A arte milenar de domar...
5 Capítulo 4 – A arte milenar de domar rivalidades
Notas iniciais
“Faz bem? É o que você realmente quer? Então não desista. ”
Desconhecido
Sasuke não era lá um cara muito humilde e venhamos e convenhamos, gostava de receber elogios. Enaltecia o seu ego, aumentava a sua já bem alta autoestima. Por isso, neste momento, enquanto escutava Anko elogiar seu resumo, estava realmente satisfeito. O dia que havia começado do pior jeito possível havia se tornado realmente bom. Ele tinha feito um ótimo trabalho, que lhe estava rendendo uma conversa muito produtiva com a professora, sem contar que ele havia beijado Sakura. Ah, isso realmente havia sido bom. Ele ainda tinha nos lábios o gosto da boca rosada e as mãos ainda eram capazes de sentir o corpo miúdo. Ele estava devaneando. Sakura estava lhe preenchendo novamente. Mas agora, os pensamentos não eram tão prazerosos assim.
O Clã Uchiha, a quem Sasuke chamava de família, era antigo e antiquado, ou seja, muitas das coisas dentro do clã era feita a moda antiga, como o fato deles terem um líder, uma linhagem secundária, casamentos arranjados. E bem, aí está o problema. Casamentos arranjados. Não era segredo para quem conhecia os Uchiha que isto era uma prática comum no clã e em famílias antigas. O irmão mais velho de Sasuke, Itachi, havia passado por isso alguns anos atrás. O moreno mais velho foi apresentado a noiva no primeiro ano de faculdade, quando Sasuke ainda tinha seus 12 anos e começava a ter uma paixonite por Sakura.
— Sasuke? – Anko estalava os dedos na frente do rosto do rapaz. – Vejo que não tem interesse no programa. Já que não está prestando atenção no que estou falando. Creio que a culpa se deve a certa estudante de medicina, que possui lindos olhos verdes. – A mulher de cabelos curtos de um tom estranho de roxo escuro cruzou os braços na frente do busto farto e olhou para o aluno com um misto de irritação e comédia. Sasuke parecia acordar diante do seu olhar. Ele se recompôs e tentou contornar a situação.
— Desculpe, Anko-sensei. Eu me distraí. Mas estou realmente interessado no seu programa. – Começou o rapaz, tornando seu semblante decidido. – Particularmente, filosofia não é uma das matérias que eu mais gosto e nunca achei que gostaria de escrever sobre isso. Mas foi realmente interessante ver como atitudes simples e artes tão antigas se envolvem com o ser humano e podem modificar o perfil de um advogado para melhorar a sua postura perante um tribunal. Foi realmente interessante.
— Bom, o seu texto ficou ótimo. Até demais para um calouro. – Ela sorriu de lado, conhecia bem Uchihas para saber que elogiá-los era a chave para um bom começo. – Eu estou à procura de alunos que estejam dispostos a fazer um estudo e escrever um artigo comigo sobre esse assunto, do que pode influenciar e ensinar um advogado a convencer um júri.
— Eu gostaria de participar, sensei. Sei que esse tipo de atividade é bom para um currículo e acho que redigir esse artigo pode me ajudar futuramente quando for escrever minha tese. – Sasuke sorriu. Não estava mentindo, sabia que esta proposta era algo maravilhoso. Calouros nunca eram convidados e escolhidos para participarem de projetos com os professores, ou seja, isto era um mérito dele, um que poderia ajudar o Uchiha no que enfrentaria adiante perante o Clã.
— Ótimo. Está dentro então. – Levantou-se batendo as mãos, Sasuke levantando logo em seguida. – Eu tenho o seu e-mail, te mando algumas instruções e uns texto para leitura e analise nos próximos dias. Mas não se preocupe, não é nada muito extenso. Sei que calouros tem pouco tempo e não pretendo te atrapalhar, já que quero que tenha boas notas. – Ela sorria para o mais jovem. Ele trabalharia bem, tinha certeza.
— Arigatou, Anko-sensei. Me esforçarei ao máximo, não pretendo desapontá-la. – Curvou-se levemente demonstrando respeito e gratidão a professora. Murmurou um com licença e retirou-se da sala.
