A bruxa, os fantasmas e os monstros
1 livro inteiro
A Fantasma Dorothy
Sumário
Introdução
Capítulo 1 – Assombração na Escola Moreira
Capítulo 2 – Dorothy, A Fantasma
Capítulo 3 – A Fuga da Bruxa
Capitulo 4 – Ricochete, o Monstro
Capitulo 5- A Morte de Padre Pedro
Capítulo 6 – A Luta de Isaura
Capítulo 7 – Boitatá , A Cobra de Fogo
Capítulo 8 – George, O Lobisomem
Capítulo 9 – Vampiro à Solta
Capítulo 10 – A Luta Final contra a Bruxa Véia
Epílogo – O Outro Mundo
Dedicatória
Eu queria dedicar esse livro à minha irmã Caroline Ribeiro Cunha, que apesar de ser muito chata (risos) eu amo de paixão.
Introdução
Há muitos anos, a escola Moreira havia sido fechada. Isto ocorreu porque, segundo a diretoria da época, ela era assombrada. Os pais acharam um absurdo e houve inúmeros protestos para não fechar a escola. Mesmo assim, a decisão foi firme e já tinham quase trinta anos que a escola estava fechada.
Às vezes, crianças levadas iam para o local pregar peças no guardinha que ali ficava ou pichar o muro velho da escola. Muitos queriam saber se realmente era verdade que a escola era assombrada. Vários padres e religiosos se ofereceram para o exorcismo por causa dos alunos. ideia obviamente rejeitada pela prefeitura, que queria ser deixada em paz.
Vários relatos surgiram de antigos alunos sobre fantasmas, demônios, até sobre duendes houve relatos. Ou eram considerados loucos ou exploradores, que queriam se aproveitar da decisão da direção para ganhar fama.
Eduardo Gomes era o ex-aluno que mais tinha ganhado medalhas para o colégio em Campeonatos de Matemática, Ciências e História e, mesmo após o fechamento do colégio, ele lá ficou, trabalhando como um guarda noturno. De dia, ele trabalhava na empresa que ele mesmo criara, a Gomes, e era muito bem sucedido. Nunca se soube o porquê dele continuar como guardinha da escola após se tornar um empresário famoso. Sofria constantemente com as peças das crianças que iam lá para fazer baderna.
Foi ele que teve a decisão: iria reabrir a escola Moreira.
Capítulo 1 – Assombração na Escola Moreira
Toda a cidade estava lá para a reinauguração da escola Moreira. Era 13 de fevereiro de 2012 e já tinham alguns alunos matriculados, um bom número de professores e muita babação de ovo em cima de Eduardo, que virara o dono da escola.
— Cobertura especial para a reinauguração do Colégio Moreira — dizia o jornalista do canal local, em meio à multidão que aguardava em frente ao enorme portão do colégio. — Vamos entrevistar Eduardo Gomes, o empresário famoso que teve a ideia de voltar com esse colégio que foi por muitos anos o principal de nossa cidade!
A cidade de Pato era uma das cidades mais pequeninas do país. Tinham apenas dois mil e quinhentos habitantes. Como se dizia quando era assim, a cidade era um ovo. Ficava no interior de São Paulo.
— Olha lá o homem careca! — apontava uma criança pequena para Eduardo Gomes. Ele era careca, moreno, usava óculos de armação e já começava a apresentar pequenas rugas em seu rosto.
— Senhor Gomes, porque exatamente você teve a ideia de reabrir o colégio? — perguntou o jornalista.
— O Colégio Moreira fez parte de minha juventude e de toda minha vida. — começou Eduardo. — Mesmo depois de ser fechado, continuei aqui. Nada mais justo que dar aos pais e as crianças mais uma opção de colégio. Nossos profissionais são muito bons e prometemos continuar as boas conquistas do colégio.
— E quanto a historia... — o jornalista relutou um pouco antes de continuar. — De que o colégio seria assombrado?
— Só asneira — respondeu Gomes asperamente. — De aproveitadores.
— Encerrada a entrevista com Eduardo Gomes. Vamos esperar a reinauguração oficial.
— Abram as portas! — ordenou Gomes, e os seguranças escancararam o portão. O colégio estava parcialmente reformado: era um casarão enorme, que mais parecia uma mansão, pintada de amarelo. Cheirava a tinta, mesmo para quem não se aproximasse tanto do local. Dali em diante, o Moreira receberia uma nova geração de estudantes.
Tom Sales se preparava para o primeiro dia de aula no Moreira, no dia seguinte a inauguração. Ele tinha 14 anos, faria 15 em junho e ia para o nono ano. O garoto penteou os fios longos que lhe iam até os ombros, negros e brilhantes e pôs os óculos em frente dos olhos azuis. Era pálido como o leite, as pessoas costumavam dizer que ele parecia um vampiro. Sua família se mudara para Pato há dois anos, antes de ser matriculado no colégio esse ano ele era ensinado em casa.
— Tom, vai logo já são 7 e 15! — Tom ouviu sua irmã de onze anos, Maiara, avisar da cozinha. Pôs o material na mochila, trocou o pijama que vestia pelo uniforme, que era uma simples camisa branca com o nome do colégio em letras pretas e um short azul e foi para a cozinha, aonde sua mãe Geralda, uma senhora de meia-idade muito parecida a ele (de cabelos pretos escorridos aos ombros e olhos castanhos --esverdeados, que Tom não puxara) e Maiara estavam o esperando.
— Coloque o lanche na mochila — ordenou sua a mãe e passou para ele uma sacola que Tom tinha certeza que abrigava um dos sanduíches de atum que Geralda sempre fazia para os dois filhos. Fez o que ela pediu e se despediu.
— Boa aula filho — desejou a mulher e a pequena deu-lhe um beijo na bochecha. Tom saiu de casa e caminhou até o grande portão, aonde um guarda jovem e forte estava em sua frente.
— Abre aí, eu sou aluno! — pediu.
— Me dê seu nome. — ordenou o guarda, e ele o deu. Ele abriu o portão após verificar na lista o nome de Tom, que tinha certeza que em alguns anos já não daria para fazer isso. O colégio tinha 50 alunos, um número até bom para um colégio que acabara de abrir após anos fechado.
Tom pediu informação para um dos seguranças que estava lá em baixo sobre onde ficava a sua sala e entrou na casa. Quando entrou, viu um espaço grande e três portas que Tom adivinhou que seriam a diretoria, a secretaria e a sala dos professores (essa última estava escrito na porta) e duas escadas, que levariam às salas de aula.
Segundo a informação do segurança era à direita, então Tom subiu as escadas correndo. Devia estar atrasado, as aulas começavam sete e vinte e cinco e já não tinha ninguém lá embaixo, sinal que já deveria ter batido o sinal. Chegou a um corredor com um bebedouro ao lado de uma das três salas que tinham. Em cima da porta tinham o nome das classes. 9º ano, Tom reconheceu e abriu a porta do meio.
— Licença, professor, cheguei atrasado. — ele disse e olhou para os seis alunos que tinham na sala. Eram três meninos e três meninas. O professor era um homem alto, louro, de olhos tão azuis quanto os dele e que abriu um sorriso amigável ao vê-lo.
— Entre. Sou o professor de matemática, Carlos Nogueira. Estou explicando como serão as coisas na escola.
Tom sentou ao lado de um menino gordinho, de pele morena e cabelos crespos. Ele parecia ser simpático, e estava muito entretido no que o professor estava falando.
— Hei — sussurrou Tom. — Qual é o seu nome?
— insec Fernandes — respondeu o menino. — E o seu?
— Tom Sales — respondeu o menino pálido.
Ao fim da segunda aula, já estavam bem amigos. Desceram para o recreio juntos e se sentaram num banco que ficava no pátio. O que Tom pensou se confirmara: era o sanduíche de atum que sua mãe tinha feito para ele levar e que ele tanto gostava. insec levou batata palha.
— Posso sentar com vocês? — uma menina alta, magra, de olhos castanhos claros e cabelo de mesma cor perguntou. Ela tinha feições delicadas e tinha um rosto quase tão pálido quanto o de Tom. Ele achou-a muito bonita.
— É claro — insec se apressou a dizer e se afastou um pouco para ela sentar. Ela sentou no meio dos dois.
— Eu me chamo Isaura — se apresentou a garota. — Eu ouvi vocês dizendo na aula que são insec e Tom, é isso?
— Isso mesmo — responderam os dois ao mesmo tempo, antes de se olharem e rirem baixinho.
— Gente, vou ir ao banheiro — informou Tom e se levantou, indo aonde tinha dito que ia. O banheiro era sujo e pequeno. Nem parecia que era o banheiro de uma escola que acabara de ser reformada. De repente, a porta que estava atrás de Tom se fechou. Pensou que devia ser o vento, mas logo um barulho de trinco se fechando surgiu. Sentiu uma força estranha puxando-o para baixo, e se segurou com medo em uma pia.
Tom começou a imaginar se os rumores de que o colégio era assombrado eram reais, enquanto que a pressão foi ficando cada vez maior, o que fez com que ele soltasse a pia e caísse ao chão. Percebeu que suas pernas tremiam e algo o arrastou pelo chão até a parede. Sofreu com o baque em suas costas e as lágrimas já estavam começando a encher seus olhos.
Tentando se levantar, Tom caíra de novo no chão. As torneiras se abriram de repente e seu tornozelo começou a doer, como se algo o segurasse muito fortemente. Tom limpou as lágrimas que teimavam em sair de seus olhos. Pensou em gritar, espernear, fazer qualquer coisa, mas então olhou para o alto e viu a figura fantasmagórica de uma linda mulher em sua frente, envolta por uma aura branca. Ela vestia um vestido transparente e estava toda ensanguentada. Tinha uma perfuração enorme na região do peito. Ele ficou abismado. Com a voz trêmula, tomou coragem para dizer algo.
— Por que está fazendo isso? — ele perguntou, mas a figura começou a se esvair e de repente nada mais segurava seu tornozelo ou o forçava ao chão.
Tom se levantou com dificuldade, segurando o tornozelo, e destrancou a porta do banheiro. Quando terminou de fazer suas necessidades, foi para o pátio ainda meio atordoado, onde Isaura e insec estavam o esperando muito entretidos em um papo que parecia interessante (Tom ouviu alguma coisa sobre CSI ou algum seriado desse tipo). Ele considerou contar-lhes o que tinha acontecido, mas resolveu esperar.
Capítulo 2
Dorothy, a Fantasma
Quem seria a figura fantasmagórica? Não teria sido uma alucinação? Estes eram os pensamentos de Tom pelo resto da semana. Quando ele contou a insec e Isaura, seus novos amigos, três dias depois do ocorrido, eles não acreditaram, apesar de admitir que ele era muito criativo. Ele resolveu procurar na internet, mas havia somente lendas de fantasmas que nunca foram encontrados. Apelou para o local aonde nunca havia pisado antes: a biblioteca. Sabia de um livro que falava sobre exorcismo, "Mil Jeitos de Afastar Fantasmas e Aprisionar Demônios". Foi feito por um padre bastante conhecido na cidade, em razão do número de lendas que crescia cada vez mais em Pato.
— Por favor, eu quero "Mil Jeitos de Afastar Fantasmas e Aprisionar Demônios" — pediu para a bibliotecária, que sumiu entre os corredores do local para voltar com o livro grosso.
Caramba! Pensou Tom. Aquele livro deveria ter umas quinhentas páginas. Para alguém que não estava acostumado a ler como ele seria uma tarefa difícil. Fez o registro necessário e saiu do estabelecimento.
Já em sua casa, escondeu-o na última gaveta de seu guarda-roupa. Preparou o jantar e esperou sua mãe e sua irmã saírem para pegar o livro e abri-lo.
"Mil Jeitos de Afastar Fantasmas e Aprisionar Demônios
Introdução
Como um padre respeitado, vivi anos na cidade de Pato, aonde fiz muitos trabalhos de exorcismo para a população. Em meus anos de trabalho, aprendi muitas coisas e espero que alguém seja capaz de utilizá-los para o bem.
Existem três tipos de demônios..."
Tom leu o índice e abriu na parte de fantasmas.
Fantasmas — Como Afastá-los (ou ajudá-los a seguir seu caminho)
Fantasmas são espíritos que não alcançaram o paraíso. Certa vez, encontrei um que nem saber que estava morto sabia. Para afastá-los devemos saber sua história e talvez um medo, uma fobia, alguma coisa de quando eram vivos podem ajudar a afastá-los. Eu, que sou um padre, oro por seu encaminhamento e na maioria das vezes é o que mais funciona. Deus sempre tem misericórdia de seus filhos..."
Tom não leu o resto. Já tinha o que precisava. Fechou o livro e escondeu-o novamente. Depois disso, foi para o computador, um hábito de rotina que sempre teve. Ficou jogando Combat Arms até que sua mãe chegou com sua irmã e mandou-o para a cama.
