A Vingança de um Herói
3 02.O Louco e o Lobo
Notas iniciais
Lucas não estava muito feliz com a situação, não que ele não a quisesse perto, ela representava uma familiaridade para o garoto, um sentimento que ele nunca sentira, mas que ainda assim era agradável sentir, e era sempre bom achar alguém com quem você pode se identificar. Mas, era bem artificial, claro que Amanda não era como Lucas, a garota mais querida de uma pequena cidade comparada com o garoto mais querido de um laboratório militar americano com unidades em cada país do mundo. Ainda assim, era agradável, e Lucas se odiava por estar puxando ela para todos os seus problemas daquela forma. Como se ele tivesse pedido, Amanda se aproximou enquanto caminhavam e segurou em seu ombro gentilmente, a conexão se iniciou, e enquanto Lucas sentia toda a gentileza da garota, podia perceber ela caminhando por suas memórias, resolveu deixar o caminho livre para ela.
Amanda viu tudo, e não conseguia representar em palavras.
O Hospital, um nome nada imponente para as atrocidades que aconteciam lá. Atrocidades, essa não era a palavra que Lucas usaria um ano antes, pouco antes de fugir, e ele não conseguia se perdoar por nunca ter enxergado isso antes. Tudo acontecia para que não houvessem rebeliões, elas seriam prejudiciais, mesmo assim aconteciam. Quando uma ou outra Cobaia — Experimento, Mutante, Rato de laboratório, chame do que desejar — se rebelava, tudo se conduzia para que essa rebelião fosse um ato solitário, o rebelde em questão era rapidamente desacreditado e escrachado, e os outros eram encorajados a zombarem dele enquanto ele desfilava nú por um tapete vermelho até a porta de saída, Lucas se lembra bem disso, ele via tudo de cima. Todos acreditavam que o rebelde seria exilado ou algo parecido, nunca passou pela cabeça de Lucas que eles o matavam logo em seguida.
Enquanto outros eram submetidos a testes diários e horas de diversões, Lucas vivia apenas estudando e brincando, achando que essa moleza nunca iria acabar. O Hospital funcionava como um grande internato, onde os estudantes eram educados com os melhores professores, e viviam uma vida de rei. Pelo menos, pelo tempo que ficassem lá. Toda semana, um aluno saía, e outro entrava, haviam testes semanais e os que sobreviviam por um ano eram mandados para fora para serem úteis ao Hospital, úteis a sociedade. Era uma honra ser escolhido, o objetivo de cada garoto era se provar e passar em todos os testes, o espírito de competitividade era levado ao limite.
Enquanto você não soubesse de toda a verdade, o Hospital era um lugar saudável para se viver.
Somente se você não soubesse a verdade.
Os alunos que saiam semanalmente, os alunos que não passavam nos testes eram descartados — Mortos -, o Hospital representava a sociedade, e esses jovens não eram úteis para ela. Poderes pequenos ou mal desenvolvidos, poderes que envolviam muito dano colateral, ou os que não se deixavam levar pela lavagem cerebral induzida que o Hospital representava; Eram todos eliminados. Alguns sabiam disso, inconscientemente, e lutava duro para tentar se encaixar. Os que sabiam e se rebelavam, eram humilhados. Um sistema cruel e não cruel ao mesmo tempo, basicamente uma sociedade por completo.
Amanda via Lucas nesse cenário como um herdeiro de uma fortuna bilionária, o garoto que nunca tivera que se preocupar com a competição matadora e acolhedora do Hospital, ele era O Protegido, assim como ela.
Lucas se afastou antes que ela pudesse ver tudo, como se ela estivesse invadindo sua privacidade, e de fato estava.
— Meu Deus... — ela suspirou — Eu não acreditaria nisso se não visse direto de seus olhos.
— É, nem eu.
Lucas ficou em silêncio de maneira desagradável e continuou a seguir seu caminho, mesmo com a curiosidade da garota sanada, ela não conseguia ir embora, então continuou a segui-lo.
Lucas sorriu.
