A arte milenar de domar...

6 Capítulo 5 – A arte milenar de domar segredos


Notas iniciais
Oi pessoas. Aqui é madrugada e eu estou postando FINALMENTE esse cap. A demora de mais de 60 dias não tem uma justificativa definida a não ser que eu nunca ficava satisfeita com o que escrevia e a faculdade tem estado terrível. somando isso com a ausência do meu namorado e a carência que estou sentido, ficava bem ruim o q eu escrevia. Mas eu nao acho justo fazê-los esperar mais. [mesmo eu não estando satisfeita com o cap] Portanto, me desculpem o imenso atraso e pfvr, apreciem o cap :D

“Mesmo a mulher mais sincera esconde algum segredo no fundo do seu coração. ”

Immanuel Kant

— Itachi. – A voz do outro lado do telefone soou grossa e rígida.

— Otou-sama¹. Como vai? – Disse ignorando completamente o tom do pai.

— Onde está o seu irmão? – Fugaku parecia um tanto quanto analítico, revelando ao herdeiro que o caçula já sabia do casamento. Itachi apoiou as costas na cadeira larga, se afastando da mesa do escritório, tampando os olhos com a mão esquerda. Era obvio que o pai ligaria para ele, Sasuke o procuraria por ajuda. Não era segredo para a Casa dos Uchiha que o caçula estava namorando com alguém que não havia sido escolhida pelo Clã, talvez por isso o casamento tenha sido arranjado tão cedo.

— Eu não vi o Sasuke hoje, otou-sama. – Itachi massageava as têmporas, estava exausto só de pensar no que estava por vir. – O senhor contou sobre o casamento, não contou? – O mais velho não respondeu. – O senhor sabe que ele não vai aceitar, não sabe? Otou-sama...

— O que você queria que eu fizesse? O concelho não quer o segundo filho com uma ninguém. Eu sou o líder, mas não posso ir contra o conselho inteiro. E a sua mãe... – A voz do pai estava cansada, mas Itachi percebeu como a voz de Fugaku salientou a palavra ninguém. Ambos sabiam que Sasuke causaria uma confusão. Fugaku suspirou. – Ela está terrível.

— A senhora Mikoto é ardilosa, mas o senhor sabe lidar com ela muito bem. – Itachi suspirou fundo. Decidindo o que faria a seguir. Era o seu irmãozinho e ele o protegeria de qualquer forma. A ligação ficou muda por um tempo. Fugaku controlava a ira. Ele, como o atual líder do Clã, não podia tolerar que ambos os filhos fossem contra si. E ele sabia q Itachi ficaria a favor de Sasuke. Mas Fugaku precisava que o primogênito não fosse tão a favor assim. Itachi, por outro lado, não pensava em outra coisa a não ser em um modo de ajudar o irmão sem deixar o pai em maus lençóis. – Vocês sabem ao menos quem é a garota por quem meu orokanaru utouto² se apaixonou?

— Não há muito sobre ela. Nossos olhos não descobriram muito. Seu pai é uma pessoa normal de classe média alta e sua mãe é amiga de Uzumaki Kushina. – Fugaku tinha uma voz analítica, critica. – Tem sido amiga de Sasuke desde a primária. Aquela garota escandalosa de cabelos rosa que frequentava a casa dos Uzumaki. – Itachi levantou uma sobrancelha, intrigando-se com o jogo de palavras do pai ao mesmo tempo que lembrava-se de Sakura. A menina que sempre amou o seu irmão. Então Sasuke tinha finalmente assumido esse sentimento? Era uma surpresa e tanto para Itachi, uma boa surpresa. Mas agora o herdeiro dos Uchiha sabia que deveria esperar uma confusão muito maior vinda do irmão. Se fosse qualquer outra, talvez Sasuke não se movesse de modo tão drástico. Mas tratando-se de Sakura, Itachi sabia que o irmão caçula traria o inferno em chamas negras sobre o Clã se ousassem impedi-lo de ficar com a garota de olhos esmeraldinos. Itachi riu. – Qual é a graça, Itachi? – Fugaku perguntou alterado.

