível com todos os três objetivos.

Sem tirar os olhos da mesa da Sonserina, Sarah amassou o bilhete e o empurrou para dentro do copo de suco de abóbora de Rony.

O papel começou a afundar lentamente no líquido alaranjado.

Rony, ocupado demais com o próprio prato para perceber qualquer coisa, pegou o copo e tomou um gole.

Parou.

Baixou o copo devagar e mastigou uma vez antes de franzir o cenho.

— O suco está com uma textura estranha hoje.

Sarah desviou os olhos para a própria xícara.

— Deve ser a polpa.

Rony ergueu o copo contra a luz, desconfiado.

— Desde quando suco de abóbora tem tanta polpa?

— Talvez tenham inovado.

Ele pareceu considerar a possibilidade por alguns segundos. Depois deu de ombros e voltou ao café da manhã.

Sarah não teve coragem de olhar para Hermione.

Do outro lado do salão, Draco havia acompanhado toda a cena.

A mandíbula dele se contraiu.

Sarah ergueu a própria xícara em sua direção, num brinde silencioso.

Pronto.

Problema resolvido.

Ou pelo menos foi nisso que acreditou durante aproximadamente dois minutos.

As portas do Grande Salão se abriram, e McGonagall atravessou o corredor central com passos firmes até parar diante da mesa dos professores.

— Silêncio!

As conversas diminuíram aos poucos, embora cochichos ainda persistissem nas extremidades das mesas.

McGonagall esperou até obter atenção suficiente.

— Em razão dos acontecimentos da noite passada, a segurança do castelo será reforçada. O toque de recolher será aplicado com rigor e nenhum aluno deverá permanecer fora de sua sala comunal depois do horário determinado.

Sarah afundou discretamente no banco.

Hermione percebeu.

Para sua sorte, não comentou.

McGonagall continuou:

— Além disso, por determinação do Ministério, a partir de amanhã as aulas de Defesa Contra as Artes das Trevas serão supervisionadas diretamente pela Alta Inquisidora Dolores Umbridge.

Dessa vez, não houve tentativa de silêncio que resistisse.

O Grande Salão explodiu em vozes, reclamações e perguntas. Hermione pousou a colher no prato com força suficiente para fazê-la tilintar.

— Isso não pode ser sério.

Harry observava a mesa dos professores com uma expressão sombria.

— Infelizmente, parece bastante sério.

Sarah estava prestes a perguntar exatamente quanto pior uma semana poderia ficar quando uma coruja cinzenta desceu sobre a mesa e pousou diretamente diante dela.

Um envelope estava preso à pata.

Sarah viu o selo da diretoria e ficou encarando-o por alguns segundos.

— Não.

Rony se inclinou para enxergar.

— O quê?

— Eu me recuso. Seja lá o que for, não quero.

A coruja bicou a beirada do prato dela.

Harry observou a ave.

— Acho que ela não aceita recusas.

— Autoritária. Combina com a escola.

Sarah soltou um suspiro, retirou o envelope da pata da coruja e lhe ofereceu um pedaço de pão. Só depois que a ave partiu abriu a mensagem.

Senhorita Griller,

Sua presença é solicitada em meu escritório imediatamente após o café da manhã.

Severo Snape

Diretor de Hogwarts

Rony se inclinou tanto sobre a mesa que quase derrubou o próprio copo.

— Snape te chamou ao escritório dele?

Sarah dobrou o pergaminho com calma excessiva.

— Não. Achei que o selo da diretoria fosse um convite para o chá.

— Você sabe o que eu quis dizer.

— Infelizmente, sei.

Hermione estendeu a mão, e Sarah lhe entregou a carta.

Ela leu rapidamente.

— Isso não significa necessariamente que ele saiba de alguma coisa.

Sarah soltou um pequeno riso sem humor.

— Hermione, quando Snape chama alguém ao escritório, dificilmente é para perguntar se as férias foram agradáveis.

Harry se inclinou um pouco na direção delas e baixou a voz.

— Ele não tem como saber que você voltou para a Ala Norte comigo.

Hermione imediatamente olhou ao redor.

— Harry, não diga isso tão alto.

Ele recuou um pouco.

Rony também baixou a voz, embora sua tentativa de parecer tranquilizador não convencesse ninguém.

— Talvez ele só queira fazer algumas perguntas. Você estava fora da torre quando aconteceu. Não quer dizer que esteja encrencada.

Sarah olhou para ele.

— Agora me sinto muito melhor.

Rony franziu a testa.

— Eu estava tentando ajudar.

— E está fazendo um trabalho excelente. Continue assim.

Hermione devolveu a carta.

