A ascensão da noiva amaldiçoada

7 O senhor dos oceanos decide fazer festa


Notas iniciais
Eu sei que sumi, mas foi por uma boa causa. Esse livro foi aprovado para uma publicação tradicional, sim. Uma noiva para Poseidon terá um novo titulo e ganhou uma casa editorial. Vou finalizar as postagens esse ano e ele ficará disponivel para lerem até feverreiro.

Poseidon

Ultimamente ando irritado, especialmente por conta daquela jovem na praia. Sua atitude e seu julgamento injusto me afetaram. Sei que ela sente um certo remorso pela morte do pai, mas se entendesse o valor do que perdi, talvez não me julgasse.

Zeus sugeriu que Gaia poderia estar envolvida, mas, sinceramente, a única coisa que me vem à mente são os piratas. Pergunto quem teria a audácia de pegar a joia de mim? Tais pensamentos me assombravam, enquanto perambulava de um lado a outro pela sala do trono.

Uma sensação estranha pairava no ar, minha intuição indicava que algo se ocultava e que tinha ligação com a jovem leoa.

Enna entrou pela porta, passei os olhos por ela. Estava bem arrumada, mas sua beleza já não me chamava tanta atenção como antes, minha mente parecia obcecada por ela, desejando apenas a ter aqui. Aquela mulher, tão ousada, rebelde, desejava ter em meus domínios, seguindo minhas ordens e caprichos.

— Meu senhor. — Se ajoelhou. — Está tudo bem? — Tentava demonstrar certa preocupação, mas, no fundo, sabia que não tinha.

— Estou muito bem, o que você faz aqui? — questionei. Soa ridículo me perguntar se estou ou não bem.

— Sabe qual é meu dever, vejo que está muito cansado e estressado. — Ela se aproximou, sua mão tocou meu rosto e devagar desceu por meu peito.

Seu toque me causava certo desconforto e notei os guardas observarem a cena. Isso ia causar murmúrios, o que menos desejava era estar na boca do povo com ela ao lado.

— Eu sei, mas não me toque sem permissão. Estou ocupado demais. — Rebati, afastando sua mão.

— Entendo, mas você precisa relaxar. Como resolverá as coisas estando assim, meu senhor? — Soltou, sem ter noção da gravidade de suas palavras.

— De alguma forma irei, agora se você puder me deixar em paz, agradeço. — A vontade que eu tinha era de puni-la. Por mais que ela comparecesse em vários momentos do meu cotidiano, sua presença era insignificante demais e jamais iria preencher o vazio que eu sentia.

A deixei sozinha, não ia dar ousadia a essa mulher. Andei apressado rumo à biblioteca, queria um momento de paz para refletir. Abri a porta dourada da sala literária e caminhei até o fim do amplo corredor repleto de livros.

O silêncio daquele local me dava conforto. Era como se estivesse adentrando as profundezas do mar, onde a luz filtrada pelas janelas lembrava os raios solares que dançavam sobre as ondas. As paredes azuis me traziam memórias da vastidão do oceano.

Estalei os dedos, diminuindo a luminosidade, enquanto caminhava entre as prateleiras de madeira escura, exibiam uma coleção de livros, alinhados como as pérolas de um colar. Toquei um livro verde-esmeralda na última prateleira e ele mostrou uma câmara onde guardava o colar.

Os colares eram mais do que simples adornos; símbolos de confiança concedidos por um deus. Entregues apenas a mortais dignos de tal honra, representavam um laço especial entre divindade e mortalidade. Contudo, para mim, aquele colar era apenas um objeto comum.

Confiança, algo que não sabia mais onde depositar. Após testemunhar o sofrimento de Hades por amor, decidi ser mais reservado. Amar era sinônimo de sofrer? Ainda não entendo o que sinto por Sophia. Confesso ter certo apreço por ela, desejo, mas não sei como lidar com tudo. Talvez seja apenas excitação, como os mortais dizem, mas e se não for?

— Que dilema, Poseidon, agora é você que não sabe dizer se ama alguém. — Toquei a caixa de tom azul e contemplava o cordão com pingente de tridente.

