Notas iniciais
Bom, até uma parte desse capítulo a história é decrita por um simples narrador.Depois quem narra é Amanda, uma garota que é mais aparência do que sentimentos, por enquanto, decida se a ama ou se a odeia e para ela não vai fazer diferença.

A notícia de que uma nova aluna chegaria ao internato se espalhou rapidamente, como as tragédias se propagam.Não era para menos.Os alunos do internato São Cristovão no centro de Amaturá eram de regiões espalhadas pelo país, e alguns pelo mundo, ninguém era realmente nascido em Amaturá, e pouquíssimos no Amazonas.Era estranho que fosse entrar alguém da cidade lá, alguém que talvez nem tivesse dinheiro o bastante para pagar as caras mensalidades.Só podia ser um índio que entrou pelo sistema de cotas, alguns pensavam, outros que tinham aberto bolsas para alunos dedicados, mas sem muitos recursos.

Os pais geralmente deixavam os filhos nesse internato para que amadurecessem, e aprendessem a viver longe deles.E acabava funcionando, eles se tornavam mais independentes do que deviam ser.Ninguém falava do internato fora dele, tinham medo dos jovens que lá estudavam e moravam, sabiam quais eram as consequências quando algum interno descobria que dele estavam falando.Geralmente os alunos faziam com que a reputação da pessoa ficasse lá embaixo, e com que ela sentisse vergonha de andar na rua.Era fácil descobrir coisas assim, a cidade tinha apenas quatro mil habitantes, isso porque contava com os duzentos internos.

_Não! – eu disse cheia de raiva, quando li a notícia que estampava a capa do jornal estudantil._Amaturenses não pertencem a essa escola!

_Amanda você não precisa ficar assim só porque ela é amaturense, eu sei que a gente não costuma se misturar com gente daqui, mas pode ser uma chance para descobrimos o que tem por de trás desses altos muros. – Cecília me olhou esperando que eu fosse concordar com ela.Mas ela era a amável, a fofa, a querida, a que não via maldade no mundo.Eu já imaginava o que uma garota nova poderia ocasionar, por exemplo, a minha queda.

Dizem que as garotas brasileiras são lindas, mas nesse internato não há apenas uma que ganhe dos meus olhos amendoados tipico das Filipinas, de meu cabelo preto escuro, que ao vento pode muito bem ser usado como forma de seduzir, de meu corpo curvilíneo, e de minha pele bronzeada.Tudo em mim é perfeito.

É verdade que as garotas do internato são bonitas mas elas não são Amanda Mitchell.

-Meninas, vamos logo tomar café! – Analina gritou ao abrir a porta e arrancar-me de meus pensamentos.Andei até a porta junto de Lia, nós três demos os braços e começamos a fofocar sobre fatos aleatórios que fizeram-me deixar de pensar na porcaria da garota nova.

-As três mosqueteiras!! – gritou Isabela que imediatamente se juntou a nós na mesa em que tínhamos acabado de sentar.- E ai ficaram sabendo da aluna nova?

E então, todos aqueles pensamentos de que essa notícia era uma tragédia começaram a me invadir de novo.

_Ah chega de falar disso, não to afim de ficar com indigestão – falei antes que o assunto se prolongasse.

Olhei para as garotas na mesa, personalidades tão diferentes mas todas tão amigas.

Cecília nasceu para fazer o bem, era legal e dificilmente rude.Fisicamente, era magra, linda, olhos azuis como o mar caribenho, e cabelos loiros e sedosos, de dar inveja.Isabela era nossa informante, não que fosse fofoqueira, mas sabia de tudo e de todos, tinha o cabelo um pouco mais claro que o de Lia, era “boa de cara e de bunda” , como diriam os garoto, e lindos olhos verde azulados.Analina era a extremista do grupo sobretudo sentia, ou estava muito feliz ou muito triste, gordinha, braquela, sempre na moda, e com os cabelos que toda a garota gostaria de ter, ondulado, brilhoso e sedoso cor de carvalho.

Tirando a tragédia que abalara minha manhã o dia parecia perfeito. Os passarinhos continuavam cantando, todos me cuprimentavam enquanto eu passava no corredor, o vento corria na direção contrária a mim, fazendo meus cabelos voarem, a aula de matemática me fascinava e a de filosofia continuava a me afundar no tédio.Apesar de saber que esse internato era um prisão eu gostava de como eram as prisões.Até agora.