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Aulas após o almoço davam sono. Não importava a matéria, Sakura sentiria sono, mesmo neste dia a aula sendo de anatomia 1, a matéria favorita de Sakura, ela ainda sentia sono. Mas o sono, ela até aguentava, o difícil era suportar a presença incomoda de Karin ao seu lado, sussurrando sem parar coisas que a Haruno se recusava a entender. A ruiva Uzumaki era prima de Naruto, mas não tinha quase nada dele, só a hiperatividade e o escândalo natural do Clã. Ela era egocêntrica e mimada, radiante como todo Uzumaki, excessivamente pegajosa com pessoas que gostava, tinha um pavio um pouco mais curto que o de Sakura, ciumenta, tagarela, mas era muito inteligente, bonita, extrovertida, tinha qualidades que fazia com que Sakura pensasse que poderia ser amiga dela.
Não que a ruiva e a rosada se odiassem, não, longe disso. O que havia entre elas era uma rivalidade – que até alguns anos atrás incluía Ino – a respeito de Sasuke. Sakura sabia que Karin gostava de Sasuke. Karin sabia que Sakura gostava de Sasuke. Ambas sabiam e se respeitavam mutuamente ao ponto de reconhecer a outra como rival. Elas se alfinetavam, implicavam e competiam uma contra a outra em quase tudo desde o segundo ano do colegial, quando Karin veio transferia da capital para Konoha. Todavia, Sakura sabia que havia vencido.
A Haruno tinha um relacionamento amoroso com o Uchiha agora. E eles estavam para completar o primeiro mês. Não que todos soubessem. Com o projeto que Sasuke estava participando, eles tiveram pouco tempo para conversar a respeito, mas se encontravam sempre. O moreno, apesar da máscara indiferente, era carinhoso e dedicado. Sempre mandava mensagens para Sakura dizendo o que estava fazendo e com quem estava, mensagens de boa noite, quase matara Sakura de alegria quando no último domingo surpreendeu a rosada chamando-a para ir ao cinema. Suspirou lembrando de como ele havia ficado constrangido quando ela segurou a sua mão.
Eles haviam marcado de se encontrar em uma praça perto do cinema. O local seria em baixo do relógio, como nos shoujos¹. Ela estava ansiosa e não pode evitar de chegar mais cedo. Gritou internamente quando chegou, com quase meia hora de antecedência, e o viu ali, parado em baixo do relógio. Os braços cruzados, olhando para o lado, o rosto indiferente como sempre, mas ela notou que os dedos da mão esquerda apertavam o casaco, ele estava ansioso, ainda mais do que ela. Ela correu até ele, falou um Sasuke-kun alegre e ele sorriu de canto. Ela o incomodou dizendo “você fica lindo quando está ansioso e eu estou feliz por você ter chegado primeiro”, ele negou a ansiedade e mentiu dizendo “eu tinha algo há fazer antes do encontro, mas acabou mais cedo do que eu esperava”. Ela sabia que era mentira e zombou “hm, não minta. Você apenas não sabe viver sem mim. ”
Ele contrariado, envergonhado, ansioso, nervoso – era seu primeiro encontro – começou a andar. “Vamos logo, estou congelando parado aqui. ” Sakura sorriu abertamente, correu para o lado dele, enlaçando o braço esquerdo dele. Ele a olhou de canto, murmurou um “irritante”, mas não fez nada, ele gostava daquilo. “Está frio, Sasuke-kun”. Ela se aconchegou mais à ele, a mão direita descendo pelo braço masculino até alcançar a mão esquerda de Sasuke e entrelaçar os dedos nos dele. O choque foi inevitável. Talvez por ser o braço mais próximo ao coração foi que o Uchiha sentiu os batimentos irem ao limite e as bochechas arderem com o excesso de circulação sanguínea. Sakura apenas sorriu, mordendo os lábios, sentindo a mão do Uchiha apertar a sua.
Era uma boa lembrança, seu primeiro encontro com Sasuke. Ela ainda podia sentir a mão dele na sua, o gosto dos beijos dele. Por Kami, ela tinha certeza que deveria estar uma pimenta agora.