— Senhor Poseidon. — A voz de Luara ecoou através da sala, enquanto entrava apressada. Seu vestido laranja encontrava-se preso aos ombros com broches e uma faixa colorida nos cabelos.

— Sim, algo aconteceu? — sondei, percebendo um sorriso se formar em seus lábios.

Escondi a caixa atrás de mim, não queria que tivessem pena de um deus como eu. Demonstrar fraquezas e sentimentos é como estar vulnerável, isso poderia prejudicar até a confiança dos mortais em nós.

— Hades está aqui com Perséfone, vieram vê-lo, melhor dizendo, a senhorita Nikaia — Sorriu.

Acenei para ela, indicando que iria em breve e ela se retirou em seguida. Certamente percebeu que eu precisava de algum tempo. Vi a caixa, ainda pensando no que faria, antes de a colocar no livro e fechar aquela sala.

Luara me observava de longe. Aposto que ela me daria algum conselho depois. Acompanhei-a até o jardim, onde Hades e Perséfone estavam.

Perséfone gostava de ser chamada pelo seu nome mortal. Tinha longos cabelos avermelhados, olhos castanhos e uma pele clara. Hades costumava sempre segurar sua mão. Os vi perto da fonte, o rei do submundo abraçava sua rainha e lhe tomava os lábios. O vento ficou mais forte e quase levantou o vestido dela, ambos ficaram envergonhados.

— A que devo essa surpresa maravilhosa? — falei, tentei conter o riso. Infelizmente, havia atrapalhado.

Desde que, eu não passe vergonha, tudo estava bem. Hades e Nikaia se soltaram e me olharam apreensivos.

— Sabe que não gosto de ver você triste e notei que parece esconder algo? Poseidon, você não sabe mentir, ainda mais para mim! Ninguém sabe. — afirmou Hades. Nikaia tentava desviar o olhar por conta da cena de antes.

Acredito que ser questionado por Hades era pior do que aguentar os sermões de Zeus, ele sabia descobrir até as melhores mentiras.

— Acha que escondo algo? Meu irmão, não tenho nada a dizer e você? Crianças são ótimas para ocupar a mente, viu? — Brinquei, e ele ficou sem jeito. Queria mudar o assunto. Ele entendia que se me pressionasse, teria o que queria.

— Não é para tanto, estamos aproveitando. Quando for o momento de ser mãe, prometo que você saberá primeiro Poseidon. — comentou Nikaia, afiada como sempre. Não levava desaforo, havia se tornado uma mulher forte e uma rainha grandiosa.

Os acompanhei até os bancos de pedra, ali nos sentamos. O clima estava agradável, um dia belo. Nikaia olhou para as crianças, filhos dos soldados; amava os pequenos. Se sentou ao chão e foi brincar com eles, enquanto Hades sorriu, admirando tal cena.

— O que foi? Fale a verdade. — pedi, observando-o. Devo me preparar para o que vem.

— Você não tem ninguém? Sabe, alguém em quem confie? — questionou rapidamente. Ele sabia de algo? Ou estava apenas me provocando?

— Eu adoraria confiar em alguém. — Desejei encontrar um buraco para me esconder.

Observei Nikaia; ela era muito gentil, imaginei Sophia. Tirando a rebeldia com que me tratou, seria interessante a ter ao meu lado. Abaixei a cabeça, lembrei de suas palavras, como me incomodaram. Ser acusado de algo que não fiz.

— Pode me contar algo? Como soube que amava Nikaia, que podia confiar nela? — se ele me respondesse, talvez conseguisse diferenciar meus sentimentos.

— Quando a visitei perto da guerra e Cronos, notei nela um olhar diferente, um olhar de confiança. Mesmo que não soubesse que a amava, lhe dei meu colar. Ela me abraçou, sentou em meu colo, eu a desejei, mas não tive coragem de me declarar, entende. — contou, e seu olhar parecia entristecido, talvez porque tivesse sido diferente se tivesse se imposto.

— Entendo. Conheci alguém. Sophia, o nome dela. Ela não é como Nikaia; ela me odeia e me culpa pela morte dos pais, mas é interessante.

