A Voz
4 DiLice? II
Narradora Avulsa:
No outro dia Diego foi o primeiro da casa a acordar. Abriu os olhos e piscou algumas vezes tentando se acostumar com a claridade. Olhou para Roberta e sorriu. Se remexeu tentando se levantar com cuidado para não acorda-la. Sentou na cama e respirou pesadamente. Se levantou e desceu as escadas. Foi até a cozinha, pegou uma maçã, e se sentou no banco que havia em frente ao balcão. Mordeu a maçã e ficou imerso em pensamentos. Ouviu uma voz, chamava por seu nome. Era um sussurro que se aproximava cada vez mais dele. Sentiu uma presença atrás de si, e respirou fundo. Se virou lentamente para trás, mas nada viu. Balançou a cabeça e se levantou. A voz voltou, desta vez com palavras variadas.
'Morte, sangue, caixão...'
As mesmas palavras que Roberta sussurrava em quanto dormia. Diego se assustou, olhou para todos os lados, mas nada viu. A voz sumia, mas logo voltava. Ouviu um barulho vindo da escada, foi até a porta da cozinha.
–Bom dia!
–Alice, bom dia.
–Já fez o café?
–Ainda não.Quer me ajudar?
–Claro. — A garota com os cabelos lisos perfeitamente arrumados o seguiu até a cozinha. Os olhos azuis brilhavam, mas seu rosto angelical tinha uma expressão cansada.
Eles fizeram o café, e acordaram os outros, que logo foram comer. Diego resolveu esquecer o que havia acontecido de manhã, e apenas ignorou.
[...]
Narradora Avulsa:
De tarde, após almoçarem eles resolveram ir a uma cachoeira que havia perto da casa. Eles tinham que seguir por uma trilha em mata fechada, depois pegarem uma estrada de terra, passariam subindo por uma grande ladeira com rochas e pedras, para chegarem até a cachoeira. Ás 2 da tarde eles já estavam prontos, fizeram uma cesta com comida, e fora para a cachoeira. Ao chegarem Diego, Tomás, Pedro e Carla entraram logo na água, Roberta mexeu em algumas coisas mas logo entrou também.
–Não vai entrar Lice? — Carla
–Daqui a pouco.
Os cinco amigos ficaram brincando e fazendo palhaçadas na água, Alice mexeu em algumas coisas. Pegou algo e ficou segurando, gritou por Roberta e a mesma olhou para Alice.
–Esqueceu isso aqui. — Jogou o anel, Roberta tentou inutilmente pegar. Desesperada a mesma começou a mergulhar atrás do pequeno anel, outra coisa que foi em vão. Tudo o que achou foram pedras. Roberta fuzilou Alice, e a mesma sentiu medo. Roberta avançou para cima dela, mas alguém a segurou.
–Me solta Pedro! — Falou com raiva
–Se acalma.
–Beta, é só um anel. — Tomás. Roberta não deu ouvidos, ela continuou tentando se soltar.
–Roberta! — Carla a repreendeu.
–CALE A BOCA CARLA! — Gritou alterada.
–Você não tem o direito de falar assim com ela. — Alice.
–E VOCÊ ALICE? VOCÊ TINHA MUITO O DIREITO DE JOGAR MEU ANEL NO RIO? MAS É CLARO QUE NÃO NÉ!
–Roberta! — Carla novamente se intrometeu.
–EU JÁ DISSE PARA VOCÊ CALAR A BOCA! VOCÊ, E VOCÊ ALICE, VOCÊS DUAS NÃO VALEM NADA! SÓ SERVEM PARA ATORMENTAR A VIDA DAS PESSOAS! COMO EU ODEIO VOCÊS! VOCÊS MERECEM IR PRO INFERNO, VOCÊS...
–JÁ CHEGA! — Digo se entrometeu. — NÃO TEM O DIREITO DE FALAR ASSIM COM CARLA, MUITO MENOS COM ALICE, DIZ LOGO, O QUE HÁ DE TÃO ESPECIAL NAQUELA PORCARIA DAQUELE ANEL? EM?
– NÃO IMPORTA... Eu já perdi mesmo.
Diego olhou para Roberta com desdém, raiva, ódio, transbordavam de seus olhos. Roberta saiu correndo.
[...]
Narradora Avulsa:
Depois de 1 hora os cinco amigos se divertiam na cachoeira, Roberta apareceu e ao longe ficou olhando para eles.
–Roberta. — A mesma olhou para quem chamava por seu nome.
–O que quer?
–Desculpa... Desculpa por ter falado daquele jeito com você, mas você também não tinha o direito.
–Preferiu defender a Alice.
–Ela é minha melhor amiga.
–Ela jogou o que eu tinha de mais importante... no rio.
–Mas você não disse o que tinha de tão especial no anel.
–Não importa! Não vou mais te-lo mesmo.
–Podemos comprar outro.
–Não, não podem.
–Você não percebe que assim só esta perdendo a razão?
Roberta suspirou.
–Meu pai... Ele fez esse anel e me deu um tempo antes de falecer. O anel é único, ele mandou fazer especialmente para mim. É a única coisa que tenho... Que me faz lembrar dele. A única coisa que ficou dele.
–Eu... não sabia. Acho que não é somente eu que te devo um pedido de desculpas.
–Alice? Mesmo se vocês fizerem ela me pedir desculpas, o que eu acho impossível, eu não vou perdoa-la.
–Qual é, aposto que não foi de propósito.
–Só ela sabia o quanto aquele anel era importante para mim. Ela não tinha o direito.
–Você não tem o direito de acusa-la.
–Não importa. — Deu de ombros e andou até a cachoeira. Passou perto de Alice e a mesma se jogou na cachoeira, começando a gritar.
Diego foi até ela e a pegou, tirando-a do rio.
–O que aconteceu?
–Roberta! Me empurrou.
Roberta olhou para Alice incrédula.
–Roberta!
–É mentira!
–É verdade, ela fez isso só para se vingar pelo anelzinho.
–Diego! — Roberta o olhou.
–Você foi longe de mais. — Balançou a cabeça em negação.
Roberta olhou para os amigos que fizeram o mesmo gesto.
Roberta saiu correndo pela ladeira de pedras e rochas, sem se importar em cair.
Ela correu, entre árvores, depois de descer a ladeira, se desviou da trilha, não sabia para onde estava indo, mas queria sumir, desaparecer. Vozes foram surgindo, vozes que falavam coisas horríveis para Roberta, a mesma se assustou, mas não parou. Continuou correndo, em quanto as vozes a perseguiam.
"Corri, corri, até não ter mais forças, tudo que eu queria era sumir. Vozes me perseguiam, e eu sentia medo, mas isso não me impedia de correr. Corri, até cair, olhei a minha volta, eu ainda estava no chão. Vozes me rodeavam, mas não havia ninguém ali. Tudo que havia eram túmulos. O ar me sufocava, eu não conseguia mais respirar. Estava tudo tão distante, nada podia me incomodar, a não ser o silêncio. As vozes continuavam me atormentando, e de repente eu me vi, como no sonho, um vestido branco, as mãos vermelhas pelo sangue, minha imagem em um caixão, e mais vozes. O que estava havendo? As coisas continuavam se distanciando, era como se eu fosse uma brisa ali, meu corpo estava ficando pesado, eu não conseguia me mover... Até que meus olhos fecharam e a escuridão tomou conta"
Continua...
Aviso: Leiam as notas finais.
Notas finais
Bjs e desculpa a demora ;3
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