A bela fera!
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Pov Isabella
Estávamos indo em direção ao El Dorado, aeroporto internacional de Bogotá, na Colômbia. Não ficava muito longe de onde eu e minha família morávamos. Estávamos no final do mês de novembro, portanto, aquele aeroporto deveria estar um verdadeiro caos. Ah não. Será que eu teria que deixar a minha cidade? Droga.
Durante todo o percurso os dois caras que estavam no banco da frente, não disseram absolutamente nada. Pude notar que atrás de nós, vinham dois carros pretos também. Deviam ser mais deles. Fala sério. Sou só uma mulher. Vou sim matar todos com minha tpm e minhas unhas mal feitas. Até que não seria má idéia, mas enquanto eu não tivesse a certeza de que meu pai estava seguro em casa, com meus irmãos, eu não tentaria absolutamente nada.
Chegamos ao aeroporto, todos os outros dois carros pararam também ali perto à entrada. Seis homens no total me acompanharam, todos bem trajados. Estilo "MIB : Homens de preto" . Eles me mostraram o caminho. Me surpreendi quando não tivemos que enfrentar todas aquelas filas inacreditaveis. Fomos direto às pistas de voo.
— Senhor, estamos chegando ao AL22. Aham. . Sim. Certamente. — Um dos homens de preto fala ao celular. Que diabos é AL22? Caminhamos e por fim chegamos. Ah claro, AL22, um avião. Merda. Ele era enorme e bonito. Mesmo assim, ainda prefiro não voar de avião.
— Você deverá esperar lá dentro com as outras moças. — O que antes recebia instruções do seu celular, diz. Outras moças? Como assim? Um arrepio percorre por todo meu corpo. Isso não é nada bom. É, eu teria que deixar a minha cidade. Ah pai.. por que você teve que se meter com essa gente? Por que se afastou da sua família? Ou pelo menos, o que restou dela. Afasto esses pensamentos pois sei que lembrar dele agora, não irá me fazer bem.
O avião era muito bonito por dentro. Simples, porém bonito. Várias cadeiras em um azul escuro, algumas delas já estavam sendo ocupadas por outras jovens. Observei rápido e algumas não passavam dos seus vinte anos. Todas me olharam. Algumas me derem um pequeno sorriso, mesmo assim, acolhedor. Outras desviaram logo o olhar , como se já estivessem cansadas de tanto esperar e nada ser dito. Pude contar nove mulheres, todas com uma beleza diferenciada. Me sentei ao lado de uma loira. . E caramba, que loira! Seus olhos eram verdes, fortes. Ela usava calça jeans e uma blusa simples de cor verde, combinando com seus olhos. Ela estava vestida quase da mesma forma que eu, aliás, todas ali usavam calça jeans e uma blusa qualquer. Mesmo assim, aquela roupa não conseguia esconder tanta beleza da jovem loira. Ela tinha sido uma das poucas a expressar um sorriso à mim quando cheguei.
— Seu nome é? — Ela me pergunta, e estende a mão para que eu aperte. Suas unhas estão normais, sem nenhuma cor.
— Isabella. E o seu? — Forço um sorriso.
— Alice. Como você veio parar aqui? — Ela me parece confiável, mesmo conhecendo apenas o seu nome. Mas, optei por não dizer o real motivo de estar ali.
— Longa história. .
— Não se sente muito confortável né? Tudo bem. — Ela sorri. — Abraham logo aparece para nos dar instruções. — Abraham? Esse nome me é familiar. Lembro de meu pai ter o pronunciado algumas vezes. — Ele é o chefão. — Alice diz para me informar. Balanço a cabeça.
— Por que todas estão aqui?
— Você não sabe? — Ela me olha como se aquilo fosse a coisa mais óbvia do mundo. Percebendo que realmente não sei de nada, seu semblante muda. — Ah não. Droga.
— O que foi?
— Você está aqui para trabalhar em um clube lá no Brasil. — Brasil? Minha cabeça gira.
— Como assim? — pergunto assustada.
