A Volta dos Combo Niños
29 Capítulo 29 - Segredos revelados
Notas iniciais
Azul tentou confortar a Pilar enquanto o Serio e o Paco corriam até onde o Grinto estava.
— Serio. Me ajude a tirar o bastão do Grinto. – Disse o Paco para o Serio que concordou. Os dois seguraram no bastão com uma das mãos e colocaram a outra perto do Grinto para impedi-lo de cair. Em seguida os dois puxaram o bastão, seguraram o Grinto e rapidamente o colocaram no chão. Em seguida checaram a respiração e os batimentos cardíacos do Grinto enquanto tentavam tapar sua ferida. – Ele ainda está respirando.
— O coração ainda está batendo, mas muito fraco. – Disse o Serio enquanto tirava as suas ataduras e usava elas para tentar fechar a ferida do Grinto.
— Azul! Ligue para um hospital e peça para trazerem uma ambulância. Pilar! Tente encontrar algo para colocarmos o Grinto em cima, para levarmos ele para fora. – Disse o Paco para as duas, que concordaram.
Pilar começou a procurar pelo salão de treino, enquanto isso a Azul ligava para o hospital.
— Está conseguindo tapar a ferida? – Paco perguntou para o Serio, enquanto os dois seguravam firmemente no local.
— Quase. – Disse o Serio amarrando as ataduras no Grinto.
— Já liguei para o hospital. Querem ajuda? – Azul perguntou se aproximando dos dois.
— Ajude o Serio com as ataduras. – Disse o Paco para a Azul, que se abaixou do lado do Serio e começou a ajudá-lo.
Enquanto isso, Pilar continuava procurando, até que encontrou um boneco de treino que tinha apenas os pés quebrados, e era do tamanho do Grinto, então ela o pegou e levou até onde os outros estavam.
Conseguindo tapar a ferida do Grinto, os quatro o colocaram encima do boneco e o levaram para o lado de fora, e esperaram poucos minutos, até que a ambulância chegou e, rapidamente os paramédicos observaram o Grinto.
— Qual é o nome dele? – Um dos paramédicos perguntou, enquanto outro pegava a maca na ambulância.
— Grinto. – Paco respondeu calmamente.
— Sabem o que aconteceu? – O paramédico continuou a perguntar aos quatro.
— Não. Quando chegamos, ele já estava assim. – Disse o Serio enquanto o Grinto era colocado na maca.
— Como ele está? – Azul perguntou ao paramédico.
— No estado em que ele se encontra não dá para dizer. Mas faremos o nosso melhor. – Disse o médico enquanto entrava na ambulância, junto com os outros, que levaram o Grinto. Em seguida a ambulância seguiu em direção ao hospital.
Vendo tudo o que tinha acontecido, os quatro voltaram para o salão de treino e começaram a olhar tudo com mais cautela.
— O que será que aconteceu por aqui? – Serio perguntou, olhando em volta.
— Essas marcas na parede... – Disse a Azul olhando calmamente para a parede, quando de repente os quatro escutam algo.
— O que é isso? – Pilar perguntou.
— Está vindo daqui. – Disse o Paco se aproximando da parede de onde vinha o som.
— Me tire daqui! – Os quatro ouviram a voz do Cabeça Velha.
— Cabeça Velha? – Paco perguntou surpreso.
— Sim! Agora me tirem daqui! – Exclamou o Cabeça Velha para os quatro, que olharam em volta, tentando achar uma maneira.
— Como faremos isso? – Paco perguntou se aproximando mais da parede, para poder ouvir melhor.
— Vá a qualquer uma das pilastras, então aperte na primeira linha, de cima para baixo, duas vezes o penúltimo botão e uma vez o último. – Explicou o Cabeça Velha e rapidamente o Paco fez isso, abrindo o compartimento.
— O que você estava fazendo aí, Cabeça Velha? – Pilar perguntou, enquanto os quatro olhavam para ele.
— O Grinto me prendeu aqui, para que eu não fosse percebido. – Disse o Cabeça Velha, de forma irritada.
— O que aconteceu aqui? – Azul perguntou e os quatro prestaram atenção no Cabeça Velha, que respirou fundo para começar a contar.
— Glen invadiu o salão de treino. Ele e o Grinto travaram uma enorme batalha, até que o Glen aproveitou um momento em que o Grinto estava preso, e revelou seu verdadeiro objetivo. – Cabeça Velha explicou, deixando os quatro curiosos.
— Que verdadeiro objetivo? – Serio perguntou, enquanto os quatro olhavam firmemente para o Cabeça Velha.
— Vejam vocês mesmos. – Disse o Cabeça Velha olhando na direção de uma sala, que estava com a entrada destruída.
— Eu me lembro daquilo, foi naquela parede onde o... – Disse a Azul, até que os quatro entenderam o que estava acontecendo.
— Espere um pouco. Você não vai dizer que... – Paco não conseguia terminar sua pergunta.
— Exatamente. Glen libertou o Destroctos. – Disse o Cabeça Velha, deixando os quatro completamente assustados.
— Mas o Glen queria nos eliminar para se vingar, pois achava que nós tínhamos destruído o Destroctos. – Disse o Serio confuso com a situação.