Para o segundo dia de aula, pegou a Bíblia velha de sua mãe (escondido, claro) e colocou em sua mochila. Também pegou um livro com personalidades famosas da cidade. Vai que a fantasma tenha sido alguém importante... Nunca se sabe. Tomou seu café da manhã com calma (naquele dia levantara cedo, tamanha a ansiedade). Quando chegou à escola, encontrou insec e Isaura conversando no pátio. Eles pareciam estar... Como era a palavra? Paquerando. Tom não soube o porquê, mas sentiu certo ciúme dos dois.
— Tom! — acenou insec. — Vem, a gente está discutindo o primeiro trabalho.
No dia passado, o professor de história, o Norueguês, passou um trabalho sobre a idade média. Era sobre a caça às bruxas ou algo assim. Tinham resolvido fazer os três juntos.
— Não tenho tempo para falar sobre isso. — se apressou a dizer Tom, tirando o livro da mochila. — Quero que vejam uma coisa.
Ele mostrou a página aonde tinha lido.
— Pra que serve isso? — perguntou insec. — Você não está com aquela história de fantasmas no banheiro de novo não é?
Tom se irritou. Odiava quando não acreditavam nele.
— Então venham comigo se não têm medo. — propôs.
— Se tivesse mesmo um fantasma todos já deveriam estar sabendo. Você não deve ter sido o único a ir ao banheiro masculino. E eu não entro lá — vou logo avisando! — disse Isaura.
— Então eu vou sozinho. — Tom decidiu.
— A gente fica esperando e torcendo — incentivou insec, e eles começaram a falar sobre outro assunto. Tom esperou o segundo recreio para entrar de novo no banheiro.
— Estou de novo aqui! — falou Tom já lá dentro. — Apareça fantasma! Quero ajudar!
Nada aconteceu.
— Vou orar por você — Tom tentou de novo. — Para você tomar seu caminho para a luz!
Dessa vez, um jato de luz forte invadiu o local. Os olhos de Tom cegaram por um momento, até que as luzes enfraquecerem e a mesma linda senhora que ele tinha visto da outra vez aparecer. Ainda tinha a perfuração em seu peito. Estava com um semblante depressivo e Tom se arrependeu em ter pensado em acabar com sua existência.
— Qual é o seu nome? — perguntou, e uma voz fina e delicada surgiu.
— Dorothy. — foi quase um sussurro. A aura branca que tinha em volta dela brilhava fortemente.
— Como você morreu? — ele voltou a perguntar e amaldiçoou a si mesmo pela pergunta besta que fez. Poderia ofender a mulher.
— Há cinquenta anos, eu era faxineira desta escola. Era casada, meus dois filhos estudavam aqui e eu presenciava mil coisas aqui dentro. Mas eles abandonaram-me após se formarem. Meu marido faleceu por leucemia. Todo o tipo de coisa acontecia: eu via monstros, demônios, criaturas horríveis. Morri por bala perdida. Eu assombro as pessoas para que saibam que eu existo. Não é do modo certo, mas desconto toda a raiva que em vida não descontei.”.
Tom quis perguntar que coisas aconteciam, mas não se atreveu. Em vez disso, pegou a bíblia velha de sua mãe e começou a orar. A pedir que o espírito de Dorothy fosse encaminhado. Se o que ela estava falando fosse verdade, ele teria de enfrentar demônios e coisas de todos os tipos. Mas ao menos uma alma pudera salvar. Penalizara-se da pobre mulher, apesar dela mesmo tê-lo infernizado.
Uma luz forte atingiu o banheiro novamente.
Ela se fora. E dessa vez, Tom sabia que não ia voltar — ou se voltasse, não iria mais infernizá-lo.
Capítulo 3 — A Fuga da Bruxa
Quando Tom voltou, o sinal já havia batido. Ele subiu para assistir as últimas aulas do dia e sentou-se ao lado de insec e Isaura.
— Como foi? — Isaura sussurrou. Embora descrente, ela nunca julgou o amigo, diferente de insec (embora seu último comentário fora decente).
— Ela partiu — revelou Tom. — Disse que viu muitos demônios e coisas sobrenaturais dentro do colégio. Vou ver se eu acho" Mil Jeitos de Afastar Bruxas e Aprisionar Demônios" no computador para quando ter de devolver. Enquanto isso está escondido dentro do meu guarda-roupa.
— Eu ainda não estou convencida, para ser sincera — Isaura revelou. — Mas se for mesmo verdade, o tempo vai mostrar. Eu acredito que você seja sincero no que diz. Só que pode ser... Sei lá, que você esteja se confundindo.
Tom decidiu que gostou mais das palavras sinceras, porém delicadas de Isaura que do incentivo vazio de insec que, aliás, estava dormindo na cadeira ao lado de Tom. Babava em seu livro. Logo a aula terminou e decidiram os três irem para a casa de insec fazer o trabalho sobre a caça às bruxas da Idade Média.
— O caça às bruxas matou milhares de inocentes — Tom começou, em frente ao notebook de insec.
— A Inquisição era tipo um tribunal feito pela Igreja para decidir se a moça era ou não culpada. — continuou Isaura, rolando o mouse.
— Se a moça era considerada culpada, era posta na fogueira.
Que horror, Tom pensou enquanto rolava o mouse. Quantas mulheres inocentes já não morreram por fanatismo religioso?
— Já pensou se algumas delas fossem mesmo bruxas? — comentou insec e recebeu um olhar desaprovador de Isaura. — Oras, não são vocês que acreditam nessas coisas?
Era verdade. Depois da figura fantasmagórica no banheiro da escola e de relatos de demônios e criaturas pavorosas, Tom não duvidava que uma bruxa pudesse existir.
— Deixa de ser bobo. — reclamou Isaura, emburrada. — Vamos terminar isso logo.
Eles terminaram o trabalho a tempo de tomar um lanche na casa de insec e ainda ver a novela preferida da mãe de insec (que Tom e Isaura acharam um saco). A Dona Teresina era jovem, tinha no máximo trinta e cinco anos. Era magrela e ossuda (Tom se perguntou como o filho podia ser cheinho com uma mãe esquelética).
— Renata não vai chegar cedo? — perguntou insec à mãe. Renata era a irmã mais velha dele, que estava no terceiro ano do ensino médio.
— Ela foi a uma festa na casa de uma amiga. Vai demorar.
A Dona Teresina era separada desde seus trinta anos (ela realmente aparentava seus trinta e cinco). Cuidava dos filhos a partir de então sozinha e não tinha muitos amigos na cidade já que morava em Santos e só se mudara para a cidade de Pato no ano anterior a esse.
Tom imprimiu uma cópia do trabalho e se despediu do pessoal. Isaura ficou para ajudar insec com a parte no Power Point. Quando chegou em sua casa, teve uma surpresa: não tinha ninguém lá. Sua mãe devia ter ido a um baile de meia idade como sempre fazia e deixado Maiara na casa de uma amiga. Tom não se importou e foi jogar Combat Arms. Aproveitou para pegar o livro e dar uma lida na parte dos demônios, que não havia lido antes.
"Os três tipos de demônios são: Infernais, Terráqueos e Caídos. Os infernais, como o Boitatá, o Lobisomem e o Bicho Papão, são os piores: não hesitam antes de matar alguém. Eles atacam mais a noite e suas principais vítimas são os jovens. Existem ao todo 27 já conhecidos Infernais. Os Terráqueos, como o Bengala, o Porco do Mato e o Ricochete, podem ser bons dependendo de sua personalidade. Mas os ruins são muito perigosos. Os Caídos são os que hoje não existem, pois foram vencidos por heróis em uma batalha para lá de sangrenta...".
Aos poucos, o sono invadira sua mente. Ele foi obrigado a fechar o livro e ir dormir. Não tinha escola no dia seguinte, era sábado. Mesmo assim, ele decidiu ir lá — com a desculpa de pegar um material esquecido ou até mesmo sem ser visto — para poder investigar os demônios que diziam lá habitar.
O sábado a tarde foi tranquilo, mas era na parte da noite que ele estava interessado. Ele pegou a Bíblia Antiga de sua mãe de novo e também o livro. Pôs tudo dentro da mochila e a colocou nas costas. Teve o cuidado para não acordar sua mãe que estava dormindo tranquila no quarto ao lado nem sua irmã e saiu na rua. Estava deserta. Em Pato, quase todos se recolhiam cedo.
Chegou ao colégio. O guarda noturno estava dormindo. Isso vai ser fácil demais, pensou. Pulou o mulo enorme com certa dificuldade e logo estava dentro da escola. A porta principal estava fechada, mas a janela que tinha ao lado da porta estava meio aberta. Pegou a cadeira velha que de nada servia de noite e se impulsionou para dentro através da janela. Caiu no chão com tudo, mas logo levantou. Dolorido, deu os primeiros passos em direção a escada esquerda. Subiu até o sexto andar. Era ali que ficava o banheiro abandonado. Não era usado desde que a escola foi fechada (ou pelo menos ele achava. Qualquer aluno poderia simplesmente entrar ali).
Abriu a porta e sentiu seus pés e seus tornozelos molharem. O banheiro estava encharcado. Ele pisou em algo. Abaixou e pegou-o. Era um livro velho de capa vermelha que parecia estar escrito em latim. Abriu a primeira página e mesmo com água a letra fraca e preta estava um pouco — e só um pouco — legível.
— Erros juris non excusat- começou Tom, e parou por ali. Não sabia nada de latim e achava uma língua muito aborrecida.
De repente, o chão começou a tremer e a água a se levantar. Tom ficou encharcado pelo corpo inteiro com o splash que o atingiu na altura do peito. Merda, pensou, tentando secar-se em vão. Sentiu a dor latente no corpo ainda da queda para entrar na casa. Seu corpo tremeu como gelatina junto ao piso. De repente, sentiu algo em suas mãos e abriu-a para ver o que era. Era um pequeno ônix que começou a brilhar fortemente.
A pedra parou de brilhar após alguns segundos. Ele a pôs na mochila junto aos dois livros. De repente, surgiu a figura de uma senhora de cabelos brancos ensebados, olhos vermelhos e profundos que Tom achou sinistros: parecia sangue. E a mulher tinha rugas por todo rosto.
Tom tentou fugir, mas fora tarde. A velha pegou-o pelo colarinho e arremessou-o longe, e novamente ele sentiu o baque em suas costas. Era muito forte para uma idosa. Depois, o levantou, deixando-o em sua altura.
— Não vou deixar o pobre menininho sair daqui! — riu perturbada.
O celular, Tom teve a ideia e arrastou-se até sua mochila, gemendo pela tamanha dor que invadia seu corpo. Os olhos aterrorizantes da mulher o miravam. Quando estava quase alcançando a mochila, sentiu uma mão o levantando até a altura da mulher.
— Nour — sibilou em um idioma que ele não conhecia. Logo sentiu um calor em seu corpo inteiro e suas mãos queimarem. Ardiam como se estivesse no inferno. Era uma bruxa, Tom raciocinou. Estava fazendo um feitiço.
— Iam
A água do banheiro começou a levantar novamente e a aumentar cada vez mais. Ficou até a cintura de Tom. Ele engoliu em seco quando viu uma onda gigante que havia se formado vir em sua direção. Em um momento de distração da bruxa, viu a mochila que estava na pia e se jogou nessa direção, agarrando-a.
Ela o agarrou e o jogou longe. Sofreu com um novo baque. Tinha pouco tempo. Pegou o celular e deixou uma mensagem para insec e Isaura "Estou em perigo. Venham ao banheiro do sexto andar do colégio"
Tomara que acreditem, se preocupou. Torceu para que não estivessem dormindo. Não queria ser morto por uma velha que achava que podia fazer feitiços.
A onda o atingiu em cheio. Ele caiu ao chão, engolindo um pouco de água. Levantou-se após poucos segundos, cuspindo a água e ainda mais dolorido, enquanto que a mulher aterrorizante dava uma risada fanática. Além de cruel era louca.
— Vou dominar essa cidade! Vou matar os padres e todos os fiéis! — e ria loucamente. Tom se perguntou o que os padres teriam feito. Talvez fosse algo parecido com o que acontecia na Idade Média, os padres não aceitavam bruxas porque estava na Bíblia.
Ela parecia ter esquecido de Tom, que planejava já sua fuga. Mas quando ele pensou em colocá-lo em prática, a porta do banheiro se abriu e de lá entraram insec e Isaura. A água presa no local foi para o corredor e atingiu também os dois jovens.
Isaura pôs a mão na boca e arregalou as órbitas quando viu a velha contando seus feitos futuros.