— O que ele disse faz sentido. Podem ter descoberto que você estava fora da torre antes da explosão e estar falando com todos que circularam pela região. Isso seria o procedimento mais lógico.

Sarah gostaria de discordar, mas infelizmente Hermione tinha razão.

Guardou o envelope nas vestes e, quase por reflexo, lançou outro olhar para a mesa da Sonserina. Draco não estava mais lá.

Sarah relaxou um pouco.

Ótimo. Pelo menos um dos problemas tinha desaparecido.

Menos de um minuto depois, descobriria que estava errada.

Sarah deixou o Grande Salão com a carta de Snape dobrada no bolso e a desagradável sensação de estar caminhando voluntariamente para uma execução.

Mal atravessou as portas e virou para o corredor quando quase bateu em alguém que estava parado perto da parede. Uma mão segurou seu braço antes que perdesse o equilíbrio.

Cedro e hortelã.

Sarah nem precisou levantar os olhos para saber quem era.

— Você tem algum problema pessoal com corredores largos, Malfoy?

Draco esperou até que ela recuperasse o equilíbrio antes de soltar seu braço.

— Eu poderia perguntar o mesmo, Griller. Com essa coordenação, você conseguiria errar um gol montada numa vassoura parada.

Sarah ergueu as sobrancelhas.

— Isso nem faz sentido.

— Faz o suficiente. Não que importe para você. Você nem gosta de Quadribol.

Dessa vez, ela realmente o encarou.

— E desde quando você sabe disso?

Draco pareceu achar a pergunta mais estranha do que deveria.

— Você passa metade dos jogos olhando para a Weasley e a outra metade reclamando que não entende por que alguém se diverte voando atrás de uma bola. Não exige grande capacidade de dedução.

Sarah levou um segundo a mais do que gostaria para responder.

— Você presta bastante atenção em mim para alguém que vive dizendo que eu sou insuportável.

— Você é barulhenta, Griller. É difícil não notar.

Ela estreitou os olhos, mas decidiu não lhe dar a satisfação de continuar aquela discussão. Deu um passo para passar por ele.

Draco se moveu para o lado e bloqueou o caminho.

O gesto foi suficiente para apagar parte da irritação divertida de Sarah.

— Snape te chamou.

Não era uma pergunta.

Sarah apontou para o próprio bolso.

— Imagino que o envelope com o selo da diretoria tenha entregado.

— Você sabe por quê?

— Talvez ele tenha decidido pedir minha opinião sobre decoração. O escritório dele realmente precisa de alguma coisa menos deprimente.

Draco não reagiu.

— Griller.

Foi o tom que a fez parar.

Não havia sarcasmo ali.

Ele lançou um olhar rápido para os dois lados do corredor antes de tornar a encará-la.

— O que você sabe sobre a Ala Norte?

Sarah franziu o cenho.

— Por que está me perguntando isso?

— Porque você estava perto quando aconteceu.

Ela demorou um instante.

— Você também estava.

Draco não respondeu.

E, para Sarah, o silêncio foi uma resposta bastante interessante.

Ela deu um passo na direção dele.

— Aliás, já que resolveu tocar no assunto, continua faltando uma explicação para você ter saído da cozinha bem antes de mim e ainda estar naquele corredor.

A mandíbula dele se contraiu levemente.

— Não começa a fazer perguntas que não precisa fazer.

— Excelente. Essa é uma maneira muito eficiente de não parecer suspeito.

— Estou falando sério.

Sarah percebeu.

Não porque tivesse descoberto alguma expressão secreta no rosto dele, mas justamente pelo contrário. Malfoy não estava tentando responder rápido demais, não estava transformando tudo numa provocação e, principalmente, continuava prestando atenção ao corredor como se esperasse que alguém pudesse surgir a qualquer momento.

Aquilo era diferente.

— Então me diz o que você sabe.

Draco desviou os olhos por um instante.

— Menos do que gostaria.

Sarah soltou uma pequena risada sem humor.

— Isso não responde absolutamente nada.

— Eu sei. Foi proposital.

Ela cruzou os braços.

— Certo. Então eu também não vou responder às suas perguntas.

Draco respirou fundo pelo nariz, claramente contendo a primeira coisa que lhe veio à cabeça.

— Você vai entrar numa sala com Snape em cinco minutos. Talvez, pela primeira vez na vida, seja uma boa ideia não transformar sua teimosia numa vocação.

Sarah inclinou a cabeça.

— Que preocupação tocante.

— Não é preocupação. É autopreservação.

Aquilo chamou sua atenção.

Antes que Sarah perguntasse o que exatamente ele queria dizer, Draco continuou:

— Se Snape perguntar onde você estava, diga a verdade até o ponto em que for conveniente. Você foi à cozinha, ouviu a explosão no caminho de volta e não viu ninguém. Não inventa detalhe, não tenta parecer mais esperta do que ele e não fala mais do que precisa.

