A arte e como

31 Capítulo 31: Traição Vermelha


Capítulo 31: Traição Vermelha

Rainer já se perturbara com tamanha frequência a que se deparara com a morte de militares e civis inocentes. Afinal, até que ponto este conflito iria durar?Para uma guerra relâmpago, o conflito já havia se estendido por um longo período de tempo.

Já não era mais possível saber quem eram os verdadeiros inimigos ou amigos. E esta realidade se tornou ainda mais dura quando a então maior aliada da Alemanha, a U.R.S.S. tornou-se a principal inimiga do Fuhrer, e de todo o seu estado.

Rainer havia sido então condecorado para ser um dos comandantes no ataque às terras Russas, para juntar-se a Operação Barbarossa, na qual a Alemanha prosseguiria para dominar o império Russo.

Chegando a divisa russa, Rainer fora encontrar-se com o comandante que dividiria o front, e, para a surpresa do jovem, não era ninguém menos que Schneider.

Schneider: É uma honra poder dividir o front com um rapaz de carreira tão meteórica, Herr Schlutter.

Rainer: ...

Schneider: Tudo bem, tudo bem. Butzke disse-me que é um pouco tímido para conversas.

Rainer sentou-se para ouvir o que mais Schneider havia pra dizer-lhe.

Schneider: Sabemos das táticas soviéticas. Malditos sejam.

Rainer: Que tipo de táticas?

Schneider: Provavelmente tentarão o mesmo que fizeram na Primeira Guerra Mundial. De certo vão fazer de tudo para prolongar o combate.

Rainer: É, ouvi dizer que o inverno russo é uma das piores coisas que existem neste mundo.

Schneider: De fato, mas muito antes disto estaremos de volta a Berlim, para comemorar mais uma conquista.

Rainer: Mais uma conquista?A campanha na Inglaterra não pôde exatamente ser tida como uma vitória.

Schneider: Ah sim, aquela campanha. Muito bem, mas tenha em consciência que a Operação Barbarossa é a maior mobilização militar de todos os tempos.

Imagine, quantos comandantes como nós estão dispostos a trazer o Líder da União Soviética, Joseph Stalin, vivo ou morto para as terras alemãs.

Rainer: Podemos fazer isso Schneider. Creio que grande parte de nossas táticas de guerra sejam distintas o suficiente para que a vitória seja nossa.

Schneider: De fato, pelo que sei, você andou poupando diversos civis em suas campanhas.

Rainer: Vamos tentar não envolver civis nesta campanha, temos que focar nos militares, na real ameaça.

Schneider: Faça como quiser.

Fora então que as tropas de Rainer e Schneider rumaram para a cidade de Smolensk, dentro do território Russo.

Schneider: É um território muito extenso, devemos ter cuidado para não nos perdermos.

Entrando na cidade de Smolensk, Schneider ordenou para que os cidadãos fossem aprisionados e mortos. Mas Rainer o contrariou.

Rainer: Schneider, não vê que estamos perdendo tempo e aprisionando inocentes? Como poderemos fazer uma guerra relâmpago desta forma?

Schneider: Não se meta nisso garoto, eu apenas recebo ordens do Estado.

Rainer: Não é verdade, você age por conta própria neste caso, sinto até que tenha certo prazer em fazer isso.

Schneider: Eu apenas estou fazendo meu trabalho.

Rainer: Você não vê? Já andamos tanto com nossas tropas, e até agora não tivemos nem sinal do exército vermelho. Eles vão repetir a estratégia anterior, estão se afastando!

Schneider: Malditos traidores! Iremos caçá-los, eu terei orgulho de trazer o corpo de Stalin de volta para nossas terras.

E então prosseguiram com o exército. Ao mesmo tempo em que o inverno se aproximava de forma terrível, atingindo em cheio a integridade dos exércitos alemães.

Rainer: Schneider, é inútil resistir. Por todos os vilarejos que passamos, não há nada além da destruição.

