A Visitante

2 A visitante


Cheguei à conclusão que não foi uma grande ideia vir para Los Angeles, no momento em que o policial me parou e me pediu que o acompanhasse, pensei seriamente em sair correndo do aeroporto, mas estava arrastando uma mala e com uma mochila nas costas e ainda havia seguranças nas saídas definitivamente não seria algo inteligente, então fiz o que foi pedido.

Ele me levou para uma espécie de sala da diretoria. Onde rapidamente uma mulher hispânica do serviço social apareceu, eles me perguntaram coisas como: “Por que você está viajando sozinha?” “Onde estão seus pais?” “Você está fugindo?” Tentei seriamente em desviar das perguntas e apenas dizer que tinha esquecido de pegar minha autorização, até simulei procura-la em minha bagagem, mas não teria jeito se eu quisesse sair dali, eu preciso dizer a verdade, ou ao menos parte dela.

—Tenho quase dezessete anos, não preciso de serviço social. Estou aqui para visitar minha mãe. -Eu disse e ambos me olharam para mim na expectativa de que eu fosse continuar, e agora? Ah! Isso vai ser perfeito, a última vez que visitei meus avós, vovó estava se gabando por minha mãe, estar em um dos maiores cargos de Los Angeles, mas qual era mesmo?

—Não sei se já ouviram falar dela, ela se mudou há pouco tempo, delegada chefe Brenda Leigh Johnson.

Acho que o policial reconheceu, mas ele ainda pediu:

—Posso ver seus documentos?

Fui obrigada então a mostrar meu RG e me olhando desconfiado ele disse:

—Rose Forbes, hein?

Fiz que sim com a cabeça, mas fiz questão de acrescentar:

—Rose Rae Johnson Forbes. Mas Rose Forbes é mais curto.

Mas ele foi presunçoso ao dizer:

—Creio que não se importaria se te levássemos até sua mãe senhorita Forbes.

Ops, o que ela vai dizer se me vir escoltada de um policial? Mas se bem que eu nem sei onde é a casa dela, acho que pensei no plano só até na parte em que chegava aqui. Então respirei fundo e declarei confiante:

—Adoraria uma carona, mas vocês sabem onde encontrá-la?

Forcei um sorriso e o homem de cabelos escuros disse:

—Nesse horário, pelo cargo dela, provavelmente deve estar trabalhando, te levo até lá. Você vem Lynch?

E assim fomos para a divisão da minha mãe. Quando chegamos, um senhor asiático nos interrompeu:

—Sou o tenente Tao, precisam de alguma coisa?

Enquanto o oficial dizia ao tenente que precisava falar com Brenda Johnson, vasculhei com o olhar o local, tinha um quadro branco sem nada escrito, um senhor baixo de cabelos brancos lendo o jornal, uma mulher morena escrevendo alguma coisa, e um homem de uns trinta anos afro-americano também escrevendo algo, quando de repente ouço meu nome:

—Rose?

Viro imediatamente na direção daquela voz, dou meu melhor sorriso, afinal estou visitando minha mãe, ou pelo menos preciso convencer ao policial e a assistente social, afinal tenho que parecer uma boa garota, para que ninguém ligue para meu pai.

—Mãe! –Eu disse, e saiu um pouco mais emocionado do que deveria. Pelo canto do olho pude perceber a surpresa das pessoas ali presentes, que novidade, ela não contou da filha. Então ela foi rápida, em chama-los para conversar a sós e me deixar para trás, com certeza ela quer saber os fatos, que Deus me ajude.

Enquanto ela conversava com a assistente social e o policial que me trouxeram em sua sala, fiquei ali sozinha rodeada por pessoas que me olhavam um pouco estranhas. Me sentindo desconfortável e não sabendo muito bem o que fazer eu disse:

—Oi

Todos aqueles que me encaravam estranhamente responderam:

—Oi. –Exceto um hispânico que disse:

—Oi filha da chefe. –Sorri com o comentário.

O homem afro-americano, se aproximou de mim e estendendo a mão para um aperto disse:

—Detetive Gabriel. –Eu lhe dei um aperto de mão firme, afinal minha avó paterna sempre diz que eu deveria ser mais educada do que minha mãe.

—Rose Forbes –Eu disse.

Logo as pessoas que me trouxeram, saíram da sala da minha mãe. Sorri para eles e disse:

—Obrigada pela carona.

O policial assentiu e a mulher me lançou um sorriso desconfiado. Detetive Gabriel então tentou puxar assunto, me perguntando de onde eu era, mas antes que eu tivesse a chance de responder, ela apareceu da porta da sala dela e me chamou para dentro, suspirando silenciosamente vou ao seu encontro ou minha morte iminente.

Não muito tempo após divagar sobre minha última aventura em Atlanta, detetive Gabriel informa minha mãe que eles tem um caso. Ela pega o telefone e liga para um tal de Fritz. Não mais que vinte minutos depois, um homem entra na sala dela, acho que é o Fritz. Ele olha de mim para ela.

—Quem é ele? –Perguntei olhando para ela e apontando para ele.

—Fritz... Se lembra da Rose? –Ela disse e eu franzi o cenho, tenho certeza que não o conheço, olhei para ele e ele começou:

—Fritz Howard, da última vez que nos vimos você ainda usava fraldas.

Isso sem dúvida alguma não ajudou.

Fritz me levou até a casa da minha mãe, atendendo ao pedido dela para que ele ficasse de olho em mim. Ele perguntou se eu estava com fome, fiz que sim com a cabeça ele foi até a cozinha fazer algo para comer, eu o segui. Enquanto observava ele fazer panquecas, pois não havia realmente nada que não fosse congelado na geladeira dela, um gato pulou em meu colo.

—Uau, ela tem um gato. –Disse enquanto colocava o gato cinzento no chão.

Após terminar de comer, fui lavar o meu prato e comecei a investiga-lo, fazer o que né? Está no meu sangue:

—Então você é namorado dela? –Ele demorou um pouco para responder e isso foi o suficiente para que eu chegasse a minha própria conclusão. –Suponho que isso seja um sim.

Ele riu e me perguntou:

—E por que eu não seria um amigo?

Me virei e o encarei perplexa:

—Faz tempo que eu não vejo ela, mas se ela ainda possui os mesmos modos os quais minha avó se queixa, o que não duvido. Ela não tem amigos, ela tem subordinados. Levando em consideração que você não trabalha com ela. Então chego à conclusão de que são namorados.

—Você já pensou em ser investigadora? –Ele me perguntou com um pouco de diversão no olhar.

Franzindo o cenho eu disse:

—Não.

—Você leva jeito.

Sorri sem graça e sem notar declarei melancolicamente:

—Talvez assim ela tivesse orgulho de mim.

Ele me lançou um olhar questionador, mas eu me limitei a dar de ombros.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.