Sarah observou-o por alguns segundos.

— E se ele perguntar quem estava comigo?

— Ninguém estava com você.

Ela quase riu.

— Malfoy, você estava literalmente comigo.

— Eu sei perfeitamente onde eu estava.

— Que alívio. Por um momento achei que também precisávamos resolver isso.

A expressão dele não mudou.

— Estou dizendo para você não mencionar meu nome.

A forma como ele disse aquilo acabou com o resto da graça.

Sarah descruzou os braços.

— Por quê?

Draco demorou a responder.

Não muito, mas o suficiente.

— Porque eu não preciso que meu nome seja associado àquela parte do castelo.

— Você percebe que isso continua fazendo você parecer extremamente suspeito, não percebe?

— Pode pensar o que quiser.

Sarah estudou o rosto dele.

— E se Snape resolver me acusar de alguma coisa?

— Ele não tem motivo para fazer isso.

A resposta veio rápida demais.

Sarah ficou olhando para ele. Aquilo não tinha soado como uma tentativa de tranquilizá-la. Tinha soado como certeza, como se Draco soubesse um pouco melhor do que deveria o que Snape estava procurando.

— Certo. Então você sabe o que aconteceu.

Draco fechou os olhos por uma fração de segundo.

— Não foi isso que eu disse.

— Foi muito parecido.

— Griller.

Ele se aproximou apenas o suficiente para poder baixar ainda mais a voz sem correr o risco de ser ouvido por alguém que surgisse no corredor.

— Não diga meu nome.

Sarah sustentou o olhar dele.

Seria muito fácil responder que faria exatamente o contrário. Em qualquer outro dia, provavelmente faria só para irritá-lo.

Mas havia algo naquela insistência que não combinava com medo de perder pontos, pegar uma detenção ou ouvir um sermão de Snape.

Era outra coisa.

Sarah não sabia o quê.

— Certo.

Draco continuou olhando para ela.

— Certo?

— Foi o que eu disse.

Ele pareceu genuinamente desconfiado.

— Isso é preocupante.

— O quê?

— Você concordou comigo rápido demais.

Sarah quase sorriu.

— Posso voltar atrás, se isso fizer você se sentir melhor.

— Não.

— Então sai da frente.

Dessa vez, Draco abriu espaço.

Sarah passou por ele e já havia dado alguns passos quando ouviu:

— Griller.

Ela parou e olhou por cima do ombro.

Antes que ele repetisse qualquer coisa, Sarah recitou:

— Cozinha. Explosão. Não vi ninguém.

Draco assentiu uma vez.

— E não mencionar Malfoy.

— Essa parte parece particularmente importante para você.

Por um momento, ele apenas sustentou o olhar dela.

— Porque é.

Sarah esperou, como se ele pudesse acrescentar alguma explicação.

Não acrescentou.

Então ela se virou novamente e seguiu em direção às masmorras, deixando Draco para trás no corredor.

No caminho até as masmorras, Sarah repetiu mentalmente a versão que Draco praticamente enfiara à força em sua cabeça: tinha ido à cozinha, ouvido a explosão enquanto voltava e não visto ninguém.

Simples.

Perfeitamente simples.

O único problema era que teria de contar aquilo a Severo Snape olhando diretamente para ele.

A porta do escritório de Snape nas masmorras se abriu antes que Sarah tivesse tempo de considerar seriamente uma fuga estratégica. Snape estava sentado atrás da mesa, cercado por frascos, livros e instrumentos de prata que produziam pequenos ruídos mecânicos nas prateleiras.

Ele nem levantou a cabeça de imediato.

— Senhorita Griller. Sente-se.

Sarah obedeceu e tentou não interpretar o som da porta se fechando atrás dela como algo ameaçador.

Snape deixou de lado o que estava lendo e ergueu os olhos.

— Presumo que saiba por que está aqui.

— Tenho algumas teorias.

O olhar que recebeu em resposta foi suficiente para convencê-la de que aquele não era o momento para experimentar nenhuma delas em voz alta.

Sarah endireitou-se na cadeira.

Snape juntou as mãos sobre a mesa.

— Onde estava durante a madrugada?

Ela inspirou discretamente.

Cozinha. Explosão. Não viu ninguém.

— Fui até a cozinha.

— Depois do toque de recolher.

— Eu estava com fome.

Um dos cantos da boca de Snape pareceu ameaçar alguma coisa que definitivamente não era um sorriso.

— Uma justificativa comovente.

Sarah decidiu que ficar quieta provavelmente era a primeira boa decisão que tomava desde que entrara naquela sala.