— Irei por um fim a essa cidade desprezível... Quem são esses insolentes? — a bruxa virou-se e soltou mais uma magia estranha. O raio vermelho atingiu insec e Isaura e eles começaram a contorcer-se. Gemiam de dor. Era horrível.
Tom não raciocinava rápido. Precisou de um tempo vendo seus amigos sendo torturados para avançar na bruxa e levá-la ao chão. Prendeu-a com as duas mãos ao chão, pondo-as em volta de seu pescoço e apertou com toda a sua força. Ela se debatia. insec e Isaura pararam de se contorcer, porém caíram ao chão desacordados. Então Tom afrouxou.
De repente, nada mais tinha entre as mãos de Tom: a bruxa sumira.
Capítulo 4 – Ricochete, o Monstro
Com uma velha bruxa louca solta pela cidade, os habitantes corriam perigo. Tom levou insec e Isaura para sua casa, aonde esperou acordarem para irem embora. Não queria a família dos dois acusando-o de nada.
Refletiu sobre o que aconteceu no colégio. Fora quase morto por uma idosa que fazia magia. Seus amigos foram torturados. O que Dorothy dissera era verdade: tinham coisas horríveis naquele colégio. E o pior é que ela escapara, e Tom não sabia como: em um minuto ela estava entre suas mãos e em outro desaparecera.
insec e Isaura finalmente acreditavam no que ele dizia. Tom pensou que nunca mais olharia para a cara deles, foi sua culpa eles serem atacados pela bruxa, mas eles começaram a se interessar a pesquisar em livros e na internet sobre bruxas e demônios mesmo assim e não pareceram se importar com o fato.
Tom cogitou em pedir para a mãe mudá-lo de colégio. Mas assim, os alunos que lá estavam corriam perigo. Não queria bancar o super-herói, mas alguém tinha de fazer alguma coisa. insec e Isaura também achavam isso.
A figura horrenda da velha de olhos vermelhos não saía de sua cabeça, atormentando-o durante o sono. Em seus sonhos, ela conseguia matar ele e seus amigos. Entrava em sua casa e matava sua irmãzinha e deixava sua mãe por último, para depois atingi-la com um feitiço e torturá-la até a morte.
Quando a segunda chegou, Tom despertou-se a contragosto, vestiu a camiseta e o shorts do colégio e nem tomou café da manhã. Foi para o colégio e encontrou Isaura na cantina, insec ainda não tinha chegado.
— Oi! — Cumprimentou Isaura alegre. Ele deu um resmungo, típico de quem não queria ter saído da cama e devolveu seu oi.
— A Brenda me confessou que viu um monstro.
Tom suspirou. Obviamente isso ia acabar acontecendo uma hora ou outra.
— Como ele era? Aonde ela o encontrou?
— Ela o encontrou na sala vazia do quinto andar — Isaura respondeu. — Disse que era um bicho muito parecido a um lobo e gigante, com olhos amarelos e que falava.
— E o que aconteceu a ele? — perguntou Tom interessado e com certo medo.
— Ele desapareceu.
O mesmo que acontecera com a bruxa.
— Ele a arranhou nas costas. Mas foi de leve — continuou a menina. — Ela quer saber que bicho era aquele. Nem sabe se é mesmo um monstro.
— Vamos para a sala vazia no fim da aula até ele aparecer. — Tom deu a ideia e Isaura estremeceu. — E pediremos para ele aparecer. Foi o que fiz com Dorothy.
— A fantasma?
Tom tinha contado como foi a experiência com a fantasma, porém não tinha falado seu nome.
— Sim. — Tom respondeu, e o sinal bateu.
— insec está atrasado de novo! — Isaura reclamou, e o garoto riu. Ela sempre achava um defeito ou um erro no garoto. Ele já achava que insec ainda estava meio assustado da experiência com a bruxa.
— E quanto à bruxa? — Tom falou enquanto subiam as escadas.
— Não sei — Isaura sussurrou. — Nós não podemos falar essas coisas em voz alta.
— Mas Brenda disse que viu o monstro no quinto andar, eles já devem estar sabendo.
— Ela disse só pra mim. — revelou Isaura. — E é bom não dizer pra ninguém
Tom somente assentiu e abriu a porta da sala de aula. Brenda era uma menina morena, de cabelos longos e negros e olhos castanhos. Ele resolveu sentar-se perto dela para ver se conseguia alguma informação sobre o monstro.
— Oi Brenda — cumprimentou, e a garota deu um sorriso simpático. Tom começou a achar que insec não ia aparecer.
— Bom dia, classe. — disse o professor Nogueira, entrando na classe. Ele era um velhinho simpático, careca e baixinho. — O que aprenderam no trabalho de caça às bruxas?
— Muitas mulheres eram mortas porque a Igreja pensava que eram bruxas — respondeu Isaura. — Elas eram colocadas na fogueira ou afogadas. O afogamento era tipo um teste para saber se eram bruxas.
— Exato, minha querida.
A aula continuou e Tom estava tão entretido na história de uma vítima da fogueira que até esqueceu-se de falar com Brenda.
A segunda aula foi um saco porque Tom teve de fazer vários exercícios matemáticos. Ele sentou-se com Brenda, mas não perguntou sobre o monstro. Sua mente estava concentrada na matéria.
No recreio, sentou-se com Isaura e convidou Brenda para sentar-se junto a eles. Ela era uma menina simpática e divertida. Foi Isaura quem lembrou sobre a história do monstro.
— Ele era horrível! — contou Brenda. — Parecia um lobisomem.
Brenda contou que no meio do confronto o bicho começou a falar.
— Estava falando que iria me matar!
— Quem topa irmos os três para a sala vazia depois da aula, como Tom já tinha sugerido? — Isaura perguntou.
— Pode ser. — Brenda falou. — Mas eu não quero ser arranhada de novo!
Ao final da aula, foram os três. Tom com o "Mil Jeitos de Afastar Fantasmas e Aprisionar Demônios" em sua mochila e as duas de mão abanando. Avisaram suas famílias que iriam chegar mais tarde. Tom lembrou-se que ainda não pesquisara o que significava aquele ônix nem sobre o livro velho que achou no banheiro.
— Apareça demônio!
— Seja lá o que você for, apareça!
Uma luz branca preencheu a sala e logo depois, diante de seus olhos, apareceu a grande criatura amedrontadora. Era um lobo gigante com olhos amarelos ferozes e unhas enormes. Tom teve o ímpeto de sair correndo, mas aguentou firme. Viu o olhar aterrorizado das meninas e percebeu que elas não deviam estar muito diferentes.
— O que é você? — perguntou trêmulo, e o monstro avançou. Com suas unhas, jogou Isaura ao chão e arranhou-a.
— Sou Ricochete — revelou a criatura. — O demônio Terráqueo mais perigoso.
Tom se lembrou do que leu no livro. Demônios Terráqueos podiam ser bons, dependendo de sua personalidade, e eram muito perigosos.
— Por que nos ataca? Demônios Terráqueos podem ser bons se quiserem. — tentou Tom, e a criatura rosnou fortemente.
— Impossível alguém como eu ser bom. Já comi várias crianças e vários jovens que habitam aqui.
Tom sentiu as penas bambearem enquanto que o lobo gigante arranhava cada vez mais o pescoço de Isaura, que se debatia em vão. Avistou um cabo de vassoura na outra extremidade da sala. Brenda estava paralisada. Parecia se arrepender de voltar ali.
Ele correu para o outro lado da sala e pegou o pau. Correu com a máxima velocidade que podia e em direção à criatura, que conseguiu desviar, o que deixou Isaura livre para levantar-se. Seu pescoço sangrava e tinham várias marcas de unha. Ela levantou-se com dificuldade e firmou seus pés ao chão.
A criatura avançou com tudo na direção de Tom, que quando viu já tinha soltado o cabo e caído ao chão. Brenda continuava paralisada. Isaura pegou o pau e abriu a mochila de Tom. Pegou o livro e o folheou, tentando obter uma maneira de vencê-lo. Não houve tempo o suficiente. Ricochete alcançou a morder Tom em sua perna esquerda e ele começou a uivar de dor. Parecia-lhe que ele ia morrer. A criatura quase lhe arrancara um pedaço. Ele se debateu embaixo dela.
— Brenda, pegue o cabo — ordenou Isaura.
Ela jogou o cabo para Brenda, que o segurou com as mãos ainda tremendo.
— Quando eu disser já!
Isaura correu na direção do lobo gigante e o mesmo avançou nela, deixando Tom caído ao chão e incapaz de se levantar.
— Já!
Brenda apareceu por trás dele e o acertou por trás. Nem fizera cócegas. O monstro Terráqueo mordeu a cintura de Isaura, que mesmo assim dera um chute forte em sua cabeça, fazendo ele se afastar um pouco.
O ponto fraco é a cabeça, notou Brenda. O monstro, ainda meio tonto, avançou para atacar Brenda que juntou sua força para atingi-lo novamente no mesmo local. A criatura pareceu sentir ainda mais tontura e caiu ao chão.
Logo ele se levantaria, Isaura notou e deu um jeito de levantar-se antes dele, com uma das mãos na cintura ferida. Parecia o fim do mundo.
— Você me paga — vociferou com uma raiva anormal. Chutou a cabeça do monstro uma vez mais e uma aura branca começou a o envolver.
— Isso não terminou — alcançou a dizer Ricochete, antes de desaparecer junto à luz.
Capítulo 5 – A Morte de Padre Pedro
Após a batalha de Tom, Brenda e Isaura contra o Ricochete, eles foram levados ao hospital muito feridos. Tom não quis contar para o médico e para a sua família o que realmente tinha acontecido. insec foi visitá-los em um sábado e tarde, e se desculpou por não ter ido aquele dia para a escola.
— Eu devia ter ido. – lamentou-se o menino. – poderia ter ajudado.
Agora já era tarde. Os três haviam sido mordidos em vários lugares no corpo e tardariam um pouco em recuperar-se.
— O melhor a fazer agora é descansar. – Tom falou. Brenda e Isaura estavam dormindo.
— Você me falou que ele foi levado por uma luz. Será que ele voltará cedo ou tarde? – perguntou insec preocupado.
— Não sei. Estou mais ansioso com esse negócio de uma bruxa a solta na cidade. – revelou o menino dos olhos azuis, com certa tensão.
— Ela não teve tempo de agir por enquanto. – insec lhe disse. – Se não, já teríamos visto notícias de mortes e assassinatos nos noticiários.
— Eu não sei o que ela quer realmente. Parece querer se vingar da Igreja.
— Então o Padre Pedro é que tem que tomar o maior cuidado. Que tal o avisarmos? – insec teve a ideia.
— Ele iria achar que estamos malucos. Melhor ficarmos calados por enquanto.
— É verdade...
Isaura pareceu despertar, espreguiçando-se e sentando na cama.
— Do que estão falando? – perguntou em voz mole.
— Da bruxa. – lhe respondeu insec. – Estamos preocupados com ela poder começar a agir.
— Ela simplesmente desapareceu. Não sabemos nem mesmo se está na cidade. – Isaura falou. Era verdade. Os meninos não haviam pensado nisso.
— Tem razão. O melhor agora é descansar e enfrentar os monstros que habitam a escola. Temos que avisar os alunos uma hora ou outra, não é um local seguro. – Tom disse.
— Não é seguro continuarem as aulas lá. Posso pedir para minha mãe me mudar de escola, mas os outros alunos correriam perigo. – falou Isaura.
— Era nisso que eu estava pensando. – revelou Tom.
— Precisamos de um plano para deter os monstros e poder derrotar a Bruxa. Ela tem aqueles poderes que mexem com os elementos em latim. Podemos estudá-los.
— Boa ideia, insec. – surpreendeu-se Tom. — Isso vindo de você é de inteligência extrema.
Brenda continuou dormindo por um bom tempo.
Enquanto isso, em outra parte da cidade, Bruxa Véia caminhava calmamente por entre as ruas de Pato. Ela estava transformada em uma moça jovem e bonita, de cabelos louros sedosos e olhos azul turquesa. Tinha pensado em sua próxima vítima. O Padre Pedro mal esperava pelo que iria o atingir.
Foi para a missa, como se fosse para orar. Observou atentamente os movimentos do padre, que fazia sua oração. Ele era já velho, calvo e pregava o evangelho de uma maneira que deu nojo a bruxa. Foi mesmo um padre que tinha a queimado na fogueira anos atrás e a aprisionado no Inferno. Estava com sede de vingança e a Igreja iria pagar caro por isso.
O culto foi longo. A bruxa estava quase perdendo a paciência. Quando finalmente terminou, ela foi confessar-se com o padre.
— Apareça, padre, para que eu possa vê-lo melhor – pediu, e o padre saiu de onde estava para ver a aparente jovem inofensiva.
