A alma da conquistadora.
3 Ela virá!
Notas iniciais
(Xena)
Minha Senhora? Será que Dália a havia ensinado isso também? Ora não importa, o interessante é que ouvia isso de diversas pessoas diferentes no palácio, mas essas palavras vindas, daquela pequena soava tão melhor, não por me sentir imponente, por transmitir superioridade, mas era tão, tão encantador não sei definir ao certo por que, mas ao dizer que eu era SUA Senhora, não parecia que era EU, quem a tinha e sim o contrário! E de fato essa menina já estava me ganhando.
–- Minha Senhora aqui está sua refeição. – colocou sobre a mesa da antecâmara, que era onde eu fazia minhas refeições.
–- Minha não Gabrielle, nossa! Irás comer comigo por isso pedi porções dobradas, já disse que não gosto de comer sozinha e quero que seja assim todos os dias.
–- Sim Minha Senhora!
–- Estamos sozinhas Gabrielle. – a alertei.
–- Oh, sim Xena! – ela sorriu, eu também.
Comemos e fui a sala de banho, tinha uma grande Banheira de pedras e não via a hora de relaxar naquela água morna e convidativa.
–- Dália te disse como gosto de meu banho Gabrielle? – perguntei já indo em direção à grande banheira.
–- Sim Xena, preparei tudo como ela disse e a água foi colocada momentos antes de eu ir buscar seu jantar como Dália havia me ensinado.
–- Venha cá quero que esfregue minhas costas. — enquanto me despia senti que Gabrielle me olhava, olhei de volta e a vi enrubescer – será que não tem o que tenho Gabrielle?
–- Senhora?
–- Porque me olhas assim?
–- És bela – ela disse baixo, só pude ouvir por ter uma audição muito apurada, eu ri – perdoe-me não quis dizer...
–- O que? Que sou bela, então... quer dizer que não sou? – entrei na banheira me divertindo com o constrangimento de minha escrava.
–- Não Minha Senhora, digo Xena, e sim és muito bela só não queria comentar, não quis ofendê-la.
–- Não me ofendeu, agora venha esfregue minhas costas. – Gabrielle pegou o sabão e o pano que estava ao lado da grande banheira e senti que ela tremia enquanto esfregava minhas costas e eu tremia com cada toque daquelas mãos em minha pele.
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(Cyrene)
Já estava tudo pronto, para comemorarmos o terceiro verão de minha neta, bem quase tudo, Dylan não saia da janela e dizia que não colocaria seu vestido novo até que Xena chegasse porque não queria sujá-lo.
–- Não bobó quero que a mamãe me beza bonita, se eu sujar o bestido ela não bai gostar de mim!
–- Não diga bobagens Dylan, sua mãe te ama com ou sem vestido bonito, agora vai se vestir, o que ela não vai gostar de saber é que você não usou o vestido que ela te deu.
–- Porque ela não touxe? Eu ia gotar mais desse bestido! Ia pefelir que fosse calças!
–- Você as vezes parece um moleque! Vamos saia da janela, venha se vestir.- ela se debatia enquanto eu a arrancava da janela e a peguei no colo para arrumá-la.
Mais tarde chegaram alguns coleguinhas de Dylan, as crianças do vilarejo, e Dylan dizia a todos que sua mãe chegaria logo, eu já estava cansada de explicar que Xena não poderia vir, mas ela insistia que sua mãe não faltaria em seu aniversário.
Servíamos suco e outras guloseimas para as crianças e tudo que era servido Dylan fazia questão de guardar um pouco, dizendo que era para Xena, cortamos o bolo, cantamos felicitando Dylan e ela repetiu o procedimento, guardando bolo para “ sua mamãe”!
Já estava tarde, as crianças já haviam ido para suas casas e Dylan voltou para janela, então pedi à Lyceus que conversasse com a pequena.
–- Ei Dylan o que faz aí nessa janela?
–- Tô espelando a mamãe tiu!
–- Mas a vovó já não lhe disse que ela não vem hoje, sabe... talvez ela venha outro dia e te faça uma surpresa! Você gosta de surpresas?
–- Sim! — ela respondeu animada, achei que Lyceus a convenceria — e ela vai tazer uma surpesa hoje né tiu?
–- Dy, a mamãe não vem hoje – insistiu meu filho.
–- Vem sim, eu sei que vem! – ela disse alto.
–- Mãe não adianta, ela não vai sair dessa janela até que Morpheus venha visita-la.- disse Lyceus.
–- É percebi, e o pior é que sei que isso não ocorrerá tão cedo!
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(Xena)
Não conseguia dormir sossegada sabendo que minha pequena certamente estaria decepcionada comigo, talvez triste, ou chorando. Quem sabe quando iria me perdoar por ter faltado este ano? Levantei de minha cama silenciosamente, o suficiente para que Gabrielle não me ouvisse de seu pequeno quarto. Nesta hora me maldisse por querer que fosse colado ao meu. Peguei minhas botas, meu casaco preto com capuz e coloquei uma pequena caixa em um dos bolsos do casaco, peguei minha espada e saí em direção à cozinha.
Fiquei feliz em ver que não havia ninguém ali, então me deparei com um forte clarão e um cheiro de rosas primaveris que me davam enjoo.
–- O quê você quer Afrodite?
–- Ora isso é forma de receber uma velha amiga Xena?
–- Bem que é velha não posso contestar, agora quanto a ser minha amiga...
