A Vingança
10 As peças não se encaixam.
Notas iniciais
A Vingança
Capitulo
As peças não se encaixam
— Não importa! Foi algo estupido e errado. Pensei que fazendo isso poderia tirar você da cabeça, mas isso se mostrou tão inútil, você é a coisa mais irritante e linda, e perturbadora que já entrou na minha vida... E eu não consigo tirar você da minha cabeça. _ Estevão disse isso mesmo sabendo já sabendo a reação de Victoria.
— Estevão, eu não posso retribui ao que você pensa que senti... Então para seu bem se afaste. _ Mesmo suas palavras firmes, Estevão nota as mãos de Victoria tremula.
— Eu prometo me afastar, mas antes diga com sinceridade se por um pequeno momento você sentiu algo, ou tudo é loucura da minha cabeça? Diga-me, por favor! _ Estevão fez uma promessa que nem mesmo ele sabia se teria forças para cumprir.
Era uma resposta simples, era apenas dizer que tudo era fruto da imaginação dele. Victoria estava pronta para mentir, mas suas palavras parecia terem vontades próprias.
—Nem se você fosse o ultimo homem do mundo, nem mesmo assim eu poderia ficar com você. _ Victoria altera o tom da voz, como se gritar tornasse um pouco daquele absurdo, verdade.
— Você não me respondeu! _ comenta Estevão.
— Eu não sinto nada, nada! _ A mentira que saiu queimando sua garganta.
— Não acredito em você... _ Estevão levanta e vai em direção a Victoria.
Victoria mais que imediato levanta-se, ser encurralada naquela sala, não estava em seus planos. Mas Estevão é mais ágil e a segura.
— Diga-me, se não sente nada, quando a toque. _ Ele desliza os dedos na face de Victoria. _ Finja se quiser! Sua boca pode ser acostumada a não dizer a verdade mais seu corpo, Victoria ele contesta cada palavra que sai da sua boca.

— Você se engana! Não entende que eu não quero que eu não, posso! _ As palavras de Victoria saiam em suspiro de uma agonia suplicante.
— Por que não? _ Estevão via que Victoria lutava para resistir. _ Me der uma razão plausível.
— Quer uma razão plausível? _ A raiva subia como fogo pelo corpo de Victoria. _ Se eu me permitir a isso, você não vai ser o único a sair destruído.
— Do que você está falando. _ Estevão se afasta, mas continua a barra a passagem de Victoria.
— Descubra você mesmo! Agora saia da minha frente, não me faça tirar você.
— O que você diz, nem logica têm... Você tem medo que eu possa machuca-la?
Uma batida na porta faz com que Victoria consiga escapar.
— Entre! _ Manda Estevão.
— Estevão, meu amor o cliente chegou... Devo manda-lo entrar? _ Pergunta Rebeca.
— Senhorita, Mendes! O acomode na sala de reunião. _ Diz Estevão irritado pela intimidade que Rebeca o tratou.
— Vou fazer isso, meu amor! _ diz isso saindo quando Estevão a interrompe.
— Senhorita, Mendes... Seja profissional, ou pelo menos aja de acordo com o ambiente. Não sou seu amor nesse ambiente, e em nenhum outro. Agora você pode se retirar! _ A voz de Estevão era serena porem totalmente fria.
Rebecca sai da sala, se sentindo humilhada....
— Não deveria tratar sua noiva com tanta frieza, é cruel até pra você! _ Dispara Victoria.
— Noiva? _ pergunta Estevão surpreso!
— Acho que o cliente lhe espera, não o deixe esperando afinal preciso que essa empresa devolva o dinheiro que investi. _ Victoria decide mudar a conversa, antes que ela se visse encurralada, novamente.
— Você não vem? _ pergunta Estevão.
— Confio em você! _ Diz Victoria com um seu deboche de praxe. _ Só, por favor, não faça besteira!
