A arte e como
33 Capítulo 33: Mudança
Capítulo 33: Mudança
Com as fortificações e a pressão comunista, relacionadas às derrotas alemãs no território russo, muitas das forças táticas alemãs deixaram de tentar atacar novos territórios, e bastaram em defender o próprio território alemão.
Rainer teve que voltar a sua casa em Lubeck. Tivera a notícia de que sua mãe estava doente de novo.
Chegando em casa, deparou-se com sua mãe em leito numa cama, e logo disse:
–Mamãe, o que está acontecendo?
Melanie: A doença voltou filho, está ainda mais forte.
Rainer: Onde estão Doth e Meg?
Melanie: Elas foram enviadas para a guerra. Estão servindo nas enfermarias. Todos estão fazendo o seu melhor, assim como você.
Rainer: Mãe, eu me reencontrei com ele, o comandante que retirou a vida do papai.
Melanie: E então?
Rainer: Eu senti tanta fúria. Mas no final das contas tive piedade.
Melanie: Fico muito orgulhosa de você filho. Não me sinto bem nestes dias, mas sei que logo tem que ir embora.
Rainer: Eu ficarei com você até melhorar. Imagino a dor que deve sentir quando me vê indo para a guerra.
Melanie:Estou muito orgulhosa de todos vocês!
Rainer: Mãe, o que foi que eu me tornei? Eu já matei tantas pessoas nesta guerra, e para que...onde vamos chegar?
Melanie: Fique calmo filho. Você continua sendo a mesma criança inocente por dentro. Não importa o que você faça, se você tem um coração bom.
Rainer: Mamãe? Mamãe!
Melanie havia aguardado e lutado ao máximo para poder reencontrar um de seus filhos antes de se render a doença. Mas já estava suficientemente adoecida para aguentar a asfixia da luta pela sobrevivência.
Rainer sentou-se abaixo da cama. Não sabia o que fazer. Começara a beber, fora derrubando todos os móveis no chão. Então decidiu por abaixo todo o sofrimento que havia passado naquele lugar. Colocara bebida por todo o local.
A casa se encontrava agora em chamas, e Rainer, do lado de fora, via cada faísca levantar, tornando-se a mais escura fumaça.
Rainer: Eu nunca fui como você, Schneider. Eu tenho meus objetivos. Não tenho repúdio às outras pessoas. Mas afinal, com esta guerra, o que nós (seres humanos) nos tornamos?
Toda a casa queimou. Rainer sabia que não havia mais volta. Todas as decisões que havia tomado até então, eram de certa forma, irreversíveis.
Após o acontecido, Rainer decidiu fazer uma breve visita a Hamburgo, com a pretensão de reencontrar Blum.
De volta a mesma casa com porta de madeira e a pequena escadaria, Rainer ficou esperançoso na possibilidade de reafirmar as pazes com Brunhild. Mais do que isso, Rainer havia subido de cargo consideravelmente, conseguindo dar melhores condições de vida para si, e gostaria de poder fazer o mesmo para Brunhild. Queria pedi-la em casamento.
Rainer: Blum, sou eu, Rainer! Por favor, deixe-me entrar, tenho uma ótima notícia para lhe dar!
Rainer esperou por alguns segundos, e deparou-se com Blum, já com uma aparência mais adulta, mas com os mesmos traços.
Rainer: Blum, eu capturei. Eu consegui mover um deles, um dos comandantes das atrocidades contra os judeus!
Blum: Rainer, eu não esperava te ver por aqui.
Rainer: Blum, me perdoe, eu lhe enviei diversas cartas, mas acredito que todas foram interceptadas pelo exército alemão!
Blum: Não, eu recebi todas elas. Olha Rainer, acho que é melhor você ir embora.
–Quem está aí?
Rainer ficou apreensivo, e logo um homem apareceu na porta.
Blum: Rainer, este é Adam, meu marido.
Rainer ficara imóvel, não possuía reação alguma.
Adam: Querida, ele por acaso é um deles?
Blum: Sim, mas não é uma ameaça. Deixe que irei resolver isto.
Rainer: O que é isto?
Blum: Ele é judeu, você entende, certo?
Rainer: Blum...eu..
Blum: Eu também te amei por todo este tempo Rainer, mas você não não me deixou escolha!
Rainer: Não, você não entende! Nós deveríamos ficar juntos, eu esperei por todo este tempo.
Blum: Vá embora Rainer, vá para sua casa, aqui não é seguro para você.
Rainer: Venha comigo Blum, aqui não é o seu lugar.
Blum: Você está enganado. Adam espera um filho nosso. Me desculpe Rainer, mas acho que as coisas não acabaram da maneira que havíamos planejado.
Rainer colocou a pequena flor de margarida em sua mão. Era a mesma daquele primeiro encontro, do qual Rainer nunca se esqueceu.
O jovem retirou-se do local, correndo por entre as ruas de Hamburgo, mas fora surpreendido por uma sirene.
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