— A graça, otou-sama, é que agora eu sei que Sasuke não desistirá dessa garota por mero capricho dos velhos do conselho. – O olhar de Itachi e Fugaku se tornaram ao mesmo tempo afiados. – Eu não vou permitir que aquele bando de velhos tirem a felicidade do meu irmão. – A voz rouca e firme, digna do futuro líder do Clã Uchiha.

— Pois que assim seja. Eu não vou permitir que dois moleques desafiem a autoridade do conselho por causa de uma ninguém. – A voz de Fugaku era como trovão ao telefone, envolvendo-se na trama que estava sendo tecida, e Itachi soube que tudo estava definido, que tudo estava arranjado. – A sua mãe já correu para seu avô, o casamento com a menina Uzumaki será firmado no almoço de Natal. Você tem dois meses.

— Obrigado, otou-sama. – Mal Itachi havia terminado de falar e a ligação fora findada pelo mais velho. Fugaku era péssimo em admitir suas trapaças a favor dos filhos.

O moreno Uchiha girou a cadeira larga, ficando de costas para a mesa de mogno, de frente para a parede de vidro do prédio, e pôs-se a pensar nas palavras do pai. Uma ninguém. Seu pai. Sua mãe. Fugaku dissera estas palavras de forma dissimulada, com uma falsa indiferença. Talvez para alguém que conhecesse pouco o líder do Clã, este detalhe passaria despercebido, mas para Itachi soou claramente diferente das demais. Havia algo nas entrelinhas. Mas o que? A mente do Uchiha estava a mil. Ele mal pode escutar o toque do telefone, atendendo quase no último toque a chamada de sua secretária.

— Itachi-sama, a recepção ligou e disse que Sasuke-sama está subindo e deseja falar com o senhor imediatamente. – Pela oscilação na voz da mulher, Itachi identificou a mentira. No mínimo Sasuke havia entrado porta a dentro do prédio Uchiha como um furacão e a recepcionista correu para evitar deixa-lo mais irritado ao esperar para falar com o irmão ou simplesmente que o mais novo entrasse porta a dentro do escritório do vice-presidente, quer ele sendo permitido quer não.

— Mande-o entrar assim que a porta do elevador se abrir, por favor, Ayane-san. – Ela respondeu um hai³ e desligou o telefone, um pouco agitada pela visita do caçula dos Uchiha. Teria que desmarcar uma reunião com a diretoria faltando menos de 30 minutos para o início, ouviria algumas reclamações no telefone.

Itachi levantou-se da cadeira e contornou a mesa de mogno, ficando de frente para a porta dupla do escritório. Sentiu-se um pouco nervoso pela visita do irmão, queria mais tempo para pensar nas palavras sussurradas do pai. Ele ainda não sabia o que fazer a respeito, como ajudar Sasuke, porque mesmo querendo ajudar, não poderia desafiar o conselho apenas por causa disso, amor. Uchihas lidavam mal com amor. Amavam demais. Por isso há muito tempo que um Uchiha não decidia com quem iria se casar. Em mais de 5 gerações o único a escolher fora seu tio Obito e mesmo assim Obito não havia escolhido. Todos sempre souberam que Obito amava Rin e sendo ela bem-nascida no ramo secundário da empresa, sendo que o pai da menina era um dos diretores do grupo Uchiha, o conselho logo aprovou a ideia e quando ambos atingiram a idade foi anunciado o casamento. Isto é, Obito não tinha de fato escolhido Rin, o casamento com a Nohara era vantajoso aos olhos do conselho do Clã Uchiha.