— Aparentemente ele tinha outros planos. – Disse o Cabeça Velha cabisbaixo. – E quanto ao Grinto?
— Ele deve estar no hospital agora. – Disse a Azul pensativa.
— Cabeça Velha. – Disse a Pilar, chamando a atenção do Cabeça Velha. – Será que você pode nos contar o que está acontecendo? O que é que vocês têm a ver com o Glen? Por vocês sempre têm uma reação estranha quando falamos nele?
— Eu preciso que vocês me levem até o hospital. – Disse o Cabeça Velha cabisbaixo. – Lá, eu contarei tudo para vocês. Além disso, eu preciso ver o Grinto.
Ouvindo isso, os quatro concordaram.
Mudando de cena:
Glen, na forma de Nilier, se aproximou de vários trabalhadores da cidade, que estavam reunidos em um ponto da prefeitura.
— Atenção, homens! – Nilier exclamou, chamando a atenção de todos. – Imagino que muitos de vocês devem estar um pouco abalados com tudo o que está acontecendo. Todas as verdades que estão vindo à tona. – Mas estou aqui para avisar que o meu plano ainda não acabou. Perseguindo os Combo Niños, poderemos impedi-los de trazer mais criaturas para cá. Mas precisamos de uma forma de evitar que qualquer criatura apareça novamente.
— E como faremos isso? – Perguntou um dos trabalhadores.
— Em uma de minhas pesquisas, eu soube que, abaixo da cidade, logo atrás da prefeitura, existe um dispositivo. Esse dispositivo pode fazer com que aquelas criaturas nunca mais possam vir para o nosso mundo. Mas eu precisarei de trabalhadores para extraí-lo do chão. Precisarei de muitos trabalhadores, pois é um dispositivo muito grande. Vocês, que se tornarão verdadeiros heróis da cidade, me ajudarão? – Nilier perguntou e todos levantaram os braços e gritaram firmemente, demonstrando que o ajudariam. – E para que nada desse plano caia nas mãos dos Combo Niños, preciso que mantenham isso como um projeto secreto, para todos. Posso confiar em vocês? – Novamente todos os trabalhadores levantaram os braços e gritaram, demonstrando que sim. Em seguida Glen saiu de lá e seguiu até a sua sala, onde tinha um homem idoso de cabelos brancos e bigode grande e branco, usando um paletó e um chapéu que, vendo- o entrar se aproximou.
— Você realmente sabe como fazer um discurso. – Disse o homem idoso para o Nilier.
— Gostei do seu disfarce. – Disse o Nilier sorrindo, vendo que era o Destroctos.
— Espero que esses trabalhadores sejam rápidos. Se eu não fosse incapaz de tocar naquilo, eu faria muito mais trabalhadores gosma para fazerem o trabalho. – Disse o Destroctos seguindo em direção a janela.
— Não se preocupe. Embora os humanos sejam seres inferiores em muitos aspectos. Quando eles querem algo, trabalham arduamente para conseguir. – Nilier explicou. – E pensar que em breve, essa cidade estará em chamas.
— Você poderá queimar essa cidade e muitas outras também. Precisarei de um caminho livre para começar as minhas construções. – Destroctos explicou sorrindo de forma cruel.
— Apenas uma questão de tempo, para que a última parte do nosso plano esteja pronta.
Mudando de cena:
Os quatro entraram no hospital e andaram pelos corredores, até encontrarem uma enfermeira de pele negra, de estatura um pouco baixa.
— Com licença. Estamos procurando pelo Grinto. Ele foi trazido para cá há poucas horas. – Azul explicou para a enfermeira, que olhou em sua prancheta.
— Sim. Grinto. Ele está em um quarto de observação. – Disse a enfermeira, olhando o que estava escrito.
— Será que podemos vê-lo? – Serio perguntou calmamente.
— Desculpe, mas agora ele não pode receber visitas. – respondeu a enfermeira para eles. – Qual é a relação de vocês quatro com ele?
— Somos amigos dele. Além de alunos. – Paco respondeu sorrindo para a enfermeira.
— Ele é professor? – A enfermeira continuou a perguntar.
— Tecnicamente. – Disse a Azul sorrindo.
— Estamos muito preocupados com ele. Será que você poderia nos deixar levar algo para deixar perto dele? É algo que o Grinto gosta muito. E queríamos deixar ao lado dele para quando ele melhorar. – Disse a Pilar calmamente.
— Acho que vocês podemos deixar algo lá para ele. – Disse a enfermeira olhando para os quatro, que ficaram muito felizes. – Por favor, me sigam.
Seguindo a enfermeira, os quatro chegaram no quarto, onde estava o Grinto, que estava enfaixado e com um respirador.
— Grinto. – Disseram os quatro em voz baixa enquanto se aproximavam e o observavam.
— Como ele está? – Pilar perguntou olhando para a enfermeira.
— Depois de tudo o que aconteceu... – Disse a enfermeira parecendo chateada. – Ele está em um estado de coma. Não sabemos quando ele vai acordar.
Ouvindo isso os quatro ficaram muito assustados.
— Tem algo que vocês possam fazer? – Azul perguntou se aproximando da enfermeira.