Snape permaneceu observando-a por alguns segundos antes de continuar.

— Algumas pessoas foram vistas circulando nas proximidades da Ala Norte antes da explosão. Estou conversando com todos aqueles cuja presença naquela parte do castelo ainda não foi devidamente explicada.

Então era aquilo.

Sarah sentiu parte da tensão diminuir.

Só parte.

— Eu não estava na Ala Norte.

O silêncio que veio depois fez seu estômago afundar.

Snape não mudou de expressão.

— Curioso.

Sarah já sabia que tinha cometido um erro antes mesmo que ele continuasse.

— Eu ainda não havia afirmado que estava.

Merda.

— Eu quis dizer que não estava perto o suficiente para—

— Sei perfeitamente o que quis dizer, senhorita Griller.

A interrupção veio tranquila demais para ser reconfortante.

Snape inclinou ligeiramente a cabeça.

— Vamos tornar isso mais simples. Durante o caminho de volta da cozinha, viu alguma coisa fora do comum?

Ele fez uma breve pausa.

— Ou alguém?

Sarah não respondeu imediatamente.

Pansy.

Era a resposta verdadeira.

Tinha encontrado Parkinson pouco antes da explosão. Poderia dizer aquilo e, tecnicamente, acabar com aquela parte do interrogatório.

Mas então Snape perguntaria por que haviam parado no corredor. Sarah teria de mencionar o objeto prateado escondido na mão de Pansy, explicar por que a monitora parecera assustada ao ouvir a patrulha se aproximando e admitir que não fazia a menor ideia do que qualquer uma daquelas coisas significava.

Não.

Enquanto não entendesse o que tinha visto, não entregaria aquela informação de bandeja.

E havia ainda a outra instrução.

Não mencionar Malfoy.

Sarah olhou para Snape.

— Não.

Ele não respondeu.

Apenas continuou olhando.

Mentir para Severo Snape já seria desagradável em qualquer circunstância. Fazer isso sentada diante dele, enquanto o silêncio se prolongava e algum instrumento de prata girava lentamente numa das prateleiras, parecia uma forma particularmente elaborada de tortura.

Sarah sustentou o olhar o máximo que conseguiu.

Não mencionar Malfoy.

Snape arqueou uma sobrancelha.

— Senhorita Griller?

— Malfoy.

Sarah fechou os olhos.

Excelente.

Menos de dez minutos.

Draco provavelmente consideraria aquilo um recorde pessoal.

Quando tornou a encarar Snape, ele não parecia surpreso. Só mais atento.

— Senhor Malfoy.

Não havia mais como voltar.

— Sim.

— E o que exatamente o senhor Malfoy estava fazendo fora do dormitório naquela hora?

Sarah quase respondeu que gostaria muito de saber.

Conseguiu se impedir.

— Ele...

Nada.

Seu cérebro, que normalmente produzia respostas inconvenientes com uma eficiência impressionante, decidiu abandoná-la exatamente quando mais precisava dele.

Pensa.

— Ele estava comigo.

Snape ficou em silêncio.

Por algum motivo, aquilo conseguiu ser pior do que qualquer comentário sarcástico que poderia ter feito.

— Imagino que eu já tivesse concluído essa parte sozinho.

— Sim. Claro. Eu quis dizer que nós estávamos...

Sarah parou.

Precisava de alguma coisa normal. Alguma explicação perfeitamente plausível para dois alunos de casas diferentes estarem escondidos pelos corredores depois do toque de recolher e não quererem admitir.

Nada lhe ocorreu.

Absolutamente nada.

— Com fome?

Snape não se moveu.

Sarah desejou imediatamente poder arrancar a frase do ar e engoli-la.

Ele repetiu, com uma lentidão dolorosa:

— Com fome.

— Sim, senhor.

— Juntos.

Sarah engoliu em seco.

— Acontece.

Snape continuou olhando para ela.

— Com frequência?

— Não.

— Fico aliviado.

Sarah apertou os dedos sobre o colo.

Aquilo estava indo muito mal.

Snape se inclinou um pouco para a frente.

— Vamos tentar outra vez. Por que o senhor Malfoy estava com a senhorita e por que nenhum dos dois parece particularmente interessado em admitir isso?

Sarah precisava de alguma coisa convincente.

Alguma explicação constrangedora o suficiente para justificar o segredo, mas irrelevante demais para fazer Snape continuar investigando a relação dos dois com a explosão.

Seu cérebro finalmente voltou a funcionar.

Infelizmente, escolheu violência.

— Estávamos nos beijando.

O escritório ficou completamente silencioso.

Até Sarah pareceu precisar de alguns segundos para compreender o que acabara de dizer.

