A Vingança II
9 Xadrez.
–NÃO! NÃO VEM! -Grito pro Hiroshi que estava vindo me socorrer. É perigoso, e ele tem família pra cuidar. Eu sou só um solteirão solitário, posso me virar e independente do que acontecer ninguém vai sentir falta.
Miya sai me arrastando pelos cabelos e eu tento desesperadamente me soltar.
–ME SOLTA! -Grito e tudo o que ela faz é rir, desgraçada.
–Nós ainda não jogamos, então, não posso te soltar.
Miya me arrasta até o palco e em cima dele posso ver uma mesinha e uma cadeira.
Nos aproximamos da mesa e vejo um tabuleiro de xadrez em cima dela.
Que? Nós realmente vamos jogar um jogo?
Ela me acorrenta à mesa e sai, me deixando sozinho. Olho ao redor procurando uma escapatória ou alguma coisa que me solte, mas não encontro nada.
Depois de alguns minutos Miya volta e traz junto com ela Mina e Austin que estão acorrentados pelo pescoço, como se fossem cachorros.
–O QUE ESTÁ FAZENDO? PARE COM ISSO! ELA É SUA IRMÃ! -Grito mas ela finge não me escutar. Miya prende os dois nas pilastras e depois se senta na cadeira à minha frente.
–Agora podemos começar.
Ela sorri e eu encaro Mina. Ela está com os olhos cheios d'água e parece que vai desabar a qualquer momento.
–Vamos às regras! O branco, no caso eu, começa. Aí temos as regras básicas do xadrez que todos nós sabemos e mais uma que irei acrescentar... Cada peça que você perder eu irei machucar o Austin e se você perder eu vou matar a Mina.
–Sua doente... Mina é sua irmã!
–Ok então, vamos começar.
Ela finge não ouvir e move um peão, dando início ao nosso jogo. Eu movo um cavalo e assim vamos jogando.
(...)
Já perdi 5 peças e Austin está todo machucado, por minha culpa! Sou um inútil que não consegue nem jogar direito. Mina está horrorizada e Austin teme cada movimento que faço no jogo...
Outra peça perdida!
Só vejo a faca se movimentando sozinha e indo na direção de Austin, o cortando.
Mina grita e eu abaixo a cabeça.
ANDA SHINJI! NÃO É TÃO DIFÍCIL, É SÓ XADREZ.
–MIYA ME ESCUTA. NÃO SEI O QUE HOUVE PRA VOCÊ FICAR ASSIM MAS PARA, POR FAVOR! -Mina implora.
–Pare de ficar me atrapalhando, sua bastarda.
Miya diz e volta sua concentração pro jogo. Ela está ganhando e eu preciso me apressar se quiser ter alguma chance.
–Abra seu coração. -Escuto uma voz estranha dizer e olho ao redor.
–O que está procurando? -Miya pergunta e eu a encaro.
–Nada, continue.
Ela continua a jogada e eu olho pro tabuleiro, tentando montar uma estratégia.
–Deixe-me ajudá-lo.
Escuto e olho ao redor novamente. Que raio de voz é essa? Fiquei louco agora?
–Deixe-me entrar.
É a minha vez então ignoro a voz e monto minha jogada, quando encosto na peça para poder movê-la a voz fala comigo novamente.
–Não irá adiantar, esqueça esse jogo. Deixe-me ajudá-lo.
Ignoro novamente a voz e volto à minha jogada. Não importa nenhuma loucura que eu esteja ouvindo, tenho que vencer esse jogo e salvar meus amigos.
Quando movo a peça Miya abre um sorriso maligno. FIZ MERDA!
–Xeque... MATE. -Ela pega o meu Rei e me encara. -Eu avisei você o que faria.
–Ande! Agora! Deixe-me ajudá-lo. -A voz implora.
Antes que eu pudesse entrar em desespero reparo em uma coisa que Miya não reparou. Estávamos tão concentrados no jogo que não vimos Hiroshi e Erin entrarem no salão. Eles estão vindo devargazinho na nossa direção, Hiroshi segurando uma corda molhada (provavelmente com água benta) e Erin trazendo um balde em uma mão e sal na outra. ELES ACHARAM A DROGA DO SAL.
Antes que Erin pudesse jogar o sal Miya se levanta numa velocidade absurda e agarra o pescoço dela. Hiroshi tenta a amarrar mas Miya o empurra fazendo-o voar longe.
–ELES VÃO MORRER! DEIXE-ME ENTRAR.
Acho que não tenho escolha.
Sim...
Você pode entrar.
Continua...
Fale com o autor