— Confesse seus pecados agora. – ele ordenou e a bruxa deu-lhe um sorriso malévolo.
— Talvez depois. – ela transformou-se em sua aparência normal. Com seus incríveis olhos cor de sangue, ela murmurou um feitiço qualquer. O padre contorceu-se até cair ao chão. Gemia de dor. Depois disso, foi arrastado até a parede. Sentiu com o baque em sua cabeça, e começou a arder com o feitiço lançado, quase se partindo ao meio.
— Agora sua vida terá um fim! – a bruxa continuava a rir malevolamente, com seus dentes podres se formando em um sorriso torto.
O padre estava horrorizado. Temia por sua vida. Começou a orar, mas de nada isso adiantaria. De frente a ele, a bruxa estendeu as mãos e gritou o feitiço final:
— Mors!
A última visão de Padre Pedro foi da bruxa desaparecendo.
A notícia do padre morto instantaneamente foi parar nos noticiários. Os médicos disseram que morreu de enfarte, mas Tom e sua turma sabiam que devia ser obra da Bruxa Véia.
- Ela começou a atacar – temeu Brenda.
- Temos de ter cuidado.
- A gente tem é de enfrentar essa bruxa logo antes que ela comece uma matança pela cidade. – disse insec, e os outros concordaram.
- Temos de achá-la.
- Primeiro vamos nos recuperar e ir à escola. Depois voltamos para isso. – disse Isaura, e os outros apenas balançaram a cabeça.
Capítulo 6 — Boitatá, a Cobra de Fogo
Mal haviam se recuperado e já pensavam em deter os monstros que habitavam o colégio. Haviam decidido deixar a Bruxa Véia para quando já estivessem preparados. Tom estava preocupado com os Monstros Infernais, como o Boitatá, o Lobisomem e o Bicho Papão, que eram sanguinários e não hesitavam na hora da matança.
O Boitatá, como diziam as lendas, era uma incrível cobra de fogo que cuspia chamas. Tom ouvira relatos de alunos de um Boitatá na escola. A notícia de a escola ter monstros se espalhara rapidamente e, com o sumiço de dois alunos, a coisa estava ficando realmente séria.
Tinham sumido dois alunos do sétimo ano. As famílias estavam desesperadas e de hora em hora aparecia no noticiário sobre o desaparecimento dos dois meninos de dentro da sala de aula.
Tom tinha decidido enfrentar o Boitatá por si só. Foi para a escola de tardezinha, falou com o guardinha que tinha esquecido sua mochila e ele deixou-o entrar. Guardinhas eram fáceis assim de serem enrolados. Subiu para a sala aonde disseram estar o Boitatá e espreitou por baixo da maçaneta. Estava tudo escuro. Ascenderam-se as luzes e Tom entrou na classe. A cobra gigante apareceu por entre as sombras.
- Quem me incomoda? – vociferou o animal, e avistou-o ali. – Carne fresca...
Tom apenas tremeu. Não havia se preparado para o confronto... Onde estava com a cabeça? Avançou em direção ao monstro, mas este cuspiu fogo que ardeu em sua face. Sua bochecha estava queimada. Teve a ideia de pegar o extintor e correu para o andar de baixo aonde tinha um. A cobra o seguiu. Ele tentou afastá-la com o extintor, mas fora em vão, a cobra foi e picou-o na altura do ombro. Ele caiu gemendo de dor. Fora a única coisa que ele se lembrou antes de perder a consciência.
Acordou ainda ali, e viu algo que o deixou surpreso: Isaura, insec e Brenda lutavam contra o monstro com uma bravura incrível. Tinham levado uma mangueira de água e atingiam a cobra, enquanto insec, que geralmente nem era o mais medroso, de maneira surpreendente tentava perfurá-la com uma espada. Bem provável que, se não fosse por eles, Tom teria morrido. A cobra sentiu que ele despertou-se e foi até ele.
- Ah, não vai não! – Brenda atirou-se em cima da cobra com a espada e a decepara. Nem parecia a garota que ficara paralisada em frente ao Ricochete. Seus olhos denunciaram uma fúria imensa. Uma parte da grande cobra de fogo caiu no chão e a outra uma aura branca a rodeou assim como acontecera com Ricochete e ela desapareceu completamente. Os três que estavam em pé arrastaram Tom até o hospital da cidade, aonde ele poderia receber a assistência médica que precisava. Preocuparam-se caso a picada da cobra lhe tivesse injetado algum tipo de veneno ou algo parecido. Com sorte era apenas a dor da picada que ele teria de suportar.
Capítulo 7 – A luta de Isaura
Isaura era uma menina delicada na visão de Tom, mas quando estava diante de um monstro virava uma fera. Principalmente quando o monstro mexia com um de seus amigos. Quando falava de insec, ela era muito menos delicada, mas Tom relevava porque sabia que devia ser uma paixonite reprimida. Ele às vezes sentia ciúme, mas devia ser por querer a atenção dos dois.
Ela decidira fazer plantão na Igreja depois da morte do Padre Pedro. Estavam todos de luto. A Bruxa Véia não descansaria enquanto destruísse todos da Igreja. Isaura tinha certeza disso.
Enquanto isso, ela orava. Ela viu uma jovem loura de olhos azul turquesa adentrar a igreja. Nem percebeu o pequeno sorriso malicioso que ela dera ao ver Isaura. Com certeza ela se lembrava do confronto com a menina.
Sentou-se ao lado de Isaura e tentou puxar assunto.
- Você é uma menina muito linda, sabia? – Isaura sorriu simpaticamente para a bruxa e continuou sentada. — Pena que esse rostinho bonito não vai durar muito tempo.
Isaura assustou-se. A bruxa começou a se transformar em sua aparência original.
- Não vai durar muito tempo menininha — ela deu um risinho discreto e apertou com força o pescoço de Isaura, que tentou soltar-se.
- Mors – a bruxa sussurrou, mas estranhamente nada acontecera. Ela tentou de novo. Isaura escapou e desferiu um chute na costela da bruxa, que uivou de dor.
- Nour – o jato de água atingiu Isaura, que fora jogada ao chão.
- Um pouco de água não faz mal a ninguém – riu-se Isaura e a bruxa se enfureceu. Bruxa Véia avançou para cima da menina, que se desviou com facilidade e deferiu-lhe outro chute com toda a sua força, dessa vez em sua barriga. A bruxa caiu gemendo com a dor latente que lhe invadiu. Isaura riu. A bruxa desapareceu.
Capítulo 8 – George, o Lobisomem
Isaura contou aos seus amigos o que acontecera na Igreja. Eles a consideraram uma heroína por ter encurralado a bruxa tão facilmente. Tom sentiu um pouco de inveja pela atenção que Isaura recebera.
- Ainda temos que derrotar os monstros que estão no colégio – falou insec preocupado.
- É verdade... – Brenda concordou.
Os dias passaram com uma velocidade incrível. Nenhum monstro mais tinha aparecido. Isaura e insec passaram a brigar cada vez mais e a convivência com os dois passou a ser quase insuportável para Tom e Brenda.
Os alunos do sétimo ano ainda não tinham sido encontrados. Tom tinha certeza que eles estavam com a Bruxa.
Certa vez, um aluno dissera ver um lobisomem na escola a noite. Era lua cheia. Tom recebeu o telefonema e correu para o colégio. A picada de cobra não havia sido venenosa, por pura sorte.
Chamou Isaura, insec e Brenda. Não iria cometer o mesmo erro da última vez, aonde foi enfrentar o Boitatá sozinho. Não sabia como seus amigos tinham chegado até lá, mas tinham lhe salvado a vida.
Era madrugada. Eles chegaram e a lua já desaparecia lentamente ao céu negro e estrelado. Isaura a admirava enquanto andava para adentrar o colégio.
- Lobisomens são sanguinários – avisou Tom, que tinha lido no livro.
- Não precisa lembrar. – insec sentiu as pernas tremerem um pouco.
Os quatro entraram na sala vazia do sexto andar. Era lá que diziam ver o lobisomem.
- Não tem nada aqui. – reparou insec e o os outros reviraram os olhos. insec tinha aquela mania de apenas dizer o obvio.
- Vamos procurar pelo colégio. – deu a ideia Isaura, e os outros acataram. A procura foi longa, até que Brenda viu um vulto negro passando por entre a parede.
- Ali – apontou a menina. Os meninos sentiram um certo medo do que iria acontecer a seguir. Seguiram temerosos e finalmente encontraram o monstro: era horrível. Da cintura para cima, era um lobo. Para baixo, era um homem. Ele uivou quando os viu e foi com tudo em direção aos garotos.
- Correm! – disse insec e todos correram para se esconder. O monstro avançou cada vez mais até que suas patas arrastaram Isaura até uma das salas, a arranhando fortemente na barriga.
- Ah, não. – gemeu insec, e o monstro pareceu deter-se um pouco.
- Já está amanhecendo. – reparou Brenda, olhando para a luz que já batia na janela do corredor.
De repente, não tinha mais lobo. Um menino totalmente despido apareceu em seu lugar.
- Credo. – Brenda olhou para outro lado, ainda aliviada por provavelmente não poder virar comida de lobisomem.
- Ele está ferido. – notou Isaura, enquanto que ia em direção ao menino.
- Vamos levá-lo ao hospital.
Os quatro vestiram o menino com um pano que acharam em uma das salas e o levaram ao hospital da cidade. Ficaram esperando até que ele acordasse.
- Aonde estou?- temeu George. Tinha acontecido de novo. Ele devia ter virado um monstro novamente. Isso acontecia desde que ele fora mordido por um lobisomem na escola. Ele era um aluno do segundo ano do colegial.
- Você está bem? – perguntou Isaura preocupada, e o menino somente assentiu.
- Na medida do possível. – ele respondeu com um fraco sorriso. – Eu feri alguém?
- Não – ela lhe falou. – Por sorte você se transformou de volta antes disso.
Ele suspirou aliviado.
- O que é isso em sua barriga então? — ele perguntou desconfiado e a menina deu um sorriso envergonhado.
- Não se preocupe, não foi nada.
- Sei...
- Descanse, é o mínimo que pode fazer – pediu Isaura, antes de deixá-lo sozinho na cama do hospital.
Ela cuidou dos ferimentos da barriga. Tom se preocupou enquanto lia no jornal
“Assassinatos à meia noite preocupam as pessoas”.
Uma testemunha, senhor Geraldo Fagundes, jurou ver um homem de meia idade assassinando e mordendo o pescoço de uma mulher. Com a suspeita de que seja ele quem está matando várias pessoas exatamente a meia noite cada terça da semana, não é seguro saírem depois das dez horas. Geralmente as ruas estão quase vazias após este horário, mas agora é obrigatório que crianças e adolescentes cumpram essa regra”.
Ótimo, pensou Tom. Um vampiro a solta na cidade. Mais uma coisa para se preocupar.
Capítulo 9 – A Briga com o Vampiro
Era extremamente proibido sair após as dez depois disso. Brenda armava um plano para sair sem ser percebida pelos guardinhas e poder enfrentar o que ela pensava ser um vampiro.
Primeiro, teriam de falar com a testemunha que vira um dos assassinatos. Foram para a casa de Geraldo Fagundes ao meio dia do dia seguinte ao noticiário.
- Senhor Fagundes. – insec cumprimentou-o, enquanto que ele deixava as quatro crianças entrarem na casa.
- Precisamos de uma informação. – Disse Isaura.
- Queremos que nos conte exatamente o que aconteceu no assassinato que o senhor presenciou – Brenda pediu. – Eu sei que deve ser uma experiência traumática, mas por favor se abra com a gente.
O homem suspirou e demorou um tempo a abrir a boca.
- Parecia um vampiro. Pálido como a neve. Ele sugou o sangue daquela pobre senhora com os dentes.
- Você não tem a certeza de que seja mesmo o vampiro? – perguntou Isaura.
- Já temos um lobisomem se curando no hospital. – revelou Tom e Isaura o cutucou. O homem arregalou os olhos.
- Isso não é possível. – ele falou.
- Desculpe, mas é a verdade. O pobre moço não tem culpa – disse Brenda, e os outros assentiram.
- Precisamos encontrar esse vampiro aonde quer que ele esteja. – insec disse e os outros não se surpreenderam.
- insec, continue assim dizendo o óbvio. – Ironizou Isaura e o menino revirou os olhos. Não iria ter mais uma discussão na frente do homem.
- Muito obrigado, senhor, já nos vamos. – se despediu Tom, e as crianças foram embora tentando se preparar para enfrentar o vampiro. Não tinham duvidas de que era isso mesmo.
Planejaram sair às sombras para que ninguém notasse sua saída. Teriam de encontrar a criatura da noite o mais rápido possível.
