A arte e como
22 Capítulo 22: Comando
Capítulo 22: Comando
Georg: Rainer, o que são estas coisas embaixo da sua beliche?
Rainer: Apenas alguns rabiscos.
Georg: Posso dar uma olhada?
Rainer: Sim, claro.
Georg logo impressionou- se com os desenhos e pinturas de Rainer.
Georg: São realmente muito bons. É bom saber que você segue os mesmos passos do Fuhrer.
Rainer: O que quer dizer?
Georg: Ora, ele publicou diversas obras, em grande parte pinturas. Um verdadeiro apreciador da arte, assim como você.
Rainer: Hum, certo.
Georg: Você já pensou em ser pintor?
Rainer: Na verdade, bem... Eu nunca tive a oportunidade de pensar nisso. Mas acredito que gostaria de ser, se pudesse.
Georg: Assim como o Fuhrer, você soube escolher defender nossa nação. Entendeu que existe a arte na guerra.
Rainer: Não diga isso. A arte não se baseia na destruição!
Georg: Você só poderá dizer isso quando estivermos lá.
–Atenção pelotão,dirigir-se ao salão central!
Rainer: Mal posso esperar para conhecer o comandante.
Georg: Dizem que ele é um ótimo estrategista. Temos muito a aprender com ele.
E então dirigiram- se ao salão central. Haviam incontáveis jovens no local. Parecia que Bernhard realmente poderia fazer um bom negócio com a venda de armas para jovens guerrilheiros.
E fora então que o comandante aparecera. Para a angustia de Rainer não se tratava de Schneider,e sim um comandante de mesma patente.
–Boa noite, sou o comandante Butzke. Estou muito surpreso pelo número de jovens presentes, reunidos para lutar em nome da pátria.
Butzke disse aos jovens que a Alemanha já não mais ficaria à mercê das demais potências europeias. Estavam determinados a vencer esta nova guerra e dar o troco pelo que haviam sofrido desde o episódio no palácio de Versalhes.
Derrotados, humilhados, em estado miserável.
Rainer compreendeu tudo aquilo, mas não tão piamente quanto os outros. Afinal, existiam tais coisas como as leis de Nuremberg, as quais já demonstravam certa aversão aos judeus, da qual o garoto não compreendia.
Grandes amigos seus foram judeus, tal qual fora Klever. E Rainer também não se esquecera de que parte da família de Blum era judia.
Sendo assim, Butzke não fora capaz de transmitir todo o seu ódio para Rainer, nem mesmo a limpeza étnica parecia digerível para as ideias do jovem rapaz.
Mais tarde, no dormitório, Rainer indagou alguns de seus colegas, dizendo:
–Há certas coisas, neste diálogo do comandante. Eu não sei bem, mas não consigo entender ou assimilar com o fato de ganharmos a guerra.
Fritz: Não importa Schlutter! Faremos o que for preciso para levarmos nosso país a glória.
Rainer: Será mesmo necessário tudo isso?
Fritz: Só o tempo nos dirá.
Antes de adormecer, Rainer retirou os papéis que havia roubado de Schneider.
Methoden der Kriegsführung (Métodos de Guerra). Tais escritos explicavam muito sobre a Blitzkrieg(Guerra Relâmpago) e estavam a certo ponto além daquilo que Rainer via em seu treinamento.
Admitindo que de certa forma, Schnieder era ainda um estrategista notável.
Tudo que o garoto queria era poder terminar logo a guerra, trazer um novo período para seu país. Voltar a ver sua família, reencontrar-se com Brunhilde e ajudá-la a vender suas flores.
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