— Todas nós estamos sendo obrigadas. — Ela diz calma, parece escolher bem as palavras antes de dizê-las. — Abraham além de estar envolvido em tráfico de armas, também está envolvido com. . Tráfico de pessoas. — O que? Porra. Minha boca seca, eu nem sei mais onde estou. É muita coisa pra minha cabeça. Tráfico de pessoas? Meu pai estava envolvido nisso também? Meu Deus. Meus olhos enchem de lágrimas, mas nao deixo elas caírem. Meu corpo fica tenso e ela percebe. — Nem todas ficam na parte da prostituição. Algumas só trabalham nos clubes. Trabalho escravo é claro. Todas aqui ou tem dívidas com ele, ou simplesmente se meteram em uma enorme furada. Aquele filho da puta. — Seu rosto se torna ilegível. A doce jovem de antes agora é substituída por uma mulher que só tem vingança no coração. Eu me pergunto o por que ela estaria aqui. Seria pelo mesmo motivo que o meu?
— Meus Deus. . E elas? Já sabem? — Pergunto olhando para o rosto das mais próximas ali de nós, as expressões variam.
— Não .. mas logo vão saber. Como ele tem vários clubes lá , acho muito difícil todas nós irmos para o mesmo lugar. Então pode ser que eu não veja mais você. — Ela sorri , parece que nada daquilo abala ela, pois ela continua do mesmo jeito, linda e poderosa. Bem diferente de mim que agora estou completamente assustada e frágil. Não sei o que fazer. Estou perdida . Ao olhar para todas aquelas garotas, meu sangue ferve, meu ódio cresce. Nunca senti isso antes.
— Bom dia meninas. — Uma televisão enorme é ligada no avião. Todas olham atentamente ao rosto masculino na tela.
— Abraham. — Alice diz baixinho, só para que eu escute. O cara é lindo. Percebo incríveis olhos azuis nele, barba por fazer, cabelos loiros e curtos, ajeitados num penteado comportado, social. É perfeito. As meninas parecem animadas com ele. Não eu, e muito menos Alice. Ele aparenta ter uns trinta e oito anos. Como a tela só foca em seu rosto, não há mais nada para ser notado nele.
— Muitas de vocês sabem o por que estão aqui. — Ele sorri. — Meus homens irão acompanhar vocês. Ao chegar no Brasil, algumas de vocês ficarão em lugares diferentes, e claro, com diferentes representantes. -Diferentes representantes? Pergunto mentalmente.
— São os que ficam responsáveis por nós ou pelo clube. — Alice responde, me assustando.
— Como você sabe tanto a respeito? — Pergunto. Ela me olha fixamente, como se estivesse pensando se responderia ou não.
— Já tentei acabar com tudo isso. Por diversas vezes eu tentei saber mais, só que o esquema é mais forte do que eu pensava. — Uma Sherlock Holmes? Ela parece jovem demais pra isso. — E é por isso que estou aqui. Como eu entrei , não tenho permissão para dizer. Mas esse foi o único jeito de saber mais sobre esse esquema. — Caramba. .
— Entendi .. — Afirmo com a cabeça. — E você tem permissão para falar disso a uma completa estranha? — Uma Sherlock mais velha, não faria isso. Ela sorri com a minha pergunta.
— Eu não sei por que, mas confio em você. Isso é raro de se acontecer. — Por alguns segundos ficamos nos encarando. Tem algo nela que eu não sei o que é. .Mas me trás paz. Me impressiona.
— E se formos para lugares diferentes? Eu não vou saber lidar com isso tudo. Você sim. . Preciso de você.
— Apenas tente manter a calma. Seja firme e não se deixe levar pela aparência. Muitos lá não sabem que trabalham para uma organização criminosa. Mas outros sim, a maioria. Você parece ser muito inteligente, esperta. Saberá lidar com tudo. — Ela diz calma. Meu Deus, como ela pode ter calma? O cara já havia parado de falar no televisor a muito tempo. O avião estava começando a decolar. Um tremendo medo passava pela minha cabeça. Como eu poderia lidar com aquilo tudo? Eu não poderia fraquejar agora, muito menos me arrepender do que fiz. Uma nova etapa da minha vida, começava agora.
E eu estava morrendo de medo.
Fale com o autor