A Vingança Divergente [HIATUS]
1 Prólogo
Notas iniciais
Chicago, sede da Abnegação:
A invasão havia começado do nada. Violenta e rápida, eles estavam completamente despreparados. Não podiam sequer lutar pelo seu lar. Os "Governantes" como eram chamados, aparentemente trabalhavam para o governo maior, os lideres das facções não tinham poder algum diante deles. Exército Nacional, diziam as letras brancas na lataria dos jipes pretos deles. Os soldados avançaram em direção ao setor da Abnegação e em questão de minutos já haviam capturado grande parte dos lideres desta cidade. A maioria fora morta e aqueles que decidiram não matar foram levados para algum lugar sabe-se lá onde, para fazer sabe-se lá o que. O pequeno garotinho Tobias agarrava-se as roupas da sua mãe que o protegia atrás do seu corpo. Seu pai fugiu assim que percebeu o que estava acontecendo. Deixando-os sozinhos nas garras dos soldados. Covarde como sempre foi. Eles estavam próximos agora. Evelyn estava em estado de choque. Mas quando viu a oportunidade, não hesitou em agarrar o filho pelo braço e o arrastar para fora de sua casa. Eles correram por entre as casas cinzentas e simples da abnegação e depois que pensavam estar longe o bastante da confusão para parar, Evelyn soltou o braço do filho e o colocou a sua frente.
–Pronto. Acho que estamos a salvo agora. -disse ela, abaixando-se para ficar da altura da criança.- Pelo menos por enquanto estamos seguros. Ouça meu filho, não temos muito tempo. Não sei nem se conseguirei fugir. Mas, mesmo que eu não esteja com você :Precisa prometer que vai se cuidar.
Ela tinha toda certeza do que falava. Não sabia o que faria daqui para frente. Não sabia se sobreviveria a este dia, mas não ousava falar para seu filho de 8 anos que talvez ficaria sem a sua mãe. Marcus havia os abandonado no primeiro sinal de perigo, deixando sua família para a possível morte certa. Era um covarde, sempre fora. Suas facetas de bom homem altruísta não a enganavam. Não mais. Provavelmente estava morto agora. O que seria uma boa notícia, se ela não o conhecesse o bastante para saber que as chances de que ele tenha conseguido fugir não sejam tão baixas assim.
–Mamãe, onde está papai?-perguntou Tobias, tão baixo que quase não se podia escutar.
–Provavelmente está morto, meu filho.- Aquele homem é um covarde, não merece ser chamado de pai. E mesmo que não esteja morto seria ótimo que Tobias não soubesse. O menino funga, tentando esconder as lagrimas. Ele podia ser um homem cruel, mas ainda era seu pai. Recupera a postura e quando olha para sua mãe e nota algo se movendo atrás dela. Evelyn o olha concentrada, ela ainda não percebeu quem está atrás dela.
–Mamãe! Olhe...-Tobias aponta seu dedo em direção ao movimento.
–Filho, está prestando atenção ao que eu...-ela o repreende. Não acha que tenha algo, ela não entendeu.
–MAMÃE! ATRÁS DE VOCÊ!-ele grita, mas é tarde demais. Antes que Evelyn possa sequer pensar em se virar, um dos soldados a agarra pela cintura e a levanta do chão. O menino grita desesperado enquanto Evelyn se debate nos braços do homem para se soltar. Outro homem o pega pelas pernas e o joga por sobre os ombro, como um saco de batatas. Tobias bate nas costas do homem que o agarrou com toda a sua força, gritando de raiva. Mas é inútil, isso só faz com que ele ria, nem sequer deve estar sentindo dor. Se ele não fosse tão magricela... Evelyn tenta inutilmente lutar contra o soldado que o agarrou, mas ela não tem força o suficiente para isso. Tobias é carregado até um carro preto, abrem a porta e o soltam no banco traseiro. Como se ele não pesasse nada. Ele se senta apressado e tenta abrir a porta ao seu lado, mas ela já está trancada. O homem dá a volta no carro e senta-se no banco da frente. Liga o carro e vira rapidamente o rosto para trás e enxerga Tobias de braços cruzados o encarando com raiva. Ele já desistiu de tentar lutar em vão. Fará o que precisar para fugir mais tarde. O homem olha para frente e diz :
–A viagem será longa. Sugiro que descanse.- Sua voz é grave e tranquila. Não parece estar preocupado com o tumulto na rua. Tobias não queria dormir. Queria ir embora, encontrar sua mãe. Mas sentiu o peso nos seus olhos, e não conseguiu lutar contra. Sentiu seus olhos se fechando e cedeu a inconsciência...
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Tobias não sabia quanto tempo estava dormindo, mas acordou com alguém cutucando seus ombros e o chamando de garoto.
–Levante, garoto! Nós já chegamos.-disse uma voz próxima a ele. Se sentou no banco do carro de súbito, lembrando-se do que havia acontecido. Não sabia que lugar era aquele, mas ele havia saído de sua casa durante o dia e agora já era noite. Pela escuridão que estava presumia que fosse em torno das 20h . Ele olhou para o homem que o encarava e viu pela primeira vez seu rosto direito. Tinha os cabelos acinzentados e olhos castanhos escuros. Parecia alguém com bastante disposição, embora sua aparência dizia que tinha entre 45 e 60 anos. O homem o olhava curioso.
–Sou David. Você vai ficar aqui agora.-Ele disse dando espaço para que Tobias enxergasse a casa a sua frente.- Essa é sua casa agora, garoto. Não vai ir embora tão cedo, então:Bem-vindo ao lar.
David sorriu para ele.
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