Em algum lugar atrás de Snape, um pequeno instrumento metálico girou sobre si mesmo e produziu um clique.

Snape piscou.

Uma única vez.

— Estavam se beijando.

Sarah não sabia se o pior era ele ter repetido ou o fato de agora precisar sustentar aquilo.

— Sim, senhor.

Pronto.

Era tarde demais para recuar.

Restava morrer com alguma dignidade.

Ou, pelo menos, tentar.

— Foi uma coisa meio inesperada.

Snape continuou encarando-a.

Sarah sentiu, por algum motivo incompreensível, que precisava preencher aquele silêncio.

— Quer dizer, eu sou da Grifinória, ele é da Sonserina, então não era exatamente uma coisa que a gente pretendia anunciar pelo castelo e—

— Senhorita Griller.

Ela fechou a boca imediatamente.

Snape respirou fundo.

— Poupe-me dos detalhes.

Sarah sentiu um alívio genuíno pela primeira vez desde que entrara ali.

— Com prazer.

Ele recostou-se na cadeira, mas sua expressão não indicava que acreditava completamente naquela história.

— Imagino, então, que o senhor Malfoy não terá dificuldade em confirmar essa versão.

Todo o alívio desapareceu.

Sarah ficou imóvel.

— Diretor...

Snape ergueu uma das mãos.

— Se essa história for uma tentativa particularmente infantil de esconder qualquer envolvimento com o rompimento das proteções da Ala Norte, vou descobrir.

Sarah não disse nada.

— Até lá, sugiro que mantenha suas escapadas clandestinas longe de áreas interditadas.

Com um movimento da varinha, a porta se abriu atrás dela.

Sarah levantou-se tão depressa que quase bateu o joelho na mesa.

— Posso ir?

Snape olhou para a porta aberta.

— É exatamente o que estou sugerindo.

Ela não precisou ouvir duas vezes.

Já estava praticamente do lado de fora quando a voz dele voltou a alcançá-la.

— E, senhorita Griller...

Sarah parou com a mão na porta e olhou por cima do ombro.

Snape tinha voltado a atenção para os papéis sobre a mesa.

— Espero que o senhor Malfoy tenha uma memória tão romântica quanto a sua.

Sarah ficou encarando-o por um segundo. Depois saiu.

Estava morta.

Apesar disso, conseguiu sair do escritório de Snape mantendo alguma aparência de dignidade.

Chegou até a primeira curva do corredor, encostou as costas na parede de pedra e ficou ali por alguns segundos, olhando para o teto como se ele pudesse oferecer alguma explicação razoável para as escolhas que havia feito desde a noite anterior.

— Era para ser um ano calmo.

Em menos de vinte e quatro horas, tinha quebrado o toque de recolher, encontrado Pansy carregando um objeto suspeito, sido arrastada por Draco para uma alcova, presenciado uma explosão, voltado ilegalmente à Ala Norte com Harry e, como se tudo isso ainda não fosse suficiente, acabado de informar a Severo Snape que passara parte da madrugada beijando Draco Malfoy.

Talvez tranquilidade já não fosse uma meta particularmente realista.

Sarah deixou o corpo escorregar pela parede até se sentar no chão.

— Um ano calmo. Excelente planejamento.

Passos surgiram no corredor.

Ela não se deu ao trabalho de levantar a cabeça.

As botas pararam diante dela.

— Pelo amor de Salazar, Griller. Você decidiu virar parte da mobília do castelo?

Sarah fechou os olhos.

Claro.

— Vai embora.

— Não.

— Malfoy.

— Griller.

Ela finalmente ergueu o rosto.

Draco estava parado diante dela com a expressão de quem, por algum motivo, considerava perfeitamente normal encontrar alguém sentado no chão das masmorras e começar uma discussão.

— Você está me seguindo?

— Não. E, para registro, se tivesse lido o bilhete que decidiu afogar no suco do Weasley, saberia que eu estava tentando falar com você desde o café da manhã.

Sarah franziu o cenho.

— Você viu aquilo?

Draco apenas a encarou.

— Você enfiou meu bilhete inteiro num copo de líquido laranja enquanto olhava diretamente para mim. Foi difícil perder.

— Eu estava cansada.

— Percebi.

— E irritada.

— Isso também ficou bastante evidente.

Sarah tornou a apoiar a cabeça na parede.

— O que estava escrito?

Draco demorou um instante antes de responder.

— Que precisávamos conversar sobre ontem.

Sarah fez uma pequena careta.

— Certo.

— “Certo”?

— Nós conversamos.

— Apesar de você ter feito todo o possível para impedir.

Ela olhou para ele.

