A arte da Guerra
3 Disease?
Notas iniciais
Cerca de 5 semanas se passaram, David aceitou a presença da garota no abrigo, não gostaria de ter o peso na consciência de ter a entregado, Regina e Emma se davam muito bem, ficaram amigas muito rápido, a loira passava o dia lá embaixo, conversavam sobre tudo, suas vidas e hobbies. Já tinha passado da hora de dormir e as duas continuavam lá.
– Vou lá em cima fazer alguma coisa pra gente comer, já volto.
A loira subiu, fez sanduíches de pasta de amendoim com geléia, dois copos de suco de laranja e desceu com a bandeja que quase derrubou.
– Você jantou pouco, você sempre comia tudo que eu trazia — observou Emma.
– Estava sem fome.
– Ok, mas agora você deve estar, quase não comeu, eu que comi já estou faminta.
– Não, obrigada. Não estou com fome.
– Vamos, coma. Eu sei que é difícil ter vontade de seguir a vida, mas você precisa, pela sua família.
– Estou enjoada, tenho medo de comer e vomitar.
– Come só um pouquinho, você precisa.
– Ok, mesmo enjoada estou com fome — Regina deu 3 mordidas no sanduíche e sentiu seu estômago revirar, correu para o banheirinho e vomitou tudo o que havia comido. Emma segurava os longos cabelos da menina sem entender o que ela tinha. Regina levantou meio cambaleante, Emma apoiou-a e pretendia levá-la até o colchão, mas antes de chegar a morena desmaiou.
– Ei! Gina! Acorda! O que você tem? Gina?
– Do... que você me chamou? — perguntou a morena, recobrando os sentidos.
– É só um apelido. Acho que você está doente, deite aqui, vou chamar minha mãe.
– Por que sua mãe? No que ela ajudaria?
– Minha mãe fez um curso de enfermagem, talvez ela possa dizer o que você tem.
– Não! Foi só uma fraqueza que me deu, por favor, deixa pra lá.
– Não, você pode estar doente. Vou chamá-la agora, já volto.
Emma subiu, chamou sua mãe, que desceu preocupada.
– O que você tem Regina? — perguntou Mary.
– Eu... Eu não sei, não sei mesmo. É só um enjôo bobo, logo passa.
– Mentira dela mãe! Ela desmaiou nos meus braços, ela não está legal — respondeu Emma, preocupada com a morena.
– Emma! Eu estou bem, foi só um mal estar.
– Mentira de novo, fazem dias que você não come muito bem — respondeu Emma.
– Aqui sem equipamentos eu não tenho como te examinar, trago uns remédios pra você amanhã. Tente descansar e não pensar muito em tudo que está acontecendo, pode te fazer mal. Boa noite, vamos Emma — disse Mary, subindo a escada.
– Boa noite senhora Schwan — respondeu Regina.
– Eu vou daqui a pouco mãe, boa noite — disse Emma.
– Não demore muito, amanhã te chamarei no mesmo horário — e assim Mary subiu para o seu quarto.
– Você não parou de mentir o tempo todo que minha mãe estava aqui. Você está escondendo alguma coisa, e você sabe que no final eu descubro tudo — esbravejou a loira.
– Eu não estou escondendo nada! Pare de tentar dar uma de detetive pra cima de mim!
– Eu vejo nos seus olhos que algo está acontecendo, e você não confiar em mim o suficiente pra me contar me aborrece muito!
– Por que eu deveria confiar meus segredos a você?! Não te conheço nem a um mês ainda, pare de ser pretensiosa!
– Por que você deveria confiar em mim?! Talvez porque foi eu que te abriguei e apoiei na hora que você precisou. Briguei com o meu pai por você, eu nunca tinha brigado com ele! Vejo que você não merece nada do que eu fiz! Me repreendo por ter pensado em dormir aqui com você! Eu estava preocupada! Mas vou dormir na minha cama. Boa noite senhorita mal agradecida — e assim Emma se despediu e fechou a porta do alçapão.
Nenhuma das duas conseguiu dormir direito. As duas se sentiam culpadas, uma por não ser compreensiva e entender a situação da outra, e a Regina por ter sido rude com a mulher que tanto lhe ajudou. Eram 7:00 da manhã e Emma desceu com o café da manhã da morena, ela sempre tomava café com Regina mas naquele dia tomou café com os pais e desceu só pra deixar a comida para a morena.
– Se não quiser não coma. Tchau — disse Emma, já saindo do quarto.
– Emma, eu queria falar com você — pediu a morena.
– Não temos nada a falar. Você não precisa ser minha amiga, trago sua comida e tchau, até a guerra acabar e você ser livre — e assim a loira se despediu, fechando a porta do alçapão.
Passou-se quase uma semana e nenhuma das duas havia tomado coragem e pedido desculpas, Emma só levava a comida dava duas palavrinhas e saía. Isso estava doendo nas duas, em Regina por ter perdido sua primeira amiga de verdade e Emma que desde que olhou naqueles olhos castanhos assustados sentiu uma estranha afinidade pela garota, sentia falta daquelas conversas, foram as melhores. Até que em uma noite gelada, Emma foi levar mais cobertores para Regina e decidiu que daria o braço a torcer e retomaria a amizade com ela.
– Trouxe mais cobertores pra você. Faz muito frio — disse a loira, entrando e sentando-se ao lado do colchão da morena.
– Ah, obrigada, está frio mesmo — respondeu Regina.
– Está tudo bem com você?
– Na medida do possível, estou sim. E você?
– Estou bem, mas tenho um problema.
– Que problema?
– Sou uma mulher incompreensiva e não entendi uma garota que só está entristecida com a vida, e me sinto culpada.
– Não Emma, não se sinta assim, nós duas não pensamos direito, fomos tolas, sinto falta das nossas conversas. Você aceita ser minha amiga? De verdade?
– É claro que sim! Em poucas semanas você foi a melhor amiga que eu tive — respondeu Emma, dando um abraço na morena.
– Então, me conte as novidades, algum novo caso? Ou um caso resolvido?
– Não, a delegacia anda monótona ultimamente. Ah quase me esqueci, tenho fotos de mais um caso daquele serial que deixa um ponto de interrogação na vítima, quer ver?
– Quero sim, pode ir lá buscar.
Emma foi para o quartinho de evidências, pegou as novas fotos, voltou ao abrigo e mostrou-as a Regina.
– Olha só, ele fez um cenário de açougue, pendurou a mulher de cabeça pra baixo — observou Emma, que se fascinava por este tipo de coisa.
– Af Emma, como você tem estômago pra essas coisas? Esse homem está só piorando seus crimes — depois da fala de Regina, a loira pegou uma foto que sabia que mexeria com a morena, uma foto de outra vítima, que teve seus órgãos arrancados e costurados por fora do corpo, obra de um psicopata ainda não descoberto.
– Que nojo! — Regina gritou e correu pro banheiro, vomitando. Emma, segurou seus cabelos e sentia-se mal, aquela menina tinha algum problema, e ela precisava descobrir. As duas voltaram para o colchão, e Regina sentou-se um pouco afastada da loira.
– O que você tem Regina?
– Tenho estômago fraco pra essas coisas, só isso.
– Eu esqueci de te contar uma coisa, eu tenho um super poder, eu sei quando as pessoas estão mentindo, e você está.
– Ai Emma para, não vem dar uma de heroína pro meu lado.
– Meu poder pode não ser perfeito mas você Regina, eu sempre sei quando está mentindo.
– Estou cansada, você pode por favor subir e me deixar dormir? Boa noite — Regina praticamente expulsou a loira de lá, que subiu desconcertada.
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