— Você ainda não estava nem na puberdade quando eu ganhei meu primeiro milhão. _ Estevão teve que se acalmar para não começar uma discussão.
Assim como quando você matou meus pais! _ Pensou Victoria.
— Tome... _ Estevão coloca uma chave na mão de Victoria.
— O que é isso?
— Talvez você ache que estava procurando, na minha mesa.
— O que eu procurava, era sua agenda... Precisava confirmar se era necessária minha presença em algum dos seus compromissos.
— Morenita, você pode ser astuta... Mas não queira me fazer de bobo. Não sei o porquê da sua presença na minha vida, e pra ser sincero eu não me importo... Independente dos seus motivos, eu só quero que você permaneça. _ Estevão deu passo até a porta e disse sorrindo. _ Espero que ache o que procura!
Victoria nada disse o que dizer? Ela a cada dia se colocava em uma cama de gato. E naquele dia, justo naquele dia Estevão tinha que ser tão gentil e sincero... Isso deixava perturbada. Tudo o que ela queria, era voltar para Florida, colocar os pês na areia firme e sentir ela mesmo. Estevão a deixava em um total desacordo com tudo o que ela pensava que era. E ela de certa maneira amava aquele desacordo, sentia-se viva pela a primeira vez.
Restaurante.
Victoria dava inicio a suas manobras de destruir seu “inimigo”... Mesmo sentindo-se indecisa em continuar com seus planos, ela sabia que pessoas dependiam dela, e ela não poderiam falhar, ela não tinha o direito de desistir.
— Você é uma das sócias, por que fazer isso com sua própria empresa? _ Pergunta o homem que acompanhava Victoria em seu almoço.
— Pensei que tinha sido clara, é assunto meu! _ Victoria parecia irritada, mas o que realmente irritava era a incerteza que a atormentava.
— Desculpe Victoria! Mas é que estranho... Você vai perder uma fortuna!
— Deixe que eu me preocupe com isso, faça a sua parte. _ Diz Victoria categoricamente.
— Não se preocupe, será fácil... Com todas as informações que me deu, será como tira doce de criança. Mas tem certeza que não quer que abra uma conta confidencial, e transfira a quantidade para essa conta? _ Insiste o homem
— Eu tenho certeza absoluta! Transfira toda quantia para as casa de caridade, e se desviar um centavo eu garanto que em menos de segundos a policia rasteirara o dinheiro. Sorte sua se a policia chegar antes de mim. _ Diz Victoria em tom ameaçador.
— Jamais atrairia! Esse dinheiro será destinado a cada local indicado. E se quiser pode acompanhar toda a transferência. _ Sugere o homem.
— Isso não será preciso, eu tenho, maneiras mais eficaz de descobrir o que eu quero.
— Acredito! Já que me achou... _ O homem levanta a taça, para brindar com Victoria.
Estevão saiu do escritório junto com Rebecca. Passou a maior parte da manhã tentando encontrar uma saída para desfazer o erro que cometeu. Quando viu Victoria acompanhada, sentiu um sentimento tão desconhecido, que por um momento pensou em ignorar toda sua sensatez e carrega-la para o mais longe possível do homem que a fazia sorrir. Porem se permitiu a formalidade de um cumprimento de longe.
O Restaurante era amplo e confortável, era um ambiente mais clássico, onde se leva um cliente para conversar sobre um contrato, ou mesmo um almoço depois de um fechamento de um negocio. Porem Estevão notou que o homem que acompanhava Victoria vestia-se despojadamente e não parecia em nada com algum empresário ou advogado. Parecia mais com alguém da máfia, ou um amante casual, a segunda opção fez Estevão sentir uma onda de raiva, percorrer por sua espinha. Seus olhos grudaram em cada gesto, e movimento de Victoria.
— Estevão... Chama Rebeca ao notar os olhos de Estevão na direção da mesa de Victoria.
— Desculpe, eu acabei me distraindo.
— Com o que, ou melhor, dizendo com quem? A nojenta da sua sócia? _ Disse Rebeca enciumada.