— Hey, Sakura, a aula já acabou. – Karin lhe empurrou o braço enquanto terminava de guardar suas coisas.
Sakura, ainda sorrindo pela lembrança, arrumou suas coisas e saiu da sala. Já no corredor, ela sentiu o braço ser segurado. Quando olhou para trás Karin lhe olhava com um olhar determinado e um sorriso forçado.
— O que você quer, Vakarin? – Perguntou, a vontade de jogar o relacionamento com Sasuke na cara da rival era grande, mas sabia que Sasuke não gostaria nem um pouco de saber que ela havia brigado com Karin por causa disso.
— O que eu quero é simples. Quero te contar uma novidade. – Ela sorria sorrateira. – É claro que você não faz nem ideia do que estou falando, porque eu mesma só descobri noite passada e...
— Desembucha logo cabeça de pasta de pimenta, porque eu tenho mais o que fazer.
— Tá, tá. – Passou as mãos pelos cabelos, tomou um pouco de coragem e disse de uma vez. – Eu vou me casar com o Sasuke. – Ela estava com os braços cruzados e tinha um sorriso pequeno nos lábios. Sakura por outro lado estava apenas incrédula. Karin havia ficado louca.
— Como é? Você ficou louca de vez?
— Não. Eu não estou louca. – Karin suspirou, sabia que seria assim. Mas ela deveria contar para Sakura. Era a sua rival. Ela devia isso à Sakura. – Você já deve saber que Uzumakis, Uchihas, Hyuugas, enfim, tem mania de fazer casamento arranjado. – Sakura estava estática, só podia ser brincadeira. – Eu esperava que Sasuke-kun fosse prometido a alguém da secundária do Uchiha, mas por ele ser o segundo filho o Clã resolveu que ele faria um casamento pela empresa, não pelo Clã. Eu sou a segunda filha da casa dos Uzumaki, então nossos pais entraram em acordo. – Karin notou Sakura pálida, os olhos brilhando, lábios apertados. A rosada estava infeliz e por certo lado a ruiva também. – Não pense que eu estou totalmente feliz por isso. Eu queria o Sasuke-kun por ele gostar de mim também, não porque os nossos pais decidiram, mas se é o Sasuke-kun por mim está ok. – As lágrimas finalmente caíram dos olhos de Sakura, ela rapidamente as limpou virando de costas para a ruiva. – Você é a minha rival. Eu queria te contar primeiro. Eu não sei se o Sasuke-kun já sabe, mas tenho certeza que ele não ficara feliz com isso. – Foi a vez da ruiva derramar algumas lágrimas, as limpando rapidamente também. – Eu sei que não é de mim que ele gosta, eu não sou otária, tenho visto você radiante e também eu vi vocês juntos no domingo. Então, eu, realmente, queria te contar, não é culpa do Sasuke-kun. – Karin chorava pelo que estava dizendo, ela não acreditava que estava fazendo isso. Havia planejado tudo noite passada, mas não pensou que seria tão frustrante e triste. – Eu já fui rejeitada afinal... Desculpa, Sakura. – E saiu dali chorando. Sentia-se horrível. Ela não queria o Sasuke assim, ainda mais sabendo que ele não gostava dela. Era frustrante, irritante, quase insuportável.
Sakura por outro lado sentia que seu mundo havia desabado. Quando ela finalmente teve o Sasuke para si, quando tudo estava perfeito, logo agora algo tinha que acontecer. Mas como ela não esperava por isso? As coisas boas nunca duravam muito mesmo na vida dela. Havia sido assim com a família, por que não seria assim com Sasuke também? Ela começou a andar, as lágrimas caindo e ela as limpando freneticamente. Os pensamentos tumultuados, a dor avassaladora. Ela havia perdido Sasuke? Eles estavam completando o primeiro mês, isto não era justo. Ela não podia perdê-lo assim. Esperou tanto, pediu tanto, quis tanto, chamou, chorou, sofreu tanto pelo Uchiha. Não era justo. Ela não queria entrega-lo, não aceitaria entrega-lo. E então ela soube. Ela não o entregaria. Algo poderia ser feito, algo tinha que ser feito. Ela não deixaria que tirassem Sasuke dela. Nem que ela tivesse que convencer cada um dos membros do conselho Uchiha.