–- Muito engraçada Xena, muito engraçada... agora o que acha que está fazendo?
–- Se está aqui é porque você sabe, então não precisa que eu te responda, agora se me dá licença já estou atrasada.
–- Ouça Xena, lembra-se que te disse que só recuperaria sua alma quando fosse conquistado o seu coração?
–- Lembro e lembro também nunca ter ouvido tamanha besteira em toda minha vida! Repito o que quer Afrodite?
–- Vim lhe dizer que está mais perto de recuperar sua alma, o que quer dizer que a conquistadora do seu coração está mais perto do que imagina. Vim também para lhe dar este amuleto.
–- O que é isso? — perguntei irritada.
–- Vai te proteger enquanto estiver em Amphipolis e quando chegar lá deves colocar no pescoço de Dylan para que seus perseguidores não a encontrem... ainda!
–- Como assim ainda?
–- Era só isso, ah! A loirinha acordou e está vindo para cá!
–- Espera Afrodite o que quis dizer com ainda?
–- Saberá Xena, agora se quiser te levo para Amphipolis, a menina está te esperando e ainda se livras das perguntas da loirinha, o que me diz?
–- Claro. – disse desapontada. Como em um piscar de olhos estava em Amphipolis.
–- Aqui estamos Xena! – Disse Afrodite e desapareceu. Coloquei meu capuz e fui caminhando em direção à casa de minha mãe. A cidade já estava deserta, me aproximando vi a luz da sala acesa e forçando mais a visão, vi um rostinho sonolento debruçado na janela. E em seguida um salto!
–- Mamãe, mamãe.
Pelos deuses já faz um ano, como ela ainda se lembra de mim? E de tão longe? Eu ainda estava de capuz, mas Dylan me reconheceu.
–- O quê foi Dylan, porquê está gritando? – perguntou Lyceus à minha eufórica filha.
–- Por que sua mãe está aqui meu irmão. – disse enquanto entrava na casa. Lyceus me olhou atônito.
–- Mamãe eles disselam que voxê não binha e bobó me mandou domir, mas eu sabia que binha! – disse Dylan ainda eufórica e lançando seu bracinhos em meu pescoço enquanto eu me abaixava para pegá-la em meu braços.
–- É mesmo meu amor? Mamãe agora está aqui está tudo bem! – como sentia falta de usar essas palavras, de sentir essas mãozinhas me apertando. Como eu senti saudades do meu bebê! – E então Lyceus não me dá um abraço irmão? – Lyceus no mesmo instante se aproxima.
–- Xena você disse que não vinha mamãe está muito chateada porque Dylan não nos deu descanso dizendo a todo instante que você viria, ela não vai acreditar, vou chamá-la.
–- Não a acorde Lyceus!
–- E nem será preciso filha.- minha mãe saía do quarto em minha direção.
–- Mamãe! – dizia eu com lágrimas nos olhos o que raras vezes acontecia a última vez que me lembro foi quando deixei Dylan aqui e me fui!
–- Ei mamãe poquê tá solandu? – Dylan perguntou secando meu rosto com os dedinhos.
–- Porque estou feliz em ter perto de mim as três pessoas mais importantes de minha vida!
–- Ah tá bom! – ela franziu a testinha como se refletisse seriamente no que eu disse. Como era encantadora minha pequenina!
–- Venha Xena, vou arrumar um lugar para dormir no quarto de Dylan deve estar cansada! – disse minha mãe, enquanto Dylan brincava com meus cabelos.
–- Nem tanto mamãe! Estou bem, posso arrumar sozinha!
–- Mamãe guadei bolo pla voxê! — Dizia Dylan enquanto pulava de meu colo e ia buscar algo sobre a mesa. Ela voltou com um grande pedaço de bolo de nozes e ria de satisfação ao me ver comê-lo.
–- Que é filha porque está me olhando tanto?
–- Poque tive xaudade!
–- Realmente? Como se lembra de mim se era tão novinha quando estive aqui a última vez?
–- Não xei mamãe só lembo... e quelia que não foxe mais!
–- Filha, eu não posso ficar muito, mas prometo que assim que puder volto e te levo comigo.
–- Então me leva agola!
–- Dylan... – olhei em seus olhinhos enquanto tirava do pescoço o amuleto que Afrodite havia me entregado – Quero que fique com isto. – o coloquei em seu pescoço – Também trouxe seu presente. — tirei a pequena caixinha do bolso do casaco e coloquei em suas mãos, Dylan a abriu e viu outro colar, só que este era dourado e tinha uma delicada pedra azul.
–- Que bonita mamãe! – Dylan colocou o dedinho sobre a pedra.
–- É uma Safira meu anjo, seu pai me deu esse colar quando nos conhecemos, o guardei com muito carinho durante anos, disse que parecia com meus olhos é como nossos olhos filha, quero que guarde como uma recordação de seu pai ele gostaria que ficasse com ela!
–- Vou guadar mamãe – me fale do meu pai? – ela me perguntou com os olhinhos brilhantes cheios de esperança, não podia desapontá-la.
–- É claro Dylan mas vamos para seu quarto...
–- Ele era seu! – ela me interrompeu.
–- Eu sei... você se deita ao meu lado e te conto muitas coisas sobre seu pai.
Ficamos conversando por horas até que Dylan adormeceu, agarrada à safira em suas mãozinhas e eu volto a pensar no par de esmeraldas que havia deixado no palácio, aconcheguei Dylan em meus braços e também adormeci.
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