Mas, e Sakura? Qual a vantagem que o conselho poderia ter no casamento dela com o segundo filho? O que Sakura tinha? Quem eram os seus pais? Não que isso fosse realmente importante, já que Sasuke casaria com ela o conselho aprovando ou não. Todavia, ir contra o conselho é pedir por punição. E Itachi temia que fossem retirados os privilégios do irmão, que deixassem de tratá-lo como o segundo filho. O objetivo de vida de Sasuke era provar ao Clã, principalmente ao pai, que ele era digno de ser o segundo filho da casa dos Uchiha, tirar isso dele seria a pior de todas as punições e justamente por isso Itachi sabia que os velhos do conselho sentiriam prazer em fazer tal coisa. Em sua maioria eram pessoas frias e secas, que não admitiam que fossem desacatados. Muitos haviam sido expulsos por muito menos ao longo dos séculos de história do Clã. Então o que fazer para impedir que este seja o destino do irmão?

Ninguém. Seu pai. Sua mãe. As palavras de Fugaku brilharam na mente ágil de Itachi. Quem eram de fato os pais de Sakura? E principalmente, quem era sua mãe? Era amiga de Uzumaki Kushina, portanto, pode-se admitir que a senhora Haruno não era assim tão desinteressante. Os pensamentos de Itachi eram rápidos, perguntas eram feitas e respondidas, estratégias eram formadas, os pontos se ligavam. Não há muito sobre ela. Nossos olhos não descobriram muito. Seu pai é uma pessoa normal de classe média alta e sua mãe é amiga de Uzumaki Kushina. Como os olhos dos Uchiha não haviam descoberto muito? Como não haviam descoberto tudo? Itachi não sabia como ajudar, mas sabia com o que ajudar. Ele tinha perguntas a fazer.

Então, as portas foram abertas. Sasuke entrou nervoso. Os olhos trêmulos e decididos. Itachi podia ver a confusão estalada no fundo daqueles ônix. Fitou o mais novo com carinho, era seu irmãozinho tolo, afinal. Ele não poderia deixar que ajudá-lo.

— Ni-san, eu preciso de ajuda. – Disse Sasuke, olhando firmemente para o irmão. – Você já deve saber, então me poupa o tempo de explicar. Portanto, indo direto ao ponto. O que eu faço? Eu não vou me casar com aquela ruiva escandalosa. Não quero casar com uma versão feminina do Naruto com uma dose a mais de agressividade. – Itachi riu da comparação do irmão. O mais velho mal conhecia a filha de Uzumaki Nagato, mas imaginava o quão barulhenta ela podia ser. – Eu tenho alguém que eu escolhi. E levei tempo demais pensando sobre, tentando não pensar sobre, ignorando, designorando, escondendo, omitindo, fingindo, fugindo e então finalmente assumindo para desistir assim. Eu não posso desistir, eu não quero desistir da Sakura. Ela me escolheu antes de qualquer um. Então isto deve ser reciproco. E daí que ela é uma ninguém,— Sasuke tinha desprezo na voz quando pronunciou a palavra, soava como se estivesse falando algo podre. – O conselho não pode me impedir de...

— Acalme-se, orokanaru utouto. – Itachi afastou-se da mesa de mogno e andou até Sasuke, os olhos tão afiados e negros quando um corvo na noite, à espreita, vigiando tudo e todos. – Quem é Haruno Sakura?— Perguntou. Cada palavra dita meticulosamente. Carinhosamente. Banhada em uma saliência que Sasuke não soube reconhecer e por um momento julgou o irmão como um tolo. Até que a voz dissimulada de Itachi soou novamente. – Quem realmente é Haruno Sakura?

