Notas iniciais
Espero que gostem :)

Tobias Eaton (Quatro):

Ele achou, ele realmente achou que encontrariam algo interessante naquela sala. Até encontrarem aquela maldita pasta azul. Beatrice decidiu lê-la, mas a sua reação não foi nada bonita. Depois que ele deu a ela um copo de água na cozinha, tentou perguntar o porque de ter ficado tão desesperada com a pasta. Ele não sabia como perguntar isso sem soar grosseiro, tipo: "Ei, eu queria saber por que você teve um ataque de nervos por causa de uma simples pasta? O que tinha lá? O demônio do Exorcista?" Não, não era boa idéia. Mesmo que a expressão dela nesse momento sugerisse isso.

Tobias percebeu que ela acalmou-se e sentou em uma das cadeiras da mesa da cozinha.

–Um biscoito, docinho?-perguntou Rose com uma tigela cheia de cookies com gotas de chocolate que só ela sabia fazer.

–Ah... Não, obrigada.-respondeu Beatrice.

–Bom. Vou deixar aqui se você mudar de idéia.-disse e botou a tigela no centro da mesa voltando ao seu trabalho com as outras empregadas da casa.

Ele se sentou a sua frente para conversar, agora que ela estava mais calma.

–Então...-começou ele, mas foi interrompido pelos gritos de Zeke, Uriah e Clarisse. Ele já tinha quase esquecido deles. Quase.

–Gente! Gente!-entrou Clarisse esbaforida pela porta, com Uriah e Zeke atrás.-Vocês não vão acreditar no que eu encontrei!

–Nós encontramos.-ressaltou Zeke.

–Cala boca.-disse com voz indiferente enquanto fazia um gesto de dispensa a Zeke.-Encontrei um telefone que estava na pasta. Na verdade, um bilhete que caiu da pasta quando Uriah a pegou. Tentei ligar para o número, ninguém atendeu. Tentei umas 5 vezes e nada. Minha melhor opção...

–...Irmos até o endereço no bilhete. -Cortou Zeke. Os dois sempre competindo, parecem duas crianças.-Sei onde fica. É em...

–O Google sabe, você quer dizer.-pigarreou Clarisse.

E foi a vez de Zeke manda-la ficar quieta.

–Fica em Denver, Colorado. Podemos ir até lá. Tudo leva a crer que é aliado de David, ou foi. De quem quer que o comande talvez. Podemos tentar fazê-lo nos ouvir, colaborar. Clarisse não conseguiu ligar, mas aposto que tem alguém lá. São pouco mais de 1.400km e umas 14h de viagem. O que acham? Não custa tentar. Não acham?

–Eu não sei. Acho que é muito longe, outro estado. E 14h na estrada?-perguntou Tobias. Era maluquice, mas eles até estavam certos. O ponto inicial.

–Tá, Tá. Pode ser longe, mas é nossa melhor opção! Você não percebe? Podemos pegar um carro e dar o fora daqui.-disse Clarisse.- Se não encontrarmos nada, tudo bem. Voltamos em alguns dias. Pra mim parece bom, não acha Zeke?

–Concordo com ela. Parece um plano louco, mas faz sentido.-assentiu Zeke.

–Espera vocês não pensam em fazer isso mesmo, não é? -perguntou Beatrice.

Estava tão quieta que acabou se esquecendo da sua presença.

Tobias precisa admitir que era um bom plano e estava ponderando o assunto.

–E por que não?-perguntou Zeke.

–E iriam quem? Quer dizer, é uma longa viagem até o Colorado? -Beatrice perguntou.

Clarisse deu de ombros.

–Eu, você, Zeke e Quatro.-disse.

–Espera aí. É uma boa idéia, mas eu quero ir junto!-reclamou Uriah, se manifestando pela primeira vez.

–Não, Uriah!-tentou convence-lo Clarisse.-Precisamos de alguém aqui de confiança que use um celular para entrar em contato ao primeiro sinal de problemas. E para nos defender quando sairmos e nos acusarem de roubo e nos tornem fugitivos.

–Opa. Opa. Opa.-exclamou Beatrice.-Como assim roubo e fugitivos?

–É, teremos que usar algum carro para ir até lá.-explicou Clarisse.-Estava pensando em um dos carros do David na garagem, mas se você tiver idéia melhor sou toda ouvidos.

A ironia era implícita, mas ela não fazia por mal. Só era assim com todos.

