A arte milenar de domar...
1 Capítulo 1 – A arte milenar de domar cobras
Notas iniciais
“Toda a mulher tem o poder de enlouquecer um homem. Se não for de amor, é de raiva. ”
Desconhecido
Aquele dia estava sendo especialmente ruim. Ele havia acordado atrasado, levado um olhar severo do pai, perdido o ônibus para universidade, quase foi atropelado enquanto corria e atravessava uma rua sem olhar, apavorado com a ideia de chegar atrasado, deu com o nariz na parede do corredor do prédio da faculdade depois de ter apertado o botão errado do elevador e ter descido um andar de escada em velocidade muito acima da permitida, e para completar o completo desastre, antes mesmo das 8 horas da manhã, a professora Anko lhe havia fechado a porta da sala na cara afirmando que os 15 minutos de tolerância já haviam passado e que ele deveria redigir um trabalho a mão para compensar o que ele perderia por causa da falta.
Entediado, chateado e desanimado, este eram os ânimos de Sasuke naquela manhã. Por mais que as outras pessoas na biblioteca não fossem capazes de lê-las por trás da máscara que eram os olhos ônix, o cabelo negro e a expressão indiferente. Ele folheava o livro sem interesse, buscando qualquer frase aleatória que fizesse sentido perante a frase “resumo – a arte milenar de domar cobras inserida na arte de advogar”. Mas que raios de tema era esse que Mitarashi Anko havia inventado para castiga-lo dessa vez? Ela só poderia estar brincando com ele quando fez tal sugestão! Como a arte de domar cobras está inserida na advocacia? Ora, ele estava no primeiro semestre, mal havia decorado o nome das matérias, como esperavam que ele explanasse sobre o assunto, baseando-se em um livro programado para o terceiro ano do curso?
Mas ele era Uchiha Sasuke. E os Uchihas eram os melhores em tudo que faziam. Ele daria um jeito naquilo. Com esse pensamento, Sasuke abriu o caderno e escreveu o título bizarro que a professora escolhera, alheio ao olhar esmeraldino observador, oriundo da garota sentada algumas mesas as suas costas. Ela mordia a ponta da caneta com um sorriso travesso perdido nos cantos dos lábios. A cabeça rosa pensando loucamente no plano mais que mirabolante para fazer o moreno lhe olhar de volta. Com uma risada baixa, a garota tirou o celular do bolso do casaco e discou o número de um dos seus amigos.
— Alô? Naruto? Eu preciso de um favor...
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Sasuke já havia escrito todo o resumo quando Naruto lhe ligou chamando-o para almoçar. O moreno mais velho não havia reparado que já estava perto do meio dia, e agradeceu pelas aulas de Anko serem as únicas naquela manhã, se não possivelmente teria mais alguns trabalhos extras para redigir, visto que nenhum de seus professores eram maleáveis ao ponto de perdoar-lhe uma falta sem um belo de um trabalho em troca. Recolhendo os materiais da mesa da biblioteca – a qual ele havia ocupado inteira com pilhas de livros e folhas rasuradas – direcionou-se para a saída da biblioteca.
Havia sido uma grande surpresa para o Uchiha descobrir que haviam livros na biblioteca que tratavam do direito e da arte de domar cobras baseando-se na filosofia e dificuldades da profissão. Ele ficara tão absorto no assunto que mal viu o tempo passar e no final havia gostado de estudar o tema, já não mais tão absurdo assim, que a professora havia imposto. Mas isto ela jamais saberia. Afinal, ele não mostraria para ela que havia gostado do tema se não entregando um excelente trabalho. Porque de toda a forma, ela mais estava lhe fazendo um favor do que qualquer outra coisa, já que o moreno não poderia ter mais nenhuma falta em sua matéria.
Já no refeitório, Sasuke pode escutar o riso estridente de Naruto e os gritos histéricos de Ino. Os loiros brigavam freneticamente por algum motivo que nem eles mesmos sabiam, era só o puro prazer de brigarem entre si. Coisa parecida acontecia com Naruto e Sasuke, Naruto e Sai, Naruto e Sakura, Naruto e qualquer um, exceto Hyuuga Hinata. O loiro Uzumaki tinha prazer em irritar as pessoas até elas explodirem, qualquer pessoa, seja ela professor, amigo, desconhecido, mas claro, ele não fazia isso com a morena de olhos perolados, não que ele notasse que ela era uma exceção, nem ela mesma notava com o seu QI elevado, quanto mais o loiro desligado, caçula dos Uzumaki. Sasuke riu de canto chegando a mesa escandalosa dos amigos.
