A arte e como

29 Capítulo 29: Retorno


Capítulo 29: Retorno

Com a grande vitória alemã sobre o território francês, e juntamente com a grande popularidade e sucesso de Rainer como soldado, este teve a oportunidade de garantir uma passagem de volta para Hamburgo, no intuito de visitar sua Família (Schlutter).

Por se tratar de uma família renomada, Rainer obteve facilmente o livre acesso.

Rainer tomou sua passagem para Postdam, primeiramente. Como havia prometido a Georg.

O jovem obteve facilmente o endereço de Kristen Zumach, dirigindo-se então a moradia.

Rainer bateu à porta. E rapidamente uma senhora abriu, dizendo:

–Filho, é você?

Rainer: Err...

Rainer pode notar que a mãe de Georg era cega, e não havia percebido que quem estava ali não era Georg.

Rainer: Sim mamãe, sou eu.

E então a senhora o abraçou e começou a chorar, dizendo:

–Eu sabia que você iria voltar. Sempre fiquei aqui esperando, não poderia viver mais um dia sequer sem te ver.

Rainer continuou abraçado com a senhora. Sentiu-se em parte culpado por não contar a verdade. Mas sabia que era o melhor a se fazer.

Kristen: Espere! Vou fazer um chá. Sei que é seu preferido!

O jovem sabia que não poderia continuar ali, e então, apenas deixou o colar de guerra de Georg sobre sua mesa.

Antes mesmo de Kristen chamar por seu suposto filho, percebera que não havia mais ninguém lá.

Então Rainer seguira em sua viajem para Hamburgo.

Chegando em Hamburgo, Rainer dirigiu-se para o centro, encontrando-se novamente com a pequena escadaria e a porta de madeira.

Rainer: Blum, sou eu, Rainer!

Escutou-se uma correria de dentro da casa. E logo a porta abriu-se.

Blum: Rainer! Que surpresa!

Brunhilde abraçou Rainer por um instante, mas logo em outro afastou-se, preocupada.

Blum: O que é isto, o que faz com o uniforme do exército?

Rainer: Blum eu posso explicar, eu...

Blum: Rainer o que você está fazendo, você é um deles agora?

Rainer: Eu não entrei no exército por querer, eu te juro!

Blum: Eles levaram meu pai, e logo depois minha mãe, por ter se casado com um judeu!

Rainer: Eu não sou como eles, você tem que me entender.

E então Blum correu para dentro da casa, deixando a porta de madeira aberta. Rainer entrou.

Ao entrar, ele notou que ainda haviam muitos dos parentes de Blum, porém em um número já reduzido.

– Por favor, nós faremos o que você quiser mas não nos leve!

Rainer: Acalmem-se, eu não vou fazer nada de mal a vocês. Sou um amigo.

Blum estava espreitada num canto, chorando.

Rainer: O que está acontecendo?

Blum: Você não sabe? Eles estão levando Judeus e mestiços embora, dizem que vão apenas cuidar deles, mas nunca voltam. Rainer, eu não sei o que pode estar acontecendo!

Rainer: Blum, me desculpe, eu...

Blum: Saia já daqui, vocês são uma ameaça para todos nós. Logo você Rainer! Eu não posso acreditar nisso.

Rainer: Blum, por favor, eu nunca faria uma coisa dessas!

Mas a porta já estava fechada. Rainer esperou um certo tempo nas pequenas escadarias. Mas nada acontecera.

Colocou a mão em um de seus bolsos, retirou a pequena flor de margarida..

Mas fora interrompido por um outro acontecimento.

–Senhor Rainer Schluter?

Rainer: Sim.

–O senhor foi convidado para um jantar na mansão de Bernhard, hoje, às sete e meia da noite, em ponto.

Rainer: Bernhard!

Fora assim que, logo ao anoitecer, Rainer dirigiu-se a mansão dos Schluter.

Entrou, e deparou-se apenas com Bernhard na sala de estar.

Bernhard: Ouvi dizer que você viria para cá, fui avisado que o grande guerreiro que adotei se deu muito bem na guerra até então. Estou espantado com tão boa notícia.

Rainer: Não estou fazendo isto por você!

Bernhard: Fazendo ou não, seu sucesso no front equivale ao sucesso das vendas em minha fábrica.

Rainer: Os boatos na minha campanha de guerra são verdadeiros. Se eu fosse você não teria tanta coragem de se encontrar aqui sozinho.

Bernhard: Não se orgulha de saber que provavelmente utilizou-se da minha linha de produção no combate?

Neste momento, Rainer levantou-se atingindo Bernhard em cheio com um soco.

Rainer: Você está brincando com vidas inocentes. Você ganha dinheiro com a morte e a infelicidade dos outros!

Bernhard: Ótimo, vejo que também aprendeu isso comigo...