–Tudo bem, faz sentido. Eu fico! -disse Uriah.

–Ótimo. Qualquer coisa me ligue, tudo bem?-disse Clarisse. E ele assentiu.

–Ah, já to vendo que vou me arrepender disso!-reclamou Beatrice.-Tudo bem, quando vamos?

–Amanha? -Sugeriu Tobias.-Bem cedo. Antes de todos se levantarem. Quando menos gente, menos testemunhas e menos gente para encrencarmos com nossa saída.

–Tem razão. -disse Zeke.-Bem pensado, cara.

***********************

Passaram o resto daquela tarde pensando no plano de viagem e na saída logo cedo no outro dia. Jantaram e subiram cedo aos seus quartos. Deixaram as pequenas malas prontas para serem rápidos, como tinham combinado. Clarisse insistiu em armas, embora Tobias não soubesse quando precisariam, mas como ela disse "é melhor prevenir do que remediar" então todos levavam alguma arma escondida nas malas. Era território inimigo, afinal. E era melhor não arriscar.

Eles acordaram logo cedo, o despertador foi ajustado para as 6:30h da manha para todos e combinaram de se encontrar na porta da garagem, prontos e com as malas até as 7:00h.

Zeke e ele foram os primeiros a chegar, como ele já esperava. Por que meninas sempre demoravam tanto? Qual o problema em se arrumar mais rápido? Clarisse chegou alguns minutos depois acompanhada de Beatrice que caminhava rápido para acompanhar suas passadas longas. Clarisse usava calças jeans pretas com joelhos rasgados e coturnos de couro falso e uma camiseta preta sob uma flanela preta e branca, com os cabelos soltos e quase nada de maquiagem. Apenas um lápis escuro na parte de baixo de seus olhos e sua mala se resumia a uma mochila de colégio grande e antiga que usava desde o ensino fundamental. Já Beatrice usava uma jeans azul clara e uma camisa vermelha solta com franjas no decote comportado e puxava uma mala pequena e simples que tinha trazido junto. As duas já estavam em "altos papos" logo cedo. Inacreditável.

–Finalmente chegaram!-exclamou Zeke.

–Ah, olha!-disse Clarisse puxando a maga da flanela de forma dramática para mostrar seu relógio.-São exatas 7:00h! Não estamos atrasadas. E bom-dia, alias.

Tobias assentiu cansado e abriu a porta da garagem. Os três carros de David permaneciam da mesma forma como sempre. Eles já os tinham visto antes, mas Beatrice ficou surpresa ao adentrar a grande sala. Também, não é todo dia que se vê um caro Porsche preto esportivo ao lado de uma caminhonete BMW e um Mustang vermelho, o favorito de David.

–Vocês estão brincando?-Exclamou Beatrice.-Querem roubar um desses carros que são mais caros que minha casa e meus olhos da cara juntos?

–Na verdade, não estamos não.-respondeu Tobias.

–Então, como? Pegamos o menos caro?-perguntou perplexa.-O Mustang ou o que?

–Não.-falou Clarisse quando atirou uma das chaves dos carros presos na parede da garagem próximo a porta para Tobias.-Vamos de Porsche! É o que ele menos nota, por incrível que pareça. Quer dirigir, Quatro?

Ele assentiu e todos entraram no carro cuidando com o barulho e se certificando de que as portas fossem fechadas e não tivessem nenhum vestígio de seu "crime". Clarisse não falou nada, mas Quatro admitia o quanto era esperta. O Porsche estava mais perto da saída e portanto, mais fácil de manobrar. Alem disso, dos três o Porsche era de longe o modelo mais discreto. Muito mais discreto que um Mustang cor de sangue e uma BMW enorme e chamativa. O que eles precisavam mesmo era de discrição e velocidade e esse carro, de certeza era muito veloz. Tobias sentou-se ao volante e como Clarisse era a co-piloto e quem tinha o endereço exato sentou-se no banco do carona enquanto Zeke e Beatrice sentaram-se nos bancos de trás. Nada a reclamar, também. A direção e o GPS iriam ser revezados de modo que agora eles estariam no controle, quando alguém se cansasse eles trocariam.

–Todos prontos?-perguntou Tobias.

–Na verdade, não.-respondeu Beatrice, insegura.

Agora é tarde, pensou ele.

–Então, lá vamos nós.

Girou a chave na ignição e deu partida no carro. Aquela seria realmente uma viagem longa.

Notas finais
E aí? Estão gostando?