— Isso depende mais dele. Mas pelo que nós vimos, o Grinto é um homem forte. Então eu diria que as chances dele podem ser boas. – Ao ouvirem isso, os quatro ficaram um pouco mais calmos. – Acho que vocês podem ficar um pouco mais de tempo aqui. Mas eu virei em breve para avisá-los, então vocês terão que sair.
— Obrigado. – Disse o Serio sorrindo.
— Se importariam se eu perguntasse o que vocês trouxeram para ele? – A enfermeira perguntou curiosa.
— É um... Amigo dele. – Disse o Paco, tirando o Cabeça velha de dentro da mochila dele.
— Nossa! Que coisa feia. – Disse a enfermeira um pouco assustada ao ver o Cabeça Velha.
— É algo que o Grinto gosta muito. – Azul explicou.
— Tudo bem. Cada um com seu gosto. Voltarei em breve. Mas eu ainda acho essa coisa bem feia. – Disse a enfermeira saindo e fechando a porta.
— Você também não é um exemplo de beleza. – Disse o Cabeça Velha para a enfermeira irritado, sem que ela o pudesse escutar. Em seguida ele vê os quatro em volta do Grinto, então respira fundo. – Crianças. Venham aqui. – Ouvindo isso, os quatro se aproximaram. – Eu preciso contar a história minha e do Grinto a respeito do Glen.
— O que aconteceu? – Paco perguntou ao Cabeça Velha.
— Antes de muitas coisas acontecerem. Grinto e Glen já foram... Melhores amigos. – Disse o Cabeça Velha aos quatro, deixando-os assustados com a notícia.
— Como assim? – Pilar perguntou ainda surpresa, enquanto os quatro prestavam atenção no Cabeça Velha.
— Grinto era um garoto de rua. Ele passou a viver por lá há partir dos quatro anos. Foi quando ele encontrou o Glen que já vivia nas ruas há muito mais tempo. Desde então os dois eram grandes amigos. – Disse o Cabeça Velha começando a explicar. – Mas vou explicar a vocês o que aconteceu. Há alguns anos, era eu quem protegia Nova Nitza, embora os aparecimentos naquela época não fossem tão frequentes quanto atualmente. Em uma manhã, eu estava andando por uma feira, depois de uma batalha, sem usar minha máscara, para ver se estava tudo bem...
Mudando de cena:
Cabeça Velha estava andando pela feira, olhando em volta, vendo que ocorriam várias compras em volta, todos demonstrando estar felizes, quando de repente ele vê um garoto de pele negra e de cabelo roxo, usando uma calça verde e chinelos, correndo pela feira, até que ele, estando do lado de uma barraca de frutas, ele pisa de um lado de uma tabua no chão, fazendo com que o outro lado levantasse, atingindo um jarro de plantas que estava pendurado acima dele, fazendo com que o jarro se soltasse.
Antes que o jarro pudesse cair nele, o dono da barraca pega o jarro rapidamente e o coloca em cima do balcão.
— Tudo bem, garoto? – Perguntou o vendedor, olhando para o garoto, que parecia assustado.
— Tudo. Obrigado. – Disse o garoto sorrindo. Enquanto via isso, o Cabeça Velha sorriu, quando, de repente ele olha para o outro lado da barraca e vê um garoto de pele branca e de cabelo longo, usando uma calça vermelha e um pano em volta do torso, amarrado em seu pescoço, sorrindo enquanto roubava as maçãs do vendedor rapidamente, enquanto o dono não olhava.
Em seguida os dois saíram de lá rapidamente antes que o vendedor pudesse suspeitar, deixando o Cabeça Velha surpreso.
— Ei! Onde foram parar as minhas maçãs?! – Perguntou o vendedor, ao ver que sua caixa de maçãs estava quase vazia.
Vendo o que tinha acontecido, o Cabeça Velha resolveu ir na direção em que os dois garotos haviam ido.
Chegando lá, ele se surpreende ao ver que o garoto de cabelo longo, sorrindo, pegou uma pêra de outro vendedor de frutas e mostrou para ele.
— Obrigado pela pêra, senhor. Espero que não se importe de eu não pagar. – Disse o garoto ainda sorrindo.
— Me devolva isso! – Disse o vendedor irritado, seguindo na direção dele, tentando apanhá-lo, mas o garoto conseguia escapar. Enquanto isso, o outro garoto de cabelo roxo pegou um pouco de cada uma das frutas da barraca dele. Depois de fazer isso, ele rapidamente sai da barraca e começa a andar calmamente. Vendo isso o outro garoto devolve a pêra ao vendedor, deixando-o um pouco confuso.
— Calma. Não sabe o que é brincar? – Disse o garoto enquanto se afastava devagar. Nesse momento o vendedor seguiu na direção de sua barraca, quando, de repente vê que várias frutas haviam sumido. Em seguida ele olha em volta e vê os dois garotos segurando as frutas.
— Ei! Voltem aqui! – Exclamou o vendedor, correndo atrás dos dois que, ao verem isso, correram de lá.
Enquanto corriam, eles trombaram em algo, quando olharam bem, viram que era o vendedor da outra barraca.
— Então foram vocês que roubaram as minhas maçãs. – Disse o vendedor firmemente para os dois.
— Não sei do que você está falado. – Disse o garoto de cabelo longo, de um jeito inocente quando, de repente algumas maçãs caíram de baixo do pano que ele usava. – Eu sabia que deveríamos ter escondido isso antes de seguir para ao outra barraca. – Disse o garoto para o outro.
