A arte e como
20 Capítulo 20: Reencontro
Capítulo 20: Reencontro
Ao mesmo tempo, Blum já havia percebido que a fábrica diminuíra drasticamente o seu ritmo. E então começou a pronunciar:
–Maldito seja este turno da noite! Os funcionários preguiçosos põe-se a dormir no setor do forno, enquanto nós, da esteira , trabalhamos como cães! É por isto que nada dá certo neste trabalho!
E então uma funcionária exclamou:
–Esta garota tem toda a razão! Estes homens preguiçosos põem nossa vida em risco, toda vez que cochilam em horário de serviço. E se uma destas máquinas ficar prensada sobre nossas crianças? Pensem nas coisas terríveis que podem vir a ocorrer!
Da sala do forno Rainer já podia ouvir o barulho da multidão enfurecida, e logo depois alguns seguranças entraram na sala, e um deles disse:
–Aguardem em seus postos, está havendo uma rebelião no setor 6!
Com a distração destes, Rainer adentrou novamente na tubulação, indo até o setor indicado pelo segurança. Logo encontrou-se com Blum.
Blum: Olá! Foi mais fácil do que pensei!
Funcionária: Nós não podemos mais suportar, enquanto nossa nação invade as terras da Polônia, buscando reestabelecer sua grandeza, ficaremos aqui aprisionados? Em condições sub-humanas?
Blum(gritando): Onde está o chefe? Chamem-no! Precisamos de melhorias imediatamente!Não podemos mais respirar esta fuligem que nos mata cada vez mais. Dia após dia!
Rainer estava muito orgulhoso, tanto de si quanto de Blum. Aquilo sim era arte, ou mais precisamente,
Revolução.
Uma voz num alto falante ecoou pela fábrica. Era Bernhard.
–Atenção funcionários, por favor, não façam tanto estardalhaço!
Eu compreendo que até mesmo seres desprezíveis como vocês podem ter a noção do que se passa aqui.
A Alemanha já não é mais a mesma daquela vista em 1918. Estamos todos trabalhando duro nas fábricas, construindo o armamento necessário para que possamos realizar nossas conquistas.
A Polônia é apenas o começo de uma grande expansão para a melhoria de vida, e vocês, cidadãos de Hamburgo, deveriam orgulhar-se de poder fazer parte desta missão tão honrosa.
E então um dos funcionários retrucou:
–Se é um trabalho de tamanha honra, então porque é que o senhor recusa-se à fazê-lo? E apenas se encarrega do dinheiro sujo com o qual, em grande quantia, fatura vendendo armamentos ao exército?
Neste mesmo momento, observando o movimento da fábrica, Rainer observou algo que o fez desligar-se de todo o confronto.
Rainer: Margret!? Margret!
Blum: O que foi Rainer?
Rainer: É a minha irmã!
Rainer havia então avistado sua irmã, e fora atravessando toda a multidão, quase sendo esmagado pela massa que formava aquele emaranhado de pessoas.
Bernhard: Confesso que já ha certo tempo temia que este tipo de manifestação viesse a acontecer. E, como forma de prevenção para que isto não venha a ocorrer novamente, decidi poder testar aquilo que eu mesmo produzi.
Rainer: Margret, Doroth!
Margret: Irmão, você está vivo!
Doroth: Eu senti tanta saudade!
Neste instante Rainer abraçou suas irmãs como se nunca mais quisesse soltá-las, mas infelizmente, fora obrigado.
Diversos dos seguranças de Bernhard apareceram, todos armados.
Bernhard: Espero que isto sirva como exemplo, para que outros como vocês não venham a cometer os mesmos erros.
E então uma rajada de tiros atingiu toda a fábrica. Rainer abaixou- se com suas irmãs em meio as engrenagens.
Rainer: Vocês duas, ouçam-me. Há uma saída de emergência logo após aquela grande fenda de metal. Voltem pra casa, cuidem da mamãe. Tenho certeza de que ela precisa muito de vocês.
Margret: Mas você tem que vir conosco, não podemos ficar longe!
Doroth: Rainer, venha conosco, deixe de ser tolo!
Rainer: Eu irei encontrar vocês, vão antes que morram!
O plano estava acabado, mas como recurso, em meio ao banho de sangue e tiroteio, Rainer tentou dirigir-se à sala de Bernhard, mas fora surpreendido por dois seguranças, que o emboscaram.
Bernhard: Parem, imediatamente!
Bernhard olhou fixamente para Rainer, e disse:
–Está vendo todo este monte de sangue? Pode observar a dor do sofrimento humano?
Rainer: Eu já estou acostumado com tudo isso.
Bernhard: Que ótimo, então não será preciso te matar, pelo menos não tão cedo...
Rainer: Por que está fazendo isso, pra que dizimar todas estas vidas?
Bernhard: São rebeldes meu caro. Assim como minha filha, assim como você. Éster quer tocar piano, não quer casar. Diz que sua vida é a arte.
Rainer: Que bom, imagine se ela tivesse se tornado como você?
Bernhard: Não, ela não vai. Afinal, ela já não é mais a mesma garota com a qual você costumava conviver.
Rainer: O que você fez com ela, seu desgraçado!
Bernhard: Não importa, meu caro. Tudo que lhe vem de importância é aquilo que eu já havia planejado antes mesmo de te conhecer.
Rainer: Diga-me, o que quer de mim?
Bernhard: Eu preciso que os jovens alemães lutem. Achou meu discurso sobre a invasão da Polônia comovente? Espere para ver o que o grande estado Alemão pretende. Nada poderá impedir o Fuhrer(Comandante supremo do exército alemão).
Rainer: Então quanto mais jovens se aliarem ao exército, maior será o número de armas que vai vender. Interessante.
Bernhard: Não é só isso. Colocando um filho adotivo meu na guerra, eu irei incentivar outras famílias a fazerem o mesmo com seus filhos.
Rainer: Seu desgraçado! Então é por isso? Este é o motivo de ter me adotado?
Bernhard: Acalme-se meu jovem. Não será tão ruim quanto imagina, afinal,
A guerra é uma arte.
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