***
A ideia de voltar para a estrada não correu muito bem, na verdade parecia bastante sem sentido já que estava repleta de policiais, alguns se embrenharam nas ruas adjacentes, outros seguiam pelo acostamento em baixa velocidade, com certeza os procurando. Lucas só queria saber onde estava o carro do Louco, tudo era bom comparado a encontrar o Louco novamente.
— Talvez... — O garoto começou, colocando a cabeça para trabalhar — Talvez eu consiga teleportar o carro para uma outra parte da estrada, vai nos dar um bom tempo e...
— Nada disso, você iria morrer tentando, mal consegue viajar comigo, imagina comigo e um carro.
— Você tem alguma ideia melhor, esperta? — Amanda sorriu, mesmo depois de tudo, eles ainda se tratavam da mesma forma.
— Não, bobão — ela colocou as mãos na cabeça por um tempo — Acho que vamos ter que andar pelo mato até acharmos um lugar para descansar, acho que tem uma cidadezinha aqui perto, por causa daquelas casas... Vamos parar um pouquinho pra descansar e tudo vai ficar mais claro.
Lucas não parecia muito contente com a ideia.
— Prefiro manter uma distância segura da autoestrada – Lucas segurou as mãos dela, sem ter certeza se seu poder estava ativado.
O garoto com as mãos acolhedoras como um cobertor no frio, e a garota observadora de memórias e emoções se entreolharam, lá estava sua conexão, aquele simples gesto de dar as mãos que dava tanto conforto aos dois.
— Não se preocupa — ela sorriu, acariciando as mãos do garoto levemente, ela parecia exausta, mas estava disposta a enfrentar tudo com ele. Eram, mais do que nunca, cúmplices agora – Deus proverá.
***
Quando Amanda disse que o caminho da direita terminava direto na casa do Seu Oséias, Lucas imaginara que não seria uma caminhada tão longa, mas agora já tinha 40 minutos desde aquela bifurcação, e o lugar parecia estar mais longe toda vez que o garoto pensava sobre isso.
Amanda agora seguia a sua frente, e ela parecia tão descansada quanto há 40 minutos atrás, bem, ela vivia por aqui, mas toda essa caminhada parecia algo familiar para ela, como se ela a fizesse constantemente, mesmo sua casa não sendo por aqui. Ela parou e se abaixou, parecia estar examinando alguma coisa.
— Estranho... — disse ela.
— Você é bem curiosa, hein?
— Isso não deveria estar aqui — ela o ignorou, estava ocupada examinando atentamente marcas de pneus no chão.
— Por que não? Talvez o tal Seu Oséias tenha saído para dar uma volta — sugeriu o garoto com um pesar na voz, se o homem tivesse saído, toda aquela caminhada teria sido em vão, ele teria que esperar horas e talvez até dormir lá, e ele definitivamente preferia dormir na rua de uma cidade do que a de um campo.
— Impossível.
— Por quê? — a garota parecia perdida nos próprios pensamentos, Lucas se identificou com isso.
— O velho não tem carro, e ninguém além de mim o visita há um bom tempo.
Tudo tinha um ar enigmático, tudo parecia mais do que realmente era.
— Bem, vamos descobrir isso agora, aquela não é a casa dele? — Ao fundo de sua visão, Lucas enxergou uma casa de madeira bastante humilde — Diga que sim, já estou farto de andar.
Amanda confirmou, olhando atentamente para o lugar. Haviam dois veículos envolta daquele pequeno casebre, um deles Amanda reconheceu, era o carro de seu pai, o que ela pediu para devolverem algumas horas atrás. O outro, um SUV grande totalmente escuro, Amanda nunca tinha visto um carro assim na vida.
Lucas já.
***
Caminhar por horas era como rotina na vida deles, contudo, eles nunca haviam caminhado de madrugada, e era muito revigorante. Claro, se você desconsiderar uma força tática dedicada, comandada por um psicopata com força descomunal, te perseguindo. Amanda perdera as contas de quantas vezes eles escaparam por pouco, mas escaparam, e era isso que importava, e agora, uma placa dizia que estavam a 15km da divisa com São Paulo, e isso por si só já era reconfortante. Por aquela parte, pequenas cidades, vilarejos se estendiam pelo terreno, Amanda e Lucas se identificaram com toda a paisagem, os lembravam de casa.
