Não se sacrifique.

Não espere.

E não torça.

A vida acaba antes de você compreender a sua verdadeira força.

Você sonhava com anjos, mas convivia com demônios.

Você tinha esperança de algum dia possuir esperança.

Nos deslises da música "Elise", você puxava o arco com movimentos tão bem treinados.

Tão machucados...

A dor em seus olhos que ninguém poderia entender.

Ou sequer ver.

Sua franja cobria os teus olhos sempre que tocava.

Acreditava que podia viver, mas só conseguia sobreviver.

Acreditava em mim, acreditava em você.

As notas finais que foram tão repetitivas já estavam a ser devidamente tocadas.

O piano que a acompanhava tinha um singularidade esplêndida.

A sua capacidade de acompanhá-lo de modo compatível era tremenda.

Mas não era como você pudesse entender seu verdadeiro dom e talento.

Só os de fora podiam sentir a sua canção.

Você só conseguia ouvi-la.

Acabou o espetáculo, aplausos eram feitos.

Seus sonhos eram desfeitos.

Porque metaforicamente seus dedos estavam quebrados.

Com a melodia da baixa auto-estima.

Com o pensar de que mesmo estando a escuta daqueles que aplaudiam-a, o som que fizera não fora o suficiente.

E nem nunca seria.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!