Percorreram toda a cidade, escapando dos guardinhas que ficavam lá. As meia noite em ponto, ouviram um grito que vinha de um bar próximo da onde eles estavam. Correram rapidamente até o local, e o abriram. As pessoas olhavam surpresas o homem sugando o sangue de uma jovem moça.
- Pegou a estaca? – perguntou Brenda.
- É claro – lhe respondeu Tom.
- Não somos a Buffy, mas temos que dar um jeito. – disse Isaura e alguns fãs do seriado deram um risinho. Ele pegou o pau afiado e foi em direção ao homem, que desviou e foi com tudo em direção ao seu pescoço. Antes que pudesse o atingir, porém, Brenda o perfurou por trás na altura do peito. O homem desintegrou-se e a multidão aglomerada aplaudiu surpresa. A polícia chegou meia hora demais e só restavam cinzas do vampiro.
As crianças se esconderam e se encaminharam secretamente para suas casas.
Capítulo 10 – A Luta Final Contra a Bruxa Véia
Tom e os outros ainda esperavam Bruxa Véia aparecer para um confronto final. Resolveram irem para a igreja até que a bruxa aparecesse novamente. A essa altura, vários padres haviam sido assassinados em cidades vizinhas. Bruxa Véia não tinha se limitado à cidade de Pato.
- Temos que ter cuidado. – temeu insec, e Isaura apenas riu.
- Eu quase desmontei aquela bruxa idiota, imagina nós quatro...
- Ela sempre desaparece – reclamou Tom. – se ao menos ela lutasse até o final...
- Não há nenhum livro sobre derrotar bruxas? – perguntou Brenda e Tom negou com a cabeça.
- Podemos pedir ajuda a George. – deu a ideia Brenda. Gostara do garoto. Ia o visitar todos os dias e ele já parecia ter se recuperado. Todo mês ele iria se transformar e teria de ser enjaulado para que não atingisse as pessoas. Ele concordara com isso, nem um pouco a contragosto.
- Claro que ajudo. – ele deu um sorriso simpático que fez Brenda se derreter. Ele tinha olhos azuis e cabelos louros. Era uma formação de um deus grego em forma de adolescente.
- Ótimo. – a menina corou. – Então vamos.
Eles esperaram a hora certa e foram à Igreja. Torceram para a bruxa aparecer. Duas horas e nada disso acontecer. Estavam desanimados. Mas logo quando iam embora, chegou a jovem que Isaura tinha visto, com seus fios louros e olhos que pareciam inofensivos.
- É ela ali – Isaura revelou e os outros três quase não acreditaram.
- Ela pode se transfigurar – reparou insec, e recebeu um tapa na cabeça de Tom.
- Isso é obvio – riu Brenda, mas logo temeu pelo que viria a seguir. Bruxa Véia avistou os meninos e deu um sorriso malévolo.
- Ora, vocês de novo seus insolentes. – Ela se transformou novamente na figura da velha de cabelos ensebados e olhos cor de sangue.
- Anemoi – sibilou a velha bruxa e uma grande ventania invadiu o local, levando Tom e seus amigos a tombar contra a parede, sentindo o baque e caírem.
- Mortis – Deu o sibilo final, em direção de Brenda. Em instantes, a menina caiu no chão, intacta. Estava morta.
- Maldita! – se enraiveceu Tom, segurando as lágrimas que lhe invadiam o rosto. Sua melhor amiga estava morta diante de seus olhos por essa bruxa nojenta e asquerosa. Com todas as suas forças, foi em direção da bruxa, esfolando-a com as mãos e dessa vez ela não desaparecera. Em vez disso, Tom sentiu-se zonzo. De repente, ele já não estava na Igreja. Ele estava na casa da bruxa, junto aos dois meninos do sétimo ano que estavam algemados. A bruxa tentou o acorrentar junto a eles, porém Tom escapou e desferiu um golpe nas costelas da bruxa, que cambaleou e caiu no chão.
- Mo... – antes que ela terminasse Tom a prendeu o chão e pôs as mãos em sua boca. Tentou a esfolar com as mãos, porém ela empurrou-o para o lado e tentou fazer o mesmo que ele lhe fizera.
- Eu vou destruir a Terra! – se irou a Bruxa. – Eu e a Organização Infernal vamos destruir a Terra!
- Organização Infernal? – perguntou-lhe Tom, interessado.
- Não lhe devo explicações, garoto. – a bruxa começou a sibilar um feitiço qualquer a Tom sentiu-se zonzo, caindo ao chão.
- Não me importa o que seja essa Organização. Eu vou destruí-la. – Tom avançou em direção a bruxa.
- A pedra... Eu preciso da pedra – disse a bruxa. Tom se perguntou se era o ônix que ele achara no banheiro.
- Você está com a pedra! — a bruxa vociferou. – Aonde está?
- Não sei – Tom lhe mentiu, e não sentiu-se mal por isso. Desferiu um golpe em sua barriga e tentou esfolá-la novamente. Dessa vez, ela não tivera forças para se reerguer. Ela morrera. Tom desacorrentou os dois jovens do sétimo ano e se arrastou em direção à Igreja, onde todos estavam inconsoláveis pela morte de Brenda.
- A Bruxa queria a pedra – ele disse, e todos se voltaram a olhá-lo.
- Para que? – perguntou-lhe Isaura, limpando as lágrimas que insistiam em lhe cair aos olhos.
- Eu não sei. Mas temos que nos preparar. – disse Tom. – Estou com um pressentimento.
Epílogo – O Outro Mundo
Tom pesquisara sobre a Organização Infernal na internet. O que encontrara foi:
“A Organização Infernal é supostamente seres de outro mundo que se juntaram para acabar com a Terra por n motivos”.
Isso explicava tudo. A bruxa. Ricochete. O Vampiro. O lobisomem que atacou George. Ele tinha de deter essa organização o mais rápido possível, antes que a cidade de Pato ou até mesmo a Terra fosse destruída.
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Prefácio
Tom pesquisara sobre a Organização Infernal na internet. O que encontrara foi:
“A Organização Infernal é supostamente seres de outro mundo que se juntaram para acabar com a Terra por n motivos”.
Isso explicava tudo. A bruxa. Ricochete. O Vampiro. O lobisomem que atacou George. Ele tinha de deter essa organização o mais rápido possível, antes que a cidade de Pato ou até mesmo a Terra fossem destruídos.
Capítulo 1 – Mundo Tortuoso
Isaura não se conformava com a morte da amiga e não entendia porque que o mesmo feitiço que a Bruxa Véia conseguiu matar Brenda, não acontecera nada com ela na igreja. Tom ligou rapidamente para seus amigos para lhes dizer o que tinha encontrado na internet. Se isso realmente fosse verdade, tudo – Ricochete, o vampiro, a bruxa, todos estavam interligados. Ele só precisava saber com o que. Essa Organização parecia vir de outro mundo, mas não sabia qual era.
O funeral de Brenda foi muito triste. A cidade inteira praticamente estava lá. A menina era muito querida.
— Que o Senhor guarde bem essa pobre alma dessa criança que morreu tão jovem. – dizia o novo padre da cidade, ainda jovem. O corpo fora levado no caixão até o cemitério, aonde fora enterrado. Isaura e Tom choravam, enquanto insec consolava seu amigo George – afinal- George supria um sentimento por Brenda que ultrapassava uma amizade-George estava apoiado em seu ombro e limpava as lágrimas em sua roupa.
O funeral seguiu com muito choro e muitos berros desesperados vindos da mãe de Brenda. Após o enterro, Tom, insec e Isaura levaram George para ficar enjaulado, pois aquela noite era lua cheia.
— Você vai ficar bem – prometeu-lhe Isaura com um sorriso dócil. George foi até a jaula e os três o acompanharam com os olhos enquanto ele mesmo ia para se prender. Eles ficariam ali a noite inteira, atentos para que o lobisomem não saísse da jaula.
Ligaram para os pais e deram uma desculpa qualquer. Precisavam cuidar de George e da segurança da cidade. Tom ainda não sabia para que fosse o pequeno ônix que havia encontrado no banheiro. Talvez fosse de algum aluno que tivesse o perdido.
Ficaram a noite toda à espreita de George. O grande monstro se debatia, tentava de todas as formas sair da jaula, mas todas as suas tentativas eram em vão. Quando amanheceu, o corpo nu de George estava junto às roupas que ele usava na noite passada.
— Vista isso. – lhe disse insec, e ele vestiu uma camiseta e um shorts. Tom e Isaura estavam já adormecidos ao seu lado. George olhou ternamente para eles, despediu-se de insec e foi em direção a sua casa.
— Acordem. – pediu insec para Tom e Isaura, que continuaram a dormir por muito tempo. Decidiu enfim deixa-los lá dormindo e ir para sua casa também.
Tom acordou em pouco tempo e olhou para Isaura ao seu lado. Ela era tão bonita... Parecia um anjo. Acordou-a enfim e os dois foram para casa juntos, de mãos dadas.
— Ainda bem que não aconteceu nada demais – aliviou-se Isaura.
— É mesmo. – Tom concordou, sorrindo.
— Tchau, então. – Isaura deu-lhe um beijo na bochecha e o garoto corou.
— Tá bom então.
Tom entrou em sua casa e fechou a porta. Sua mãe o esperava com o almoço que já estava pronto.
Os quatro se reuniram na casa de Tom no dia seguinte. insec e Isaura brigavam como sempre e Tom e George discutiam sobre um anime recente. De repente, todos sentiram uma tontura incrível. Logo estavam num lugar horrível: sombrio, torturante e com barulhos horrendos de pessoas sendo torturadas.
- Que lugar horrendo! – Isaura exclamou e George apenas assentiu. Tom se levantou e começou a andar ao lado de insec, que devia ter se despertado antes.
- Vamos ver se conseguimos ajuda. – falou Tom, e eles continuaram andando. Passaram por árvores secas e folhas caídas que pareciam podres. Os berros não paravam.
- Eu estou com medo – confessou George.
- Quem não estaria? – perguntou insec e eles sentiram um frio percorrer a espinha quando um vulto passou entre eles.
- O que é isso? – estremeceu Tom. Logo estavam em frente a uma figura horrenda de um lobisomem.
— É o mesmo que me mordeu – revelou George e os outros o olharam penalizados.
— Vamos deter esse monstro. Como conseguiu se transformar de dia? – perguntou-se Tom, sem obter respostas. O lobisomem correu e tentou morder Tom, que se esquivou e deferiu-lhe um chute na perna. O monstro uivou e arranhou-lhe a barriga.
— No Mundo Tortuoso todos os monstros se transformam para sempre. – revelou o monstro e os quatro estremeceram.
— Mundo Tortuoso? Você é da organização? – perguntou-lhe Tom.
— Mais ou menos isso. – riu-se o meio lobo. – Não estamos com tempo para conversas.
O lobo avançou e insec tremeu, se escondendo atrás de Tom, que após um tempo pegou um pau que estava caído ao chão e tentou detê-lo, deferindo-lhe um golpe no estômago. O monstro uivou novamente de dor.
insec, Tom, Isaura e George não tiveram muito tempo para pensar no que fazer: correram e correram até que o lobo não estivesse em seu alcance. Depois, decidiram dormir.
- Estou com medo que o monstro nos ataque durante a noite – temeu Isaura.
- Temos que correr o risco, infelizmente – falou insec e os quatro dormiram por um tempo. Quando acordaram, Isaura já não estava lá. insec a viu sendo arrastada por um monstro horrível de narinas pontudas e todo preto. Pegou o pau que estava ao chão e, mesmo sendo medroso, foi salvar sua amiga. Desferiu um golpe na cabeça do monstro por trás, que cambaleou e caiu ao chão por um tempo, o que deu tempo de Isaura voltar para onde os amigos estavam.
- Obrigada, insec – agradeceu, dando-lhe um beijo na bochecha. O menino corou.
- Não é por nada.
O monstro levantou-se segundos depois. Foi em direção a Isaura, que lhe deu um golpe voador que o fez se desviar para a direção de Tom, que o socou no rosto, o que fez que ele cambaleasse e caísse de novo ao chão. O arranho na barriga de Tom ainda ardia. Tom lhe deu um chute na cabeça e ele se desintegrou aos poucos.
- Ufa! – Isaura ficou aliviada.
- Essa foi por pouco – disse insec.
— Agora vamos descansar a mente – falou Tom, e os outros realmente concordaram. – Vamos comer alguma coisa. Nessas árvores podres não tem nenhum fruto que preste?
— Talvez tenha – insec foi procurar junto a Tom, enquanto que Isaura e George ficaram esperando.
— Tomara que não demorem. Estou morrendo de fome. – Isaura reclamou.
— Pior que eu também...
Capítulo 2 – Enviados à Terra
O Lobisomem retornou um tempo depois. Ao seu lado, estava Ricochete, já extremamente recuperado e um monstro que eles não reconheceram. Era branco e tinha narinas pretas e pés de pato. Os quatro estremeceram, e sabiam que tinham que lutar.