— Eu não sabia o que tinha no bilhete.

— Porque não leu.

Sarah abriu a boca, percebeu que não tinha argumento e desistiu.

Draco continuou observando-a sentada no chão por alguns segundos antes de estender a mão.

— Levanta.

— Estou confortável.

Ele olhou para o piso de pedra.

— Você está sentada no chão de uma masmorra.

— Meus padrões caíram bastante nas últimas horas.

A mão continuou ali.

Sarah olhou primeiro para ela, depois para o rosto dele.

— Você pretende ficar assim até eu aceitar?

— Provavelmente.

Ela soltou um suspiro e segurou sua mão.

Draco a puxou de volta para os pés com facilidade e a soltou assim que ela recuperou o equilíbrio.

Informação completamente inútil: a mão dele era quente.

Sarah não fazia ideia de por que seu cérebro considerara necessário registrar aquilo, mas decidiu não investigar.

Draco esperou até que ela ajeitasse as vestes.

— Pronto. Agora me conta o que aconteceu.

Sarah evitou seu olhar.

— Nada.

Ele olhou para o lugar onde ela estivera sentada.

— Você saiu da sala de Snape e resolveu ficar no chão encarando o teto.

— Talvez eu tenha desenvolvido apreço por pisos.

— Você é uma péssima mentirosa.

Sarah imediatamente tornou a encará-lo.

— Não sou.

— Sete anos de evidência dizem o contrário.

Ela cruzou os braços.

— Cite uma.

Draco suspirou, como se já estivesse arrependido de ter começado.

— No quinto ano, você disse que não tinha encostado no caldeirão do Finnigan menos de dois minutos antes de ele começar a soltar fumaça roxa.

Sarah ficou olhando para ele.

Por alguns segundos, esqueceu completamente o assunto principal.

— Por que você lembra disso?

Draco pareceu achar a pergunta absurda.

— Porque foi uma mentira ruim.

— Isso explica a mentira. Não explica por que você lembra dela dois anos depois.

— Griller, eu tenho memória.

— Muito conveniente.

— E você continua tentando mudar de assunto.

Ele permaneceu olhando para ela.

Sarah sustentou o olhar por alguns segundos.

Depois desviou.

— Para.

— O quê?

— Isso que você está fazendo.

Draco olhou rapidamente para si mesmo.

— Estou parado.

— Você sabe muito bem o que eu quero dizer.

— Estou esperando você me contar o que disse ao Snape.

Sarah não respondeu.

O silêncio entre os dois mudou.

Draco percebeu.

— Sarah.

Ela tornou a olhar para ele.

O próprio nome soou estranho vindo daquela voz.

Draco nunca a chamava assim.

Sarah piscou.

— Você acabou de me chamar de Sarah.

Ele fechou os olhos por um instante.

— E já estou arrependido.

— Achei importante registrar.

— O que você disse para Snape?

A pergunta voltou mais séria.

Sarah abriu a boca.

Fechou.

Se contasse naquele momento, Draco provavelmente surtaria.

Se não contasse e Snape resolvesse perguntar a ele, Draco negaria tudo e Sarah estaria acabada.

Nenhuma das alternativas parecia especialmente promissora.

— Eu consigo explicar.

Draco passou a língua pelos dentes e soltou o ar devagar.

— Essa frase nunca precedeu nada bom vindo de alguém.

Sarah estava prestes a responder quando ouviu passos no corredor transversal.

Lentos.

Regulares.

Familiares.

Ela parou.

A sombra surgiu primeiro na parede.

Snape.

Sarah sentiu o estômago despencar.

As últimas palavras dele voltaram imediatamente à sua cabeça:

Espero que o senhor Malfoy tenha uma memória tão romântica quanto a sua.

— Merda.

Draco franziu o cenho.

— O quê?

Sarah não respondeu.

Não houve tempo para pensar numa explicação, muito menos numa boa.

Ela agarrou a frente das vestes dele, puxou-o para si e o beijou.

Não houve planejamento suficiente para aquilo ser bonito.

Foi rápido, desajeitado e executado com toda a precisão romântica de alguém tentando apagar um incêndio com as próprias mãos.

Draco ficou completamente imóvel.

Sarah sentiu o tecido preso entre os dedos, o cheiro familiar de cedro e hortelã e, por uma fração de segundo inconvenientemente longa, a maciez dos lábios dele contra os seus.

A informação entrou no cérebro.

Sarah recusou-se a processá-la.

— Senhorita Griller.

Ela abriu os olhos.

Snape estava alguns metros adiante.

Sarah soltou Draco imediatamente e deu um passo para trás.

Ele continuou parado por um instante, como se ainda estivesse reorganizando mentalmente a sequência dos acontecimentos.