— Eu vou dar um jeito em vocês. – Assim que disse isso, o vendedor estendeu os braços na direção deles, para pegá-los pelo pescoço, mas, nesse momento os dois se entreolharam e, em seguida seguraram cada um em um braço dele e em seguida se jogaram na direção dele, atingindo-o no rosto com um chute. Depois disso, os dois rapidamente pularam atrás das pernas dele e chutaram atrás dos pés dele, fazendo-o cair de costas no chão.
Após fazerem isso, os dois correram novamente, mas, enquanto corriam, o garoto de cabelo roxo foi pego, pela nuca, pelo outro vendedor, que o puxou para perto dele.
— Vou dar um jeito em você. – Disse o vendedor, olhando firmemente para o garoto.
Nesse momento o garoto de cabelo longo subiu em uma das cabanas e se jogou na direção dos dois, assim que se aproximou, ele girou no ar e atingiu o vendedor com um chute no rosto, empurrando-o para trás, fazendo-o soltar o outro garoto, que rapidamente o atingiu com um chute no estômago, fazendo-o também cair de costas no chão.
— A catapulta de chute nunca falha. – Disse o garoto de cabelo longo para o outro quando, de repente todos os outros vendedores que estavam por perto se aproximaram deles, para apanhá-los, vendo tudo o que tinha acontecido. – É melhor sairmos daqui.
Os dois subiram em outra das barracas e pularam por cima delas, um ajudando o outro, escapando dos vendedores, até que chegaram a um prédio, o qual eles escalaram, escapando.
O Cabeça Velha, ao ver tudo o que os dois tinham feito, resolveu ir atrás deles por cima dos prédios devagar, até que chegou em um telhado, onde aparentemente os dois viviam sem que ninguém soubesse.
— Parabéns! Você fez uma excelente atuação com aquele jarro. – Disse o garoto de cabelo longo para o outro.
— E as maçãs que você pegou também são ótimas. – Disse o garoto de cabelo roxo, enquanto os dois comiam as frutas.
— Pelo menos você pegou uma variedade muito maior do que eu. – O garoto de cabelo longo continuou.
— Mas tudo isso foi você que planejou. – O garoto de cabelo roxo continuou também e, os dois continuaram conversando até que, de repente o Cabeça Velha cai na frente dos dois, em pé, usando a sua máscara, deixando-os surpresos.
— Olá. – Disse o Cabeça Velha sorrindo para os dois que, vendo isso, se prepararam para enfrentá-lo. – Acalmem-se. Não vim aqui para lutar com vocês.
— Espere um pouco. Você é o cara que sempre aparece nos noticiários, enfrentando aqueles monstros que aparecem pela cidade. – Disse o garoto de cabelo roxo se lembrando.
— Sim. – Disse o Cabeça Velha se sentando no chão. – Enquanto eu estava passando, vi o que vocês fizeram.
— Se quiser as frutas, estamos dispostos a lutar por elas. – Disse o outro garoto sorrindo.
— Não estou aqui para lutar, estou aqui para oferecer uma proposta. – Disse o Cabeça Velha acalmando os dois.
— Que tipo de proposta? – O garoto de cabelo roxo perguntou.
— Vocês não vão mais precisar lutar ou roubar para sobreviver a cada dia. Darei para vocês abrigo, comida e ensinarei a vocês o que eu sei. Inclusive sobre lutas. – O Cabeça Velha explicou.
— Parece bom... – Disse o garoto de cabelo roxo, quando de repente o outro o interrompeu.
— Espere um pouco. Pelo que eu sei, uma proposta tem sempre dois lados. – Ao dizer isso, o garoto de cabelo longo olhou para o Grinto. – E o que nós deveremos fazer?
— Tudo o que eu peço, é que vocês dois parem de roubar, e que devolvam todas as frutas que vocês ainda não colocaram na boca. – Ouvindo essas palavras do Cabeça Velha, os dois se entreolharam e sorriram um para o outro.
— Feito! – Disseram os dois ao mesmo tempo.
— Certo, então venham comigo. – Dizendo isso, o Cabeça Velha começou a andar e os dois, pegando as frutas, o seguiram. – A propósito, quais são os seus nomes?
— O meu nome é Grinto. – Disse o garoto de cabelo roxo.
— E o meu nome é Glen. – Disse o garoto de cabelo longo.
— É um prazer conhecê-los. – Disse o Cabeça velha enquanto os três continuavam andando.
* Quando eu fiz essa proposta aos dois, foi por algo além de ajudá-los. Eu sabia que um dia eu precisaria de um substituto, ou substitutos, e aqueles dois garotos faziam um time melhor do que muitas outras pessoas conseguiriam.*
Os três andaram pela cidade, até chegarem perto de alguns prédios abandonados.
— Se essa é a sua casa, eu prefiro morar no nosso telhado. – Disse o Grinto, ao ver os prédios.
— Olhe por dentro, antes de tirar conclusões precipitadas. – Disse o Cabeça Velha olhando para o Grinto.
— Eu soube que esses prédios vão ser demolidos e transformados em uma escola. – Disse o Glen observando.