— Vamos vencê-lo! – Tom esbravejou tentando juntar coragem para avançar. Os monstros atacaram os quatro, ferindo-os, agredindo-os e arranhando-os e eles nada podiam fazer. O pau estava bem longe e eles não conseguiam fazer nada direito.
— Cuidado Isaura! – alertava Tom para a garota, que se debatia entre as garras de Ricochete.
— Iremos leva-los para aonde todos os espíritos malignos vão. – disse o lobisomem, já com George desacordado no colo. – Não demoraria muito para vocês virem para cá também.
Eles não estavam mortos. E os monstros também não se importaram com isso. Levaram os quatro, que estavam gravemente feridos, para uma grande mansão que ficava no meio da floresta morta. Nem frutas haviam encontrado nas árvores.
- Agora vocês vão ser escravos dos monstros do Mundo Tortuoso. – avisou Ricochete. – junto aos outros espíritos malignos.
Os quatro tentaram fugir inúmeras vezes. De nada adiantava. Os malditos tinham câmeras que os seguiam vinte e quatro horas.
— Droga! – disse insec. – E agora o que faremos?
O trabalho escravo era duro. Eles conheceram alguns espíritos malignos que foram enviados ao Mundo Tortuoso após a morte. Eles eram torturados da pior forma possível.
— Vocês tem que fazer um trabalhinho para mim – Ricochete riu-se. – Vão ter que perturbar suas famílias.
Quanta crueldade. Tom sentiu a vontade de dar-lhe um murro na fuça, mas ficou paralisado no mesmo lugar. Isaura pôs a mão na boca e olhou enraivecida para o monstro.
— E logo. Vocês vão sussurrar coisas terríveis em seu ouvido. Também vão fazer coisas quebrarem, portas baterem, tudo para que fiquem com medo.
Tom se perguntou se foi isso que aconteceu à Dorothy, mas logo descartou a ideia.
— Vão. – o monstro falou e, de repente, os quatro sentiram uma tontura enorme e logo estavam cada um em sua casa. O monstro estava os observando. Tom avançou e extremamente a contragosto fez com que a porta atrás de sua mãe batesse. Ela assustou-se, mas não deu muita importância.
— Tem de ser algo mais maldoso! – avisou-lhe o monstro e ele fechou os olhos com extrema raiva. Foi até a cozinha e fez oito copos quebrarem, um arrastou e jogou em cima dela.
— Isso, meu rapaz. – incentivou Ricochete.
Tom estava muito enojado de si mesmo. Estava atormentando a própria mãe e não havia nada que pudesse fazer sobre isso.
— Sopre besteiras em seu ouvido – Ricochete ordenou, mas Tom finalmente negou a fazer isso.
— É a minha mãe. Eu não vou dizer-lhe besteiras ao ouvido.
Sentiu, porém, uma grande dor no peito que o sufocava.
— Faça isso já. – ordenou-lhe, e ele foi em direção à mãe.
— Você vai morrer. – soprou-lhe em seu ouvido. – Você é uma mera humana insuportável que não chegou em seu destino, o Mundo Tortuoso.
Ricochete deu um sorriso maldoso enquanto que o menino segurava as lágrimas que se formavam em seu rosto.
— Eu não quero fazer isso – dizia Tom, trêmulo.
— É assim que faço com os espíritos malignos que vão ao Mundo Tortuoso.
— Mas eu não sou um espírito maligno – tentou argumentar Tom.
— Então o problema é seu, não é meu.
Tom sentiu uma raiva imensa invadir seu peito. Iria se vingar. A se ia.
Capítulo 3 – O Resgate do Fantasma
Tom descobriu que o mesmo que havia feito com ele havia feito com seus amigos. Explodia de raiva dos monstros malignos que obrigavam as pessoas a fazerem esse tipo de coisa. Os espíritos deviam ser ruins para irem para o Mundo Tortuoso, mas obriga-los a perturbar sua família e colocá-los em uma fogueira eterna como Tom vira uma vez já era demais. Os monstros mereciam bem mais do que isso.
Planejaram uma fuga. Não sabiam como sair do Mundo Tortuoso sem que os monstros os levassem até lá, mas poderiam fugir da mansão aonde eles ficavam. Quando estivessem preparados, eles iriam lá para uma batalha.
Fugiram com o máximo de sigilo e velocidade possível. Eles ainda estavam meio feridos da batalha com os monstros. Eles correram bastante quando já estavam fora da mansão e foram para um local da floresta aonde achavam que os monstros não poderiam acha-lo. As câmeras 24 horas de nada serviram pois eles estavam dormindo.
Tentaram cuidar dos ferimentos. Tom ainda se recuperava do trauma de ter atormentado a mãe e ouvia berros de espíritos malignos sendo postos nas fogueiras. Sentiu queimar de raiva por dentro. O local que estavam era o Inferno, e deviam sair de lá o mais rápido possível.
— Está bem? – perguntou-lhe Isaura, enquanto que ele estava refletindo sobre isso.
— Estou. Não se preocupe. – lhe respondeu, colocando as mãos ao queixo, em um semblante pensativo.
-Não fique assim. Poderemos detê-los – George lhe assegurou.
— Logo mais monstros nos acharão. – raciocinou insec. – Precisamos nos preparar.
— É verdade – falou Isaura. – Vamos treinar, sei lá, fazer alguma coisa. Não podemos enfrenta-lo de mão abanando.
— Precisamos pensar em alguma coisa. Não podemos ficar achando que poderemos vencê-los assim. Eles virão com tudo.
— Tem razão, Tom – concordou George. –Mas não sei o que poderíamos fazer.
— Podemos salvar os espíritos da fogueira. – Isaura deu a ideia.
— Mas como faríamos isso? – perguntou-lhe Tom.
— Eu não sei. Sinceramente, me desespera ver tanta dor e sofrimento. – ela lhe respondeu, levando a mão ao coração. Todos olharam para baixo. George sentiu os olhos lacrimejavam ao ouvir mais um berro alucinante.
— Pelo menos um podemos salvar.
— Não podemos. Talvez ganhando dos monstros o sofrimento acabe.
— Talvez apenas. – lembrou Isaura, e os outros sentiram uma tristeza ainda maior os invadirem.
— Eles também não fazem nada. – disse George. – Podiam lutar, fazer alguma coisa.
— Eles foram jogados na fogueira. Só podem ficar lá agonizando.
— Será que Deus não fará nada a respeito disso? – perguntou-se insec.
— Estamos no Inferno. O que ele poderia fazer?
As crianças ficaram discutindo o assunto por um tempo antes de adormecerem.
Tom e seus amigos resolveram enfim salvar as almas na fogueira. Estavam pensando no que eles poderiam fazer.
Poderiam avançar rumo ao Reino de Fogo, que era onde ficavam as almas penadas, e tentar resgatar uma delas. Corriam o risco de ficarem presos na fogueira e não saírem nunca mais.
Caminhavam rumo ao Reino de Fogo sem nada para comer ou beber. Estavam desidratados e não tinham a noção exata de quanto tempo estavam ali.
Quando chegaram no Reino de Fogo, avistaram vários espíritos que queimavam e alucinavam com a dor latente. Isaura fechou os olhos de pavor. De repente, insec avistou um monstro pavoroso. Era o dono do Reino de Fogo, que Tom reconhecera como Gigabyte, como leu no livro que tinha alugado na biblioteca.
O monstro demorou um pouco para sacar que estavam ali. Tom tentava lembrar como derrota-lo. O monstro virou-se e contemplou os quatro jovens que o olhavam temerosos. Ele soltou fogo por suas ventas e foi em direção aos quatro, que tentaram escapar por entre suas pernas. Ele soltou fogo na direção de George, que desviou e tentou correr em direção aos espíritos na fogueira. Soltou de novo fogo pela venta e atirou-o a insec, que ficou queimado no pescoço. Ele ardia incrivelmente. E logo após, tentou matar George.
Tom não conseguia se lembrar de como deter o monstro. Chegou a hora da transformação de George em Lobisomem, justo na hora que o Gigabyte estava tentando mata-lo. Avançou com tudo para a sua barriga, deferindo-lhe um golpe na região. O monstro cambaleou para trás e caiu na própria fogueira que aprisionava as almas.
O lobisomem foi em direção de insec, e aí foram pernas para que te quero. Eles correram muito e conseguiram despistar o lobisomem. Eles perderam George de vista. Não saberiam aonde ele estaria quando voltasse a ser humano.
Capítulo 4 – A Procura de George
— Meu pescoço está ardendo. – reclamou insec.
— E o que é uma queimadura em relação a todos os ferimentos que estamos?
— Precisamos encontrar um rio para bebermos água – Isaura falou, e os outros dois assentiram.
— George já deve ter se transformado. – insec deu palpite. – Já deve estar muito apavorado sem a gente.
— É verdade – preocupou-se Tom. – Vamos primeiro procurar George. Depois, vamos para fora do Reino do Fogo para podermos encontrar água.
A procura foi árdua e levou dias. Finalmente, o encontraram em uma árvore que estava ali por perto, praticamente morto.
— George! – gritou Isaura ao encontra-lo. Ele nada respondeu. Ela atirou-se em seu pescoço, preocupada com o amigo e começou a chorar desesperadamente.
— Agora vamos sair do Reino do Fogo e buscar água. – disse Isaura.
— Tem razão.
Como George não tinha condições de sair do local, Tom foi buscar água fora do Reino do Fogo para levar aos amigos. Firmou o pensamento e se transportou para uma imensa floresta. Encontrar água foi difícil, até que ele escutou o belo canto de uma mulher de longe. Ele seguia o canto, que foi ficando cada vez mais forte. Finalmente, estava ali um grande riacho com quilômetros de água.
Encontrou também uma sereia, que nadava tranquilamente em sua cantoria. Quando o viu, abriu um sorriso simpático.
— Estava esperando um de vocês quatro. – ela lhe revelou.
— Como assim?
— Quero que saiba da profecia. E não se apavore: a batalha final em breve irá começar.
— E qual seria essa profecia? – ele lhe disse e esperou temeroso.
- E antes disso – Tom falou. – Como sou paranormal? Como consigo vir a esse mundo e a locais assim com a minha mente?
- Só posso revelar que você não é paranormal e está enganado.
E então a voz da Sereia começou a entoar a profecia:
Há mais de mil anos, começou a guerra entre o bem e o mal;
No Mundo Tortuoso; escolheram a data e a hora do nascimento de um humano para destruir a Terra.
No paraíso, escolheram a data e a hora do nascimento de um humano para salvá-la.
Um grupo de quatro amigos lutará e nenhum deles morrerá durante o perigo.
Sangue cairá, pessoas perecerão e morrerão,
E apenas um deles conseguirá destruir o humano no Mundo Tortuoso.
Caso não consiga, a Terra se transformará nas trevas, ou seja, a organização infernal tomará conta do mundo.
A Cidade de Pato foi a Escolhida pela profecia
Tom, sem entender muito bem o que lhe fora dito, agradeceu silenciosamente a Sereia e pegou a água para os seus amigos. Gravara as palavras na memória. Agora sabia que uma guerra grande se aproximaria.
Ao sair do local, escorregou em uma ribanceira. Nem percebeu que perdeu o ônix que estava em seu bolso. Ao firmar o pensamento para voltar aonde seus amigos estavam, não teve sucesso.
Estava perdido. Completamente longe de onde seus amigos estavam. Tomou um pouco da água. O que fazer para voltar para os seus amigos? Pensou. Por que nesse lugar tão bonito, com flores coloridas e muitos frutos, os seus pensamentos não têm poder? Será que a Sereia tinha razão? Se não fossem seus pensamentos, o que seria que o guiava para várias partes do mundo?
Lembrou-se de como voltar até o riacho, para pedir ajuda à Sereia que lhe informou apenas que retornasse pelo mesmo caminho que fizera anteriormente, seguindo os seus passos que ficaram fixados na terra. Não questionou a sereia do porquê o poder do seu pensamento, ali não funcionava. Apenas decidiu seguir os seus conselhos. Durante horas caminhou pelo mesmo caminho até que, escorregou novamente na mesma ribanceira. Ao chegar no final, imediatamente, chegou até os seus amigos com bastante água e frutos colhidos na floresta.
Isaura estava cuidando dos ferimentos de George junto com insec. Ele estava péssimo, a beira da morte. Ele não iria morrer, apesar do que estava na profecia. Ele nem ao menos sabia se era o grupo de amigos dele da profecia, mas tudo indicava que sim. Tentou afastar esses pensamentos e se concentrou na água para beber e nos frutos para comer.
- Gente, tenho de lhes falar uma coisa – revelou, e lhes falou sobre a profecia.