A barriga da garota deu uma pequena roncada, os lembrando que não comiam há várias horas.
— Nunca é como nos filmes, não é? – ela perguntou.
— O que quer dizer com isso?
— Fugas e perseguições geralmente tem um glamour – ela levantou as mãos, como se quisesse gesticular algo impossível de se traduzir em gestos – Você, você deve saber do que eu estou falando.
— Na verdade eu não sei não – Lucas deu um sorriso irônico – Você só tá com fome, sossega.
— Fome, sim, cansada também.
— São estados constantes, o que você deve aprender é dar mais valor aos seus instintos nessas situações – ele bagunçou o cabelo dela, adorava fazer isso e ela adorava quando ele fazia isso – E então, tudo acaba se resolvendo uma hora ou outra, loirinha esperta.
Ele deu uma breve olhada em volta, estava tudo muito calmo, fora a autoestrada próxima a eles.
— Por exemplo, aqui é próximo a Extrema, que é um ponto de parada da maioria dos caminhoneiros – ele explicou – Ônibus de viagens também, parada anterior a Pouso Alegre; resumindo, há locais de paradas, portanto há restaurantes 24h em algum canto – os olhos da garota se iluminaram, ela o abraçou, e o garoto sorriu desconcertado – Vai me derrubar, molenga!
— Você até que é bem inteligente, bobão – ela o beijou suavemente.
— Dever do homem é cuidar e prover sua família não é mesmo? – ele disse com um sorriso de canto de boca, ela respondeu com um tapinha de leve e tornou a beija-lo.
***
A pedido de Lucas, eles se aproximaram devagar pelo mato em vez da estrada de terra. O garoto não explicou porque ele estava com tanto medo, mas Amanda se lembrou de quando ele fora atropelado por ela sem querer; não queria ver ele tão atordoado assim de novo, resolveu não questionar. Seguiram e seguiram, até ouvir uma voz.
— Você... Acalmar... – era alguém, uma voz velha, falando baixo, mesmo quando Lucas e Amanda estavam rodeando a casa eles não conseguiram ouvir direito.
— É o Seu Oséias, ele parece... Pior – Lucas não tinha ideia do que isso significava.
— Pior?
— Eu cuido dele, venho aqui todo dia que consigo para visita-lo – ela disse, confirmando o que Lucas havia pensado sobre a familiaridade dela com o lugar – Eu sou a única pessoa que o visita, então eu geralmente fico aqui uma hora ou duas, tomando café e conversando com ele, quando ele precisa busco para ele alguns remédios.
— E o que ele tem? Por que não vai na clínica?
— Ele tem... Não sei, um tipo de tuberculose – ela sussurrou, com pesar na voz, não sabia por que estavam sussurrando, mas parecia que o propósito era não serem descobertos – Nunca quis ir pro hospital, ele mora aqui sozinho há décadas.
— Isso fica cada vez mais animador, sabia? – Lucas suspirou, este homem, pelo que Lucas sabia, atendia pelo nome de Oséias Mandigold, pra esconder o sobrenome ele disse pra todo mundo que era só Oséias.
Ele foi o homem que seu Pai disse que poderia confiar, que, se essa tal casa Arsalein existir, essa Resistência, ele é o único homem conhecido pelo Hospital com tal informação. Lucas confiava no pai e, depois de tantos meses fugindo e rastreando as cidades em volta dá capital de Minas Gerais — e são muitas — ele finalmente chegara onde queria. Quase um ano havia se passado desde que fugira da unidade Maranhense do Hospital, a estrada havia sido longa, mas o objetivo estava lá, atrás das paredes de madeira daquele velho casebre.
Um clique, um barulho quase imperceptível, e o silêncio desapareceu sendo substituído por um estrondo. Era um tiro.