— Isso não vai chegar a nos atrapalhar. Além disso, talvez vocês até cheguem a estudar nessa escola. – Disse o Cabeça Velha para os dois, chamando a atenção deles.
— Acho que não. Não consigo me imaginar nem sequer pisando dentro de uma escola. – Disse o Grinto parecendo incomodado com a idéia.
Ao chegarem dentro de um dos prédios, os três seguiram até o centro, onde o Cabeça Velha atingiu o seu bastão no chão, transportando-os para o salão de treino.
— Bem vindos ao meu salão de treino. – Disse o Cabeça Velha, enquanto os dois permaneciam sem palavras com o que viam.
— Devo admitir que isso é bem legal. – Disse o Glen olhando em volta, surpreso com o lugar, assim como o Grinto.
— Agora que eu parei para pensar, você ainda não nos disse o seu nome. – Disse o Grinto para o Cabeça Velha.
— Meu nome é Bernie, mas agora acho que vocês podem se referir a mim como mestre, enquanto eu vou me referir a vocês como meus aprendizes. – Disse o Cabeça Velha, tirando a sua máscara, deixando os dois ainda mais surpresos. – Como vocês já devem estar um pouco satisfeitos depois das frutas que comeram, acho que poderemos começar a treinar. Bem... Vamos ver o que vocês sabem.
Ao dizer isso, Bernie fica em posição de ataque. Vendo isso, os dois também ficam e, em seguida, o atacaram com vários golpes, os quais Bernie defendia.
— Você vai ver! – Grinto exclamou, dando um chute na direção do Bernie, que o segura pela perna e o joga para trás.
Aproveitando isso, Glen ataca Bernie com uma serie de chutes, enquanto Grinto se aproxima rapidamente pelas costas do Bernie e se abaixa para fazê-lo cair.
Glen atinge o Bernie com um chute, o qual ele defende, mas dá um passo para trás, tropeçando no Grinto, mas no momento que iria cair, ele dá um giro no ar, caindo de pé.
— Golpes sujos não funcionarão comigo. – Disse o Bernie, chamando a atenção dos dois. – É interessante o trabalho em equipe de vocês, mas precisarão trabalhar melhor as suas táticas.
Grinto voltou a atacar o Bernie, que defendia os golpes, enquanto isso, Glen sobe correndo em uma pilastra e em seguida se joga na direção do Bernie. Assim que se aproxima bastante, Glen gira no ar, para atingi-lo com a catapulta de chute, mas, rapidamente, Bernie o segura pela perna e o joga no Grinto, fazendo com que os dois caíssem no chão.
— Você pode nos ensinar esses movimentos? – Grinto perguntou, enquanto os dois se levantavam.
— Agora que eu já vi o que vocês sabem fazer, poderemos começar o treinamento. – Disse o Bernie, fazendo com que os dois ficassem animados. – Podem começar fazendo cinquenta flexões. – Ouvindo isso, os dois ficaram desanimados.
— Nós não estamos aqui para fazer flexões. – Disse o Glen para o Bernie, observando.
— É. Queremos aprender alguns golpes. – Disse o Grinto, concordando com o Glen.
— Vocês devem aprender primeiro o básico, antes de avançar para a próxima etapa. Agora podem começar as flexões. – Assim que disse isso, Bernie pegou o seu berimbau e começou a tocá-lo. Enquanto isso, Grinto e Glen se entreolharam e decidiram fazer as flexões. Depois de algum tempo, os dois fizeram abdominais, alongamentos, e depois de muito tempo, eles finalmente treinaram cerca de dois golpes. – Bem, achega de treinamento por hoje.
— Mas agora que nós estávamos começando a aprender alguns golpes. – Disse o Grinto incomodado.
— Paciência. – Disse o Bernie, chamando a atenção dele.
— É verdade. Nós viemos aqui para aprender golpes. – Glen concordou com o Grinto.
— Aprender direito leva tempo. Aguardem, que vocês verão o resultado do treinamento. – Bernie explicou aos dois. – Bem, acho que agora podemos ir comer algo. Venham comigo.
Em seguida, os três seguiram até uma sala, onde Bernie pegou comida na geladeira que tinha lá, e colocou em uma mesa. Os três comeram e depois Grinto e Glen dormiram em um colchão que o Bernie tinha no salão de treino, enquanto ele ficava acordado, pensativo.
*Alguns dias se passaram, enquanto eu treinava os dois, embora eles sempre se mostrassem muito impacientes, querendo sempre apenas aprender golpes e mais golpes. Algumas vezes, Glen nem aparecia, e eu tinha que treinar o Grinto sozinho, embora já fosse difícil. Eu achava que o Glen apenas estava demonstrando certa falta de interesse, até que eu comecei a perceber algo a partir do dia em que eu levei os dois para a ação de verdade pela primeira vez.*
Grinto e Glen estavam treinando alguns golpes quando, de repente o berimbau do Bernie começa a tocar sozinho.
— O que é isso? – Grinto perguntou surpreso.
— Significa que alguém resolveu invadir a cidade. – Disse o Bernie para os dois. – Acho que está na hora de vocês finalmente treinarem lá fora. Vocês vão me acompanhar. Infelizmente, eu não consegui fazer suas máscaras ainda, mas vocês podem colocar isso. – Bernie, ao dizer isso, pegou dentro de um baú, duas máscaras de teatro, e entregou aos dois.