— Como assim? — o sarcasmo estava claro em sua voz. — Ela o culpa? Poseidon, me explique melhor.

— Ela me enfrentou, disse ser cruel. Os pais dela faleceram em uma das tempestades do mar Egeu. Acredito que a joia dos oceanos esteja no meio.

— Zeus sabe? — Questionou. — Estávamos desconfiando de Gaia, e você sabia mais do que nós?

Hades estava inquieto, esperava essa reação. Creio imaginarem que eu não estava correndo atrás, mas digamos que eu sei de muita coisa.

— Vou contar em breve, mas voltando ao nosso assunto. Ela me fez sentir algo estranho, sempre penso nela. — disse a ele, que riu.

— Não mude de assunto, você está aprontando. Deveria agradecer a nossa atenção e não esconder as coisas. Tem água na cabeça? — respondeu, frustrado. Entendo sua revolta, mas era um assunto que cabia apenas a mim.

— Você tem o submundo para cuidar, me deixe tratar dos meus assuntos. Não sou uma criança e não tenho água na cabeça, pare. — rebati, ele se intromete demais. Hades revirou os olhos, o senhor do submundo detesta ser contrariado.

— Não é isso. Estou te oferecendo apoio, todos estamos. Não vai ganhar nada querendo resolver sozinho. — respondeu. Era fácil falar, desde o roubo da joia agiam como se a culpa fosse minha.

— Basta! Não sou como vocês, lidarei com isso da melhor forma. — Precisava impor meu pensamento ou ele continuaria na mesmice.

— Está realmente brigando comigo? Poseidon, sofri em silêncio. — Apontou para sua esposa, que fazia pequenas coroas de flores para as crianças. — Não faça como eu, não negue as coisas ou esconda, pois será pior.

— Não é isso. Somos diferentes, aposto que fazia coisas e não contava! — encarava o senhor do submundo. Ele se silenciou, ganhei essa discussão, por hoje.

Nikaia se aproximou e acariciou sua bochecha, causando desconforto em Hades, que a puxou para seu colo. Era como se estivessem me deixando de lado enquanto desfrutavam de um momento a dois.

— Pequena, pode contar a Poseidon o que é amar? Ele parece estar apaixonado. — Hades ria, provocando-me. Nika olhou para mim e não conseguiu conter o riso, fui transformado na nova piada do Olimpo.

— Não creio, está se apaixonando? Que amor, como você disse a mim. — A rainha do mundo dos mortos, relembrava o incidente que estraguei entre eles durante a guerra.

— Nikaia, por favor. — suspirei, sentindo a brisa agitar. Notei que ficou séria, deve ter percebido que não foi agradável.

— Poseidon, o amor é puro. Se você encontrou alguém que te faz se sentir bem, essa pessoa merece a sua atenção. Pode ser que ela não ame agora, mas pode conquistar o seu coração. Creio que ela esteja interessada em você. Eu acho. — O começo estava perfeito, mas aquelas palavras ao fim.

— Agradeço, de coração. — respondi. — Ela me rejeitou, está bem?

Acabei dizendo, estava um tanto frustrado por leoazinha não me aceitar, sentia que essa rejeição era uma ferida que estava me consumindo. Uma mistura de tristeza e solidão.

— Você não para de pensar nela, por conta de um não? Sinceramente, você não é homem?

— Por favor Hades, peça à sua esposa para se conter. — Tentei manter a calma. — E sim, sou muito homem.

— Tudo bem, mas não é por isso que viemos. Estamos aqui pelos ataques. Alguns portos foram atacados mais cedo e, parece, o próximo será Falero. Os soldados infernais assassinaram algumas sereias e uma delas mencionou Escolopendra. Esse monstro não age sozinho. — Nikaia estava claramente agitada, e eu compreendia o motivo; ataques como esse prejudicam a humanidade e reduzem o número de mortais que nos adoram.

A única informação que eu possuía envolvia piratas, sei de alguns ataques, mas nada como ela está contando.

— Ouvi falar sobre piratas, e talvez a joia esteja envolvida. Isso é tudo o que sei. — Respondi, relutante em revelar mais sem ter certeza.