Amanda soltou um grito quando a parede a sua frente se desmanchou e a madeira velha voou. O coração de Lucas disparou e ele deu um pulo, vozes exaltadas eram ouvidas lá dentro da casa; uma delas era familiar até demais para Amanda.
— Meu pai... – mas Lucas já não estava mais lá para ouvir, de repente, ele havia sumido.
***
Nem ele mesmo havia percebido, num momento estava abaixado cochichando com Amanda, no outro, a parede se desmancha e ele aparece em cima da mesa de jantar, com 3 homens e um... Lucas não sabia exatamente o que era aquilo; um lobo, um Cachorro, que seria normal se não fosse do tamanho de um jumento, ele era preto e tinha um olhar dócil, ao mesmo tempo amedrontador. Coisa nova do Hospital, ele nunca havia visto animais naquele lugar, mas não era de se espantar que tivessem feito o Lobo também.
Um dos homens era um velho, um senhor idoso com roupas esfarrapadas e um olhar que aspirava sabedoria e exaustão, o outro, um homem na faixa dos 50 anos com olhos azuis e cabelos lisos indo de um amarelo desbotado a branco.
O outro, estava ao lado do Lobo, e Lucas sabia exatamente quem ele era. Um homem alto e forte de 23 anos, ele não era exatamente musculoso, mas seus músculos eram bem definidos, e pela experiência de Lucas com este homem, ele poderia facilmente quebrar essa casa inteira com os braços sem suar. Lucas conhecia muito bem ele.
— Ora ora, se não é meu amigo, Thomas – o homem segurava uma pistola, apontando para a direção de Lucas.
— Você está errado, Louco, eu sou Lucas agora – o rapaz respondeu cautelosamente, estava suando frio.
O Louco apontou a arma um pouco mais abaixo de Lucas e atirou, ele pode sentir o rastro da bala passando perto de suas pernas e acertando o mesmo buraco que antes, Amanda deu outro grito.
— Que tal chamar a sua amiga pra reunião? – o Louco sugeriu, o homem, que possivelmente era o pai de Amanda, correu os olhos de Lucas para o Louco, com um ar interrogativo.
— Como você sabia que ela viria? – demorou um pouco para Lucas perceber que a pergunta não era dirigida nem ao Louco e nem a ele, e sim para Seu Oséias, que observava tudo com uma estranha calma – Filha! Por favor, aconteça o que acontecer fique...
Ele fora interrompido por outro tiro que criou um buraco 10 centímetros a direita do outro. Outro grito, agora mais agudo que o outro, ela estava apavorada.
— Sei exatamente onde ela está agora, velho Jonas – ele dirigiu um olhar ameaçador ao homem – melhor você convidar ela logo a entrar, ou eu...
— Não! – implorou Amanda – Não faça nada, eu... Eu estou entrando.
— Corajosa ela... – o Louco comentou, com um sorrisinho indecifrável no rosto.
— Me perdoe, Thiago... – a voz fraca de Seu Oséias quase não foi ouvida, mas lá estava ela, e só agora Lucas percebeu que ainda estava em pé na mesa, ele desceu lentamente – O Hospital fez de você um peão... E eu nem tive forças pra fazer alguma coisa...
É ele! Aquele que Lucas esteve procurando por todo esse tempo, mas por que o Louco estaria aqui? Por que agora? Por que logo agora?
— Você é Oséias Mandigold? – o garoto perguntou, enquanto Amanda entrava e corria para os braços do pai.
O velho respondeu com um simples afirmação com a cabeça.
O Lobo, que estava quieto, agora rosnava baixinho, encarando Amanda como se quisesse devora-la ali e agora. E queria.
— É ele sim! – disse o Louco, mesmo Lucas sabendo que o nome dele é Thiago, todos no Hospital o chamavam de Louco por razões bem óbvias, e ele parecia gostar disso – Esse idiota que se diz meu pai. Era ele que você andou procurando esse tempo todo?
Amanda observava a situação com olhos arregalados, tudo era muito novo para ela, de repente, tudo o que ela queria era sair dali com seu pai. Ela segurou em sua cintura e ele a abraçou levemente, ele parecia bem menos nervoso com tudo aquilo do que ela.