Depois de colocarem as máscaras, os três seguiram para o centro da cidade, pulando por cima dos prédios. Chegando lá, eles viram uma criatura cinza, usando uma calça marrom, de cabelo um pouco arrepiado, fazendo alguns gritos muito altos, e algumas vezes, batendo as mãos, causando sons muito altos, assustando os cidadãos.
— É apenas o Laucteg. – Disse o Bernie, chamando a atenção dos dois. – Eu conheço o pai dele. Esse garoto é apenas um adolescente que gosta de causar confusão. Ainda bem que ele ainda não consegue usar um grito sônico, mas parece que está quase. Vamos nos aproximar dele. Se ele não quiser nos ouvir, o atingimos com alguns golpes e depois o mandamos para casa.
— Certo. – Disseram os dois e, em seguida, correram na direção do Laucteg.
— Laucteg, pare com isso. O que seu pai diria se te visse assim? – Bernie perguntou, chamando a atenção do Laucteg.
— Cala a boca e deixa eu me divertir. Esses humanos são muito engraçados, quando estão com medo. – Disse o Laucteg, gritando novamente, assustando mais pessoas.
— Agora chega. – Disse o Grinto, correndo na direção do Laucteg que, assim que o viu, deu um grito na direção dele, atordoando-o. Em seguida, no momento que Laucteg parou de gritar, aproveitando isso, Glen se aproximou rapidamente, usou Grinto como apoio e se jogou no Laucteg, atingindo-o com um chute no rosto, empurrando-o para trás.
— Muito bom. – Disse o Bernie, sorrindo.
— Acham mesmo que podem brigar comigo. – Disse o Laucteg, ficando irritado. – Eu aprendi alguns truques novos. – Dizendo isso, ele bate as mãos uma na outra e depois as vira na direção deles, lançando o som forte na direção dos dois.
— Se abaixem! – Bernie exclamou e os dois se abaixaram, escapando do ataque.
Em seguida, Bernie correu na direção do Laucteg e o atingiu com um chute na barriga, jogando-o de cima do prédio, mas ele conseguiu cair em pé no chão, mas os três também desceram rapidamente, se aproximando dele.
— Não vou deixar vocês estragarem a minha diversão. – Disse o Laucteg para os três, que se aproximavam. Vendo isso, ele lança três ataques com suas mãos, atingindo três partes altas de prédios da cidade, quebrando-as.
Bernie viu que as três partes estavam prontas para cair em alguns cidadãos.
— Grinto! Ajude ali! – Bernie exclamou apontando para uma direção, e Grinto, olhando, viu alguns pedaços prestes a atingir algumas crianças, então ele correu para ajudá-las. – Glen! Ajude ali! – Novamente exclamando, Bernie aponta para outra direção.
— Eu vou dar uma surra nele. – Disse o Glen, continuando a correr na direção do Laucteg.
Vendo isso, Bernie viu que a terceira parte estava prestes a cair encima de uma mulher, que estava passando mal. Então ele rapidamente correu na direção da mulher e a tirou de lá, antes que ela pudesse ser atingida e, logo em seguida pulou na direção de mais duas pessoas, que estavam presas, as quais o Glen deveria ter ajudado e, rapidamente as tira de lá no momento certo. Enquanto isso, Grinto tirava as crianças do outro ponto, antes que pudessem ser atingidas.
Nesse momento, Glen atinge o Laucteg com um soco na barriga e, em seguida o atinge com um chute no rosto, jogando-o para trás, fazendo-o cair no chão e, mesmo depois disso, ele ainda o atinge com vários socos, mesmo Laucteg estando caído.
— Espere... Eu me... Rendo... – Disse o Laucteg enquanto era atingido pelos socos.
— Chega, Glen. – Disse o Bernie tirando o Glen de cima do Laucteg. – Pronto para voltar para casa? – Laucteg, ouvindo a pergunta, apenas deu um sorriso sem graça.
Em seguida, eles seguiram de volta para o salão de treino, onde Bernie usou o agogô dourado para abrir um portal, por onde passou o pai do Laucteg, que era parecido com ele, mas era maior e mais musculoso.
— Já peço desculpas pelo comportamento do meu filho. Vou dar uma lição nele assim que chegarmos. – Disse o pai do Laucteg, pegando-o pela nuca e fazendo-o atravessar o portal.
— Sem problemas. A gente se fala. – Disse o Bernie, enquanto o pai de Laucteg também passava pelo portal, o qual ele fechou.
— Nada mau para um primeiro dia de trabalho. – Disse o Grinto, sorrindo para o Glen e para o Bernie.
— Eu acho que não poderíamos dizer bem isso. – Disse o Bernie se sentando no chão, chamando a atenção dos dois. – Glen. Você me desapontou hoje. Ignorando um pedido que eu te fiz, ignorando o pedido de rendição do Laucteg e, ainda mais importante, ignorando as vidas que poderiam ter sido perdidas na sua desobediência.