— É isso. – Gritou já descendo a escadaria central do prédio de medicina. – Já sei o que fazer. – Gritou novamente empolgada com mais uma das suas ideias mirabolantes brotando naquela cabeça rosa. Os olhos verdes brilhando pelas lágrimas e pelo fio de esperança no qual Sakura se agarrava.
Não se importando com o resto da tarde cheia de aulas, apenas correu para fora da Universidade de Konoha, ela tinha que encontrar certa senhora de cabelos loiros e olhos do mais puro mel.
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A maioria dos irmãos mais novos fingem não gostar dos mais velhos. Isso acontece porque parentes, amigos e até mesmo os pais tem mania de comparar o mais novo ao mais velhos, e se o menor não for tão bom quanto o outro sempre será acusado não estar se esforçando. Com Sasuke as coisas não eram muito diferentes, o Clã sempre o comparou a Itachi, que era o primeiro e quase perfeito em tudo o que fazia, porém, o mais novo dos Uchiha não ficava a trás. Ele se esforçou e era tão bom quanto o irmão em quase tudo o que fazia, talvez Itachi fosse melhor, como Sasuke sabia que era, mas as comparações continuas não fizeram Sasuke odiar o irmão, muito pelo contrário, ele amava Itachi mais do que qualquer um. E apesar de seguir o exemplo do irmão e ser tão bom quanto ele, Sasuke era horrível com conversar sobre sentimentos.
Relacionamentos em si eram difíceis para Sasuke. Ele não sabia bem o que fazer sobre os pais e garotas sempre deixavam o Uchiha calado. Os únicos com quem o moreno de olhos ônix realmente conseguia conversar livremente eram Naruto e Itachi. E bem, ele precisava conversar agora e mais do que nunca precisava de um conselho, mas Naruto não ajudaria, não que ele não quisesse ajudar, era mais o caso do loiro não poderia ajudar. Então correu para o irmão mais velho. Itachi com certeza poderia fazer alguma coisa e se não pudesse o ajudaria a pensar no que fazer. Tinha que haver uma solução.
O Grupo Uchiha, um conglomerado empresarial², tinha sua sede em Tokyo, mas era originária de Konoha, o CEO era o tio de Sasuke, Uchiha Obito, irmão mais novo do pai de Sasuke, Fugaku, o vice-presidente era Itachi, que ficava na filial de Konoha. E era no prédio do Grupo Uchiha que Sasuke entrava agora com passos largos e apressados. No rosto a máscara indiferente tinha as linhas das sobrancelhas apertadas, num olhar nervoso do Uchiha mais novo, os empregados apenas saiam do seu caminho. Todos sabiam que Itachi era como a mãe – Mikoto, mais gentil e acessível, apesar de impetuosa – e Sasuke como o pai – um tanto indiferente, inacessível e rígido. Quando a recepcionista viu o semblante de Sasuke, ligou imediatamente para a secretária de Itachi, com certeza ele não queria esperar para falar com o irmão. Ao sair do elevador no último andar, Sasuke rumou imediatamente para a porta do escritório do irmão.
— Sasuke-sama, Itachi-sama lhe aguarda. – O moreno cumprimentou a secretária com um aceno de cabeça e abriu as portas duplas do escritório.
Quando as portas foram abertas Itachi estava em pé, apoiado na mesa de mogno, os braços cruzados, os cabelos compridos amarrados na nuca pendiam pelo ombro esquerdo, o olhar caloroso dedicado ao irmão mais novo, os olhos tão negros quanto os dele, mas ainda mais afiados. Sasuke estava nervoso e disposto a implorar por ajuda e isso não o deixava feliz, mas ele faria isso, faria ainda mais. Faria qualquer coisa que estivesse ao seu alcance por Sakura, até mesmo ir contra o Clã.
— Ni-san, eu preciso de ajuda. – Disse Sasuke, olhando firmemente para o irmão.
Itachi sabia o porquê de Sasuke estar ali e sabia que tinha que ajudar o irmão, mas ainda não havia descoberto como.
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