— Se acalme... Vai tudo acabar bem – Oséias disse sem olhar para ela, mas de alguma forma ela sabia que era exatamente para ela que ele se dirigia.
— Então, esse tempo todo você não estava procurando por mim? – Lucas sussurrou, parecendo chocado, totalmente alheio a Amanda e aos outros, apenas encarando o Louco – Desde São Luis... Era tudo para encontrar Mandigold?
— Que foi? Achou que você era especial? – Lucas engoliu seco – Você não é e nem nunca foi nenhuma prioridade, você era o objetivo secundário: capturar e matar Thomas Russell quando este já não for mais útil. O objetivo primário era mais simples: siga-o e reúna mais informações sobre a resistência.
Lucas lançou um olhar duro.
— Tá tá, não ligo se seu nome é Lucas agora, o que importa que você vai morrer, e o velhinho ali irá pro Hospital ainda hoje – o Louco olhou para Amanda e o pai dela – E vocês, o grandão aqui vai se divertir muito com vocês.
Lucas recebeu um tapa na nuca subitamente, seu corpo estava tão tenso que ele nem se mexeu. Ele não teve tempo de receber uma explicação, o velho estava tentando falar algo, gritando com ele com sua voz rouca.
— Por que você fez isso? – Lucas perguntou, sem entender o que o velho estava tramando.
— Todo mundo... Abaixado! – sua voz falhara, mas Lucas ainda pôde sentir a autoridade em suas palavras.
Ele se jogou no chão, Amanda e seu pai estavam no chão do outro lado da mesa, Lucas podia enxergar o pânico no rosto da garota.
— Ora seu velho filho da... – ele não terminou a frase, o velho, Seu Oséias, gritou tão alto que a casa balançou.
Não era algo natural, Lucas pôde ver a deformação no ar onde a onda sonora se propagava, atingindo o Louco e seu Lobo em cheio. Os dois pararam de se mexer, estavam completamente paralisados pelo grito do velho. O Louco com a arma apontada para Seu Oséias, mas os músculos tensos se esforçando para se mexer, o Lobo estava rosnando, ambos imóveis.
— Agora... – a Voz do velho era quase imperceptível, como se ele tivesse usado tudo o que lhe restara naquele grito paralisante – Volte aos seus superiores... Diga que Lucas fugiu para Goiás, atrás de pistas... Diga que eu fui junto com ele...
O Louco rugia de desespero, seu corpo estava paralisado, mas sua mente ainda trabalhava, e ele sabia o que viria a seguir.
— Você vai... – ele tossiu enquanto falava, uma tosse tão intensa como se ele quisesse colocar o pulmão pra fora – Vai fazer isso, e vai esquecer tudo o que aconteceu desde que chegou a Minas Gerais – Seu Oséias colocou o polegar no meio da testa do Louco, e ele fechou os olhos.
Tudo estava silencioso de um jeito que incomodava, Lucas, Amanda e seu pai Jonas já estavam novamente de pé, observando a cerimônia do velho. Quando ele terminou, acariciou a cabeça do Louco e do Lobo, que estava mais dócil.
O Louco acordou, e Lucas prendeu o fôlego novamente. O velho continuava a acariciar o Lobo.
— Eles só são maus por terem sido criados assim... – ele sussurrou, o Louco pareceu não ter ouvido.
Ele parecia bem estar enxergando os outros.
— Vem, Grandão! – ele tocou na orelha do Lobo, no mesmo momento em que Seu Oséias se afastara – Parece que não tem ninguém aqui, vamos... – ele parou um momento, seu olhar atravessava o velho, como se de uma hora para a outra ninguém mais estivesse naquele cômodo – É, eu... Vamos... Vamos embora!
Ele deu um tapa no traseiro do Lobo e foi pra saída, o animal o acompanhou, logo depois pôde se ouvir o barulho de um motor rugindo e indo embora sem pressa.
Amanda estava de boca aberta.
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