Schneider: Não me importa, já estamos aqui, vamos até o final.

Rainer: Nossos soldados estão morrendo, não conseguimos encontrar comida ou qualquer ser vivo para que possamos nos alimentar. Vamos acabar todos morrendo.

Schneider: Eu não me importo com estes malditos soldados, ainda há comida farta para nós, comandantes, e somos nós que faremos a história e não estes vermes.

Rainer: Desgraçado! Você vai matar a todos nós se continuar agindo desta forma.

Schneider: Não me diga o que fazer!

E então, no passar dos dias, o inverno invadiu todo o território, a estratégia da terra arrasada atingira os militares alemães, e os matava aos montes.

Rainer poupava os alimentos, e fazia suas refeições junto aos outros soldados alemães. Porém, ao mesmo tempo, Schneider esbanjava e fazia de tudo para se sentir fortificado para sua busca por Stalin.

Schneider: Não desistam, logo vamos chegar a Stalingrado.

Rainer: Schneider, recebemos informações de que as tropas alemãs estão recuarando de Moscou. Muitas vidas estão sendo aniquiladas.

Schneider: Tem noção de quantas terras já conquistamos? Cerca de quatro vezes do território da Grã Bretanha! Não tente me surpreender com suas bobagens!

Rainer: Schneider...de que nos adianta conquistar todo este território? Não passa de uma imensidão de neve e nada mais, a terra parece ser totalmente infértil. Não encontramos uma plantação se quer desde o começo desta campanha!

Schneider: Chegaremos a Moscou em cerca de dois dias, peça para que os soldados continuem firmes, estamos quase lá!

Rainer: Quais soldados? A maioria de nossa tropa morreu de frio ou de fome.

Schneider: Quando chegarmos na cidade de Moscou,poderemos nos reunir com as outras tropas alemãs. Sei onde ele está, sei onde aquele rato se esconde!

Rainer gostaria de poder se vingar de Schneider naquele momento, mas sabia que o comandante ainda estava forte, afinal, enquanto Rainer tentava dividir sua parte da comida com os outros soldados, Schneider esbanjava tudo que podia.

Passados dois dias, os comandantes chegaram a Moscou, a cidade estava totalmente fortificada pelo Exército Vermelho de Stalin.

Schneider: Schlutter, me acompanhe. Vamos desviar das tropas, largue seus soldados.

Rainer: O que está fazendo?

Schneider: Ouvi dizer que Stalin não está mais no Kremlin. Afinal, seria óbvio de mais.

Correndo pela cidade de Moscou, Rainer pode observar de longe a Catedral de São Basílio. Fora uma das coisas mais magníficas que havia visto em sua vida, ficava ainda mais bonita coberta de neve. Tratava-se de uma obra prima para ser espelhada na construção da futura nova capital alemã.

Schneider: Está nesta construção, vamos!

E então adentraram em um prédio. Tudo parecia abandonado, era a oportunidade perfeita para Rainer.

Schneider percorreu pelos diversos salões da construção. Apesar da imensa beleza do prédio, tudo estava vazio.

Rainer: Schneider,pare, não há nada aqui, estamos perdendo tempo!

Schneider: Cale-se, estou ouvindo algo de dentro desta sala, eles estão aqui!

E então Schneider abriu a porta, mirando seu fuzil para a mesa principal. Mas para sua infelicidade, tudo que havia ali era um radio antigo, apresentando algum programa russo de telecomunicação.

Schneider: Não pode ser, eles deveriam estar aqui, eu poderia jurar que...

Rainer lentamente encostou a porta. Mirando seu fuzil na direção de Schneider.

Schneider: Malditos comunistas. Malditos! Vou matar a todos, venha comigo Rainer, quero ver o sangue comunista jorrar por toda Moscou!

E neste exato momento Schneider percebeu o que Rainer estava fazendo, e surpreso, disse:

–Mas o que é isto, você também é um deles, é um traidor da pátria?

Notas finais
Próximo Capítulo: Capítulo 32: Vingança