A Vingança II
1 A Morte.
Notas iniciais
*6 anos atrás*
–Meninas, procuramos tudo mas não achamos ninguém. Não se preocupem, nós vamos protegê-las, certo? -Hiroshi pergunta enquanto tenta inútilmente esconder o taco de baseball que segura.
–Certo, boa noite Hiroshi. -Digo, ele também e sai do quarto.
Eu, Erin, Mina e Liz estamos juntas no quarto de frente ao dos meninos, Erin se sentiu mais confortável assim, coitada. Está tremendo ao maior tempão porque "viu um homem" no quarto. Acredito que deve ter sido impressão ou ela pode ter visto um espírito, nunca se sabe...
–Acho que está na hora de dormir, né? -Liz pergunta, levanta da cama que estamos e deita na outra.
–Boa noite, Erin. -Digo, dou um beijo em sua bochecha e me deito na cama com a Liz.
Mina apaga as luzes e se deita com Erin. As duas ficam dando risadinhas, Mina está distraindo-a, para que ela não fique mais com medo, bela atitude a da minha irmã.
Me viro pro lado e fecho os olhos, mas antes de cair no sono a Liz me cutuca.
–Tá acordada? -Ela sussurra.
–Eu tô, porque?
–Não sei... Não consigo dormir.
–Nem eu...
–Então vamos conversar.
–Sobre?
–... hum... Você ainda gosta do Ren?
Ela me pergunta e eu engasgo, como ela pode saber disso? Eu nunca havia contado pra ninguém, nem pra Mina.
–C-Como você sabe disso?
–Ah eu vejo como você olha pra ele...
–Nossa... Tá tão na cara assim?
–Pior que tá, amiga.
–Ain... Mas respondendo sua pergunta... Sim eu ainda gosto dele.
–Então porque não confessa? Força mona! Vai que ele gosta de você também?
–Duvido muito, eu acho que ele gosta da Mina.
–Você só vai saber se perguntar, querida.
–É... Você tá certa.
–Sempre estou.
–Convencida.
–Hahaha muito. Agora eu vou dormir, boa noite, tá?
–Boa.
Me viro pro lado e fecho os olhos. Sempre gostei do Ren, desde pequena, mas ele não parece perceber. Eu fico tão triste...
(...)
Acordo no meio da madrugada, está tão escuro que não consigo ver nada pelo quarto, estico o braço até encostar em Liz, que estava encolhida no cantinho, colada na parede. Suspiro aliviada, não estou sozinha aqui.
Sinto vontade de beber água mas confesso que estou com um certo medo de ir sozinha.
–Liz, Liiiiz... Acorda, vem beber água comigo. -Digo a balançando.
–Aff Miya, quantos anos tem? 5? Vai lá, bosta. -Ela responde e volta a dormir.
Me levanto devagarzinho pra evitar de fazer barulho, meus olhos ainda não se acostumaram a escuridão então estou num breu total.
Começo a andar mas acabo dando uma topata na quina da cama.
–Filha da...
Me controlo antes de terminar a frase e continuo a andar meio que mancando por causa da dor. Quando chego perto da porta sinto uma sensação estranha, algo não está certo. Quando meus olhos se acostumam com a escuridão nunca desejei tanto não ter acordado. Uma silhueta está parada próxima a porta, não sei o que é, mas antes de eu pudesse gritar aquilo se aproxima e tapa a minha boca. Vejo que é uma pessoa, um homem forte, ele pressiona a mão contra minha boca e me arrasta pra fora do quarto.
Quanto mais tento gritar e me soltar mais ele me aperta e me prende.
Ele me tira de casa e começa a me levar pra mata, por uma trilha quase apagada. Depois de um tempo chegamos numa casinha, uma cabana pra ser mais exata, ela está velha e caíndo aos pedaços. Entramos e quando ele fecha a porta, me solta. Começo a gritar e corro pra longe dele. Chego numa cozinha nojenta, com pilhas de louça na pia, comida mofada e estragada e um cheiro horrível, de passar mal. Acho uma faca em cima do balcão e a pego, logo vejo o homem se aproximando e aponto a faca pra ele.