— Certo, mas mesmo assim, mantenha-se alerta e não me oculte nada. Não sou como Zeus, que não percebe a diferença entre verdade e mentira. — Hades apontou, e eu apenas pude concordar em silêncio.

Passamos a tarde discutindo os planos e os ataques, mas sempre que o assunto se desviava para questões pessoais, amor, eu evitava entrar em detalhes. Hades não mencionou nada sobre a joia, contava com seu silêncio. No momento oportuno, daria minha opinião a Zeus.

****

Após irem embora, voltei à biblioteca e abri a câmara. Examinei cuidadosamente a pequena caixa azul. Nunca havia entregado esse colar a ninguém e queria ter a certeza de que, quando o fizesse, a pessoa seria realmente importante para mim.

O peguei com cuidado e passei os dedos pelo pingente. Segurei contra o peito, como se estivesse abraçando. Apesar de todos os obstáculos, tinha medo de me entregar completamente ao amor, mas, ao mesmo tempo, desejava experimentar esse sentimento.

Um dos guardas entrou pela porta da biblioteca e gritou por mim. Virei para ver e era Lucas, estava furioso. Espero que me traga boas informações ou o punirei por essa vergonha.

— O que houve? Não lhe dei essa educação. — Falei nervoso, escondendo o colar. Sentimentos de fraqueza, não posso demonstrar nada que envolva o colar.

— Era mentira sobre a ilha. A joia foi roubada dos piratas há muito tempo. Confirmamos isso, imperador dos oceanos. — Sua voz soou afobada e, na mesma hora, lembrei de Sophia.

Sua história era verdadeira. Agora, imaginava o motivo pelo qual seu pai roubou dos piratas, um simples pescador? Será que o ameaçaram? Tentarei sondar isso por conta.

— Que criaturas malditas. — murmurei, senti uma certa perturbação.

O mesmo sentimento de inquietação voltava. Creio estar deixando passar algo que não consigo ver.

— Me desculpe, senhor. — comentou, senti seu pesar e a decepção por não me trazer respostas.

Fiz um aceno com a mão para ele e saiu, deixando-me sozinho novamente. Peguei o colar e o observei. Sophia foi ignorante, mas não mentiu. Então, acho prudente confiar nela. Fechei a caixa e a levei daquela sala escura, lhe daria um novo destino. O pescoço de uma mulher ousada.

Andando pelo corredor, acabei encontrando Enna, sorriu maliciosamente antes de me abraçar sem minha permissão. Suas mãos deslizaram por meu corpo, chegando até meu pênis.

— Meu senhor, você está tão tenso. — sussurrou. — Posso te ajudar com isso.

Peguei sua mão e a tirei de perto de mim, seus olhos demonstravam certa raiva. Se queria confiar em Sophia, precisava agir como um homem que pertencia a uma única mulher. Espero que não seja nada passageiro e que possa domar a leoa.

— Enna, acho que devemos parar aqui. Não quero ouvir nada, e por favor, não me procure. Estou ocupado e tenho assuntos a tratar. — ordenei. Ela abaixou a cabeça e saiu rapidamente, não gostou de minha fala, mas pouco importa.

Voltei ao grande salão e fiquei até o crepúsculo surgir. Imaginei Sophia e a possibilidade de um dia, seu ódio por mim deixar de existir. Não tinha culpa por seu pai, mas precisava engolir o orgulho e a enfrentar.

Deixei o palácio durante a noite e segui até sua casa. Perguntei a alguns moradores e percebi que a tratavam com desprezo. Era evidente que sua história carregava algo. Ser a única que sobreviveu após a morte da família era considerado um sinal de má sorte, conforme as crenças locais.

Sua casa era pequena e ficava perto da saída do vilarejo para a floresta. Decorada com pedras e conchas, refletia bem o seu estilo. Notei a janela de seu quarto aberta, não era muito alta, então consegui espiar, vi que dormia na cama, enrolada no lençol. Entrei cuidadosamente e a observei por um momento. Vestia um vestido azul, seu cabelo estava despenteado, mas ainda sim, apreciei sua beleza e suas curvas delicadas.