Numa explosão de fúria, Rainer acertou Bernhard novamente, deixando-o caído em meio ao chão.

Uma pequena multidão de empregados da casa ia se formando.

Rainer: Onde estão sua mulher e sua filha?

Bernhard: Elas foram levadas para bem longe. Não poderão mais me incomodar.

Rainer saiu da casa enfurecido. Sabia que já ficara tempo demais em Hamburgo.

E então o jovem rumou para Lübeck, sua verdadeira cidade natal. Mais precisamente em uma pequena vila que muito lembrava aquela que fora incinerada por sua tropa na França.

Rainer: É tão bom ver que minha casa está exatamente da mesma forma de quando a deixamos.

O garoto morava em um pequeno casebre construído com base em algumas pedras. Havia uma simples chaminé para que não sofressem no rigoroso frio do inverno.

Rainer adentrou, e logo foi recebido calorosamente por suas irmãs, que o abraçaram, e deparou-se também com sua mãe, que tinha uma aparência melhor do que da ultima vez que Rainer a havia visto.

Rainer: Mamãe, eu senti tanto a sua falta.

Melanie (Mãe): Oh, foram tempos tão difíceis...

Margret: Irmão, o que é esta roupa sua? É tão diferente!

Rainer: Não vou mentir para vocês. Eu me alistei no exército alemão. Na verdade eu fui obrigado.

Doroth: Mas Rainer...

Rainer: Doroth, esta é a única oportunidade de conseguir me vingar pela morte de nosso pai. O assassino que o matou, ele está tão próximo.

Melanie: Ora filho, eu entendo que há muito sofrimento e rancor dentro do seu coração. Mas não sei se é a coisa certa a se fazer.

Rainer: Mas mãe ele...

Doroth: Schneider nos levou até Hamburgo onde trabalhamos na fábrica para podermos sobreviver. Passamos por momentos muito difíceis, mas isto é passado.

Melanie: Minha febre fora baixando aos poucos, por sorte nossos vizinhos foram sempre muito unidos. Acalme seus sentimentos meu filho.

Rainer: Mãe, eles não deram chance alguma ao papai. Acharam que ele era um judeu, ele estava sem documentos, ficou à mercê daqueles assassinos.

Doroth: Rainer, há uma coisa que queria te mostrar.

E então Doroth mostrou uma carta que Klever os havia enviado, dizendo:

“Sim, conseguimos escapar com vida. E sei que fora Rainer quem retirou nosso vagão daquele trem. Estamos muito gratos.

Mais do que isto. Formamos uma pequena aldeia, na qual lhe sigo com o endereço para que possam nos visitar em breve. É um pequeno refúgio nos arredores da frente comunista, na Rússia.

Eles nos perseguem. Dizem que o fazem para ter um inimigo comum a quem lutar. São tempos difíceis, espero poder reencontrá-los em breve! (...)”

Após a chegada em sua casa, Rainer teve algum tempo para descansar e aproveitar sua família. Mas com o tempo teve certeza que se quisesse ter êxito em sua carreira, deveria retornar ao serviço.

Fora então que chegara uma carta destinada em seu nome, com a seguinte mensagem:

“Soldado Schluttz, você foi convocado para defender e guerrear contra as forças Britânicas em território britânico, apresente-se ao quartel general de Berlim para maiores informações

Comandante Butzke”.

Rainer despediu-se de sua família, prometendo voltar logo. Estava confiante, afinal, a campanha na França havia sido um sucesso absoluto, e não existiam motivos para que a campanha contra o Reino Unido não fosse diferente.

Passados alguns dias, Rainer apresentou-se no gabinete de Butzke, em Berlim.

Butzke: Por favor garoto, sente-se.

Rainer: É uma honra poder reencontrá-lo comandante.

Butzke: Por favor, não há necessidade para que se dirija desta maneira comigo.

Rainer: Qual o motivo disto?

Butzke: O exército alemão está realmente muito impressionado com a sua lealdade. Um garoto tão jovem, com tamanha destreza e coragem. Você terá um papel muito importante nesta nova campanha, mantenha a qualidade de seus afazeres.

Rainer: Sim senhor!

Butzke: A propósito, meus pêsames pela perda de seu amigo Georg.

Rainer: Sim, era um soldado de bom coração.

Butzke: Não há necessidade, a S.S. já se encarregou disso.

Raine: Obrigado.

Butzke: Schluttz!

Rainer: Diga.

Butzke: Não tenha misericórdia de seu inimigo. A propósito, aceita tomar alguma bebida?

Rainer: Bom, posso abrir uma brecha para esta comemoração.

E então, logo após a comemoração, Schlutz preparou-se para seguir viajem a Inglaterra.

Notas finais
Próximo Capítulo: Capítulo 30: Blitz