Capítulo 5 – A Perda de Isaura
Isaura fica um pouco atordoada com a revelação e fica questionando os acontecimentos o tempo todo. Os quatro amigos ficaram ali durante muito tempo e conseguiram se recuperar, sem ataques dos monstros. Parecia que ali estavam seguros, grande engano. Quando de repente, Tom escutou uma voz:
— Finalmente encontramos vocês, seus moleques!- Era o bicho papão, tom finalmente reconhecera a figura que os atacou no início, e o bicho papão não entendera como estavam bem e com frutos. Indagou:
-Como conseguiram água e comida? — nenhum dos quatro respondera. Foi quando bicho papão foi ficando furioso e tacou um pau na cabeça de Isaura, que desmaiou na hora com o golpe. Tom, para defender a amiga, deu um chute no bicho papão. Foi quando uma luz clareou e, quando perceberam estavam dentro do colégio em Pato.
Já estavam dois anos desaparecidos e foram dados como mortos pela autoridade da cidade, pois policiais não obtiveram sucesso na grande busca.
A emoção dos familiares, choros e risos ao mesmo tempo, tomou conta com o aparecimento dos quatro. Infelizmente, Isaura teve perda de memória com o golpe que sofrera na cabeça, não se lembrava do seu nome, quem eram os seus amigos, onde morava, absolutamente, nada.
Tom, George e insec resolveram não contar o fato real para os seus familiares e moradores de Pato e inventaram uma outra história, que convenceu todos da cidade, principalmente os policiais, a causa do desaparecimento dos quatro.
Inventaram que, há dois anos- no dia do desparecimento- os quatro amigos resolveram fazer uma excursão para conhecerem a cidade de Santos, onde insec morava. Temendo que seus familiares não iam deixar- e por pensarem voltar no mesmo dia – falaram que iam passar o dia inteiro no Colégio para fazerem atividades escolares.
Quando resolveram descer em uma das paradas do ônibus – em Araques- para comerem em uma lanchonete. Ao voltarem, o ônibus já havia partido, foi então que resolveram pedir ajuda a um homem da lanchonete. Alto, de cabelos encaracolados pretos que resolveu dar uma carona a eles para Santos- pensaram- que sorte. Pois o homem estava de carro indo exatamente para lá. Porém, não imaginavam que se tratara de um bandido e, ao invés de leva-los para Santos, foram parar em outra cidade que não sabem o nome. E ficaram presos no meio de um mato, em uma cabana de palha e tal, etc e tal, etc e tal até chegar o momento que conseguiram escapar. Apanharam, passaram fome, estavam todos muito machucados e Isaura, no meio do caminho, acabou caindo e batendo a cabeça em um tronco de uma árvore. Enfim, a longa história acabou convencendo a todos.
Agora, Tom, insec e George, precisavam se preocupar com a recuperação de Isaura. Sabiam, conforme a profecia, que não poderiam prosseguir sem ela. Ela precisava ficar boa e, a qualquer custo, recuperar a memória.
Passaram-se três meses e os acontecimentos tenebrosos continuavam acontecer em Patos. Porém, os três amigos não podiam fazer nada, sem Isaura que continuava internada no hospital. Tom, insec e George iam visita-la todos os dias. Aos poucos, Isaura fora recuperando a memória.
Bicho Papão, pelo acontecimento, chega à conclusão que um dos quatro amigos é o escolhido pela profecia do paraíso e resolve se reunir com os demais monstros para uma reunião para revelar-lhe aos outros o que descobriu:
- Pensávamos que o humano enviado pela profecia, ao se aproximar da data da batalha final, já seria um homem, mas erramos. – e continuou. – Será fácil destruí-lo na batalha que está chegando. Acho que é ela. Além de não ser homem, é apenas uma garota.
Capítulo 5: Beijo
Isaura recuperou a memória. Estranhas mortes e desaparecimentos continuavam acontecendo na cidade. Os quatro estavam no colégio. Haviam perdido dois anos de estudo passados no Mundo Tortuoso.
— Vou ao banheiro. – revelou Tom e desceu para o mesmo banheiro sujo que havia adentrado no seu primeiro dia na escola. Nessa mesma hora, uma luz forte invadiu o local e Dorothy lhe apareceu. O menino ficou atônito.
— Você não tinha sido encaminhada? – perguntou-lhe Tom e a fantasma lhe sorriu. Não tinha mais o sangue ou a perfuração no peito.
— Eu fui – ela lhe disse. – Voltei para lhe dar uma mensagem.
Tom suspirou aliviado.
— E que mensagem é essa? – perguntou-lhe, e Dorothy começou a falar:
— O ônix que vocês carregam – lhe disse Dorothy. – É o centro de tudo.
— O ônix? – espantou-se Tom.
— Todos os monstros que vocês derrotaram... A ida de vocês ao Mundo Tortuoso... É tudo por causa do ônix. Ele foi feito para proteger os quatro da profecia.
Tom raciocinara. Agora tudo fazia sentido. Ele pensara que todos os monstros tinham sido derrotados por ele e seus amigos. Tudo (menos o vampiro, ele esperava) uma mera coincidência.
— Inclusive Bruxa Véia?- ele lhe perguntou, e ela lhe respondeu.
— Sim, inclusive ela.
Ele ficou decepcionado. Pensava que fosse ele que a tinha derrotado.
— Vim para lhe avisar que vocês precisam recuperar a pedra, pois tem que guarda-la para a batalha final. O monstro Deloti foi enviado para acha-la. Só ela poderá destruir o humano enviado pelo inferno.
Tom pensou e respondeu.
- Perdi o ônix na floresta ao tentar retornar para o reino do fogo.
- Como você acha que conseguiu retornar sem a pedra?- Indagou Dorothy. — Você esbarrou nela ao descer da ribanceira, por isso conseguiu voltar.
Tem que voltar lá para pegá-la, antes do monstro Deloti.
- Como é esse monstro?- perguntou Tom.
- É um monstro marrom de narinas brancas e corpo de porco.
— Entendo... – lhe disse Tom. – A Bruxa Véia matou Brenda e não conseguiu matar Isaura...
— Foi por causa da pedra sim. – ela confirmou com a cabeça. – E só um de vocês quatro poderá derrotar o humano do Mundo Tortuoso. Agora, terei que ir.
— Espere! – Gritou Tom. — Quem é ele? Qual de nós quatro é o escolhido?
— Tudo isso vocês que terão que descobrir.
Uma luz invadiu o local novamente e logo Dorothy se fora. Tom imediatamente procurou os amigos e lhes contou o que Dorothy revelara. George chegou à conclusão que o enviado poderia ser Isaura, por não ter morrido na batalha contra a bruxa ou ele mesmo, por ter se transformado em lobisomem e matado o Gigabyte. Nem ao menos sabia se ele morrera. Só o vira desaparecer entre o fogo que ele mesmo criara, ressaltou Tom. insec completou:
— Como os quatro fazem parte do grupo da profecia, qualquer um de nós pode ser o enviado.
Isaura falou:
— Ótimo, sempre falando o óbvio. Pois acho que sou eu, pois sempre tive sucesso nas batalhas contra os monstros.
— Convencida. – disse insec, e cantarolou uma musiquinha sobre a metidez de Isaura.
— Para com isso, parece criança – ela reclamou e ele riu-se.
Naquela altura, insec, Isaura e Tom já tinham dezesseis anos. George tinha dezenove. Tom tentava pesquisar frequentemente alguma coisa sobre o Mundo Tortuoso, o ônix, os monstros e principalmente a batalha final. Estudara a Bíblia de sua mãe – se bem que achava que de nada iria servir.
Os pais tiraram os alunos do Colégio Moreira, obrigando o senhor Eduardo Gomes a pensar em fechar a escola. Ele, porém, deu uma entrevista dizendo que não fecharia o colégio, pois os últimos acontecimentos de Pato nada tinham a ver com a escola.
insec, Isaura, Tom e George se preocupavam cada vez menos com a profecia e cada vez mais com a vida escolar. Não queriam retardar-se ainda mais. Então, um dia Tom decidiu contar a Isaura que sempre sentiu certo ciúme quando a via com insec.
— Eu acho isso fofo. – riu Isaura. – Eu gosto do insec, mas ele é muito imaturo. Alguém para namorar eu preferia você...
Tom achou que as palavras eram tudo o que era precisava ouvir.
— Você me namoraria? – ele perguntou-lhe, e ela corou.
— Depende. Você iria querer?
— É claro – respondeu Tom e se inclinou trêmulo para beijá-la. Ele estava acostumado a beijar outras garotas, mas ela era diferente. Isaura era uma garota muito especial para Tom. Enfim a beijara. Tinha um gosto especial, diferente de todas as garotas que ele tinha beijado. Tom decidiu que amaria Isaura para sempre, e que o sentimento que foi há tempos reprimido não fora em vão.
Capítulo 6 – Fechamento da Escola Moreira
Após o beijo, Tom e Isaura foram contar a insec o seu início de namoro. Eles esperavam que o menino ficasse feliz pela união dos dois. Porém, quando eles lhe disseram, insec sentiu ciúme. Ele disse, porém:
— Estou feliz por vocês. – mas sua fisionomia o condenara. Ele estava pálido e ficou muito trêmulo.
— Está bem? – preocupou-se Isaura.
— Estou – assegurou-lhe insec, sentando-se na poltrona de sua sala para não cair.
— Afinal, o que uma menina bonita iria querer com um garoto feio como eu? – ele falava, segurando as lágrimas que teimavam em aparecer.
— Eu acho você fofo – consolou-o Isaura. – Eu esperava que você ficasse feliz.
Tom era tudo que insec não era: inteligente, atencioso, muito bonito e Isaura se encantara primeiramente pelo garoto, porém tinha uma paixonite reprimida por insec, que ele realmente não parecia corresponder.
— Quero um tempo... – ele disse. – Para pensar. Mas estou feliz por vocês.
Os dois os deixaram sozinho, Isaura com um forte aperto no coração.
Não tivera jeito: a escola Moreira tivera de ser fechada. Com o número de alunos tirados da escola, ficou impossível dar continuidade ao funcionamento do colégio.
Tom, insec, George e Isaura tiveram que estudar em outra escola da cidade. A prefeitura da Cidade começou a pensar em um projeto para a construção de um Parque para a área do Colégio, já que Pato ainda não contava com esse tipo de diversão.
insec, para esquecer Isaura, começou a namorar com Vitória, uma jovem que conhecera na sua outra escola, enquanto George não se interessava por nenhuma outra garota e ainda sofria pela perda de Brenda.
Os quatro começaram a saírem juntos para o cinema, lanchonete, vários locais da cidade. insec sempre levava a namorada em seus encontros com os amigos para tratar do Mundo Tortuoso, e Isaura não gostava nada dela, demonstrando seu descontentamento a Tom.
— Ela é muito metida – reclamava, e Tom sempre a defendia. As brigas entre eles ficaram cada vez mais constantes e sempre o nome de insec estava no meio dos dois.
— Você sempre gostou dele – Tom vociferou. – Você nunca gostou de mim.
Ela começou a chorar, e sentou-se na poltrona ao sentir tontura.
— Não é nada disso Tom. – ela disse. – Está sendo mais forte do que eu, não consigo controlar o meu ciúme. Estou muito confusa em relação aos meus sentimentos. Pode ser ciúme de amigo. Pois nos últimos anos, nós convivemos muito juntos.
Tom suspirou. Já imaginava que uma hora ou outra isso iria acabar acontecendo. Segurou as lágrimas e lhe disse:
— Está tudo terminado.
— Não faça isso. – pediu-lhe Isaura. – Você sabe que eu tenho sentimentos muito fortes por você.
— Sinto muito – falou Tom. – Estou decidido. Você é o amor de minha vida e essa barra eu não tenho como segurar.
Enquanto isso, apesar de Vitória ser uma garota super legal e fazer de tudo para agradar insec, ele não conseguia esquecer Isaura, mas mantinha o seu namoro com Vitória.
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Capítulo 7 — A hora da grande Revelação
Tom, com lágrimas nos olhos e sofrendo muito, resolveu ir para casa descansar. Em seu quarto pegou no sono. De repente viu uma luz adentrando em seu quarto. Era Dorothy, que lhe falou:
- Tom, não há mais tempo. É preciso recuperar o ônix.
Ele acordou assustado . Seria sonho? Não era. Dorothy estava ali, ao lado de sua cama, com uma fisionomia ainda mais bonita, nem parecia aquela mulher que vira no banheiro. Tom indagou ela.
- Não há mais tempo. A batalha está para começar. Você foi o meu escolhido para cuidar da pedra. Você com sua bondade encaminhou o meu espírito ao paraíso. Meu espírito ficou preso e sofrendo na Terra por 50 anos. Você tem que encontrar a pedra antes que seja tarde demais.