Passei a mão em seus cabelos. Como eram sedosos e tinham um cheiro adocicado, me aproximei para ouvir sua respiração. Quando a toquei, acordou. Seus olhos pareciam assustados, no impulso me empurrou e caí ao chão.

Sophia correu para o canto com medo. Levantei-me devagar e iluminei o quarto com uma pequena bola de cristal de água. Invadi seu espaço, entendo que ela esteja assustada.

— Como você tem coragem de fazer isso comigo? — perguntei ajeitando as vestes, ela me observava aflita.

— O que você está fazendo aqui? A última vez que nos vimos já foi o bastante. — disse um pouco revoltada, tento ser gentil, mas ela me dá certo nervosismo.

— Eu não pude resistir, precisava te ver. Refleti sobre nossa conversa e peço desculpas por ter sido tão rude. — expliquei. Estava nervoso demais, tentava disfarçar mexendo as mãos, lembrei de Nikaia, ia dar essa chance. Só espero não estar errado, posso fazer isso.

— NUNCA ENTRE AQUI SEM SER CONVIDADO. — gritou, era muita petulância. Parecia uma doida, acho que mudarei seu apelido de leoazinha para louca.

Jogou um candelabro em mim, estava tomada pela raiva, realmente mulheres são malucas quando estão com ódio.

— Está bem, desculpe. Não consigo tirar nossa conversa da mente. Há algo que desejo lhe dar. — Entregar a caixa seria um passo desconhecido.

Sempre tive o que queria e ela não vai me ceder fácil, porém aceito o risco. Retirei a caixa azul de minhas vestes e a coloquei em sua cama, permaneci em silêncio, apenas aguardando.

— O que é isso? — perguntou, sua curiosidade foi aguçada. Mereço um prêmio por isso, pensei.

— Abra. Se o que você me disse for verdade, quero que use isso. É um símbolo da minha confiança em você. — expliquei, evitando revelar muitos detalhes sobre o colar.

Decidi deixá-la descobrir com o tempo a questão da troca de favores. Notei que não largava o livro de capa preta, que parecia ser um diário. Devagar, vi-a pegando a caixa e afastando-se de mim. Confesso que ela deveria agradecer minha atenção e não agir assim.

Abriu a caixa e tocou o colar, ele deu uma leve cintilada. Fiquei um pouco aliviado por ela não me bombardear com perguntas.

— Por que está me dando este colar? Eu não sou nada sua. — Por enquanto, pensei em silêncio.

— É apenas um presente. Quando precisar, basta me chamar, Sophia. Nunca confiei em um mortal antes, mas acredito que, por confiar em mim sobre os piratas e seu pai, você merece minha confiança. Talvez você não entenda agora, mas um dia entenderá. — Evitei olhar para ela, me sentia envergonhado. Não entendia como os humanos lidavam com isso, parecia ser tão fácil.

— Se você diz isso, então aceito. Viu? Não doeu você confiar em mim, mesmo tendo me chamado de mentirosa. — estava realmente testando minha paciência, provocando-me como uma criança provocaria um deus. Vim com todo respeito, e ela agia dessa forma. Irritante.

— Meus homens me confirmaram sobre os piratas e era mentira sobre a ilha. Desculpe por desconfiar de você. — Sophia tentava conter um sorriso. Aquilo me deixou nervoso. Tentei pedir desculpas, ser gentil, mas por que ela ainda me tratava mal?

Ela colocou o colar, e devo dizer que foi um deleite o ver adornando seu pescoço. Decidi deixá-la e voltar ao palácio. Aproveitei a brisa da noite e desapareci diante dela. Espero que entenda, agora, estamos entrelaçados.

Gostaria de saber se o ódio que ela sente é real ou se podemos transformar em algo prazeroso para ambos.

****

De volta ao palácio, subi até meu aposento, joguei o tridente de lado e vislumbrei a vista da janela, imaginando-a, uma dama selvagem, ela era como uma pérola negra, rara e preciosa.