–NÃO SE APROXIMA. -Grito.
–Tsc tsc tsc... Se faz de durona mas é uma molenga.
O homem diz e tira a máscara que usava. Ele é bem branquelo mas está bem sujo de alguma coisa preta. Ele tem os olhos negros e um cabelo muito escuro, também negro. Ele dá um sorriso (Até que o sujeito é bem bonito, devo confessar... Não... Não tenho síndrome de Estocolmo, ele é bonito mesmo.) e anda até ficar com a faca encostada contra o peitoral.
–Se é tão corajosa assim, vamos lá... Crave isso em mim, mas já vou avisando que se não me matar... -Ele diz e dá uma risada que me faz sentir arrepios.
Queria muito ter coragem, mas não tenho. O homem segura o meu pulso e aperta com tanta força que eu acabo deixando a faca cair no chão. Ele me prende de novo e começa a me levar em direção a um dos cômodos daquele lugar, no quarto havia uma passagem no chão, bem ao lado da cama que provavelmente ficava em cima daquela "portinha". Nós descemos as escadas e eu me choco com o que vejo, é um quarto empoeirado, não tem pisos, quente, ganchos enormes pendurados nas paredes, armas jogadas num canto, um quadro enorme em uma das paredes e o que parecia outro cômodo mas era apenas a continuação daquele... Porão.
Ele me amarra em uma cadeira, senta em um dos degraus da escada e fica me olhando, eu abaixo a cabeça, evitando assim olhá-lo. Quem é essa pessoa? Porque está fazendo isso?
–Sabe... Esse sempre foi um dos meus maiores sonhos, ter você assim, toda pra mim. -Ele diz, se aproxima e fica alisando a minha cabeça.
Eu o encaro com a expressão confusa.
–Quem é você? Porque você está fazendo isso comigo?
–Ah... Então você não se lembra... Não lembra de mim. Vou te mostrar algo que talvez te faça lembrar. -Ele diz e vai até um dos armários que ficam nas paredes. Ele pega algo e volta pra perto de mim.
O homem me mostra o que pegou, uma foto, eu e Seiji estamos nela, eu estava prestes a o empurrar no lago, foi uns dias antes da tragédia com o Ryo.
–Seiji... É você?
–Ah, vejo que agora se lembrou.
Ele agarra os meus cabelos, os puxa erguendo minha cabeça e ficamos assim, um encarando o outro enquanto tento disfarçar a dor.
–Você sabe, não é?
–O... Que que eu sei?
–Que eu sempre amei você, não sabe?
–Que? Como assim?
–Não se faça de sonsa, você sempre soube e usava isso contra mim, eu só servia pra você quando era de seu interesse, quando minha utilidade acabava você ia correndo pro Ren que te ignorava porque o sonho dele era dar uns pegas na sua irmã.
–Pare de...
–AH MAS EU NÃO PARO MESMO... Mas eu aguentei tudo isso, aguentei porque? Porque quando estamos apaixonados fazemos coisas idiotas, nos deixamos ser humilhados, pisados e mais um monte de coisas ruins, em nome do "amor".
–Para Seiji...
–Mas sabe o que foi o pior?... O PIOR FOI VOCÊ TER A IDÉIA DE JOGAR MEU IRMÃO NO RIO SÓ PORQUE O REN DAVA MAIS ATENÇÃO PRA ELE DO QUE PRA VOCÊ. -Ele grita puxando meu cabelo com mais força e eu começo a chorar.
–Isso é mentira Seiji, eu nunca faria isso, eu sugeri aquilo porque queria fazer uma brincadeira e nã...
–CALA A SUA BOCA, SUA MENTIROSA. Está mentindo pra sí mesma, tem medo das consequências. SE NÃO FOSSE O SEU MALDITO AMOR CEGO PELO SAKAMOTO HOJE MEU IRMÃO ESTARIA VIVO.
Não é verdade, eu não quis nada disso, eu não sou uma assassina.