—.-.-.-.-

Ok, as coisas nem sempre vão como a gente imagina, não é? Certas vezes nossas escolhas nos mostram resultados diferentes dos esperados, você se vê onde queira estar, mas não no momento em que esperava, se vê cercada por todos os lados, indo pelo caminho que não queria ir, não deveria ser daquele jeito. Você deveria ser capaz de fazer tudo a sua maneira, de poder escolher o que fazer, como fazer, onde fazer, quando fazer. Mas não seria pretensão demais? Achar que tudo pode correr do jeito que você quer? Claro que seria! Seres humanos não são capazes de prever todas as consequências de seus atos, muito menos vislumbrar todo o caminho à frente. O que nos resta é somente a esperança da luz no fim do túnel. E era essa luz que Sakura buscava. Mesmo que o caminho no qual ela estivesse agora não fosse o escolhido a princípio, mesmo que ela não estivesse ou não achasse que estava preparada para essa tal luz, mesmo que o agora não fosse o quando de 3 anos atrás, ela estava ali. Não voltaria atrás. Não poderia perder Sasuke, não permitiria, mesmo se tivesse que tornar o quando no agora.

Ela não esperava estar diante daquele portão antes de ser uma médica de sucesso. Antes de ter provado o seu valor individual. Antes de ser Sakura e apenas Sakura. Fechou as mãos em punhos e olhou decididamente. Não era hora de vacilar. Levantou os olhos e admirou a casa que um dia foi sua e que se Kami permitisse voltaria a ser. Era uma mansão tradicional japonesa, com seus telhados angulosos e jardins com lagos e pontes em arco. Na fachada da casa, o moderno estava na garagem, tendo o portão eletrônico com saída adjacente ao portão principal, na rua lateral. O portão da frente, em estilo tradicional japonês, com uma placa em madeira com o katakana para Senju e o símbolo do Clã, estava ali desde muitas gerações atrás, partindo da fundação de Konoha, e perdurava até hoje, mostrando toda a imponência e tradição do Clã que residia além dos muros. Sakura levantava a mão para bater no portão no instante em que este foi aberto revelando a figura esguia de uma senhora de cabelos curtos e negros como os olhos, trajando um kimono iromuji4 preto.

— Sakura?! – A mulher balbuciou, contendo o choro. – Okaeri. – Falou envolvendo a mais nova em um abraço. Sakura retribuiu com carinho o abraço.

— Tadaima, Shizune-san. Senti saudades. – A sinceridade exposta no sorriso que a rosada mostrou a senhora quando se afastaram.

— Eu também menina, eu também. – Limpou algumas lágrimas teimosas com a manga do kimono enquanto segurava a mão de Sakura. – Mas vamos entrando. Tsunade-sama deseja vê-la. – Disse arrastando a menina portão a dentro enquanto o mesmo era fechado por um dos membros da secundária, que Sakura comprimento com um aceno de cabeça. Ele lhe reverenciou, dobrando o tronco quase a 90° com as pernas, mostrando todo o respeito que tinha por Sakura. Ela se constrangeu, voltando a prestar atenção ao que a Shizune falava. – Ficamos todos surpresos com a sua ligação. Devo dizer que eu e Tsunade-sama ficamos muito felizes, mas os velhos do conselho tremeram quando escutaram o seu nome. – A senhora riu abertamente, ainda puxando Sakura pelo jardim, indo em direção a casa principal. – Aqueles malditos. Que morram todos, bando de abutres. Deve ter algum pacto de que todo conselho deve ser formado por velhos reclamões.

— Shizune-san, eles podem te escutar, você sabe. – Sakura advertiu a senhora, segurando uma risadinha. Mas ela logo tomou uma expressão séria. – Mas eles devem tremer mesmo. Eu não vim para uma simples visita.

Os olhos de Shizune se estreitaram. Tsunade-sama estava certa. Que Kami tenha piedade de você menina.

O resto do caminho até a casa principal foi silencioso. Todas as pessoas que passaram pelas duas reverenciaram Sakura. Cada reverencia dava forças para a garota, colocava em seu coração que era a coisa certa a se fazer. Assim, quando Shizune se ajoelhou ao lado da shoji5, na varanda externa da casa, e anunciou Sakura para Tsunade, a menina estava confiante. A shoji foi aberta e Sakura viu a mulher de cabelos loiros e olhos cor de mel, sentada sobre o tatami, sorrindo minimamente.