— Nee, Sasuke, não é verdade que deveríamos chamar a Ino de javali selvagem a partir de agora? Acho que combina mais. – Disse Naruto assim que o outro se aproximou.
— Naruto. – Esbravejou Ino dando-lhe um cascudo na cabeça.
— Sasuke-kun. – Chamou Sakura sentada ao lado do moreno. – O que escrevia tão concentrado na biblioteca hoje? – Ela perguntou com os olhos incrivelmente verdes e brilhantes para o Uchiha.
— Anko-sensei me pediu um resumo para abolir algumas faltas minhas em ética, filosofia e direito. – Respondeu desinteressado pensando se iria almoçar ou pegar algum lanche na cantina.
— Hmm... Posso ler o que você escreveu? Naruto comentou sobre ser um tema ridiculamente engraçado ou algo assim... – Disse movendo as mãos e o olhando de canto. Sasuke não entendeu o porquê de uma estudante de medicina querer ler uma redação sobre filosofia do direito, mas deu de ombros e voltou-se para a mochila para pegar o papel. Nesse meio tempo Sakura beliscou Naruto balançando a cabeça na direção de Sasuke, sinalizando ao loiro para colocar o plano em prática. – Aqui está. – Entregou o papel para a rosada.
— Nee, Sasuke, vamos pegar comida. – Naruto o puxou pelo cotovelo, piscando para rosada que sorria com a redação em mãos.
Quando Naruto já havia levado Sasuke longe o suficiente da mesa, soltou-lhe o cotovelo e olhou a vitrine da lanchonete, procurando algo para comer depois dos 3 potes de ramém de porco. Sasuke apenas olhou para o amigo, bagunçando os cabelos, percebendo o outro suar e batucar os dedos ansioso.
— Fala logo. – O Uchiha não tinha paciência pra Naruto quando o mesmo estava ansioso. Particularmente detestava quando o melhor amigo estava tão ansioso que não conseguia nem falar.
— Não há nada para falar, teme. – Ainda batucando os dedos freneticamente no balcão da lanchonete.
— Ok. Então eu também não vou te falar que eu escutei no caminho para cá que o tal Inuzuka Kiba irá convidar a Hinata para ir ao show do Flow na sexta. – Provocou, fingindo prestar especial atenção ao sanduíche de tomate, presunto e queijo exibido ali.
— O que? Como assim aquele cachorro vira-lata quer convidar a minha Hinata para sair? – Naruto estava fora de si. As mãos nos cabelos loiros e o rosto vermelho de raiva.
— Oh, SUA Hinata? – Perguntou já rindo da cara envergonhada do amigo que resmungou sobre ela ser dele, mas que ela ainda não sabia disso, fazendo Sasuke gargalhar.
Já de volta a mesa, o Uchiha percebeu que Sakura não estava mais ali. Ino avisou que a rosada havia colocado de volta a redação na pasta do moreno e saiu apressada, falando algo sobre não poder perder tempo. Sasuke deu de ombros, ele ainda estava entretido com a confissão desajeitada do Uzumaki há alguns minutos. Ele queria instiga-lo até o loiro falar isso para a Hyuuga.
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Passado o almoço, Sasuke dirigiu-se à sala dos professores a fim de entregar o bendito resumo para Anko, garantindo assim a sua não reprovação por falta. Na porta da sala, tirou a pasta da mochila e procurou pela redação. Contudo, ela não estava ali. No lugar da redação havia uma folha de caderno com um desenho desajeitado de uma Sakura piscando com o resumo em mãos e um número de telefone anotado de caneta rosa no fim da folha, com os dizeres ligue-me em letras garrafais.
O Uchiha estava – utilizando de eufemismo – furioso. Amassou a folha entre as mãos, fechando estas em punho, trincou os dentes e colocou o olhar mais ameaçador que tinha no rosto. Se Haruno Sakura estava pensando que podia brincar com ele dessa forma ela estava muito enganada. Mais que depressa ele discou o número marcado no celular e esperou impaciente os bips da chamada contando os segundos para essa ser completada. Para a incredulidade de Sasuke, a garota atendeu a ligação no último toque, quando o Uchiha já estava possesso, ao ponto de pensar seriamente em jogar o celular contra a parede e procurar por toda a Konoha a rosada e fazê-la sofrer.
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