— Se pararmos para pensar, mestre. Laucteg estava usando aquelas pessoas, para ele poder escapar e aterrorizar outros lugares da cidade. Minha opção era mais lógica. Impedindo que ele fugisse, eu pude cumprir o nosso objetivo. Se eu tivesse ajudado aquelas pessoas, Laucteg poderia ter escapado e estaríamos até agora procurando por ele. Sem contar que ele poderia estar fazendo muito mais estragos na cidade dessa forma. – Glen explicou seu ponto de vista.
— Glen. Você não entende. Toda a vida é preciosa. Não podemos arriscar a vida das outras pessoas. Você possui uma grande habilidade em ver rapidamente o que está acontecendo e bolar uma estratégia para isso, mas deve começar a priorizar os seus objetivos. Há uma grande diferença entre querer derrotar as criaturas que aparecem, e querer ajudar as pessoas. – Bernie explicou ao Glen, que ainda não parecia se importar.
* Eu comecei a ver que o Glen não se importava realmente com as pessoas. Não tinha a vontade de protegê-las. Eu achava que isso era apenas algo das ruas, que ele ainda não tinha deixado para trás. Mas percebi melhor em um dia que ele não havia aparecido para treinar, então resolvi ir atrás dele, deixando o Grinto treinando no salão de treino*
Nas ruas da cidade, Glen estava correndo de três homens grandes, que queriam bater nele.
Entrando em um beco, Glen os viu se aproximando. Assim que um tentou atingi-lo com um soco, Glen rapidamente desviou, depois deu uma rasteira nele, fazendo-o cair no chão e depois pisou em seu rosto, fazendo-o desmaiar. Em seguida outro homem correu na direção dele e tentou atingi-lo com um chute, mas novamente Glen desviou e, em seguida, pulou no rosto dele, atingindo-o com um chute, jogando-o para trás, fazendo-o cair no chão. Logo depois, o terceiro homem se aproxima pelas costas do Glen e o segura, colocando um dos braços em volta do pescoço dele, e levantando-o, mas Glen rapidamente dobrou as pernas e o atingiu com um chute no estômago, empurrando-o para trás, em seguida Glen pula nas costas dele e o atinge com um chute nas costas, jogando-o no chão.
— Obrigado pela comida, pessoal. – Disse o Glen, pegando um pão escondido no pano que ele usava e começando a comê-lo.
— Então era para isso que o seu treinamento servia? – Olhando para cima, Glen vê o Bernie sentado em uma escada de incêndio.
— É você, mestre? O que faz aqui? – Glen perguntou sorrindo.
— Vim ver o que você estava fazendo? Roubando e usando mal o que te ensinei. Por que você está fazendo isso? – Bernie perguntou, se aproximando.
— Estávamos ficando sem comida, então decidi pegar um pouco com esses caras. – Glen respondeu calmamente.
— Você sabia que nós poderíamos simplesmente comprar mais, mas ainda sim optou por roubar deles. – Disse o Bernie firmemente para o Glen.
— Para quê gastar dinheiro, que é difícil para você arranjar, se posso conseguir assim facilmente? – Glen perguntou olhando para o Bernie.
— Ao que vejo, você realmente não se importa com o povo desta cidade. Não se importa com o que aconteça com os outros, enquanto você puder conseguir algo necessário. A cidade não pode ter um protetor assim. – Disse o Bernie cabisbaixo, pensativo. – Você não cumpriu o que você me disse que faria, e ainda fez essas coisas por minhas costas. Não posso ter um aluno que seja assim.
— Do que você está falando? – Glen perguntou calmamente.
— Você não é mais o meu aprendiz. – Disse o Bernie, deixando o Glen com uma expressão assustada.
— Mas eu fiz isso por vocês. – Disse o Glen, tentando se explicar.
— Você se importa com seus próximos, mas trata a todos os outros como se não fossem nada. Sem contar que, quando não é do seu interesse, você simplesmente ignora o que é dito a você. Desculpe, mas você não é mais o meu aprendiz. – Disse o Bernie se virando de costas para o Glen. – Se você quiser realmente deixar de ser assim, poderá voltar ao salão de treino. – Assim que disse isso, Bernie começou a andar por outro caminho, enquanto o Glen permanecia naquele beco.
Depois disso, Bernie seguiu até o salão de treino e contou ao Grinto, o que tinha acontecido.
— Você fez o que?! – Grinto exclamou surpreso.
— Glen não é mais meu aprendiz. – Bernie respondeu cabisbaixo para o Grinto.
— Por quê? – Grinto perguntou irritado, mas Bernie permaneceu em silêncio.
* Eu não conseguia dizer ao Grinto como era o Glen que eu via. Os dois eram próximos demais para que o Grinto pudesse vê-lo assim. Naquela noite, Grinto foi até onde o Glen estava, sem me contar, mas eu o segui, pois estava preocupado se o Glen tentaria algo*
— Glen? – Grinto perguntou, assim que subiu no telhado, onde os dois viviam antes, vendo o Glen deitado, olhando as estrelas.
— Olá, Grinto. – Disse o Glen sorrindo como de costume.
— Eu sinto muito pelo que aconteceu. – Disse o Grinto se sentado ao lado dele.
— Por acaso o mestre te disse por que ele fez isso? – Glen perguntou curioso.
— Não. Talvez você possa me dizer. – Disse o Grinto olhando para o Glen, que continuava deitado.