— Sakura, há quanto tempo. Você cresceu. – Sorriu para a mais nova.

— Tsunade-sama, já são 3 anos. Me desculpe por vir tão em cima da hora. – Sakura sentou-se sobre as pernas e reverenciou a mais velha. – É uma honra ser recebia tão prontamente pela líder do Clã Senju.

— Ara, por que tanta formalidade? É minha discípula. Você é minha sobrinha. – Não que Sakura fosse realmente sua sobrinha, era mais como uma prima de segundo grau, mas Tsunade, filha de Hashirama, e Mebuki, filha de Tobirama, sempre foram como irmãs, nada mais justo do que considerar Sakura como sobrinha.

— Isto é verdade, mas o motivo que me traz aqui não permite que eu me porte de maneira inapropriada. – Tsunade analisou a figura jovem a sua frente. Os cabelos estavam mais compridos e os olhos mais angulares. As feições eram de uma jovem mulher e não de uma criança da qual se lembrava.

— Continua direta como sempre. – Tomou um gole de sake. – Então diga, por que está aqui? – Os olhos cor de mel de Tsunade brilharam de excitação.

— Tsunade-sama. – Sakura encostou a testa no chão, reverenciando a mais velha. – Eu lhe peço humildemente que me receba de volta como sucessora da secundária. – Gritou expressando toda a sua vontade de uma vez só. Ela não estava ali para enrolações.

— Ara, a minha sobrinha finalmente voltou ao juízo. – A senhora sorriu, tragando um gole de sake. – Mas eu não sei o porquê do de volta. Você, assim como sua mãe e aquele idiota de cabelo estranho, nunca deixaram de ser Senju para mim. – Sakura mantinha a cabeça baixa, a testa no chão. – Mas você se lembra das suas palavras de 3 anos atrás menina?

— Hai. – Disse com segurança. – Eu sempre pensei que deveria fazer por merecer. Que ser apenas eu não era o suficiente. Então eu quis tornar o meu eu mais forte. Queria mostrar a minha força sozinha, assim poderia tomar o meu lugar com orgulho, porque teria o conquistado por mim mesma, teria provado o meu valor. – Algumas lágrimas rolaram pelos olhos verdes de Sakura enquanto a senhora líder do Clã Senju observava a cena um pouco atordoada. Sakura não se achava digna o suficiente ainda de estar à frente da secundária. Mas ela daria o seu melhor para ter Sasuke. E esse era o melhor que ela podia fazer agora. – Assim eu mereceria o meu lugar, a minha posição. Mas eu não tenho tempo agora...

— Basta. – Sakura arregalou os olhos com o espanto. A voz da tia estava fria. – O seu lugar é seu porque é seu, não tem nada a ver com mérito. Herdar o Clã não é como ganhar uma competição. Não se trata de fazer as coisas por si só. Pertencer a um clã, a uma família, significa não estar sozinho, não ter que fazer as coisas sozinho. – Sakura levantou a cabeça, os olhos trêmulos. O olhar de Tsunade era severo e ao mesmo tempo carinhoso. Era como uma mãe corrigindo o filho. – Não há nada que você possa fazer sobre isso.

— Mas... A oka-sama¹ tinha o mesmo direito que o meu e perdeu porque não a acharam digna. Eu não queria passar por isso. Eu queria ser digna!

— Você é, sua idiota. Sempre foi. Assim como Mebuki foi. – Tsunade estava irritada agora. Falar sobre o caso da prima sempre a irritava. Ela não se conformava com o que havia acontecido. – Sua mãe escolheu sair do clã. Ela nunca foi indigna de herdar o nome Senju. Ela fez a escolha dela. – Tsunade respirou fundo. O olhar vago, perdido em nostalgia. – Foi há quase 30 anos, então você não poderia saber...