Afastei tais pensamentos e voltei ao foco, os ataques, só aumentam. Passei os olhos pelos mapas na mesa de madeira, vendo as marcações em vermelho. Os ataques se concentravam nos grandes portos e Falero poderia ser o próximo, enviaria soldados pela manhã. Quem sabe ela não mude de ideia sobre mim se visse que me importo.

Tirei aquelas roupas, olhei para o espelho admirando minha imagem. Um belo deus, ninguém resiste. Só se Sophia desejar mulheres, ainda assim eu não renunciaria a um deus, se tivesse a oportunidade de estar com um.

Deitei na cama pensando em como seria seu corpo nu, suas curvas, os seios um pouco volumosos. Seria tímida ou fogosa? Acabei adormecendo, mas minha mente vagou por pesadelos.

Via Sophia em um barco pequeno, navegando em águas escuras e tumultuadas, as ondas batendo contra o casco. O céu encoberto por nuvens pesadas, e o ar carregava a promessa de tempestade.

De repente, as sombras começaram a se mover sob as ondas, criaturas marinhas monstruosas emergindo das profundezas. Seres com corpos de polvo e tentáculos. Enquanto outros pareciam ser híbridos grotescos de peixes e seres humanos.

Sophia parecia ter medo, estava indefesa, incapaz de fugir daquele pesadelo. No meio da agitação, uma luz brilhou, ela foi em sua direção. Mergulhou nas águas turbulentas, enquanto se aproximava, viu que não era apenas uma estrela, mas sim uma joia em forma de estrela-do-mar, incrustada em um cofre de coral.

Estendeu a mão para tocar e tudo ficou escuro.

Acordei com o coração batendo rápido, o suor cobrindo a testa. Não parecia um sonho, mas sim um presságio, mortais não podem tocar itens como a joia. Olhei a janela e tudo estava normal, minha mente parecia brincar comigo.

Fiquei acordado até que os primeiros raios de sol filtrassem pela janela. Depois de um bom tempo, uma voz começou a ecoar em minha mente era a dela, chamando por mim.

Sem esperar, peguei o tridente que cintilava, retirei o anel do dedo anelar, o lancei contra meu peito. Instantaneamente, meu corpo foi envolto por uma armadura forjada com escamas azuis que lembravam as águas profundas do oceano, adornadas com ouro.

O elmo cobriu meus cabelos, deixando somente o rosto visível. Havia uma crista que se erguia como uma onda congelada no topo. Enquanto me movia, as escamas azuis brilhavam ao meu redor. Segurei o tridente e, ao bater no chão, um portal se abriu.

Sophia parecia paralisada de medo, enquanto corpos de moradores eram destruídos na sua frente. O sangue corria pelo chão. Olhei de canto e percebi o ser maldito. Não pensei duas vezes e lancei o tridente pelo portal, atingindo aquela criatura, bem que Nikaia avisou.

O céu estava coberto de nuvens escuras, só a queria bem. Corri e peguei o tridente de volta. Escolopendra avançou com fúria selvagem, suas mandíbulas abertas, tinha um rosnado ameaçador. Suas garras brilhavam à luz. Apliquei golpes com o tridente enquanto ela retalhava com as unhas afiadas. Cada movimento produzia ondas de energia que agitava a terra ao nosso redor. Me aproximei e dei um golpe, fincando meu tridente na cabeça e cravando-o no chão.

Respirei profundamente e direcionei meus olhos à leoazinha. Embora a batalha tenha sido vencida, eu sabia que outras dificuldades estavam por vir. A peguei em meus braços, seu corpo estava paralisado.

— Você está segura agora. — falei percebendo que ela tinha desmaiado.

Observei ao redor e alguns moradores estavam correndo em minha direção, segurei Sophia firme em meus braços e chamei pelo tridente, abri o portal novamente a levando até Atlantis.

Guardas me observavam, corri pelos corredores do palácio e a levei até meu aposento, a coloquei na cama. Sentei ao seu lado e segurei sua mão esquerda, necessitava que ela acordasse logo, tinha de saber se estava bem, ninguém tem o direito de machucar aquela que será minha futura rainha.


Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.