A Vingança de Arthur
1 Capítulo: Um
"Sofrer de amnésia é como viver a vida de trás para frente. Sinto-me prisioneiro do presente." — Arthur Tannous, para seu psiquiatra.
Arthur Tannous terminava de fumar na sacada. Do décimo terceiro andar tinha uma bela vista da cidade. Apagou a ponta e voltou para o quarto. Olhou intrigado para o ambiente e se questionou onde estaria. Parecia um quarto de hotel. O bordado na fronha do travesseiro confirmou sua suspeita: "Hotel Jandaia".
Verificou os bolsos internos do seu paletó e da calça buscando algum bilhete que pudesse ter deixado para si mesmo. Estranhou não ter encontrado nada. Sempre que saía de casa costumava deixar bilhetes nos bolsos. Sentiu uma repentina agonia. A mesma que sentia todas as vezes que se encontrava em um lugar que não se lembrava como chegara lá.
Foi em um acidente de carro que um traumatismo craniano afetou a região da memória recente em seu cérebro. Arthur apenas se lembra com clareza dos fatos anteriores ao acidente. Lembra-se das pessoas que conhecera e de tudo que aprendera. Mas ao distrair-se por alguns minutos que seja, já não é mais capaz de reconhecer onde está ou o que estava fazendo. Por conta disso teve de ser afastado da Polícia Federal, onde era investigador, sob licença médica para tratamento psiquiátrico. Desde então ele foi feito prisioneiro do presente, qualquer passado imediato não tinha conexão com o momento atual. Isso o atormentava muito, mas ele esforçava-se para levar uma vida o mais próxima possível do normal.
Tentou buscar por algumas pistas no quarto. Encontrou sobre uma mesa sua carteira, chaves e celular. Ao lado estava sua pistola. Estranhou o silenciador acoplado. Guardou os objetos no bolso. Apanhou a pistola para devolvê-la ao coldre sob o paletó e espantou-se ao notar que a arma estava quente. Olhou novamente em volta.
Notou uma porta entreaberta. Era o banheiro. Abriu-a. Subitamente recuou para trás contendo uma exclamação de surpresa. Havia dois corpos caídos no chão enrolados em um lençol. Um homem e uma mulher. Baleados. Sobre o homem havia sido colocado um bilhete dobrado. Na folha lia-se "Para Arthur". Ele recolheu o papel e o leu.
"Este homem é o deputado estadual Antônio Carlos Cavalcante. Eu o matei por ter sido o mandante do assassinato de minha mulher. Esta moça que o acompanhava era a amante dele, infelizmente estava na hora errada e no lugar errado.
A justiça foi feita. Saia depressa do quarto e volte para casa.
Assinado: Arthur Tannous"
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