— Como assim escolheu? Ela foi expulsa! – Sakura se exaltou.

— Não, ela escolheu sair. – Tsunade cerrou os olhos. – Ela tinha uma escolha. Herda a secundária e assumir a responsabilidade de proteger o Senju ou viver o amor que ela sentia. – A voz um tom mais agudo. Cruel como uma faca. – Naquela época, Mebuki havia se apaixonado por um arquiteto sem nome. Um ninguém. Mas ela o amava. O amava tanto que qualquer um ao redor dos dois podia sentir na pele o sentimento deles. Haruno Kizashi era um homem escandaloso e de bom coração, mas para o Clã, ele não podia ser o marido da líder, mesmo da secundária. – A velha passou a mão no rosto, cansada. – Era uma época diferente. Era necessário poder e a falta da linhagem não ajudaria em nada. Seria o elo fraco durante a guerra que estava instalada. Eu não entendo e nunca fui de acordo com essa barbárie imposta pelo conselho. Nem mesmo o seu avô, Senju Tobirama aceitou de primeira. – Sakura arregalou os olhos. A menção ao avô tão amado lhe perfurou o peito. – A verdade é que Tobirama-ji-sama6 nunca permitiria que Mebuki saísse do clã se não fosse para protege-la.

— Ma-ma-mas como...

— Menina ingênua, você caiu nas armadilhas daqueles velhos. Deixou que o veneno deles entrasse em seu coração. – Tsunade se pôs em pé. – Você não entende? O conselho mataria Mebuki para garantir o sangue puro dos Senju. Eles não queriam misturar o sangue, afiná-lo. Então Tobirama deu a filha uma escolha: servir o Senju ou ser feliz. Seu avô permitiu que ela saísse para ser feliz! Mebuki sempre foi séria demais. Claro que ela abriria mão de Kizashi em nome do clã, mas para Tobirama a sua filha, a sua única filha, era mais importante do que todo o clã. Ele permitiu que ela fosse feliz. Ele queria que ela fosse feliz. Então ele a libertou. A salvou. E a você também, garota ingrata. – Tsunade segurou Sakura pelos ombros, olhando fixa e profundamente nos olhos esmeraldinos nublados pelas lágrimas. – Você é digna porque Senju Tobirama escolheu que você pudesse viver. Então não me venha com essa de que precisa da aprovação, de que precisa mostrar o seu valor para um bando de velhos como aqueles quando alguém lhe escolheu acima de todos eles!

— Tobirama-ojii-sama6... Me... Escolheu? – Sakura estava um pouco perdida.

— Quem você acha que lhe trouxe para essa casa quando você mal sabia escrever? – Tsunade observou a figura confusa da sobrinha a frente. Ela parecia perdida. – Pelo jeito o conselho espalhou o seu veneno mais fundo do que eu imaginei. – Suspirou, massageando as têmporas. – Olha garota, eu sempre soube que o conselho e alguns membros da família principal mexiam com você, zombavam, e que a coisa ficou realmente feia depois que Tobirama-ji-sama faleceu. Eu não interferi porque você precisa ser forte. E você se tornou forte. Eu te darei um tempo para pensar. O seu quarto ainda é o mesmo. – Disse a senhora voltando a se sentar.

Minutos passaram enquanto Sakura pensava em tudo que acabara de escutar. A história que a Haruno conhecia dizia que a mãe fora expulsa do clã por ter se casado com alguém que o conselho não escolheu. Mas quando Sakura nasceu, Tobirama decidiu que a neta frequentaria a casa dos Senju “porque a criança não tinha culpa das decisões dos pais”. Sakura estudou nas escolas escolhidas pelo clã, estudou a tradição e costumes dos Senju ao lado da filha de Tsunade. Ela frequentava a casa 4 vezes na semana e amava cada uma das pessoas dali, apesar das perseguições. Mas amava acima de todos o avô. Contudo, nem mesmo uma vez ele havia mencionado o nome da mãe e agora Sakura sabia porquê, era saudade. Ela sabia de tudo isso agora, todavia ela sabia de mais uma coisa: amava Sasuke tanto ou talvez mais do que a sua mãe amara o seu pai, sendo assim não abriria mão dele. Ela conhecia o amor inabalável de Sasuke pelo Uchiha e não permitiria que o mesmo fosse afastado do clã. Portanto, ela só tinha uma alternativa. Limpou algumas lágrimas e olhou com uma expressão determinada para Tsunade.