E, em seguida, ela desapareceu.
- Espera. — Gritou Tom. — De nada adiantou. Tom pensou “como vamos conseguir voltar ao Reino do Fogo sem a pedra?”
No dia seguinte ligou para todos e marcou uma reunião em sua casa, porém pediu para insec não levar Vitória, pois o assunto era sério e tratava-se do Mundo Tortuoso.
Explicou para insec, George e Isaura o que Dorothy havia falado e que não sabia como voltar ao Mundo Tortuoso e adentrar no reino do fogo para chegar na ribanceira, sem o ônix. George teve uma ideia:
- Vamos para o Colégio Moreira. Tudo começou lá. Quem sabe encontraremos alguma solução no próprio colégio ou na biblioteca?
- Como vamos conseguir entrar no Colégio, esqueceu que ele está fechado? — Falou insec.
- Como sempre com revelações óbvias — resmungou Isaura. — Só mesmo a sua namoradinha para te aturar.
- Em primeiro lugar, a minha namorada tem nome, é Vitória e em segundo lugar, não entendo a sua implicância com ela. Vitória gosta muito de você e sempre tentou ser sua amiga. – disse insec.
- Não consigo ser amiga de uma imatura. Para namorar com você só pode ser imatura, além disso, é chata, metida e insuportável.- respondeu Isaura.
Tom apenas observava e sofria calado, pois sabia o real motivo de toda a implicância de Isaura.
George deu um grito: — parem com isso vocês dois. Já estão passando dos limites. A questão aqui é outra. Vamos tentar entrar no Colégio de qualquer jeito.
Os quatro saíram em direção ao Colégio, quando viram que naquele momento o Colégio estava sendo demolido para a construção do Parque. Passara-se mais de dois e o projeto já havia ficado pronto. Nessas alturas, Tom, Isaura e insec estavam com dezenove anos e George iria completar vinte e dois anos.
Todos se apavoraram. E agora? — disse Isaura: — estamos perdidos.
Não estamos não. — falou Tom. — O senhor Eduardo Gomes é um homem muito bom. Pode nos ajudar a arrumar uma solução, afinal ele estudou no Colégio há muitos anos e também reabriu a Escola. Quem sabe ele poderia dar alguma informação ou até mesmo tenha guardado algum livro?
Todos resolveram ir à casa do senhor Eduardo Gomes, afinal não seria difícil conversar com ele, por morar sozinho.
Bateram na porta e estranharam quando uma menina de uns cinco anos abriu a porta.
- Quem são vocês, o que querem? — perguntou a menina. Logo uma senhora apareceu e falou:
- Desculpem. Minha filha é assim mesmo. Boa tarde. Meu nome é Afronsina. Mudei-me para a cidade há cerca de dois anos e meio.
- Boa tarde. — eles responderam, praticamente juntos. Foi quando Tom falou:
— nós somos Tom, insec, George e esta é Isaura. Gostaríamos de falar com o senhor Eduardo.
- Ah! — Respondeu Afronsina. — Deve ser o senhor simpático que me vendeu a casa. Não sei para onde ele se mudou, nem tenho o seu telefone. Infelizmente, não vou poder ajudar.
- Muito obrigado- respondeu Tom e despediram-se da senhora.
- Muito bem, voltamos à estaca a zero? — indagou George.
- Não é bem assim. Vamos procura-lo na sua empresa. Com certeza lá o encontraremos- falou insec.
- Nossa!- Resmungou Isaura. — Vindo essa ideia de você é surpreendente.
insec deu a entender que ia respondê-la, mas na hora revolveu não recrutá-la.
Todos foram para a empresa do senhor Eduardo. Chegando lá, outra decepção. Tiveram a informação que o seu Eduardo não era mais o dono da empresa e se mudara para outra cidade, só não sabiam qual era.
Decidiram então, percorrer, durante dias, pelas ruas de Pato conversar com alguns moradores para saber se tinham notícias de Eduardo Gomes, sem sucesso.
Ele desaparecera de vista. Nunca mais foi visto pelos moradores de Pato, após o fechamento de seu colégio. De certo, indagou Isaura, ficou desiludido em não ter conquistado seu grande sonho: — dar continuidade à escola de sua infância e tradicional da cidade.
- É. Disse Tom. Não podemos contar com a ajuda do seu Eduardo. Temos que achar um outro jeito.
- Vamos desistir de tudo.- Desesperou-se George. — Não aguento mais essa agonia. Pelo jeito nunca vou me livrar desse encantamento de virar lobisomem todo mês.
- Calma George. – Falou Isaura e lhe deu um forte abraço. Nós vamos encontrar a solução.
- Acho que o grupo todo é que tem que decidir se desistimos de tudo ou não. – Indagou insec. Também estou de saco cheio desta história. Será mesmo que essa tal Batalha Final vai existir?
- Estamos todos cansados. — falou Tom. — sabemos que fomos os escolhidos. Vocês querem viver eternamente no Inferno? Já se esqueceram de tudo que passamos e que se não vencermos a batalha, toda a Terra vai se transformar naquilo?
- Acho que você está errado Tom. Estou achando que fomos enganados. Afinal, há mais de dois anos que a situação de Pato se normalizou.
- Peraí- respondeu insec. É o tempo que o Colégio foi fechado e que o seu Eduardo sumiu.
- Isso não tem nada a ver. Pura coincidência. — respondeu George.
- Não é não. — disse Tom. — prestem atenção. Vocês se lembram da Profecia?
- É isso. — Respondeu insec. — O senhor Eduardo Gomes é o humano da profecia do inferno.
- Agora tudo está claro. — revelou Isaura. — por isso que tudo começou no Colégio
E depois completou:
-Eduardo é o chefe do Mundo Tortuoso e a essas alturas deve estar se preparando para a Batalha Final.
- Agora temos que descobrir quem de nós quatro que é o enviado do paraíso. – Tom falou.
- Vamos fazer uma retrospectiva de todos os acontecimentos- disse Isaura.
E todos começaram a se lembrar de tudo que aconteceu desde o primeiro dia de aula no Colégio Moreira.
Ao terminarem, Isaura falou:
- Acho que é Tom. Foi ele que encontrou a Dorothy e o Ônix no banheiro, mas Tom discordou:
- Eu só vi Dorothy e achei a pedra porque entrei no banheiro, primeiro que vocês três. Pois Dorothy disse que qualquer um dos quatro poderia encontra-la, porque ela seria a nossa proteção e só com ela que podemos destruir Eduardo. Como fui eu que entrei primeiro no banheiro, Dorothy se revelou para mim que acabei encaminhando ela ao paraíso.
- É verdade. Você tem razão. – concordou Isaura.
- Pode ser o George. — comentou insec- por ter pegado o encantamento e destruído o monstro.
- Pode ser Isaura. — Disse George. — por ter tido sucesso em todas as lutas.
- Qualquer um dos quatro teria sucesso com os monstros, por causa da pedra- retrucou insec.
- Pode ser você insec. — falou Tom. — Afinal, foi através de você, que descobrimos que Eduardo é o enviado do inferno.
Entre as colocações não chegaram a nenhuma conclusão.
- Não adianta. Só estamos perdendo tempo. – George se decepcionou. — Temos agora que arrumar um jeito de pegar o Ônix, pois sem ele nenhum de nós quatro poderá destruir Eduardo.
Capítulo 8 A Busca da Pedra
Quando, de repente começaram a escutar uma voz horrível.
- Finalmente encontrei vocês...
Era Deloti, o enviado do Mundo Tortuoso para encontrar o ônix.
- Meu chefe quer vocês presos no Reino do Fogo, pois lá não me atrapalharão aqui na Terra para encontrar a pedra. Meu chefe já sabe que vocês descobriram que ele é Eduardo e também que o Ônix não está com vocês.
“Ele só não sabe” pensou Isaura, “que a pedra não está aqui na Terra”.
E de repente sentiram-se zonzos e logo estavam no Mundo Tortuoso, aonde ficaram presos e acorrentados.
Foi quando viram uma luz branca forte surgir na direção deles. Eram Dorothy e Brenda que surgiram do paraíso para soltá-los. Brenda disse:
- Os anjos já desceram a Terra – ela os avisou. – A Batalha irá começar.
Ao ver Brenda, que estava vestida de branco e toda linda, George não conteve as lágrimas que rolaram pela sua face.
- Nunca mais pensei que iria vê-la meu amor- disse George com a voz trêmula.
- Também te amo muito- respondeu Brenda, que completou. — Fui para o paraíso. Estou muito bem. A minha missão agora é ajudá-los a vencer na Batalha Final.
Foi uma emoção muito grande também dos demais amigos de Brenda.
- Ótimo. – falou Tom. Enfim a batalha iria começar.
Eles foram ao Reino de Fogo. Duraram dias a ida, pois o Mundo Tortuoso era muito extenso. Quando finalmente chegaram lá, Gigabyte estava na porta do Reino.
George levou um basta susto e soltou a voz: — pensei que tinha te matado seu monstro asqueroso.
Gigabyte deu uma gargalhada.
– Garoto ingênuo. – Apenas me enfraqueceu e precisei de alguns anos para me recuperar. Agora, chega de conversa fiada.
Nesse momento, Isaura pensou: ”Será que a Bruxa Véia também está viva?”
- Como vocês conseguiram se soltar, jovens cretinos. – Gigabyte deu um sorriso que a Tom lhe pareceu pra lá de maldoso.
– Vão ter o que merecem! — completou o monstro.
Ele avançou diretamente para cima de Isaura, que recuou e deu-lhe um chute voador em sua cintura. O monstro nem cócegas sentira. Agarrou Isaura e desapareceu.
A Batalha começara sangrenta. Morte aconteciam e anjos sucumbiam aos monstros terríveis. O paraíso estava perdendo a batalha. Tom e seus amigos tinham que deter Deloti, achar Isaura e então ir para Eduardo Gomes derrota-lo.
Brenda descera junto aos outros espíritos do paraíso que se prontificaram a lutar. Lutava bravamente. George mal esperava para revê-la. Com ela, passou um ano em sua vida apenas, mas já a amava com todas as suas forças.
Eles buscaram por Isaura em todo o reino do fogo e acharam Deloti, que estava junto à fogueira.
— Aonde está Isaura? – perguntou-lhe Tom, temendo que estivesse na fogueira.
— Aonde pensa que está? – riu-se o monstro. –Está na fogueira.
Tom, insec e George sentiram o corpo ferver. Não iriam permitir que Isaura ficasse lá sofrendo para sempre.
— Vou mata-lo – vociferou insec, indo em direção ao monstro, pegando um pau jogado ao chão e correndo com todas as suas forças.
Foi em direção ao monstro e lhe deu um golpe na cabeça. O monstro lhe deu um chute nas têmporas que o fez cambalear para trás e cair. Tom avançou em direção ao monstro e lhe deferiu um soco no rosto de porco. Nem fizera cócegas.
George enfim chutara a barriga do porco e ele cambaleou para trás um pouco aturdido. Ele avançou em direção de George e derrubou-o ao chão. insec se levantou e, junto a Tom, pegou o pau que estava caído ao chão e o atacaram por trás, em sua cabeça. O monstro caiu ao chão. insec deu-lhe o golpe final, que acertou a sua cabeça. O monstro estava logo desacordado ao chão e desapareceu.
Isaura e todos os espíritos que estavam lá saíram da fogueira. Estavam prontos para a guerra também. Agora, teriam que decidir a que lado serviriam. Apesar da maioria ser muito má quando viveram na Terra, já tinham pago um alto preço por isso. Estavam cansados de sofrer no inferno. Eram torturados na fogueira. Os monstros obrigavam eles a descerem até a terra para arruinar a vida de seus familiares terrenos. Quando se negavam a obedecer, eram levados para o Limo Torturador, lugar ainda pior do que o Reino do Fogo. Essa situação tinha que terminar. É claro, decidiram o lado do paraíso.
Agora, tinham que ir buscar a pedra na ribanceira. Os quatro amigos conseguiram chegar à Floresta Magic, com a ajuda de Brenda e Dorothy. Tom aproveitaria para ver a Sereia que estava no riacho imenso.
Tom, Isaura, insec e George foram para a ribanceira. Um monstro estava a sua espera, com o ônix na mão.
— É isto que vocês estão procurando, meus jovens senhores?
- Enganei todos vocês- afirmou Deloti — Sempre soube que a pedra estava aqui, na floresta Magic. Só não podia entrar aqui e consegui chegar aqui com a ajuda de vocês, seus idiotas e deu uma forte gargalhada.
Tom estremeceu. Teria que lutar contra esse monstro enorme. E se não recuperasse a pedra, ela iria acabar nas mãos de Eduardo e eles teriam perdido a guerra.
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