A bela e a fera
3 Trancada
Notas iniciais
Meu pai contou que estava na mão de Castellan, se não o pagasse poderíamos perder a casa. Não sabia se deveria ou não ficar braba com meu pai, ele queria apenas o melhor para sua família, mas me entregar para ele?
Grande parte da cidade tinha medo dele, pouca gente ia à sua casa, apenas seus poucos amigos, empregados e pessoas importantes que tinham negócios com ele. Eu estava assustada, sentiria falta da minha casa e das minhas coisas.
–Você vai amanhã de manhã, sua mala já esta arrumada, Luke falou que você não precisaria levar muita coisa.
–Ok pai, vou andar um pouco por ai, dar uma esfriada na cabeça- Sai de casa de cabeça baixa, sabia que minha vida mudaria completamente quando me mudasse para aquela casa. Andei até a pracinha da cidade e encontrei Annabeth sentada com Nico, ambos pareciam felizes.
–Oi pessoal.
–E ai? Contou?- balancei a cabeça negativamente e vi seu sorriso desaparecer.
–Acho que é melhor acabarmos mesmo, vou ter que me mudar.
–Para onde?
–Luke Castellan e meu pai fizeram um trato para que as dividas de meu pai fossem esquecidas e esse trato envolve eu ir morar com o Castellan.
–Você vai o que?
–Morar com ele- disse abaixando a cabeça.
–Seu pai é um canalha, te vendeu para aquele cara.
–Ele esta fazendo o que é melhor para a nossa família. Acho melhor eu ir para casa, ainda tenho que me despedir de mais gente- beijei o rosto do Nico e baguncei seu cabelo- vamos Annie.
–Espera Thali, não vá. Fique aqui comigo, podemos dar um jeito, não ganho muito no meu trabalho, mas é o suficiente para sobrevivermos.
–Desculpa, queria mesmo ficar, mas estou fazendo pela minha família. Adeus- vi que ele estava prestes a chorar e logo comecei também, abracei-lhe e fui embora.
Conversei bastante com minhas irmãs e com Jason, prometi que sempre que pudesse tentaria vê-los.
Logo de manhã cedinho ouvi batidinhas na minha porta, estava com sono, mas ainda sim abri.
–O que foi papai?
–Luke já esta ai filha, arrume-se.
–Tudo bem- coloquei uma roupa básica e prendi meu cabelo. Sai do quarto e vi que Luke estava lá com aquela cara de sempre.
–Oi- falei quando o vi. Ele me olhou e deu o “oi” mais seco que já havia ouvido.
–Podemos ir?- falou mal olhando na minha cara. Sussurrei um “uhum” e me despedi da minha família. Entramos no seu carro e nada foi dito o caminho inteiro. Quando chegamos, ele me olhou e fez um sinal com a mão para que o acompanhasse. Abriu uma porta e entrou em um quarto, deixou minha mala e saiu do quarto. Entendi assim que aquele era “meu” quarto.
Pouco tempo depois uma mulher que deveria ter aproximadamente 40 anos entrou no quarto saltitante.
–Oi menina, estou tão feliz que esteja aqui. Ah, me chamo Carlotta, acho que seremos grandes amigas, você é a primeira menina que o senhor Castellan trás para casa.
–Oi, sou Thalia, vim para trabalhar para ele- ela riu e revirou os olhos.
–Não precisamos de mais ninguém para trabalhar, essa casa é rodeada de empregados.
–Deve ter me trazido para ajudar à senhorita.
–Pode me chamar de Carlie. Ér, pode ser, mas ainda acho esquisito, já que essa não é área dos empregados.
–Como não? O que estou fazendo aqui?- perguntei assustada, na minha mente só vinham coisas ruins em relação a estar aqui.
–Não sei. Mas você vai ser muito bem cuidada. Ah, já está na hora de fazer o almoço, aqui os horários são sempre muito rígidos, até logo menina, se precisar de algo é só me procurar- assenti e ela saiu.
Passei o resto da manhã pensando no que ela havia me dito e me veio à mente o porquê ele me trouxe, ele queria um brinquedinho e meu pai me deu de mão beijada para qualquer um. Meus olhos se encheram de lagrimas e senti uma fúria que nunca havia sentido. Ele entrou no quarto me chamando para almoçar. Quando me viu chorando, aparentou estar sentindo algo pela primeira vez em anos , parecia triste.
–O que foi Thalia?
–Não quero estar aqui, não quero. Porque você me trouxe para cá? Achei que era para trabalhar, mas já ouvi dizer não. Se quiser fazer alguma coisa comigo saiba que não vai conseguir- peguei-o desprevenido e lhe dei uma joelhada. Ele gemeu e se abaixou. Ele estava muito surpreso.
–Porque você fez isso sua louca?- perguntou em um tom de voz elevado- Trouxe você para cá para ajudar, trabalhar — ele saiu furioso do quarto e bateu a porta trancando logo em seguida.
Fiquei sozinha boquiaberta com o que havia feito, nunca havia batido em ninguém, estava me sentindo mal por ter feito isso com ele. Fiquei mais uns 20 minutos no quarto sozinha até que Carlie apareceu com um prato de comida.
–Oi menina, o que você aprontou o Luke estava furioso, chegou a te trancar nesse quarto, pediu para que você comesse aqui hoje – olhei para o prato de comida e ele estava cheio, nunca passei fome, mas também nunca tive tanta variedade em relação à comida. Comi tudo, estava com muita fome, não havia tomado café.
–Obrigada- ela saiu e novamente me trancou.
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