Snape olhou para Sarah.

Depois para Draco.

Então voltou os olhos para ela.

— Entendo.

Draco pareceu finalmente recuperar a capacidade de falar.

— Diretor, isso não é—

Snape ergueu uma mão.

— Não tenho qualquer interesse em explicações.

Sarah desejou, com bastante sinceridade, que a parede atrás dela se abrisse e a engolisse.

Snape tornou a encará-la.

— Pelo menos uma parte de sua versão parece ter algum fundamento, senhorita Griller.

Muito devagar, Draco virou o rosto na direção dela.

Sarah percebeu.

Fingiu não perceber.

Snape continuou:

— Considerarei o assunto encerrado por enquanto.

Por enquanto.

Aquilo não soou nem de longe tão tranquilizador quanto deveria.

Snape passou pelos dois e continuou pelo corredor.

Sarah ficou imóvel.

Draco também.

Ela contou mentalmente até três antes de se atrever a respirar direito.

— Sua versão?

A voz dele veio baixa.

Sarah ofereceu um sorriso cauteloso.

— Então...

Draco virou-se completamente para ela.

— O que você disse para ele?

— Antes de ficar bravo—

— Griller.

Sarah respirou fundo.

Não havia mais como melhorar aquilo.

— Eu disse que a gente estava se beijando.

Draco ficou quieto.

O silêncio foi muito pior do que se ele tivesse gritado.

— Você fez o quê?

— Eu estava sob pressão.

Ele passou alguns segundos apenas olhando para ela, como se precisasse ter certeza de que tinha ouvido direito.

— Eu pedi uma coisa. Uma única coisa, Griller.

Sarah já sabia exatamente onde aquilo ia chegar.

— Eu sei.

— “Não mencione meu nome.”

Ela levantou as mãos.

— Sim, essa parte ficou bastante clara.

Draco passou a mão pelo rosto e se afastou dois passos, como se precisasse criar distância antes de continuar.

— E você não apenas mencionou meu nome. Você decidiu dizer ao diretor da escola que nós estávamos nos beijando.

— Eu precisava explicar por que estávamos escondidos juntos.

Ele voltou a encará-la.

— E essa foi realmente a melhor explicação que conseguiu inventar?

Sarah abriu os braços.

— Nós estávamos praticamente grudados.

Draco parou.

Sarah ouviu a própria frase tarde demais.

— Por causa da patrulha — acrescentou rapidamente. — Era esse o contexto.

— Sim. Eu me lembro. Eu estava lá.

— Então sabe exatamente o que eu quis dizer.

Draco respirou fundo, claramente se obrigando a não responder à primeira coisa que lhe vinha à cabeça.

— Isso ainda não explica por que você acabou de me beijar.

Sarah apontou na direção em que Snape desaparecera.

— Porque ele disse que você teria de confirmar a história.

Draco piscou.

— E?

— Você não sabia da história.

Ele abriu as mãos, incrédulo.

— Evidentemente eu não sabia da história que você inventou sem me consultar.

— Exatamente. E ele estava vindo.

— Continuo esperando a parte racional.

Sarah achou que a lógica era bastante óbvia.

— Então eu providenciei uma prova.

Draco ficou olhando para ela.

— Você me usou como evidência.

Sarah pensou um pouco.

— Tecnicamente... sim.

— Isso não melhora.

— Funcionou.

— Para você.

— Para nós.

— Não. Definitivamente para você.

Sarah inclinou a cabeça.

— Trabalho em equipe?

Draco fechou os olhos e massageou a ponte do nariz.

— Você é inacreditável.

Sarah aproveitou o breve silêncio para respirar.

Infelizmente, o beijo ainda estava recente demais para desaparecer apenas porque os dois haviam começado a discutir.

Ela conseguia lembrar do cheiro dele, da sensação dos lábios contra os seus e, principalmente, do fato bastante estranho de Draco ter ficado imóvel em vez de afastá-la imediatamente.

Não significava nada.

Ela decidiu isso com rapidez suficiente para deixar claro que provavelmente não queria pensar a respeito.

Draco tornou a abrir os olhos.

— Você não faz a menor ideia do que está fazendo, sua sang—

Ele parou.

Sarah também.

A palavra morreu antes de se completar.

Não precisava.

Ela sabia qual seria.

Durante sete anos, Draco Malfoy encontrara praticamente todas as formas possíveis de provocá-la, irritá-la e insultá-la.

Aquela, não.

Nunca aquela.

Por alguns segundos, o corredor pareceu silencioso demais.

Draco desviou os olhos primeiro.

Quando tornou a falar, a voz estava diferente.

— Sua imbecil.

Sarah não respondeu.