— Rebeca, ela é tão sua chefe quanto eu, trate-a com devido respeito. _
— Oh, desculpe... Pensei que almoçaria com meu namorando, não com meu chefe. _ Rebeca diz isso, enquanto folheia o cardápio.
— Na verdade é realmente sobre isso que eu gostaria de falar com você. _ Estevão diz isso, mas seus olhos focavam em outra direção.
— Desculpe pelo meu comportamento hoje, aquela mulher não me passa nem um pouco de confiança. Ela é esnobe, prepotente. _ Rebeca para de falar, quando nota que Estevão novamente se perdia em direção a Victoria. _ Estevão, dar pelo menos pra fingir que me ouve?
—Eu estou ouvindo, ela é esnobe e prepotente... _ Incrivelmente irritante, e linda e a mulher que vai acabar definitivamente com meu sossego. Os últimos adjetivos Estevão optaram por guardar só pra ele. Depois de seus devaneios ele voltar à conversa ao rumo que realmente precisava.
—Rebeca seu comportamento foi errado, mas eu também errei... Errei quando não deixei claro, que nossa relação era restritamente ocasional. Não sou seu namorado, nem dentro ou fora da empresa.
— Você só pode está brincando! _ Rebecca aumenta a voz, chamando atenção das pessoas ao lado. _ Ocasional? Eu me dediquei a essa relação, eu fiz tudo por você...
— Por favor, Rebecca... As pessoas estão olhando, vamos conversar apenas entre-nos. _ Pedi Estevão.
— Que vão para o inferno as pessoas! Você é um tremendo filho de uma puta! Eu pedi meu tempo, meus dias te bajulando pra você me dizer que eu sou ocasional! Foram meses, meses aguentando a droga daquele trabalho, e você me trás para almoçar pra terminar comigo? _ Rebeca estava descontrolada, todas as pessoas inclusive Victoria observava a cena.
— Rebeca, se controle! Desculpe-me se deixei você confundir as coisas, foi um erro, mas eu sempre deixei claro os meus sentimentos. Em nem um momento a enganei em relação a eles.
— Você dizer pateticamente que não acredita mais no amor, é deixar claro?
— Pensei que fosse! _ diz Estevão, totalmente desconcertado.
Rebecca aumenta o tom dar voz... Ela não tinha mais nada a perder, as varias semana já sentia que Estevão se afastava e agora só restava a ela, usar as únicas armas que tinha.
— Você me usou, se aproveitou de sua posição na empresa, pra me fazer de sua amante, e agora enjoou e me descarta como um lixo vai me demitir agora?
— Claro que não, eu jamais faria isso! _ Diz Estevão totalmente surpreso pela suposição de Rebeca.
Ela levanta de sua cadeira, se erguendo em direção a Estevão... Ela baixou o tom de voz...
— Estevão você vai pagar um preço muito alto, eu vou fazer você se arrepender amargamente por isso! _ Diz isso pegando o resto da bebida e jogando nele.
Estevão fica imóvel, pensa em ir atrás de Rebeca, seu plano de esclarecer as coisas foram todos por água abaixo. Agora estava em uma mesa, se sentindo culpado...
Estacionamento
Estevão chega ao estacionamento e vê seu carro, totalmente destruído... Rebeca furou todos os pneus e quebrou quase todos os vidros. Ele estava ligando para a seguradora, quando é interrompido.
— Você realmente sabe como irritar uma mulher! _ Diz Victoria sorrindo e observando o carro de Estevão destruído.
A raiva, e culpa e constrangimento que Estevão estava sentindo despareceu, quando o perfume de Victoria adentrou o ambiente.
— Acho que sei mesmo!
— O que você fez? _ pergunta Victoria.
— Acho que eu a deixei interpretar as coisas de uma forma errada, e também não fui nada bem quando fui explicar... _ Estevão nem sabia o que dizer...
