A assassina da Turma
9 Escarlate
Notas iniciais
Marcos
Não achei Analina. Não queria ter decepcionado-a, mas foi preciso, Marina precisava pagar. Eu estava indo agora mesmo substituir a fita instrutiva que a professora pretendia passar, pelo vídeo que fiz, meu e de Mariana.
Eu não apareceria e não seria atingido, mas ela seria expulsa ou no mínimo seria considerada a puta e no mesmo dia seria estuprada por algum filhinho de papai. Parece forte pensar nisso, mas é a realidade, quando a garota é fácil, e ainda mais é de Amaturá, os internos do São Cristóvão não perdoam.
Marina
Não acredito que fizeram isso comigo. Mas essa história não vai acabar assim, há de ter volta. Minha vingança já está planejada, essa noite sangue irá correr pelos corredores dessa escola imunda.
Cai a noite com sua linda lua e junto floresce a vontade de ver alguém pagar por minha humilhação. Verifico se há alguém nos corredores do dormitório. Vazio. Parece até uma cena de filme de terror. Caminhando — com meu revolver calibre 32 na cintura da calça jeans, o mesmo com o qual tirei a vida de "alguém" pela primeira vez — pelos corredores de um internato vazio, escuro e silencioso. Paro na frente da porta do quarto da minha próxima vítima. Bato levemente. Mudo a voz, imito a de Analina com a certeza que irá abrir a porta para ela. Para minha sorte hoje tem festa e sei que estará sozinho por não gostar desse tipo de coisa. Preparo o gatilho, ele abre. Entro e fecho a porta antes que ele possa perceber que não sou Analina.
Quando ele dá por si foi atingido no ombro. Não errei, não errei, só queria vê-lo sofrer, rogar por sua vida, e ele o fez.
–Não me mate, Marina! As coisas vão ficar ainda piores para você, as garotas de quem você roubou os namorados são vingativas, elas irão, certamente, atrás de você.
Que complicassem, estava cansada desse povo que se acha superior, vão ter que me conhecer para notarem que são só fantoches na mão de seus "papais" que os abandonaram ali fingindo que ainda sentiam algum tipo de sentimento por eles. São uns coitados que se acham donos do mundo.
Miro. E deixo meus dedos abraçarem o revólver sentindo o gosto da vingança, a bala atinge seu peito e ele cai no carpete do quarto deixando uma mancha escarlate se formar.
Alguém tinha ouvido o barulho do tiro e vinha na direção do quarto procurar por Marcos. Fujo, mas não antes de ouvir os gritos desesperados de Analina. Gargalho por dentro.
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