— Eu tentei garantir a nossa sobrevivência, mas, aparentemente, as regras dele são mais importantes do que isso, — Disse o Glen, olhando para cima. – Mas depois que isso aconteceu, eu vim para cá e pensei, e percebi algo.
— O que? – Grinto perguntou para o Glen, que se sentou.
— Ele está nos enganando. – Disse o Glen, deixando o Grinto surpreso com aquelas palavras.
— Do que está falando? – Grinto perguntou ainda surpreso.
— Pense bem. O tempo passa, e futuramente o nosso querido mestre não estará mais por aqui, então ele precisará de alguém para continuar seu trabalho. Tendo uma cama e um pouco de comida extra, ele facilmente conseguiu a nós para preencher esse espaço. – Glen explicou. – Ele não se importa realmente conosco. Apenas quer sucessores e nada mais.
— Isso não pode ser verdade. – Disse o Grinto preocupado.
— Apenas pense. No dia em que ele não estiver mais por aqui, quem cuidará de nós? Acho que ele não chegou a te dizer algo sobre isso, certo? – Glen explicava cada vez mais para o Grinto, deixando-o mais assustado. – Grinto. Apenas nós nos preocupamos conosco. Todos os outros que demonstraram isso durante esse tempo estavam nos enganando.
— E o que faremos? – Grinto perguntou confuso.
— Amanhã eu vou atrás de comida. Durma aqui e, se quiser pegue um pouco de comida ali atrás. Sinta-se a vontade. Amanhã a tarde você decide se virá comigo para conseguir, ou se você vai se vai voltar para aquele salão de treino. – Disse o Glen para o Grinto, que ficou na dúvida.
— E se eu escolher voltar para o salão de treino? – Grinto perguntou curioso com a resposta que o Glen daria.
— Então eu terei que ir atrás de comida sozinho. Mas saiba que eu vou conseguir o dobro, para caso você precise. – Disse o Glen sorrindo para o Grinto, que também sorriu.
*Eu resolvi esperar a decisão do Grinto. Então voltei para o salão de treino e no dia seguinte eu esperei, mas o Grinto não apareceu, então eu resolvi ir atrás dele. Grinto ainda se importava com as pessoas. O coração do Glen estava muito cheio de ódio e de rancor pelo tempo em que ele passou nas ruas, mas Grinto ainda não estava daquele jeito, e eu precisava salvá-lo antes que ele ficasse assim. Mas por eu ter saído, não consegui ver o momento que o meu berimbau tocou sozinho.*
Grinto estava andando pelo centro da cidade, pensativo e um pouco cabisbaixo.
— Já conseguiu se decidir? – Grinto, ao ouvir isso, olhou para o lado e viu o Bernie sentado ao lado de uma fonte.
— Mestre? – Grinto perguntou surpreso.
— Você não apareceu para o treinamento, então resolvi procurar por você. – Disse o Bernie, enquanto o Grinto se aproximava dele.
— Não precisa se esforçar. O Glen me contou seu verdadeiro objetivo. – Disse o Grinto demonstrando estar irritado. – Você não se preocupa realmente conosco, você apenas que sucessores para quando você não estiver mais aqui, e nós fomos os mais fáceis de encontrar.
— Grinto. Não vou mentir para você. Eu realmente pensei em vocês dois como meus sucessores. – Disse o Bernie, chamando a atenção do Grinto. – Mas não foi apenas por isso. Quando eu vi vocês dois, eu vi dois garotos que agiam como se pudessem conseguir tudo o que quisessem, mas não tinham alguém para ensinar um caminho que eles pudessem seguir. E eu queria ensinar esse caminho a vocês.
— Por que você expulsou o Glen? – Grinto perguntou cabisbaixo.
— Viver nessas ruas deixou o Glen com marcas, as quais ele não quer curar. Mesmo que eu tente ensinar outro caminho para ele, se o Glen não quiser segui-lo, não há nada que eu possa fazer. Eu disse a ele que, se ele estivesse disposto a deixar de ser daquele jeito, ele poderia voltar, agora a escolha é dele, assim como é sua. – Bernie explicou ao Grinto.
— E se um dia, você... Não estiver mais por aqui? Quem cuidará de mim? – Grinto perguntou ainda cabisbaixo.
— Eu não posso garantir por quanto tempo viverei, nem o que vai acontecer. Mas enquanto eu estiver aqui, tentarei o meu máximo para cuidar de você. – Bernie se levantou, depois se aproximou do Grinto e se abaixou perto dele. – Sabe o que eu consegui ver, quando eu te vi pela primeira vez?
— O que? – Grinto perguntou olhando para o Bernie.
— Um garoto que era capaz de viver ao máximo, e não demonstrava medo. Mas que no fundo, temia o que o amanhã traria. – Bernie explicou, colocando a mão no ombro do Grinto. – Mas eu pretendo cuidar de você, não apenas porque você é meu aprendiz, mas você também é meu amigo. – Bernie sorriu, mas Grinto permaneceu pensativo. De repente um enorme elefante rosa cai em pé no chão, próximo aos dois, criando um enorme tremor, surpreendendo-os. – Elefanto!
Continua...
Notas finais
Espero que tenham gostado. Postarei o próximo capítulo até dia 7 ou até 2 da manhã do dia 8. Até lá ;)
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