Os dois sabiam exatamente qual palavra havia morrido ali, e nenhum deles parecia encontrar uma forma confortável de atravessar os segundos seguintes.

Foi Draco quem rompeu o silêncio.

— Se isso chegar ao meu pai, vai dar problema.

Sarah ainda o observava.

— O beijo?

Ele balançou a cabeça.

— A história inteira.

— Achei que o problema fosse a grifinória envolvida.

Draco soltou o ar pelo nariz.

— Isso certamente não ajuda.

— Que reconfortante.

Ele não acompanhou a provocação.

— Não é disso que estou falando, Griller. Meu pai não gosta de descobrir coisas sobre mim por terceiros.

Sarah inclinou levemente a cabeça.

— E você pretende contar para ele?

Draco lhe lançou um olhar que tornava a resposta bastante evidente.

— Pretendo que ele não tenha motivo para perguntar.

Sarah olhou pelo corredor por onde Snape havia acabado de passar.

— Excelente plano, considerando que o diretor acabou de nos encontrar nos beijando numa masmorra.

— Obrigado por lembrar. Eu quase tinha conseguido esquecer.

— Disponha.

Draco ficou alguns segundos em silêncio, olhando para o fim do corredor antes de tornar a encará-la.

— Você não conhece meu pai.

O tom tirou parte da graça da situação.

Sarah já preparava alguma resposta sobre sobrenomes, sangue puro ou reputação quando percebeu que Draco não parecia constrangido. Parecia preocupado.

E não exatamente com o beijo.

Antes que ela pudesse decidir se valia a pena perguntar, ele tornou a olhar para o corredor vazio.

— Não transforma isso em mais uma piada, Griller.

Ela cruzou os braços.

— Você sabe que eu não planejei nada disso.

— Sei.

— Ótimo.

— Isso não torna melhor.

Sarah fez uma pequena careta.

— Eu achei que tornasse um pouco.

— Não torna.

O desconforto já tinha durado o suficiente.

Sarah decidiu que aquele domingo tinha produzido constrangimento suficiente para várias semanas.

— Certo. Eu vou embora.

Deu dois passos.

— Griller.

Ela continuou andando.

— Griller.

Sarah acelerou.

Draco veio atrás.

— Não foge no meio da conversa.

Ela olhou por cima do ombro sem parar.

— Não estou fugindo. Estou me retirando estrategicamente.

— Isso é literalmente fugir.

Sarah virou a esquina.

— Até amanhã, Malfoy!

A voz dele ainda a alcançou pelo corredor.

— Nós ainda não terminamos!

Sarah continuou andando e só diminuiu o ritmo quando alcançou um corredor mais movimentado, onde havia alunos suficientes para obrigá-la a parecer minimamente normal.

Quando finalmente chegou ao dormitório, Sarah fechou a porta e caiu sobre a cama sem nem se preocupar em tirar os sapatos.

Pouco depois, ouviu Hermione do lado de fora.

— Sarah? Como foi com Snape?

Sarah puxou a colcha por cima da cabeça.

— Depois.

Muito depois. Talvez nunca.

Protegida pelo escuro improvisado, deixou a manhã inteira passar novamente por sua cabeça: Snape, a mentira absurda que inventara sem pensar, Draco descobrindo tudo poucos minutos depois e o beijo que definitivamente não deveria ter acontecido.

Havia também aquela sílaba interrompida.

Sarah fechou os olhos. Não precisava ter ouvido o restante para saber qual palavra viria depois. Conhecia bem demais aquele insulto e, por algum motivo, o fato de Draco ter parado antes de pronunciá-lo parecia quase tão difícil de ignorar quanto se tivesse terminado.

Mas havia outra coisa que deveria ocupar muito mais espaço em seus pensamentos do que um beijo idiota ou uma palavra que nem chegara a ser dita.

Draco tentara falar com ela ainda durante o café da manhã, antes mesmo de Snape mandar chamá-la. Depois, no corredor, parecera saber exatamente o que ela deveria ou não dizer ao diretor. Não estava preocupado apenas com uma detenção ou com o toque de recolher. Estava preocupado com a possibilidade de seu nome ser associado à Ala Norte, e aquilo não começara naquela manhã.

Na noite anterior, Draco já estava naquela região muito depois de ter saído da cozinha. Quando a explosão aconteceu, não pareceu confuso. Simplesmente seguiu naquela direção.

Sarah abriu os olhos sob a colcha.

O beijo era um problema. A quase palavra também. Mas nenhum dos dois respondia à pergunta que continuava voltando desde a madrugada.

O que Draco Malfoy sabia sobre a Ala Norte?

Sarah soltou o ar e virou de lado.

Era para ser um ano calmo.