— Espero que consiga resolver e esclarecer tudo! _ Victoria diz indo em direção ao seu carro.
— Victoria... _ Chama Estevão. _ Pode me dar uma carona?
Victoria pensa por um instante, e se perguntava que necessidade era essa de ficar perto dele, afinal ela poderia simplesmente dizer não ou ter pegado outro caminho até seu carro, mas a necessidade de ficar perto de Estevão controlava cada um de seus passos.
— Tudo bem! Aonde você vai?
— Vou vê um apartamento, em palanco. _ diz Estevão, enquanto seguia com Victoria até seu carro.
— Vai se mudar? _ Pergunta Victoria surpresa.
— Ainda estou decidindo... Isso foi ideia da minha filha, quer dizer, ela na verdade me deu uma intimação. Ela briga muito com avó. Então acho melhor encontrar um local que ela se sinta confortável, ela já passou por muitas coisas nesses últimos dias.
— Eu imagino... _ Victoria fala e percebe os olhares de Estevão.
— E você Victoria, tem filhos?
— Não...
—E sua mãe, seu pai? Você é filha única?
Victoria sentir o sangue de sua veia congelar... Ela passa por um sinal vermelho sem se da conta. Ela e quase fechada por outro carro, mas consegue desviar sem maiores danos.
Estevão percebe que a pergunta afetou Victoria...
— Tudo bem? _ pergunta Estevão preocupado.
— Sim, tudo bem... _ Victoria se recompõe. _ Meus pais morreram há muito tempo. Não tenho irmão. _ Suas mãos segurava firme o volante.
— Sinto muito! _ Estevão toca a mão de Victoria. _ Você me parece tão solitária. _ Eu entendo como deve ter sido difícil.
— Entende?_ A voz de Victoria era de total reprovação._ Acho que você nunca vai entender o que é se sentir sozinha, pedida e sem ninguém.
— Eu também fui sozinho, meu pai biológico morreu quando eu era muito pequeno, eu nem me lembro dele... E depois que minha mãe casou novamente, ela me fez ir estudar fora do país... Minha infância e adolescência foram longe dela, quando voltei já era um homem, já noivo, com um filho de um dois anos. E outro a caminho. A minha mãe nunca foi amorosa, acho que ela não sabe demostrar. _ Estevão tinha um ressentimento ao lembra-se do passado.
Victoria nada responde, estava pensativa... Ela nunca se interessou pelo passado, de Estevão... Quando descobriu que Estevão era o assassino de seus pais, se dedicou em vigiar seu presente, o que ele fazia, e tentar descobrir uma maneira de se aproximar... Mas ela nunca pesquisou seu passado, pensou em fazer isso uma vez, mas foi desencorajada por Fernando... Ele disse que seria uma perda de tempo, e recursos. Afinal ela já sabia que foi ele que matou, já sabia o motivo, por que perder tempo com passado, quando o que importava era o futuro? E Victoria concordou.
— Então você não cresceu aqui?
— Não! Morei a maior parte da minha vida, nos Estados Unidos. Pensei em continuar lá, mas Marcela queria morar aqui, então decidi voltar.
Agora Victoria se perguntava se cometeu um erro, quando deixou o passado de Estevão fora de sua pesquisa. As peças não se encachavam, e Victoria sentia que seu tabuleiro, tinha muitas falhas, e se tinha uma coisa que Victoria não suportava eram falhas.
— Você parece surpresa! _ Afirma Estevão.
— Não, impressão sua. _ Victoria tenta fingir desinteresse, mas ela precisava saber mais... _Chegamos!
Os dois pararam em um edifício luxuoso, Estevão tirava o sinto...
— Você não gostaria de subir, e olhar o apartamento comigo? Eu sou péssimo, em detalhes.
Estevão sabia que Victoria iria recusar, ela sempre fugia na primeira oportunidade. Mas não custava tentar. Ele foi surpreendido quando ela respondeu que sim. — Essa mulher realmente é imprevisível. _ pensou ele.
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