A assassina da Turma
1 Prólogo
A calçada quebrada me faz tropeçar e deixa cair da minha mochila um revolver calibre 32. Abaixo-me e rapidamente recolho o revolver e mais algumas coisas que cairam. Sento-me no chão e lembro do que ocorreu minutos atrás.
Cheguei na EMA dez minutos antes das aulas iniciarem, minha cabeça doía, ainda sentia o gosto da erva na minha boca, o cheiro de maconha dominava meu corpo. O mundo dava voltas, mesmo assim estava certa da minha vingança. Era apenas algo para provar que ninguém sai sem arranhões, após confrontar-me. Andei pelos silenciosos corredores do colégio, ninguém percebeu que não estava no meu estado normal.
E lá estava ela, rindo da vida, fofocando com as amigas, preocupada com as péssimas notas e abraçando Edmundo, não por muito tempo. Em poucos minutos seu mundo encantado iria se desfazer em cinzas. Ela começou a se aproximar de mim, tive ânsia tamanha a raiva que sua presença me provocava.
Luiza e eu éramos melhores amigas, até a vadia resolver roubar meu namorado. Na cabeça dela nada havia mudado, eu era a mesma de antes, e estava bem quanto ao seu namoro com meu ex. O negócio é que eles começaram a ficar quando ainda estava namorando com ele. E Luiza me contou só depois de semanas, ela tinha que sofrer as consequências.
Cinquenta centímetros, era o que me separava da minha vítima, ela se aproximava mais enquanto sorria e balançava seu loiros cabelos. Chegou até mim, me abraçou e foi ai que me senti completamente dopada pela raiva que me corroia. Ela nem esperava.
Virei-me e peguei o pesado revolver, ela não se afastou. Pensou que fosse mais uma das minhas brincadeiras. Apontei o revolver em sua direção, deu dois passos para trás mais apenas para dar espaço a arma, não aparentava nenhuma insegurança. Ninguém estava olhando. Atirei, e foram os três segundos mais longos de minha vida.
Todos me olhavam amedrontados. Corri para fora do colégio e tropecei. O calor me acorda dos meus pensamentos. Agora o medo toma conta de mim. Não que me arrependo, fiz o certo. Ela mereceu a morte.
Não sei para onde vou, sei que aqui não devo ficar.
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