— Tsunade-sama, eu vou ser sincera. Eu sempre pensei no clã e amo as pessoas dessa casa. Eu nunca pensei em desistir da liderança da secundária, mas eu sempre pensei que não era digna dela por ser mestiça. – Ela respirou fundo e olhou ainda mais determinada para a tia. – Meus planos não incluíam reivindicar meu posto antes de estar formada e com um bom emprego. Queria conquistar isso por mim mesma. Eu não fazia ideia de que o jii-sama tinha liberto a oka-sama, a história que me contaram é outra. Porém, eu não tenho tempo para pensar demais nas coisas e me irritar com o passado. – Sasuke. Eu não posso esquecer do porquê vim.— Eu não posso fazer tudo sozinha, o meu agora é hoje. Eu preciso ser uma Senju e usar a influência do meu nome para benefício próprio. Eu vou ser ainda mais egoísta dessa vez e pedir que reúna o concelho e me torne líder o mais breve possível. – A velha senhora líder do Clã Senju olhou com um misto de suspeita e orgulho para a garota de cabelos róseos e olhos esmeraldinos a sua frente. E afiando o olhar questionou.

— Ara, e para que tanta pressa?

— Ao contrário da minha mãe: eu vou herdar a secundária e assumir a responsabilidade de proteger o Senju para viver o amor que eu sinto. Eu quero estar no clã oficialmente para ser feliz.

Notas finais
1 Otou e oka-sama – pai e mãe; o sama é pelo respeito, por Fugaku ser o líder do clã; Sakura usa o sama pq Mebuki seria a líder da secundária se não tivesse saído do clã, mas Sakura a reconhece mesmo assim. 2 orokanaru utouto – irmãozinho tolo; é como Itachi chama Sasuke no mangá. 3 hai – sim. 4 kimono iromuji: são kimonos mais simples, pra uso diário ou cerimônias de chá. Só têm uma cor. 5 shoji - é uma divisória de correr, com uma moldura feita de madeira lacada e coberta com janelas de papel de arroz para deixar a luz entrar, ainda que esteja fechada. [http://japonmonamour.blogspot.com.br/2007/09/as-casas-japonesas-fusuma-shoji-tatami.html] 6 oji e ojii – ok, a diferença para nós, ocidentais, pode ser de apenas um ‘i’, mas no Japão o primeiro é tio e o segundo é avô; a mesma coisa acontece com oba e obaa, um é tia e o outro avó. e aí? gostaram? o q acharam disso? haha a Mikoto ainda vai aprontar das suas. cap q vem mostra a casa dos Uchiha durante a ligação :D hmmmm fico animada em escrever mães más MUHAHAHA e sobre a sakura? oq acharam? consegui mostrar td q queria? conseguiram entender o rolo? sim, sakura nasceu qnd mebuki já era quase uma senhora. qnd os pais de sakura se casaram tinham por volta dos 25 anos. e só tiveram a sakura quase 7 anos depois. Mebuki e tsunade são bem mais velhas q Kushina e Mikoto. Mas vou explicar de onde vem a amizade delas haha [Kushina&Mebuki] e como acham q sasuke vai reagir qnd descobrir esse segredo? e pq segredo? lembrem-se do 'oficialmente' usahushauhs enfim, era isso galera. leiam, comentem e me digam o q acharam, oq precisa ser melhorado. expectativas. etc etc etc ja ne o//