Meu pai me chama dizendo para que eu pegue minha mala de roupas que irão no carro, porque já iremos sair, vou até meu quarto e pego a mala preta que contém as coisas mais essenciais dou uma última olhada ao redor e dou tchau mentalmente para o meu lindo quarto com paredes roxas e muitos pôsteres das minhas bandas favoritas colocadas nessas lindas paredes roxas, minha mãe me pega olhando para o quarto já com nostalgia.

– Pare de ser dramática garota, você vai ganhar outro quarto ainda maior que esse. — diz ela

Olho pra ela com uma cara que expressa meus mais sinceros pensamentos.

– Dramática? Eu vivi nesse quarto 12 anos da minha vida e você está me chamando de dramática, por querer me despedir dele? É também acho que tenho que parar de ser dramática.

Nós duas rimos e descemos as escadas com as malas na mão, sabendo que a partir desse momento essa é só mais uma casa, pois lar é onde nossa família estiver junta.

Entramos no carro e partimos, a viagem durou cerca de 12 horas das quais umas 10 horas eu passei dormindo já que não estava me sentindo muito bem ao sair de casa.

Parece que quanto mais perto nós chegamos do nosso destino final, melhor eu fico, a minha temperatura começou a voltar ao normal, as dores de cabeça foram embora e eu me sinto melhor do que me sintia a meses.

O lugar parece mais agradável do que a descrição da minha mãe, e quando meu pai para na frente da casa mais maravilhosa que já vi na minha vida eu tenho a sensação que já estive nela, apesar de saber que não seria possível.

Quando entramos na casa a sensação aumenta, porém logo é esquecida quando meu pai começa a falar comigo.

– Docinho, eu tenho uma ótima surpresa pra você!

– Pai, você sabe que odeio surpresas.

– Mas essa você vai gostar, eu prometo pra você.

–Okay, vou acreditar dessa vez

– ISSO!! Vem até a sala.

Vou seguindo meu pai e minha mãe até o cômodo que ele diz ser a sala de estar, até agora não vi nada de diferente, mas a hora que fixo meus olhos na poltrona situada no canto da sala.

– Henrique!!!!!

Vou correndo até ele e me lanço em cima dele no mesmo momento em que ele se levanta e estende os braços para me pegar, me dando o abraço mais maravilhoso que ele já me deu na vida.

Ele começa a falar me separando dele apenas o bastante para conseguir olhar em meus olhos.

– Não acredito que você está realmente aqui.

– Também não acredito, que com todas as cidades possíveis para me mudar eu fui cair justamente na que você está, isso é muita coincidência.

– Não existem coincidências Nanda!

Fico com aquilo na cabeça por 3 segundos antes de voltar a me concentrar na saudade que eu estava dele.

– Venha, vamos me ajudar a desfazer a minha mala, assim que eu encontrar meu quarto.

– Segunda porta a direita subindo o 3º lance de escadas.

Diz a minha mãe com olhar de expectativa.

Quando chego no quarto com Henrique carregando minha bolsa, por que diz que enquanto ele estiver vivo os bons modos nunca irão morrer, eu entendo porque minha mão tinha feito aquela expressão, o quarto é simplesmente perfeito, com desenhos de objetos e pontos turísticos de vários lugares do mundo, entrando em contraste com a parede branca, e os móveis brancos, pretos e roxo brilhante, exatamente da mesma tonalidade que meus olhos adquirem quando estou realmente feliz.

Henrique coloca minha mala no chão e ambos nos jogamos na minha enorme cama de casal, e ficamos apenas abraçados conversando sobre coisas estupidas, enquanto a lua sobe no céu estrelado e minha mãe pede pizza pelo telefone.

Nós descemos para comer pizza, e quando está tarde Henrique se despede, prometendo voltar no dia seguinte à noite, após eu voltar do meu tour guiado pela Diretora Claudia Morris na minha nova escola.

***

Quando começo a sonhar percebo que alguma coisa está diferente antes mesmo de ver que o cenário mudou, hoje estou numa praça, que fica a uns 10 min a pé da minha nova casa, não me pergunte como eu sei disso, mas eu apenas “sei”, dessa vez Henrique não está comigo, porém eu sinto uma sensação de proteção que nunca senti antes, nem na vida real nem nos sonhos, sinto como se uma corrente elétrica estivesse percorrendo meu corpo e quando olho para o lado lá está ele, o rapaz que eu nem mesmo sei o nome mas que desperta em mim as mais intensas sensações do mundo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.