–No começo eu não pude acreditar, mas quando me contaram que a idéia foi sua... Tudo fez sentido. Vocês mataram meu irmão, você os fez jogarem ele pra morte por causa de um homem... Você percebe o quão suja e mesquinha você é?
Balanço a cabeça negativamente e ele solta os meus cabelos.
–Chega, eu cansei.
Ele me desamarra da cadeira e me leva para a continuação do porão, lá naquele espacinho haviam duas estruturas de ferro e uma algema em uma mesinha no meio delas.
Ele pega a algema e me prende em uma das estruturas.
–Você vai ficar aqui. Eu já volto.
–O QUE? ME SOLTA DAQUI SEU LOUCO, EU QUERO IR EMBORA.
–Mas... Ah vou dizer uma coisa que você mesma me disse quando tentei me declarar pra você, "querer nem sempre é poder" -Ele diz, dá um sorriso e "tampa" o espaço com uma espécie de parede de madeira.
(...)
Depois do que pareceram algumas horas, ele tira aquela "parede" e a claridade faz meus olhos doerem.
–Voltei.
Ele estava segurando uma caixa de ferramentas e tinha um sorriso no rosto.
–O que você vai fazer com isso?
–Ah isso aqui?... Bom, precisamos de algum entretenimento aqui, não é? -Seu sorriso passa de feliz pra malígno em questão de segundos.
–Seiji, por favor... Não me machuca.
–Fica de boa, não vai nem chegar perto do que você fez comigo. Você arrancou meu coração e depois o mastigou, o máximo que vai acontecer com você é... Bem, você vai precisar de um cão guia... Se sobreviver, é claro.
Ele se aproxima, algema meu outro braço e começa a tirar algumas ferramentas da caixa.
–Seiji para, o que você vai fazer comigo?
–Você sempre reclamou da cor de seus olhos... Vamos ver se fica mais feliz sem eles.
Com uma das mãos ele agarra meu cabelo novamente levantando minha cabeça e com a outra ele começa a usar uma ferramenta pra machucar meus olhos, não sei bem o que ele está fazendo, mas dói muito e eu só consigo gritar o mais alto que posso. Sinto o sangue escorrer pelo meu rosto e escuto o Seiji gargalhar. Chorar, tudo que quero fazer e consigo fazer é chorar.
–SEIJI PARA POR FAVOR. -Grito com todas as minhas forças mas de nada adianta.
Depois de alguns minutos ele finalmente para, sinto tanta dor e que logo logo vou desmaiar. Tento abrir os olhos mas não consigo e o pior passa na minha cabeça.
–S-Seiji... O que foi que você fez?
–Bom... Digamos que agora eu tenho recordações desse momento incrível. -Ele diz e eu começo a escutar passos.
–Quem está andando? Seiji, é você? VOLTA AQUI.
Escuto os passos novamente, dessa vez mais rápidos e vão ficando cada vez mais altos. Ele agarra meu pescoço e me empurra até eu bater com tudo na estrutura na qual estava presa.
–ESCUTA AQUI, VOCÊ NÃO MANDA EM MIM. CANSEI DE VOCÊ, SIMPLESMENTE CANSEI. ESCANDALOSA, CHATA E CRUEL. VOCÊ ACHA QUE EU NÃO SEI? NÃO SEI QUE FEZ DE TUDO PRA SUA IRMÃ DESISTIR DE IR PRA UMA DAS MELHORES UNIVERSIDADES DO PAÍS SÓ PRA VOCÊ PODER ENTRAR E SER A "GÊNIA" DA FAMÍLIA? ACHA QUE EU NÃO SEI QUE VOCÊ FICA TORCENDO O TEMPO TODO PRO RELACIONAMENTO QUE A MINA TEM COM O REN DAR ERRADO? Você é tão má... Tão imunda quanto eu.
–PARA! Você cala a sua boca... VOCÊ NÃO SABE NADA DA MINHA VIDA.
–Ah mas eu sei, sei que foi você que teve a idéia que matou o meu irmão, sei que você é um ser humano horrível e sabe o que mais eu sei, Miya?
–O-O que?
–Que nós nos vemos no inferno...
Continua...
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